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(pt) Anarquistas da Indonésia pedem solidariedade

Date Mon, 14 Mar 2011 22:50:32 +0100



Desde 2007, um grupo de anarquistas está participando de uma luta
camponesa em Yogyakarta, um "território especial" no centro de Java, na
Indonésia. Na zona costeira de Kulon Progo, os agricultores resistem a uma
mineradora de ferro e uma industrialização crescente, que ameaça a sua
terra e sua existência. Foram organizados na PPLP-KP (Associação de
Produtores Costeiros, Kulon Progo) diferentes batalhas contra os poderes
econômicos. Várias vezes, milhares de agricultores se uniram de forma
combativa para enfrentar os investidores.

Yogyakarta é considerado um território especial e tem leis diferentes, por
seu papel histórico do reino de Java. No momento, um conflito entre o
governo local e o estado central está criando obstáculos à exploração
econômica da área, visto que o sultão de Yogyakarta luta por mais
autonomia local. Liberais e ONGs consideram o sultão como o mais
democrático das autoridades públicas, embora, obviamente, nada é mais do
que um jogo de poder. Se ganhar o sultão, os agricultores serão igualmente
explorados, uma vez que a empresa local de minério de ferro, Ferro Jogja
Magasa, pertence a sua filha.

Até agora, a polícia e o exército não foram motivados a reprimir a luta
campesina com todas as suas forças, porque ainda não apareceu o dinheiro
para pagar as suas propinas, visto que o conflito político não está
resolvido e a resistência camponesa abalou grande parte da possível
inversão econômica.

Os grandes investidores são empresas japonesas e uma importante empresa
australiana, Kimberly Diamond, que em seus projetos na Indonésia se chama
Indomines. Apesar da resistência, os planos de desenvolvimento seguem,
porque a mineradora de ferro é apenas um pré-requisito para outros mega
projetos. A área de Kulon Progo é vista como economicamente estratégica
para o desenvolvimento industrial e penetração de mineradoras em toda a
Java central. É por isso que o Estado pretende construir uma estrada,
aeroporto e mais infra-estrutura no território, os quais tais projetos
seriam financiados pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (Asian
Development Bank).

Tentam criminalizar a luta dos camponeses, mas ainda não conseguiram impor
a lei de seus tribunais. Os agricultores não respeitam as leis e, de
acordo com companheiros de lá, "os camponeses vêem toda a lei como a
língua do inimigo". Tampouco confiam nas ONGs e nos esquerdistas, que
sempre tentam se infiltrar na sua luta, e várias vezes chegaram pessoas da
esquerda em suas assembléias. Com os anarquistas, pelo contrário, têm bons
relacionamentos. Juntos criaram um centro social, Gerbong Revolusi (que
tem uma biblioteca, estação de rádio, espaço infantil e espaço para
assembléias e repouso). Também coordenaram uma rede de solidariedade com
os anarquistas na Austrália e estabeleceu uma rádio comunitária.

Para obter mais informações, leia (em Inglês):

? http://hidupbiasa.blogspot.com/2009/12/tale-of-sand.html

Atualidades:

Quinta-feira, 24 de fevereiro. A empresa mineradora tentou reabrir seu
escritório e as suas operações, que em dezembro passado os camponeses
haviam fechado e destruído. Falhou, e os locais estão fechados.

Segunda-feira, 28 de fevereiro. A Ferro Jogja Magasa e alguns investidores
japoneses não vieram para uma reunião, ao redor da mina.

Quarta-feira, 2 de março. Nove carros da polícia fortemente armada passou
pelo projeto.

Quarta-feira, 7 de março. 31 caminhões da polícia, 700 da Brigada Policial
Móvel, com canhão de água, veículos especiais para os detidos, cães da
polícia, armas de gás lacrimogêneo e armas militares, ocuparam a cidade.

Chamamos a solidariedade urgente!

agência de notícias anarquistas-ana


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