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(pt) [Brasil] No Batente agora versão para download

Date Thu, 8 Sep 2011 10:53:00 +0200


O No Batente, jornal do Coletivo Anarquista Luta de Classe, foi lançado em julho de
2011 em versão impressa. Agora você encontra este em versão para download.
O No Batente tem como obejetivo expressar as posições do Aanarquismo Organizado em
Curitiba, assim como noticiar as Lutas onde este estajam envolvidos. No mais
desejamos também criar um espaço ondem possamos expor nossas concepções e debates.

Boa Leitura!
Versão para download: http://www.sendspace.com/file/8o9orf

********************

CARTA DE APRESENTAÇÃO DO COLETIVO ANARQUISTA LUTA DE CLASSE

?Como nosso Partido não é composto de politicastros nem de caçadores de cargos,
senão proletários que não têm outra ambição além de se verem livres da
escravidão do salário, agora que a oportunidade se apresenta, vai direto a seu
objetivo: a emancipação econômica da classe trabalhadora por meio da
expropriação da terra e da maquinaria.?[1]
(Ricardo Flores Magón 1874 ? 1922)

 
Saúde companheir@s!

Essa é a Carta de Apresentação do Coletivo Anarquista Luta de Classe
? CALC ? formado a partir do ano de 2008. Ela fala dos nossos objetivos, princípios,
atividades, com referência no Anarquismo Social e Organizado. Desde 2008 iniciamos
um trabalho de propaganda e revenda de livros, distribuindo jornais e periódicos,
apoiando as editoras libertárias e a Cooperativa de Distribuição Faísca, procurando
levar ?nossa banca? para atividades dos movimentos sociais, como assembléias,
plenárias ou seminários, além dos espaços da Universidade Pública, onde nos
encontramos trabalhando uma semana por mês, sempre no decorrer do período letivo.
Compreendendo a importância da teoria e da prática anarquista, tanto para as
ciências engajadas, quanto para a luta de emancipação dos explorados, escolhemos
revender os títulos e obras que, traduzidos e editados por outros companheiros e
organizações, estão disponíveis para venda. Além da propaganda, temos como objetivos
a geração de renda, o apoio aos movimentos sociais, a formação de um grupo estudos e
a constituição de uma organização anarquista local.

Nosso grupo defende:

?[...] o anarquismo como uma ideologia que fornece orientação para a ação no
sentido de substituir o capitalismo, o Estado e suas instituições, pelo
socialismo libertário ? sistema baseado na autogestão e no federalismo ?, sem
quaisquer pretensões científicas ou proféticas. Como outras ideologias, o
anarquismo possui história e contexto específicos. Ele não nasce de intelectuais
ou pensadores descolados da prática, que buscavam apenas a reflexão abstrata. O
anarquismo tem sua história desenvolvida no seio das grandes lutas de classe do
século XIX, quando é teorizado por Proudhon, e toma corpo em meio à Associação
Internacional dos Trabalhadores (AIT), com a atuação de Bakunin, Guillaume,
Reclus e outros que defendiam o socialismo revolucionário, em oposição ao
socialismo reformista, legalista ou estatista. Esta tendência da AIT foi
futuramente conhecida por ?federalista? ou ?antiautoritária? e teve sua
continuidade na militância de Kropotkin, Malatesta e outros.?[2].

Por isso buscamos um retorno organizado às lutas sociais, esperando que outros
companheiros e companheiras da cidade de Curitiba e do Paraná venham se juntar a
nós. Assim, acreditamos que será possível retomarmos o caráter social e classista
que o anarquismo sempre portou, pois se continuarmos desorganizados ideologicamente
não constituiremos uma força política capaz de intervir na dinâmica das lutas
sociais, o que só interessa aos nossos adversários e inimigos de classe.

O Anarquismo Social não é uma proposta abstrata, e sim um projeto político que parte
de uma realidade concreta, que é a luta de classes. Para tanto, trabalha com
princípios do Socialismo Libertário que estão presentes na nossa tradição, e que, se
constituem enquanto guias para uma prática política coerente com nossos objetivos
finalistas, animando internamente as federações e grupos ácratas. São eles: a
Liberdade e a Ética, o Classismo e o Internacionalismo, a Ação Direta e a Democracia
Direta, a Ecologia e o Apoio Mútuo, o Federalismo e a Autogestão, a Prática Política
e a Inserção Social.

Atuando como grupo orgânico identificado com o Anarquismo Social, o CALC defende a
necessidade da organização anarquista enquanto ferramenta de emancipação dos
explorados. Entendemos que a organização anarquista específica: ?[...} não substitui
a organização das classes exploradas, mas proporciona aos anarquistas a chance de se
colocar a serviço delas?[3]. Para potencializar nossa prática política devemos
consolidar uma unidade teórica e tática, trabalhos sociais junto aos explorados,
além de formar militantes com responsabilidade, compromisso e auto-disciplina.
Porque entendemos como fundamental a organização e a responsabilidade por parte do
grupo e de seus militantes, o que não se confunde com hierarquia e autoritarismo. Ao
contrário, o grupo orgânico é: ?[...] o agrupamento de indivíduos anarquistas que,
por meio de suas próprias vontades e do livre acordo, trabalham juntos com objetivos
bem determinados. [...] Esta organização é fundamentada em acordos fraternais, tanto
para seu funcionamento interno, quanto para sua atuação externa, não havendo em seu
seio relações de dominação, exploração ou mesmo alienação, o que a constitui uma
organização libertária.?[4].

Queremos somar aos esforços que tenham como horizonte político um projeto classista
e socialista libertário, entrando em acordo e trabalhando junto às demais
organizações políticas anarquistas, assim também como os movimentos sociais
combativos e autônomos. Só dessa forma poderemos mudar a atual relação de forças,
ombro a ombro, lado a lado, construindo a organização popular, sem sectarismo, com
identidade ideológica, mas sem se colocar a frente das classes exploradas nas lutas
sociais que elas devem protagonizar. Como já havia dito Malatesta, nós anarquistas:
?[...] não podemos emancipar o povo, queremos que o povo se emancipe. Não
acreditamos no bem que vem do alto e se impõe pela força; queremos que o novo modo
de vida social surja das vísceras do povo [...].?[5]. E com esse entendimento que
reivindicamos o Anarquismo Social e Organizado, definindo assim nosso campo de
militância.


[1] Retirado do livro publicado pela Editora Imaginário, com alguns escritos de
Ricardo Flores Magón.
[2] Retirado do livro ?Anarquismo Social e Organização? ? página 18. O livro é de
autoria da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, tendo sido publicado pela Editora
Faísca no ano de 2009.
[3] Idem ? páginas 131 e 132.
[4] Idem ? página 128.
[5] Idem ? página 194.


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