(Port)SINDICATOS DEMASIADO FORTES?

neil birrell (neil@lds.co.uk)
Thu, 5 Oct 1995 21:08:04 +0100


scanned article

SINDICATOS DEMASIADO FORTES?

Este mes Jean Paul, operario da indus-
tria do vestuario em Toulouse (Franca),
perdeu o emprego de 400 do'lares se-
manais e ingressou no rol dos bene-
ficiarios do subs@dio de desemprego. Em
Ho Chi Minh (antiga Saigao), no Vietnam,
Hoa, operario da industria do vestuario,
acaba de ser contratado a 30 do'lares por
semana por uma empresa francesa (ioint-
venture).
Embora a milhares de quilo'metros de
distancia, a vida destes dois trabalhado-
res acha-se interligada. E um exemplo ci-
tado na introducao do ultimo Relato'rio do
Desenvolvimento Mundial, documento fun-
damental da politica do Banco Mundial.
Nas 251 paginas de "Trabalhadores num
Mundo em Integracao" apela-se a uma po-
litica de "flexibilizacao do mercado de tra-
balho", de reducao da proteccao laboral,
de privatizac8es e de mercado livre.
Este documento foi publicado quatro
meses depois da O.l.T. ter chamado a
atencao para aquilo que designava @o
uma "crise global de desemprego". Cer-
ca de 30% da forca de trabalho global -
2.500.000 de pessoas - estao actualmen-
te desempregadas ou subempregadas.
Muitos pa@ses europeus tem taxas de
desemprego superiores a 10%. Niveis mais
elevados afligem a Africa, a Ame'rica Lati-
na, o sul da Asia e o Pro'ximo Oriente. O re-
sultado disto e' a crescente agitacao naqui-
lo que o Banco Mundial rotulou de"tem-
pos revolucionarios na economia globar'.
O Banco Mundial nega que a responsa-
bilidade pela queda dos salarios e pela
precarizacao do emprego no mundo in-
dustrializado resulte de maior mobilida-
de do capital e do crescimento da mao negocia
de obra barata nos paises pobres.
Segundo Michael Walton, presidente da
comissao que elaborou o Relato'rio do
Desenvolvimento Mundial, "e' em grande
parte infundado o receio de que as eco-
nomias emergentes esteJam a asplrar
empregos dos paises industrializados".
Pelo contrario, o Relato'rio insiste em que
os problemas do desemprego se devem
mais a "alteraco~es tecnolo'gicas"- combi-
nadas- a r@gidos sistemas salariais e de
seguranca social - do que a concorren-
cia da mao de obra barata nas econo-
mias emergentes. Em linguagem cha is-
to significa que o Banco Mundial entende
que estamos a ganhar demasiado quan-
do trabalhamos, bem como quando esta-
mos invalidos ou reformados. Bastava que
aprendessemos a viver com menos (mui-
to menos), e todos estariamos melhor.
Mas o Banco Mundial diz que as politi-
cas que favorecem sindicatos fortes, de
industria (politicas com que nao esta-
mos familiarizados), transformam os sin-
dicatos em organizaco~es "monopolistas,
melhorando os salarios e as condico~es
de trabalho a expensas dos capitalistas,
dos consumidores e dos trabalhadores
nao sindicalizados". Para reduzir o poder
dos sindicatos - referidos como "uma pe-
quena mas faladora minoria" - o Banco
recomenda que so' Ihes seja permitido
negociar acordos locais.
( do Industrial Worker, Agosto de 1995)
A BATALHA Julho-Agosto 1995