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(pt) Uniao Popular Anarquista - UNIPA - Causa do Povo #68 - Colhendo o que se planta: autoritarismo, apartidarismo e anarquismo

Date Sat, 23 Nov 2013 19:31:33 +0200


Um recente documento do PSTU, intitulado "Anarquismo e socialismo: o individual e o coletivo nas mobilizações de massas", tenta ser uma "defesa da democracia", uma crítica ao anarquismo e ao mesmo tempo uma análise dos movimentos e protestos da juventude. O documento nem é uma análise séria do anarquismo e menos ainda dos protestos da juventude brasileira. ---- O documento mostra bem as contradições do marxismo reformista brasileiro. Apesar de ser do PSTU, o documento poderia ser subscrito por quase todos os partidos comunistas e socialistas do Brasil. Ele coloca que o conteúdo do anarquismo é o "liberalismo-individualismo" e, nesse sentido, é um texto tacanho da história do movimento operário e socialista. O anarquismo que o PSTU acusa não é o anarquismo que existe no Brasil, o bakuninismo ou mesmo o ecletismo.

Ele ignora essas expressões e reduz o
anarquismo a um mero fantasma sa-
ído dos seus delírios individualistas.
Ignora que grande parte do sindica-
lismo mundial foi construído pelos
anarquistas socialistas e coletivistas.
Essa postura é típica da historiogra-
fia marxista: o partido único começa
por se construir ao negar a pluralida-
de da história do movimento operá-
rio. Nesse aspecto, eles projetam na
sua visão da história o autoritarismo
que alegam combater: para estes,
a história do movimento operário é
a história do pensamento único, do
marxismo. Essa análise tacanha, que
qualquer historiador amador sabe
hoje em dia que não corresponde a
realidade, está nas raízes dessa in-
venção de um mal, que o texto pre-
tende combater.

Existe hoje um sentimento de ne-
gação do sistema político, dos parti-
dos e de seu papel reacionário? Sim,
já dissemos. As análises das eleições
burguesas que realizamos mostram
isso. O voto nulo e abstenção não são
necessariamente sinal de despolitiza-
ção, mas de uma ruptura profunda
com o sistema político. É um indício
de que as massas rejeitam os partidos
políticos e as eleições burguesas, que
desconfiam da mesma.

Quais as raízes desse sentimento
antipartidário? Os partidos burgueses
são máfias, o povo olha esses parti-
dos como quadrilhas de criminosos e
saqueadores. Mas e os ditos partidos
da classe trabalhadora? Esses, PT,
PCdoB, PSOL e PSTU, o que tem plan-
tado? Os partidos reformistas e mar-
xistas (com raríssimas exceções) tem
uma relação instrumental com o plu-
ralismo e a democracia. A democracia
serve para expressar as posições do
partido quando em minoria. Quando
majoritários, essa democracia entra
em contradição com as posições do
partido e é atropelada sem cerimô-
nias. E aqui está uma das raízes do
"apartidarismo" que eles pretendem
combater. Esses partidos têm relações
extramente desrespeitosas e autori-
tárias com as bases nos movimentos
sindical e estudantil. Eles atropelam
as instâncias e sistematicamente tra-
em as causas e lutas das categorias.

É possível que esse sentimento
crítico se apresente como desvio de
direita? Tudo é possível. Mas a emer-
gência do antipartidarismo e sua ex-
pressão nas manifestações é apenas
um primeiro momento do processo
de formação desse movimento de
massas. O debate político está ape-
nas começando. E está muito lon-
ge de ser um sentimento de direita.
Existe um discurso conservador, que
tenta despolitizar através do antipar-
tidarismo? Sim. Mas existe também
outro discurso conservador que tenta
despolitizar partidarizando-a, como
se a mera existência de partidos fos-
se sinal de democracia e politização.
Se assim fosse o Brasil seria o país
mais democrático do mundo - vide a
quantidade de partidos. Mas não é.
De toda forma, essa rejeição apre-
senta uma oportunidade dos refor-
mistas reavaliarem criticamente suas
práticas burocráticas, sob o risco de
serem atropelados pelo movimento
popular, com bandeiras e tudo.

Ou seja, a reação autoritária de
querer suprimir a participação dos
partidos é a reação proporcional e in-
versa ao trabalho que tem feito es-
tes partidos nos últimos anos de su-
primir a ação das massas, de tutelar
e reprimir essa ação (os partidos de
direita, como PSDB, PMDB, e os re-
formistas também). Que esse senti-
mento se expresse primeiramente de
forma autoritária, não é de se estra-
nhar. Assim, os partidos reformistas
estão colhendo o que plantaram: au-
toritarismo. Estão agora arcando com
a reação legítima de que nem não
quer aceitar a tutela reformista e as
eternas decisões de cima para baixo,
tão ao gosto das burocracias. O que
gera isso não é o anarquismo, mas o
autoritarismo de décadas, a burocra-
tização e as traições das entidades e
direções.

Qual a solução efetivamente
anarquista? Bakunin, Makhno, Durru-
ti sempre foram defensores da liber-
dade, mas também foram ferrenhos
defensores do poder de decisão das
bases. Um exemplo: os anarquistas
sempre foram ferrenhos opositores
da Igreja e da religião. Mas faz par-
te do programa revolucionário anar-
quista a liberdade religiosa. O mesmo
acontece com a liberdade partidária.

É certo que todos devem ter liberda-
de de expressão nas manifestações
populares. Todos devem ter o direito
de portar suas bandeiras. Isso é uma
necessidade: a autoridade se combate
com a liberdade, o autoritarismo não
vai levar a uma política revolucioná-
ria, mas sim à reformista e reacioná-
ria. Ao método autoritário de impor o
apartidarismo para tentar combater o
reformismo, o anarquismo se vale do
método libertário de combater o re-
formismo, por uma teoria, programa
e forma de organização revolucionária
de massas. A própria ação irá expur-
gar os recalcitrantes e conservadores.

Como combater o autoritarismo
e o peleguismo do reformismo? Pela
auto-organização e pela ação direta
de classe. Nesse sentido, as ações de
massa como as tentativas de toma-
da do congresso nacional e da ALERJ
servem para diferenciar. Mas esse
combate não pode começar nem ter-
minar na rua. Ele tem de acontecer
nas ruas e no cotidiano, nos locais de
trabalho e estudo. Onde a juventude
deve combater as posições dos parti-
dos reformistas e sua feição autoritá-
ria sem usar de armas autoritárias, ou
seja, sem voltar autoritarismo contra
autoritarismo. Nas assembleias de
base, nos locais de trabalho e nas
associações e manifestações. Não é
pela supressão do direito de portar
bandeiras que se combate o autorita-
rismo e a burocracia reformista. Mas
é realizando a ação direta classista e
combativa que se faz essa diferença.
Lutando para manter o poder nas ba-
ses de trabalhadores e estudantes,
com a revogabilidade dos mandatos
e a direção coletiva. Lutando contra
a burocracia nos congressos de tra-
balhadores e estudantes, combaten-
do a burocracia e o autoritarismo no
cotidiano.

É nesse sentido que convocamos
os militantes e a juventude trabalha-
dora a construir uma tendência clas-
sista e internacionalista, única vacina
contra a burocracia sindical e partidá-
ria reformista. As massas deram um
grande passo: redescobriram a ação
direta. Agora é fazer surgir do calor
das batalhas a auto-organização de
uma tendência classista e internacio-
nalista pela criação de oposições de
base.

Nem autoritarismo, Nem Reformismo! Pela Auto-organização da Classe Trabalhadora e da Juventude!
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