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(pt) Anarchist Federation of Rio de Janeiro FARJ - Libera #160 - Viva o Coletivo! Viva! - Construindo economias coletivas no campo e na cidade (en)

Date Sat, 08 Feb 2014 14:40:35 +0200


Eis a palavra de ordem que ecoou pela Quadra do Corações Unidos na tarde do domingo de 24 de novembro. A quadra, que fica no morro do Timbau, uma das favelas da Maré na Zona Norte do Rio de Janeiro, hospedou neste dia o encontro A Economia Que Queremos, Construindo Economias Coletivas no Campo e na Cidade. ---- O encontro uniu coletivos e movimentos sociais para trocar experiências e fortalecer os laços entre iniciativas populares baseadas na autogestão, no respeito e no apoio mútuo. Trabalhos onde não há patrão e nem empreendedorismo individual e sim empenho e gestão coletivos.Vieram companheiras e companheiros de mais de dez municípios da região metropolitana e onze grupos para apresentaram os trabalhos e experiências que desenvolvem em seus coletivos.

O encontro foi fruto de um processo de um ano de preparação, uma ideia que
surgiu a partir do Encontro Regional de Organizações Populares Autônomas
(EROPA), este último ocorreu em novembro de 2012 no Centro de Cultura Social
(CCS), Vila Isabel, zona norte da capital fluminense. Construíram juntos o
encontro integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento das Comunidades
Populares (MCP), da Universidade Popular Autônoma do Centro
(UPAC) e do Coletivo Roça!. Nos dias que antecederam o
encontro, um mutirão foi realizado para preparar tudo. Assim
foi possível, a partir do esforço coletivo, realizar este evento
com poucos recursos financeiros, levantados através do apoio
dos três Grupos de Investimento Coletivo (GIC) que existem no
Rio de Janeiro, do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II
(SINDSCOPE) e da UPAC.

No encontro, o Movimento das Comunidades Populares (MCP)
esteve representado por quatro grupos, o mercadinho coletivo, a
creche comunitária e o grupo de produção de produtos de limpeza,
todos atuantes com base na favela Chico Mendes (Pavuna), tais como os
Grupos de Investimento Coletivo (GIC). Todos estes grupos trabalham nas bases de
forma coletiva para resolver problemas imediatos do povo e construir sua
autonomia, objetivo que atravessa os trabalhos do MCP que é baseado nas dez colunas
do movimento. Entre educação, saúde, lazer e outros, a economia coletiva é uma
destas colunas. Também aposta em formas de produção coletiva o Movimento de
Organização de Base (MOB) que apresentou seus planos de produzir pães e bolos
em autogestão com base no CCS. O Movimento dos Pequenos Agricultores esteve
presente não somente com um ótimo café direto da roça, mas também com uma
apresentação da visão e prática de luta do movimento pela emancipação do
campesinato.Atuando em conjunto, desde a produção até a comercialização, o
movimento cria formas coletivas e sem exploração para produzir alimentos e levá-los
até os consumidores.

Também esteve presente a Cooperglícero de São Paulo, que luta não apenas pela
necessidade de sustento econômico de seus trabalhadores, mas também contribui
com a coletividade, num sentido amplo, com seu trabalho de reciclagem e
reutilização de materiais que a sociedade de classes despeja nas ruas e nos lixões sem
menor preocupação. Já Augusto, produtor de mel e cachaça artesanal envelhecida,
trouxe toda uma gama de produtos do sul de Minas Gerais.

Enquanto que a Roça!, junto a moradores do Timbau, ofereceu diversos de seus
produtos naturais, como também DVDs e livros. A Roça! apresentou seu trabalho,
que vincula a busca por uma atuação autônoma na favela aliada ao trabalho
coletivo de comercialização. Contou também sobre a conquista de seu pequeno
espaço comunitário. Ressaltaram que não dependem de financiamento externo,
como é o caso de Organizações Não Governamentais (ONGs) e Organizações de
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), e que por isso não ficam reféns dos
interesses privados. Seus componentes fazem uma avaliação que estes dois tipos
de associação, ONGs e OSCIPs, hoje tão comuns, atuam nos territórios de favelas
inseridas em relações de poder que muitas vezes dificultam a luta pela construção
do poder popular. Na contramão das relações de poder, os integrantes da Roça!
entendem que sem o nosso sustento econômico, sem recursos próprios, não te-
remos autonomia política nas favelas. Sem autonomia política não teremos força
para lutar e construir um movimento comunitário de resistência, organizado pela
base e protagonizado por seus moradores. Isso vai bem no sentido da chamada
do encontro, que identifica na economia "um meio (não um fim por si só), através
do qual movimentos sociais no campo e na cidade podem organizar e fortalecer
suas lutas."

Outro exemplos existem. Há mais de duas décadas nesta luta por emancipação da
classe trabalhadora, a Associação dos Produtores Autônomos do Campo de da Cidade
(APAC), situada em São João de Meriti/RJ, elabora e estimula tecnologias sociais
que abrem possibilidades de apropriação de meios de produção pelos trabalhadores
sem que haja a necessidade de investimentos de grandes quantidades de
dinheiro. A técnica apresentada pela APAC de produzir vassouras com fios de
plástico de garrafas PET impressionou a todos e o MCP entrou em diálogo para
iniciar sua própria produção. Numa relação de apoio, a APAC vai repassar nos
próximos meses o conhecimento e a tecnologia, além de fornecer as máquinas
necessárias, que ela própria projeta e fabrica, para realizar a produção.
Com isso mais um grupo coletivo ganhará forma e fortalecerá a luta
popular nas bases.

Já o cervejeiro independente André (Associação dos Cervejeiros
Artesanais Cariocas - ACervA) apresentou seu trabalho de
produção de cerveja caseira, demonstrando a possibilidade de se
iniciar uma produção independente com um investimento em
torno de R$ 2.000,00. Foi simbólico porque, neste mesmo dia,
foi publicada uma matéria no jornal O Globo sobre cerveja
artesanal. Dizia que, para começar uma produção, precisa de um
investimento mínimo de R$ 200.000,00!!! Então, os integrantes
do Fórum Popular de Apoio Mútuo combinaram de realizar um curso
de formação e repasse de conhecimento e material para se formar um
primeiro núcleo de produção coletiva de cerveja artesanal em uma favela,
contando com apoio de base do Movimento Favela Não Se Cala.

Uma outra forma de produção coletiva foi apresentada pelo grupo de pesquisa
Outras Economias do LEMTO (Laboratório de estudos de Movimentos Sociais e
Territorialidades):A produção de conhecimento das nossas formas de lutar, nos organizar
e fazer economias coletivas. Nesse sentido, a própria programação do encontro
apontou para o amplo conjunto de campos nos quais precisamos atuar e pensar
juntos para construirmos economias coletivas, de baixo e com um horizonte de
busca por autonomia: em três grupos de trabalho, os cerca de 60 participantes do
encontro discutiram questões "do financiamento ao investimento coletivo", "da
comercialização à circulação" e "da exploração à produção coletiva". É um longo
caminho, que nem por isso devemos deixar de trilhar desde já, no dia-a-dia, no
aqui e agora.

Durante o encontro e na posterior reunião de avaliação, foi combinado de
continuarmos articulando os trabalhos dos grupos no âmbito da Rede Economias
Coletivas - construindo a economia que queremos no campo e na cidade. Continuaremos
em contato por uma lista de e-mail reunindo os mais de 50 participantes do
encontro e divulgando informações no blog economiascoletivas.noblogs.org, onde
estará disponível até meados de janeiro de 2014 o caderno com o acúmulo do
encontro. Os 3 GTs ("investimento coletivo", "circulação" e "produção coletiva")
serão mantidos para dar continuidade às tarefas de aprofundar os conhecimentos
nas referidas áreas e fortalecer os laços entre os grupos. Pretende-se criar uma
lista de links com produtos e serviços da própria rede e os grupos combinaram de
realizar visitas para conhecer os trabalhos mutuamente. Também estará na pauta a
possibilidade de se iniciar Grupos de Investimento Coletivo (GIC) nas favelas onde
os grupos e movimentos da rede atuam.

O encontro também prestou homenagem à resistência negra, e crianças do Grupo
de Capoeira Angola Mocambo de Aruanda, representado pelo capoeirista Paulista,
apresentou seus ritmos e seu jogo durante o encontro. O rapper Mais Preto, do
coletivo Us Neguin Que Não C Kala, encerrou o encontro, que contou também com
o artista Paul, da Alemanha, grafitando uma grande faixa com os dizeres:

Nos Quilombos, nas favelas!
Viva a Resistência Negra e Popular!
Viva Zumbi! Viva o Coletivo!

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Dilma ou ruralistas? -- Quem é o falcão e quem é o falcoeiro?

O Governo Federal, atendendo aos
interesses do agronegócio e do la-
tifúndio, desfere neste momento
seus golpes mais violentos contra
as demarcações das Terras Indígenas
(TIs), jamais vistos desde que estas
começaram a ser regularizadas no
país. Nem mesmo a ditadura militar
apresentou prospectos tão ruins em
relação às demarcações.

Dentre os argumentos utilizados
pelos velhos coronéis latifundiários,
herdeiros dos senhores de escravos
e matadores de índios da nossa his-
tória banhada de sangue, o Brasil não
pode "parar" sua marcha para o pro-
gresso, como que para defender um
"destino manifesto" verde-amarelo,
o mito do gigante adormecido tão
à la mode nesse momento entre os
neo-patriotas burgueses que fazem
compras em Nova Iorque e se orga-
nizam pelo Facebook. Para quem não
vê progresso nenhum na arcaica re-
alidade fundiária brasileira, com sua
distribuição de terras feudal, como
dói a ignorância alheia quando um
papagaio inocente da ideologia tele-
visa diz: "tem muita terra para pouco
índio".

Em um país no qual poucos são os
trabalhadores rurais que com mui-
ta luta e muita benção possuem seu
pedaço de chão, apenas 10% das
propriedades rurais ocupam quase
80% da área total de terras agricul-
táveis e apenas 1% dos proprietários
possuem quase a metade de todas a
terras.A assertiva verdadeira é: "tem
muita terra pra pouco fazendeiro".

Os cerca de 20% de terras restantes
que estão na mão dos pequenos e
médios agricultores são responsáveis
pelo nosso alimento, proporcionando 70%
do que chega na mesa do con-

sumidor nacional. A quem interessa
a enorme produção de soja, milho,
carne, toda ela for export? Qual o
benefício para a grande maioria dos
cidadãos? Para quem vão o ônus e o
bônus da abstrata balança comercial
do país? Essa classe que estrangula o
Brasil como país exportador de
matéria-prima e chama isso de progresso
não convence nem os próprios capitalistas sérios.

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[...] neste governo Dilma, até o momento apenas 10 Terras
Indígenas foram homologadas e um montante ridículo de apenas
966 mil hectares, sabendo que ainda há muito por fazer,
talvez na margem de 500 Terras Indígenas por regularizar ou
ampliar, que é uma estimativa verossímil.

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Por outro lado, a TI tem, primeiramente, o valor intrínseco de assegurar aos povos originários o direito à sua reprodução física e cultural, a proteger seu modo de vida. Desta resulta muitas vezes em consequência um grande benefício para a humanidade e para o planeta, pois mesmo sem o romantismo inocente de que cada indígena é um defensor da natureza, na prática, o que vemos, é o alto grau de preservação dos biomas dentro dos limites das TIs, em proporções muito melhores que a maior parte das unidades de conservação que tentam coibir inocuamente a ocupação humana.

Em sua sede pela expansão das fronteiras agrícolas, em sua ganância para ceder cada palmo de seus imensos domínios, está o latifundiário, o político agro-exportador, organizado em uma forte bancada ruralista no Congresso Nacional, com representantes no Senado e na Câmara dos Deputados, destacandose a um ou outro momento alguma figura bizarra como Kátia Abreu, eleita senadora pelo Tocantis, e "Miss Desmatamento" e "Rainha da Motosserra" pelos
movimentos ambientalistas. Estes
políticos ruralistas e seus ancestrais
apropriaramse da terra por violência e grilagem e
estão envolvidos em diversos crimes ambientais
e regimes de trabalho escravo.Especialmente
após os ruralistas terem trabalhado para este
retrocesso da política ambiental brasileira com a aprovação do
Novo Código Florestal, as TIs, com
12% do território nacional e diver-
sas lutas por novas demarcações, se
tornaram a presa da vez, e com elas,
o órgão responsável pela sua regula-
rização fundiária, a Fundação Nacional
do Índio - Funai.

É uma mentira difundida pelos fazen-
deiros e pela ministra-chefe da Casa
Civil Gleisi Hoffmann dizer que o
processo todo de regularização das
TIs está nas mãos da Funai, no intui-
to de enfraquecer mais ainda esta
atribuição do órgão. A demarcação
é o termo que mais se popularizou
para um processo bastante com-
plexo e demorado de regularização
de TIs, normatizado pelo Decreto
n° 1.775/96, e que se inicia pelo es-
tudo de identificação e delimitação,
coordenado por antropólogo junto
a uma equipe multi-disciplinar e se-
guindo o roteiro estabelecido pela
Portaria n°14/MJ/96; realizam-se le-
vantamentos fundiários para avalia-
ção de benfeitorias dos ocupantes de
boa-fé; após aprovação do relatório
pela presidência da Funai publica-se
o resumo no Diário Oficial, abrindo
o período para contestação; as con-
testações precisam ser respondidas
pela Funai para aí sim ser enviada ao
Ministério da Justiça para ser declara-
da pelo ministro; só então tem início
a demarcação física e a extrusão dos
ocupantes não-indígenas; finalmente
o processo vai para a Presidência da
República para homologação e pos-
terior registro junto à Secretaria de

Patrimônio da União, quando só en-
tão está regularizada.
A Constituição Federal de 1988 tex-
tualmente estabelece o prazo de 5
anos para a regularização de TODAS
as TIs, entretanto, não é raro que
uma comunidade aguarde até dez
anos só pelo início dos estudos de
identificação e delimitação. Muitas
das TIs estão sendo homologadas
após cerca de 20 anos percorrendo
cada etapa do Decreto n° 1.775/96.
Ou seja, uma perspectiva de 30 anos
de espera não é assim das mais pes-
simistas.

A postura da atual presidência de
Dilma Rousseff se torna ainda mais
clara frente à redução vertiginosa de
homologações, pois esta parte do
processo depende exclusivamente
da caneta da Presidenta da República.
Nos governos FHC foram 145 áreas
homologadas (41 milhões de hecta-
res), no governo Lula caíram quase
pela metade, 84 áreas (18 milhões de
hectares), e neste governo Dilma, até
o momento apenas 10 Terras Indíge-
nas foram homologadas e um mon-
tante ridículo de apenas 966 mil hec-
tares, sabendo que ainda há muito
por fazer, talvez na margem de 500
TIs por regularizar ou ampliar, que é
uma estimativa verossímil.

Outra mórbida semelhança com a di-
tadura militar é em relação à violên-
cia direta contra os povos originários,
o extermínio de indígenas que lutam
pela terra corre solto sob o manto
manchado da impunidade. Como no
período militar, jagunços e policiais
assassinam indígenas e espalham o
terror pelas aldeias, a maior parte
conflitos relacionados diretamente à
posse da terra, mas também muitos
conflitos relacionados à mineração.
No dia 7 de novembro de 2012, a al-
deia Teles Pires, na divisa entre Pará
e Mato Grosso, foi alvo de bombas
lançadas de helicópteros da Polícia
Federal, como os militares fizeram
aos Waimiri-Atroari décadas atrás.
O indígena Adenilson Munduruku foi
morto com um tiro frontal na cabeça,
execução à queima-roupa, numa ope-
ração de repressão ao garimpo.

Segundo relatório anual do Conselho
Indigenista Missionário (CIMI), 60 in-
dígenas foram assassinatos no ano
de 2012, mais de metade dos
homicídios con-
tra indígenas, 37,
aconteceram no
Mato Grosso do
Sul, seguido pelo
Maranhão com 7
casos. Em fins de
maio de 2013, a
polícia executa
uma ordem de
reintegração de
posse da Terra Indígena Buritis, já declarada desde 2010 como área de ocupação tradicional, e durante esta operação estúpida sobre uma decisão absurda disparam com armas de fogo contra os Terena, assassinando o indígena Osiel Gabriel.

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O Governo Federal ergueu
a bandeira do agro-negócio
e defende abertamente os
fazendeiros, criminalizando os
indígenas e elegendo como portavoz
dos disparates a sinistra
ministra Gleisi Hoffmann,
que chamou os indígenas que
resistem à construção de Belo
Monte de bandidos.
------------------------------------------------------------

Muitos outros casos poderíamos resumir neste texto, mas são
imensuráveis os casos de violência rela-
cionados a agressões, ameaças, den-
tre outros só nesta década. A média
anual de assassinatos de indígenas
no período PT chega a 56 mortes
por ano, 168 % a mais que o perí-
odo anterior, com média de 21 por
ano. Consequência da "opção pelos
ricos", com forte investimento e
apoio político ao agronegócio nacio-
nal-desenvolvimentista, e consequ-
tas e, aproveitando-se da inseguran-
ça dos agricultores, temerosos de
maiores prejuízos frente à ausência
de uma política de reforma agrária
decente, aplicando por tabela a es-
tratégia divide et impera.

A paralisação política se ornamen-
tou com um relatório técnico enco-
mendado junto à Embrapa, empresa
de pesquisa de ponta bancada pelo
contribuinte para desenvolver tec-

nologia para o agronegócio, ou seja,
os velhos fazendeiros, ainda donos
do país, recebem o apoio técnico de
uma empresa financiada pelo povo,
enquanto os órgãos de assistência
técnica rural ao pequeno e médio
produtor estão sucateados em todo
o Brasil.

Este revestimento técnico é o que
pretende Gleisi Hoffmann dar a seu
discurso eleitoreiro e ruralista decla-
rando, a mando de Dilma, que haverá
mudança da legislação indigenista re-
ferente às regularizações fundiárias,
esvaziando ainda mais a pouca força
que tem a Funai no correr do pro-
cesso, e são envolvidos, ainda, órgãos
sem qualquer competência para fa-
zer cumprir o que estabelece o arti-
go 231 da Constituição Federal e que
têm interesses diretamente opostos
às TIs e ao seu usufruto exclusivo
pelos povos originários, conforme
seus costumes e tradições, como o
Ministério de Minas e Energia, o Mi-
nistério da Agricultura, a Embrapa,
os governos estaduais e municipais,
dentre outros.

Enquanto isto, no Congresso Na-
cional, a bancada ruralista segue na
tramitação da PEC 215, sujeitando
as TIs delimitadas pelo executivo em
atendimento a critérios constitucio-
nais à aprovação das aves de rapina
do legislativo, ou seja, fazendo preva-
lecer a política do momento e cus-
pindo na Carta Magna tão cara aos
legalistas de ocasião.

A resposta a todo este absurdo é a
luta pela terra, que continua firme
em cada canto do país, e para cada
parente indígena caído, temos que
ser mais centenas na luta, no campo,
na cidade e na floresta, contra esta
classe podre e imoral que mantêm o
Brasil há 500 anos na amargura. Os
inimigos dos povos indígenas são os
mesmos dos camponeses, dos bóias-
frias, do trabalhador da periferia, de
cada cidadão que deseja no mínimo
um país descente, mais justo, mais
digno. Nossa resposta é organização
e luta!

Jaguanharõ

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Notícias Libertárias

XVI Encontro Estadual dos Sem-ter-
rinha: Dia 12, 13 e 14 de outubro reali-
zou-se em Campos dos Goytacazes o XVI
Encontro Estadual dos Sem-terrinha, cujo
tema era "por Escola, Terra e Internaciona-
lismo". O evento contou com a presença de
cerca 90 crianças vindas de diversos acam-
pamentos e assentamentos do MST no Rio
de Janeiro. Realizaram-se oficinas com as
crianças,. para aumentar sua percepção e
ligar seu mundo ao movimento. Certos de
que daqui há alguns anos reencontremos
estas crianças na luta!


IV Encontro:Nacional do Movimento
Passe Livre Nos dias 15, 16 e 17 de no-
vembro realizou-se o IV Encontro Nacional
do Movimento Passe Livre que reuniu cer-
ca de 100 delegados das diversas cidades
onde o MPL se encontra. Foi uma troca
de experiências muito boa e um momento
importante para a reflexão do movimento
após a Revolta de Junho. Após o encontro
os diversos locais se encontram mais uni-
dos e prontos para as jornadas de lutas
que virão. Um grito ecoa pelo Brasil entre
catracas sendo puladas: AMANHÃ VAI SER
MAIOR!

2° Encontro de estudantes autôno-
mos do Estado do Rio: Do dia 22 ao
24 de novembro aconteceu o Acampamen-
to da Resistência e Utopia, o 2° encontro
de estudantes autônomos do Estado do
Rio. O acampamento reuniu secundaristas
do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé,
Volta Redonda e Nova Iguaçu, e foi formali-
zada a criação de um coletivo secundarista
intermunicipal autônomo, e de resistência
anticapitalista. O objetivo principal é orga-
nizar os secundaristas visando a criação e
fortalecimento de grêmios livres nas esco-
las, entendendo que é das bases de onde
emanam as lutas. Em breve estaremos nas
ruas e sobretudo nas escolas.Aliás, sempre
estivemos, mas não de forma organizada e
compacta.

IV Feira Estadual da Reforma Agrá-
ria Cícero Guedes: Nos dias 9 e 10 de
dezembro, o MST realizou a "IV Feira Esta-
dual da Reforma Agrária Cícero Guedes",
sua maior feira até hoje na cidade do Rio
de Janeiro.

A feira, que a partir desta edição homena-
geia o militante Cícero Guedes, assassinado
no início do ano em Campos dos Goyta-
cazes, impressionou com seus números: 30
toneladas de alimentos comercializados,
sendo 11t industrializados e 19t frescos,

110 agricultores e agricultoras, 30 assenta-
mentos, 2 cooperativas do RJ, 6 cooperati-
vas de outros estados.

Estima-se que 50 mil pessoas passaram pelo
local durantes as 30 horas de feira. Além
da venda de produtos, ainda aconteceram
8 shows de bandas e grupos culturais e 4
debates abertos. Uma rádio web transmitiu
o evento ao vivo.

Camponeses do Movimentos dos Pequenos
Agricultores, e da Articulação de Agroecologia
do Rio de Janeiro se somaram ao trabalhado-
res e trabalhadoras rurais do Movimento
para expor frutas, legumes verduras, ali-
mentos processados, e industrializados, pi-
mentas, geléias, bebidas, derivados de leite
e mudas de plantas. O Coletivo de Saúde do
MST ofereceu seus fitoterápicos produzi-
dos nos assentamentos do estado.

A Campanha Permanente Contra os Agro-
tóxicos e Pela Vida também esteve presen-
te para dialogar com os visitantes sobre os
motivos que levam nosso país a ser maior
consumidor de agrotóxicos do mundo.

A feira cumpriu seu objetivo fundamental,
de seguir pautando a reforma agrária e a
necessidade de se olhar para os assenta-
mentos. Mostrou para a sociedade que as
áreas de reforma agrária do estado são ca-
pazes de produzir alimentos diversificados
e saudáveis. Para além da questão finan-
ceira, das vendas, o mais importante foi a
oportunidade de dialogar com a população
sobre o sentido da luta pela terra.

Adaptado de: boletimmstrj.mst.org.br/boletim54


Lançamento da edição francesa de
"Anarquismo Social e Organização":

Por ocasião da Feira Anarquista de Lyon e
da passagem de um companheiro da CAB
pela Europa, foi realizada, em 22/11/2013,
uma atividade de lançamento da edição
francesa do livro "Anarquismo Social e
Organização", da FARJ. A tradução foi re-
alizada pelo selo Brasero Social, uma cola-
boração editorial entre a Coordination des
Groupes Anarchistes - CGA (França) e o
Collectif Communiste Libertaire de Bienne
(Suíça).

A atividade, organizada pela CGA, ocorreu
na Livraria Plume Noire (Pluma Negra), es-
paço social da CGA em Lyon. Além do lan-
çamento do livro houve uma apresentação
sobre o especifismo, nossa concepção de
organização específica anarquista e as lutas
populares no Brasil. Após a apresentação, o
debate foi marcado por um grande interes-
se na proposta especifista da FARJ (e das
organizações que compõem a CAB) e nas
contribuições da nossa militância às lutas
populares, criando uma referência em meio
ao anarquismo europeu.

Modestamente temos aportado contribui-
ções importantes no desenvolvimento, or-
ganização e na retomada do vetor social do
anarquismo, contribuições estas que, cada
vez mais, ganham repercussão no cenário
político anarquista internacional.

Dicionário: Será lançado no dia 1o de
Maio de 2014 o Dicionário Biográfico do
Movimento Libertário Francófono, aos(as)
militantes anarquistas.A publicação terá 150
biografias fartamente ilustradas em 528 pá-
ginas, de anarquistas como Proudhon, Lui-
se Michel, Ravachol, Jean Grave, Fernand
Pelloutier, Pierre Manette, entre outros(as).
Informações em cyril.picard-levrard@edition-
salatier.com.
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