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(pt) Contra a Copa e a Repressão: Somente a Luta e Organização! by FARJ (en)

Date Wed, 02 Jul 2014 12:07:56 +0300


http://anarquismorj.wordpress.com/2014/07/01/contra-a-copa-e-a-repressao-somente-a-luta-e-organizacao/ by FARJ <http://anarquismorj.wordpress.com/author/anarquismorj/ O quadro das lutas e dos conflitos sindicais e populares no país antes e durante a Copa do
Mundo, tem pressionado o governo federal, alguns governos estaduais, municipais e as
patronais, gerando uma guerra de nervos nos principais centros urbanos do Brasil. ---- Se no ano passado as grandes mobilizações foram protagonizadas pelos setores precarizados
da juventude e não pelos movimentos populares organizados, em 2014, a tônica tem sido e,
pelo jeito, continuará sendo dada pela base dos trabalhadores de diversas categorias e por setores próximos e articulados com as classes oprimidas. O desenrolar do conflito dos
Metroviários de São Paulo - que durante dias enfrentaram a intransigência de uma das
piores expressões da direita desse país (o quadro da organização de extrema direita
católica Opus Dei Geraldo Alckmin/PSDB) é um exemplo disto, recebendo a forte repressão
policial, todo o jogo sujo dos grandes meios de comunicação e ainda o anúncio de mais de
40 demissões. Os metroviários prosseguem na campanha de readmissão dos 42 trabalhadores
demitidos. Chumbo grosso está sendo jogado em cima desses valorosos companheiros/as e em
cima de outras categorias atualmente em greve é por isso que precisamos estar atentos a
todas as tentativas de criminalização das lutas.

*Estado de exceção? Estado de luta e solidariedade permanente!*

No marco da Lei Geral da Copa e da Portaria de Garantia da Lei e da Ordem, que configura
um verdadeiro Estado de Exceção no país, faz-se extremamente necessária a Solidariedade
incondicional do conjunto da esquerda e dos movimentos sociais a todos os conflitos em
curso e, principalmente, para os trabalhadores metroviários de São Paulo.

tropa_de_choque_em_sc3a3o_paulo_1
<http://anarquismo.noblogs.org/files/2014/06/tropa_de_choque_em_sc3a3o_paulo_1.jpg>

Em virtude das jornadas de junho de 2013, temos visto a crescente preocupação do Estado
brasileiro em garantir a "tranquilidade" durante o período da Copa. O que, na prática, se
expressa em mecanismos jurídicos que rifam direitos civis e liberdades democráticas,
intensificação da repressão e da criminalização do protesto e da pobreza, aumento dos
efetivos policiais e militares nos centros urbanos, bem como em suas periferias e favelas,
assim como os gastos com as tecnologias de repressão. A continuidade das lutas sindicais e
populares neste período nos indica que não serão poupados esforços no sentido de conter,
amedrontar e impedir que os trabalhadores usem de instrumentos legítimos e históricos para
defender seus direitos e arrancar conquistas, como greves, piquetes, ocupações e marchas.

No Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, por exemplo, mandados de busca e apreensão foram
expedidos às vésperas da COPA, com detenção de alguns companheiros/as no sentido de
inculcar medo nos lutadores sociais. No Distrito Federal, militantes do Comitê Popular da
Copa receberam intimidação de supostos representantes da Justiça Eleitoral
não-identificados, um dia antes de um protesto contra os gastos da copa. Em Porto Alegre,
vários lutadores sociais do Bloco de Lutas estão sendo processados e intimados. Os
próprios metroviários em greve sofreram forte repressão da Tropa de Choque da PM, que usou
bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e balas de borracha. Em Goiânia, estudantes da
Frente de Luta pelo Transporte Público foram presos de forma arbitrária e somam-se aos
inúmeros presos e detidos da luta pelo transporte no país. A lista é enorme e poderíamos
estender mais de uma página com casos de intimidação e repressão de norte a sul do país.

O problema do déficit habitacional que é gravíssimo no país, faz o número de ocupações
urbanas nas grandes cidades multiplicar-se. A resposta do estado, tem sido defender os
especuladores imobiliários, com remoções forçadas. Salvo, quando os movimentos de moradia,
saem às ruas denunciando e exigindo avanços, como recentemente em São Paulo.

Temos apontado, em nossos materiais de análise, que vivemos um momento emblemático em
nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações
políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas que podem prosseguir para além
da Copa do Mundo. Tudo isso coordenado por uma constante guerra psicológica às lutas
sociais por parte dos grandes meios de comunicação, destilando seu ódio de classe e suas
mentiras na expectativa de construir um consenso conservador que reforce a ideia de que a
questão social é um caso de polícia. O período da Copa confirma a continuidade desse
cenário. Em comunicado nacional, no dia 10/06, a presidenta Dilma Rousseff diz que essa
será a "copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento". Uma clara
reafirmação do atual pacto social empregado pelo atual governo com a burguesia e sua base
de sustentação, tanto em termos partidários como dentro dos movimentos sociais que
hegemoniza, como é o caso da CUT por exemplo.

*Enfrentar a repressão: organizando e lutando!*

O período que estamos vivendo tem demonstrado a verdadeira face do sistema de dominação
capitalista, que não será transformada com a troca dos governos de turno. Quando os de
baixo se movem, os de cima tratam de pôr em funcionamento toda ordem de mecanismos
coercivos, repressivos e de intimidação para frear as lutas. A repressão é e sempre será a
carta na manga das classes dominantes e do Estado, a carta que derruba todas as demais e
impõe a "paz social". A violência dos de cima é constitutiva das estruturas de dominação
do capitalismo e, portanto, nunca será uma exceção no atual sistema. Ela é regra que
contribui para manter operando as relações de poder e dominação funcionais aos privilégios
das classes dominantes.

É certo que a natureza das mobilizações, muitas delas à revelia das direções sindicais e
das estruturas oficiais do sindicalismo "tradicional", nos pede que avancemos para formas
de organização, desde a base, que façam da experiência de luta de milhares de
trabalhadores, moradores das periferias urbanas, pobres do campo e estudantes um critério
para apontar o que serve e o que não serve ao protagonismo e ação direta desses lutadores.
Isso implica reforçar e construir movimentos populares e organismos de base sindical
combativos e independentes para dar força social aos oprimidos e oprimidas, linha política
que a CAB tem modestamente se dedicado a construir em diversos setores de luta. As
experiências das lutas de 2013 e dos recentes conflitos têm sido as que melhor têm
produzido uma ideologia combativa, de luta e de enfrentamento. Não é hora de recuar mas
sim, hora de dar qualidade organizativa!

Dar qualidade organizativa na criação de organismos de base.
<http://anarquismo.noblogs.org/files/2014/06/bloco-de-lutas.jpg>

Mais uma vez, a hora é de solidariedade permanente, porque permanente é a luta e onde há
dominação há resistência! Onde há resistência, luta e organização de base, há sementes
sendo plantadas para a construção do Poder Popular.

O momento é de enfrentar a repressão lutando para que esse novo período de lutas contra as
forças da ordem aprofunde os níveis de organização e consciência dos de baixo para superar
o medo que a classe dominante seu governo de turno desejam nos impor.

*Toda Solidariedade à greve dos metroviários de São Paulo! Pelo Direito de Greve!
**Pela readmissão dos 42 metroviários grevistas!
**Pelo fim da detenção e das intimações dos lutadores!
**Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta, a greve e a organização dos de Baixo!
**Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta, independência de classe
e governos!
**Protestar não é crime!*

*Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)*
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