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(pt) Organização Específica Anarquista (OEA): Sobre a greve dos rodoviários e rodoviárias em Manaus: Viva a justa revolta popular!

Date Fri, 8 Jun 2018 10:12:05 +0300


A greve dos rodoviários, após 7 dias de duração, chega ao seu fim da forma mais dramática possível: ameaça de prisão de sindicalistas, criminalização do sindicato, judicialização da luta social, revolta popular generalizada e golpes covardes dos poderes locais contra os trabalhadores e o povo amazonense. ---- REVOLTA POPULAR ---- O último dia de greve dos rodoviários em Manaus, foi marcado pela explosão da revolta popular que tomou conta da Zona Leste da capital (Terminal 4) na manhã desta segunda-feira (04/06). De forma espontânea, a população enfurecida pela situação de caos e transtorno criado tanto pela máfia dos empresários que controlam o transporte coletivo, quanto pelo prefeito fantoche deles, protagonizou um verdadeiro ato de rebelião popular nas ruas da Zona Leste (que é composta por bairros populares, operários e de trabalhadores). O resultado foram mais de 60 ônibus destruídos, 3 incendiados e muita repressão policial, num saldo de 10 detidos e dezenas machucados. Repudiamos a truculência policial, as balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e uso abusivo de força, que reprimiu centenas de trabalhadores, mulheres, jovens e idosos todos no seu direito de estarem indignados. A revolta popular é legítima, e é fruto imediato da raiva e fúria acumulada pelo povo ao longo de anos e anos de sofrimento diário na pele, com a carestia da passagem, o sucateamento e a piora permanente do transporte coletivo e o descaso das ditas autoridades. A população, descrente com as soluções propostas pelos governos das velhas oligarquias e pelo apodrecido estado amazonense, faz valer sua voz nas ruas.

Ainda pela manhã, os rodoviários compareceram em peso em frente a CMM (Câmara Municipal de Manaus) para exigir a imediata abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as empresas do transporte coletivo representadas pela patronal Sinetram. Os rodoviários foram proibidos de entrar na casa pelo corrupto Wilker Barreto (PHS) que alegava "desrespeito com o povo" - leia-se, medo de encarar os trabalhadores.

O PAPEL DA IMPRENSA NA CRIMINALIZAÇÃO DA GREVE

Desde o inicio da greve, o papel da imprensa local tem sido determinante para promover a criminalização dos rodoviários, e se tratando de uma revolta popular generalizada não poderia ser diferente. Logo ecoaram nos jornais, nos portais de noticias, rádios e programas de Tv, a pecha de vandalismo, baderna, crime e bandidagem. Por outro lado, cobravam uma resposta "firme" das ditas autoridades locais e da policia para prender os "vândalos" e de quebra a diretoria do sindicato. O prefeito Arthur Neto (PSDB), fez declarações na imprensa onde pedia a imediata prisão do presidente do Sindicato dos Rodoviários - na verdade, todo o conjunto dos poderes locais clamavam pela prisão: prefeitura, empresários, Sinetram, imprensa, desembargadores, juízes... Os/as trabalhadores/as rodoviários/as tem sofrido desde o inicio com o peso da judicialização da sua greve, ou seja: de imediato a greve fora declarada como "ilegal" e portanto "proibida", seguido de sansões e notificações vindas do TRT (expedidos pela desembargadora Eleonora Saunier), MPT (Ministério Público do Trabalho) e até mesmo OAB (Ordem dos Advogados do Brasil - seção Amazonas), a aplicação de multas diárias (300 mil por HORA ao sindicato, além da multa de 1 mil reais para motoristas em greve), quebra de sigilo e suspensão das contas, bens e patrimônios do Sindicato (expondo toda a estrutura interna da entidade) e outras restrições, como por exemplo, a proibição da liderança sindical de se aproximar a menos de 100 metros das garagens ou onde houver concentrações de trabalhadores, tudo sob pena de prisão.

A sede da imprensa e do judiciário local em criminalizar e acabar com greve de qualquer forma, chegou ao seu ápice quando algumas "figurinhas carimbadas" da imprensa sensacionalista local, pediram que no lugar dos trabalhadores motoristas, se colocassem policiais militares para dirigir os ônibus, pois os eles "não são dos empresários", mas obedecem uma "concessão publica"... um argumento simplesmente ridículo. Porém, não nos espanta o fato de quem fez tal fala, fosse um herdeiro direto da ditadura militar no Amazonas, e que graças a ela, literalmente, hoje é proprietário de uma concessão pública para estação de rádio. A desembargadora chegou a falar em "intervenção federal" para dar "um basta" à greve dos rodoviários e um juiz entrou com pedido de investigação junto a Policia Civil para prender a diretoria do sindicato por "associação criminosa".

GREVE, TERCEIRIZAÇÃO E TRABALHO INTERMITENTE

O prefeito, testa de ferro dos empresários, ameaçou demitir cerca de 40 à 60% da totalidade da categoria (de 4 a 6 mil trabalhadores), recontratando os trabalhadores pelo sistema de trabalho intermitente (o "horista") e terceirizado, dentro do esquema vigente da nociva Reforma Trabalhista recentemente aprovada. Na prática, para os ‘de cima', isto geraria um lucro imediato (cerca de 15 a 20 milhões de reais, não sendo nenhum tostão repassado para a categoria ou população, segundo estudos do Sindicato), e para os ‘de baixo', demissão em massa: assistiríamos o extermínio de uma categoria de trabalhadores nunca visto antes na cidade. Além disso, haveria o imediato achatamento e desvalorização do salário: uma redução de 50% no salário, sem direito a ter cesta básica, plano de saúde, intervalos de descanso entre as viagens e jornadas. Nas negociações feitas hoje à tarde, os rodoviários conquistaram sua principal reivindicação, que era o reajuste salarial de 5,5% (relativos aos anos de 2017 a 2019). Entretanto, foram literalmente obrigados a aceitar o "acordo" proposto pela patronal: 10% do quadro total de funcionários terá de ser formado por trabalhadores horistas, terceirizados, intermitentes ou de tempo parcial até Abril de 2019. Alem disso, os trabalhadores irão compensar as faltas (o abono de faltas foi negado).

BURGUESIA AMAZONENSE MOSTRA SUA VERDADEIRA CARA

A greve dos rodoviários vem na esteira das lutas recentes feitas por diversas categorias de trabalhadores (caminhoneiros, petroleiros, professores) e setores em luta contra a piora nas condições de vida e contra a retirada de direitos país a fora. A greve dos rodoviários nos serviu para mostrar a suja face dos poderes locais, que não hesitando em defender seus privilégios, se unem numa "frente única" burguesa, usando de todos os artifícios e táticas para atacar os trabalhadores e não ceder aos direitos reclamados. Frente aos olhos da população, está cada vez mais difícil para a burguesia, políticos corruptos e oportunistas de plantão, manter o ar de "normalidade" e "tranquilidade" frente a profunda crise em que os governos e o estado está mergulhado até o pescoço. O povo assiste com nojo, horror e repulsa a farra com o dinheiro público e os escândalos e casos de corrupção que não param de vir a tona. A raiva do povo acumulada, na menor faísca de injustiça, explodirá como barril de pólvora para horror das burguesias e dos poderosos. Não duvidemos disso. A luta continua! Toda solidariedade aos rodoviários e rodoviárias!

NÃO À REPRESSÃO POLICIAL!

NÃO À JUDICIALIZAÇÃO DA LUTA SOCIAL!

VIVA A RAIVA DO POVO! LUTAR NÃO É CRIME!

https://anarquismoam.wordpress.com/2018/06/04/sobre-a-greve-dos-rodoviarios-e-rodoviarias-em-manaus-viva-a-justa-revolta-popular/
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