(Port) Estados Unidos

neil birrell (neil@lds.co.uk)
Thu, 8 Feb 1996 18:53:35 +0100


LETRALIVRE
AGENCIAS DE NOTICIAS ANARQUISTAS
CUBIERTO
SAO PAOLO
BRAZIL
--------------------------------------------
Estados Unidos
+++++++++++++++++++++++

Nos Estados Unidos (EUA), o estudo do complexo militar-industrial nas
universidades n=E3o =E9 um tema tabu, como ocorre em outros pa=EDses. A=
grande
m=EDdia denuncia os diversos escandalos que sacodem periodicamente o
Pent=E1gono: soldos e gastos exorbitantes; ne ciatas entre multinacionais de
armamentos e miJitares de alta patente, pol=EDticos, etc. =20

O complexo militar-industrial tendo aumentado consideravelmente seu poder
nos EUA depois da Segunda Guerra Mundial e desenvolvido sua hegemonia na
economia nacional intemacional, tem poder suficiente para n=E3o se abalar=
com
as cr=EDticas da opini=E3o p=FAblica ou as "cr=EDticas" dos diversos=
presidentes (de
cualquer partido). A "Nova Ordem Mundial' esta acima destas circunstancias. =
=20

Para compreender melhor o tema, =E9 neces rio falar de tr=EAs quest=F5es: a
doutrina i de base que inspira o complexo militar-industrial dos EUA; a
composi=E7=E3o so=E7iol=F3gica desta forma=E7=E3o social; e os meios=
log=EDsticos dos
quais se dota para aplicar sua doutrina. =20

Antes da derrota alem=E3 e japonesa, e plena Segunda Guerra Mundial, o=
governo
norte-americano definiu o "Grande Espa=E7o" como "um grande sistema que os=
EUA
dominariam e no interior do qual os interesses econamicos americanos se
desenvolveriam... espa=E7o subordinado =E0s necessidades da economia os=
EUA". J=E1
na@uela =E9poca se tratava de constituir o dom=EDmo imperial mais importante=
da
hist=F3ria humana, exce=E7=E3o feita a URSS/Europa Oriental e =E0 China. =
=20
A teoria do "Grande Espa=E7o" se completava com o conceito de "destacamento
avan=E7ado" @Forward deploent) que im@licava que os @UA deviam instalar=
bases
mllitares por todo o mundo para criar este "Grande Espa=E7o". Atualmente,=
a
teoria da domina=E7=E3o mundial continua sendo plenamente vigente nos EUA,
promovida pelo poder militar e pol=EDtico. Assim, para Colin Powell,
presidente do Comit=EA das Forc@as Armadas norte-americanas "n=F3s devemos
dirigir o mundo". E o atuai presidente, Bill Clinton, continua assumindo sua
lideranc@a sobre o planeta, conforme os interesses econ=F4micos e=
financeiros
do capitalismo nor
-americano. O complexo militar-industrial dos EUA n=E3o se reduz=
unicamente
aos industriais e aos militares de alta patente, tamb=E9m compreende
pol=EDticos, altos funcion=E1rios, cientistas e banqueiros. Func=EDona como=
unl
grupo de press=E3o no Legislativo para conseguir a parte do le=E3o dos
orc@amentos. Trata-se, em primeiro lugar, de assegurar a reproduc@=E3o dos
lucros das multinacionais norte-americanas do armamento, assim como os
enormes privil=E9gios que desfrutam os integrantes do complexo=
militar-industrial.

lobby militar, inclusive, controla o Minist=E9rio da Defesa. =20

Se a crise econ=F4mica, a queda do imp=E9rio sovietico e a press=E3o que=
sup=F5e o
aumento da pobreza t=EAm provocado uma redu@=E3o dos gastos militares, em
particular a diminuic@=E3o de m=EDsseis nucleares trat=E9gicos e t=E1ticos,=
o
governo dos EUA continua mantendo a lideran=E7a tecnol=F3gica em mat=E9ria=
de
armamento nuclear e convencional. Os orc@amentos de pesquisa e
desenvolvimento de m=EDsseis antimisseis, sat=E9lites de espionagem, grandes
avioes de transporte,
quipamentos para for=E7as de a@=E3o rapida, etc., constituem a variedade de
recursos que permite aos EUA conservar o dom=EDnio militar sobre o planeta e
assegurar, ao seu sistema econ=F4mico e industrial, o acesso =E0s
mat=E9rias-primas e mercados mundiais, em part ular os do chamado Terceiro
Mundo. Tamb=E9m existe um orcamento em dinheiro s=FCjo que permite manter em
segredo determinadas opera@=F5es. Nos =FAltimos 50 anos, o complexo
militarindustrial norte-americano tem tomado toda uma s=E9rie de medidas que
se poderia nominar-se de "expans=E3o log=EDstica", uma das bases sobre as=
quais
se tem constru=EDdo a chamada "Nova Ordem Mundial", que n=E3o tem de nova=
mais
que o nome. A expans=E3o log=EDstica, que permite assegurar ao @omplexo
militar-industrial os meios de domina=E7=E3o sobro planeta e ampliar o=
"Grande
Espa=E7o" americano, est=E1 constitu=EDdo por uma grande diversidade de
infra-estruturas: =20
* Mais de 1.500 bases militares e facilidades em todo o mundo para realizar
suas opera@=F5es de expans=E3o. Esta rede de bases foi utilizada pelos EUA=
para
realizar mais de 200 intervenc,=F5es militares no Terceiro Mundo, entre elas
Vietn=E3, Camboja, L=EDbano, Lia, Zaire, Rep=FAblica Dominicana, Ir=E3,=
Cuba,
Guatemala, Nicar=E1gua, etc. =20
* Para dispor destas bases no exterior e consolidar sua domina=E7=E3o=
militar e
pol=EDtica, os EUA t=EAm multiplicado os tratados e alian=E7as militares em=
todos
os continentes: a OTAN para a zona do Atlantico Norte, o tratado da
Organizac,=E3o do Sudeste Asi=E1tico, pacto do Anzus, assim como os tratados
bilaterais com Jap=E3o, Cor=E9ia do Sul e Taiwan Se a maioria dos governos=
tem
aceito esta integra=E7=E3o pol=EDtica e militar na ordem internacional
norte-americana, freq=FCentemente mediante centenas de milh=F5es de d=F3lare=
s
dajuda militar e econ=F4mica, em determinadas ocasi=F5es (Okinawa, Guam,=
Porto
Rico) os agricultores oferecem forte resist=EAncia, negando-se a assinar os
contratos de venda de suas terras. =20
* Para conquistar o grande mercado de que necessitava o capitalismo
norte-americano, os sucessivos governos e o aparato do Estado, ajudados por
importantes multinacionais, =E0s claras ou de forma camuflada, t=EAm=
intervindo
para colocar sob sua =F3rbita de ilu=EAncia os dirigentes que lhes fazem
oposi=E7=E3o (por outro lado, facilmente corrupt=EDveis) ou para eliminar=
aqueles
dirigentes de pa=EDses do Terceiro Mundo que se op=F5em a entrar na ordem
mundial made in USA. =20
* Interven=E7=F5es militares diretas se desenvolveram e se desenvolvem=
contra
aqueles que se negam a submeter-se ao imperialismo norte-americano.
Interven=E7=F5es diretas (Cuba, Granada, Vietn=E3, Panam=E1, Iraque, ...),=
ou
indiretas, atrav=E9s do apoio por parte da A a diversas guerrilhas (apoio
loglstico, venda de armas), para desestabilizar governos do Terceiro Mundo
(Nicar=E1gua, Angola, Moc,ambique, ...). =20
* Finalmente resta o enorme leque de medidas econ=F4micas de press=E3o e
intervenc,=E3o muito utilizadas pelos EUA e as grande organiza@c)e@=
Internac1@
n@is dominadas ou subordinadas aos interesses norte-americanos (Conselho de
Seguran=E7a da ONU, Banco MundialF@II, GAl-r) e que permitem estrangular
Estados, popula@=F5es, ind=FAstrias ou regioes do mundo quando oferecem
resist=EAncia aos interesses do complexo militar-industrial e =E0s
multinacionais dos EUA. =20
O Conselho de Seguranc,a permite outorgar legitimidade internacional =E0
pol=EDtica imperialista dos EUA declarando urbi et orbe qual =E9 o Bem=
absoluto
e qual =E9 o Mal absoluto, e castigando os "desobedientes'? que se negam a
integrarse na "Nova Ordem Mundial

Para esta finalidade se utilizam os meios de que disp=F5e a Carta da ONU
(resolu=E7=F5es de press=E3o e castigo, embargo econ=F4mico, interven=E7=E3o=
militar).
O Fundo Monet=E1rio Internacional e o Banco Mundial difundem em escala
planet=E1ria a doutrina do liberalis e pedem a todos os Estados que se=
adaptem
=E0s regras estritas da ortodoxia capitalista, des@alorizando suas moedas e
pagando suas d=EDvidas. Estas regras s=E3o ditadas principalmente para os=
pa=EDses
do Terceiro Mundo j=E1 que para os EUA, cuja d=EDvida total =E9 d vezes=
maior que
a de todos os pa=EDses do Terceiro Mundo, se evita pressiona-los para g@ue
paguem. =20
Al=E9m do mals, o Banco Mundial sabe recompensar os "bons" e castigar os
"maus", como se viu durante a Guerra do Golfo P=E9rsico, quando cancelou
d=EDvidas ou fez empr=E9stimos a pa=EDses como Egito ou Polonia por=
participar na
coaliz=E3o contra o Iraque, e fez o ctr=E1rio com outros que recha=E7aram=
sua
participa=E7ao nela. No que se refere ao GAIT, dominado como est=E1 pelos=
EUA,
=E9 ele encarregado de inculcar e exigir de todos os pa=EDses do planeta o
respeito a sacrossanta lei do mercado, a abertura de fronteiras, em pecial
=E0s armas e aos produtos das multinacionais norte-americanas, reservando-se=
o
Estado norte-americano o direito de proteger-se das importa@oes estrangeiras
gra=E7as ao Buy Act, criando barreiras protecionistas de forma direta ou
camuflada, sob a form
de subven=E7=F5es e, na ind=FAstria, de pedidos por parte do Estado ou, na
agricultura, de compensa=E7=F5@s aos agricultores e ajudas =E0=
exporta@c=E3o... =20
Estas s=E3o as linhas b=E1sicas das medidas que comp=F5em a expans=E3o=
log=EDstica do
complexo militar-industrial norte-americano e que lhe permitem conquistar o
"Grande Espa@o", necess=E1rio para as aspira=E7=F5es de domina@=E3o em=
escala
planet=E1ria do Estado e do Capilismo dos EUA, que na realidade se confundem=
e
se superp=F5em. Nestas condi,c=F5es, seria ilus=F3rio esperar que, sem um=
forte
movimento de protesto, subvers=E3o e criac@=E3o de alternativas em escala
internacional, os tr=EAs pilares (doutrina, complexo militar-iustrial e
expans=E3o logistica) sobre os quais descansa a "Nova Ordem Mundial", e que
s=E3o o fundamento da pol=EDtica exterior dos EUA, viriam abaixo para dar=
lugar
a rela@c=F5es internacionais justas, livres e igualitarias.=20
A. M.
(Extra=EDdo de @a Letla @ n=B0 43. Dez./Jan. 95)

FREEDOM PRESS
http://www.lglobal.com/TAO/Freedom