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(pt) uniao anarquista: Comunicado nº 52 da União Popular Anarquista - UNIPA: Maria Eduarda Vive! Combater o Genocídio da Juventude Negra Brasileira!

Date Wed, 12 Apr 2017 13:33:46 +0300


Familiares e amigos choram no enterro da jovem Maria Eduarda, assassinada pela polícia. ---- Abril de 2017. ---- O Brasil é marcado por uma forte desigualdade social, onde muitos poucos têm muito, e uma ampla maioria da população nada tem. Na conjuntura atual, caracterizada pela grave crise econômica e política este quadro tende a aumentar. O desemprego crescente, o aumento do custo de vida, somada a lei da terceirização (sancionada pelo presidente Temer/PMDB no dia 31/03/2017) e as leis previdenciárias e trabalhistas que estão prestes a serem aprovadas jogarão o povo e em especial a mulher negra, moradora de favela e periferia cada vez mais na miséria. Sem contar com quase 50% das trabalhadoras e trabalhadores, em sua maioria negros, que trabalham na informalidade. Como consequência desta situação social, tende a aumentar a violência social.

O Rio de Janeiro assume feição especial neste processo. Temos uma grave crise econômica no Estado, onde salários e décimo-terceiro de servidores estão atrasados, os terceirizados de limpeza e segurança das instituições públicas chegam a ficar 3 meses sem seus salários, os hospitais que já eram precários cada vez mais se tornam inutilizáveis, pois não a verba não chega, as políticas sociais são cortadas como os restaurantes populares, etc. Com essa condição e situação de miséria tende a afetar ainda mais o povo negro e trabalhador. A saída dada pelo Estado e o grande capital será o aumento da política de genocídio do povo negro das favelas e periferias, seja através da Polícia Militar ou das forças armadas.

Maria Eduarda

Nesta última semana de março dois episódios marcaram a violência policial sobre o povo carioca. No dia 29 no morro da formiga na tijuca, um trabalhador negro que em suas férias estava trabalhando como moto-táxi foi brutalmente executado pela polícia com 7 tiros, mesmo após ter levantado as mãos. Não bastasse a execução, os policiais proibiram a população de levar o ferido para o hospital. Após o episódio a população se revoltou com mais uma morte de um trabalhador e com barricadas e pedras atacou a polícia e fechou a principal rua do bairro. No dia seguinte, 30/03 a jovem estudante Maria Eduarda, filha de pedreiro e dona de casa, de apenas 13 anos foi executada com três tiros enquanto fazia aula de educação física na Escola Municipal Daniel Piza em Acari. No mesmo dia e provavelmente na mesma hora que a jovem morreu dois jovens negros, já caídos no chão, no muro da mesma escola foram executados por policiais. A população revoltada iniciou uma série de protestos com barricadas na Avenida Brasil e ruas adjacentes, morteiros e molotov na polícia que reprimiu duramente com bala de borracha e gás lacrimogênio, inclusive para dentro da escola. Ainda no dia 31/03 a imprensa corporativa noticiou a execução dos jovens Wallace Marques da Silva, 14 anos; Thierry Balarmino, 13 anos e Caio Nogueira, de 14 anos , em Colégio, bairro da zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

Episódios como este não são novos na cidade do Rio de Janeiro. Faz parte de uma política de Estado de combate as drogas não somente fracassada, como principalmente de extermínio do povo trabalhador e negro de favelas e periferias. Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) aponta que o número de homicídios dolosos (aquele que se tem intenção de matar) passaram de 786 no primeiro bimestre de 2013 para 978 no mesmo período deste ano, e que os auto de resistência (morte durante intervenções da polícia) que somaram 58 casos em janeiro e fevereiro de 2013, chegaram a 182 casos no mesmo período neste ano[1].

O povo não aguenta mais ser morto pelo Estado. As duas revoltas que ocorreram nos dois episódios não é somente justa como legítima. Entretanto está revolta tem que ser organizada para se potencializar e atacar o Estado. Além disso, a luta contra o genocídio do povo pobre e negro deve estar associada a luta geral por melhores condições de vida (trabalho, saúde, educação e moradia).

O movimento negro autônomo e combativo já indicou o caminho: a) superar a ideologia da tutela estatal, fomentada pelo Estado e pela linha reformista, como a campanha "Não Vote, Reaja"; b) fomentar a autodefesa por local de trabalho, moradia, estudo e lazer como forma de desenvolver seu associativismo de base; e c) criação de redes de solidariedade e autodefesa popular entre sindicatos, coletivos estudantis e movimentos sociais antidiscriminatórios.

Greve Geral contra o genocídio do Povo Negro!

Nota:

[1]http://oglobo.globo.com/rio/em-janeiro-fevereiro-numero-de-homicidios-no-rio-o-mais-alto-desde-2013-21145765

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2017/04/05/maria-eduarda-vive-combater-o-genocidio-da-juventude-negra-brasileira/
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