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(pt) CAB, PUBLICAÇÕES: NO BATENTE #7 - A História sendo construída: ocupaçoes de escolas no Paraná: coletivo anarquista luta de classe CALC

Date Wed, 6 Sep 2017 11:34:26 +0300


As mais de 850 escolas estaduais ocupadas no Paraná em 2016 foram um marco na história da luta estudantil mundial. Este processo, que não era previsível nem pelos estudantes, professores e pesquisadores, tampouco pelos movimentos sociais e organizações políticas, se deve em grande medida pela influência de outros processos de luta na América Latina. ---- Ocupações secundaristas anteriores ---- No ano de 2006 houve, no Chile, uma onda de ocupações de escolas chamada A Revolta dos Pinguins. Esta experiência de luta com protagonismo estudantil seguiu inspirando estudantes e foi talvez a maior influência para o processo brasileiro do final de 2015 e início de 2016. Em São Paulo mais de 200 escolas foram ocupadas contra o fechamento de escolas proposto por Alckmin (PSDB) e ao redor do país houve também ocupações contra o projeto Escola sem Partido, por merenda de
qualidade e contra a privatização,
terceirização e precarização da
educação. Neste período, o Rio
Grande do Sul ocupou mais de 100
escolas, o Rio de Janeiro e o Ceará
tiveram mais de 50 e Goiás mais de
20.

Histórico de Lutas no Paraná

O estado do Paraná conta ainda
com importante história de lutas e
conquistas do povo, seja na cidade,
no campo ou floresta. Neste estado
houve expressiva luta estudantil
contra a ditadura militar e
aqui surgiu o maior movimento
social organizado do mundo, o
MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais sem Terra), além de
dezenas de ocupações urbanas que
marcaram os anos 80 e 90.

A tática de ocupar prédios públicos
para reivindicar direitos é
comum a muitos movimentos
sociais e bastante utilizada por
estudantes nas universidades
públicas brasileiras. Estudantes
da Universidade Federal do
Paraná (UFPR), Universidade
Estadual de Londrina (UEL),
Universidade Estadual de Maringá
(UEM), utilizaram esta tática
diversas vezes, tomando o prédio
da Reitoria e impedindo o

funcionamento normal da instituição
até que as pautas fossem
negociadas. Desde os anos 2000 a
UFPR, por exemplo, teve sua
Reitoria e campus ocupados por
quatro vezes, na UEL, foram três
ocupações até agora; e na UEM
duas. Ou seja, esta prática marcou
a história das universidades, escolas
e escolas técnicas por todo o
Paraná e pelo Brasil.
Além das lutas estudantis propriamente
ditas, outros processos de
luta influenciaram os secundaristas
paranaenses. Recentemente,
em 2015, houve um episódio
conhecido como Massacre do
Centro Cívico, que aconteceu em
29 de abril em Curitiba. Neste dia
milhares de trabalhadoras e trabalhadores
de diversas categorias do
funcionalismo público municipal
foram atacados com bala de borracha,
spray de pimenta e bombas
de gás lacrimogênio. Neste período
ocorreram duas ocupações da
Assembleia Legislativa do Estado
do Paraná (ALEP), protagonizadas
por educadores, estudantes
e outros trabalhadores indignados
contra o Pacotaço de Maldades
proposto por Beto Richa (PSDB).
Vários dos estudantes presentes
em solidariedade aos seus professores
ocuparam suas escolas cerca
um ano e meio depois para, mais
uma vez, defender a educação
publica e nossos direitos.
As Jornadas de Junho de 2013 foi
também um processo de lutas
importantíssimo, conhecido no
Brasil e no mundo. Foram milhões
de pessoas nas ruas lutando inicialmente
contra os aumentos nas
tarifas do transporte público e
depois estendendo para várias
outras pautas, reivindicando,
sobretudo, serviços públicos de
qualidade. O movimento foi
construído independente de partidos
políticos e empresas e conquistou
redução no valor da passagem
de ônibus em mais de 100
cidades brasileiras. Este período
marcou a história da luta do povo
oprimido no Brasil, demonstrando
que é nas ruas que o povo irá
forjar seu próprio caminho e que
só assim é possível barrar os ataques
dos poderosos.

Lições com estas lutas

Todas estas experiências foram
marcadas pela intensa defesa de
autonomia dos movimentos. Os
protagonistas foram as próprias
pessoas afetadas pelos diferentes
ataques dos de cima. Muitas contribuições
foram feitas e muito
apoio foi dado por diversas pessoas,
coletivos e organizações
políticas, mas palavra de ordem
entoada pelos estudantes deixava
claro seu caráter: "Autonomia,
autogestão, é nós por nós defendendo
a educação!". Apareceram
também organizações políticas e
pessoas contrarias ao movimento
tentando desconstruí-lo, mas
os estudantes resistiram e quem
discutiu e deliberou os rumos das
ocupações foram as pessoas
diretamente envolvidas.
A combatividade dos movimentos
sociais tem estado cada vez
mais presente no cenário brasileiro,
com aumento no número e
na força das ocupações, trancamentos
de ruas e marchas que
param as cidades. Não foi por
meio de conchavos e conversas
de gabinete que garantimos
nossos direitos, mas sim com a
luta combativa das massas. Ainda
assim, para combater os ataques
com efetividade e coerência foi e é
necessário um processo de
aprendizagem e auto-organização.
Assembleias permitiram
que estudantes e trabalhadores
entendessem de que modo cada
ataque afetaria o futuro e decidissem
os rumos que o movimento
deveria tomar, disseminando a
democracia de base e se distanciando
da autoridade de dirigentes.

Contudo, não ganhamos todas as
batalhas e muitas ainda estão por
vir. O desafio é fazer com que os
acúmulos destes processos não se
percam e caminhar para o fortalecimento
das organizações na
base. Muitas destas lutas, entretanto,
demonstram fragilidades
de organização no campo tático/estratégico.
É só com a prá-
tica concreta e o acumulo histó-
rico da classe oprimida que podemos
avançar e fortalecer a luta do
povo. As ocupações de escolas e
as lutas que as antecederam
nos dão valiosas lições que
permitem acertarmos mais no
futuro para garantirmos mais
direitos!

https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2017/08/jornal-no-batente-1.pdf
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