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(pt) [Brasil] "A independência de uma rádio ou qualquer veículo de informação está totalmente ligada a sua capacidade d e se auto-sustentar "

Date Sun, 6 Jun 2010 21:18:14 +0200


[Uma das propostas da Rádio Antena Negra é dar "voz a um mundo onde caibam muitas
outras coisas, rico em cultura, informação e sabedoria", abrangendo música,
notícias, manifestos e anarquia em geral. A emissora funciona na região central de
Porto Alegre (RS). Confira a entrevista abaixo que eles e elas concederam à ANA.]
Agência de Notícias Anarquistas > Conte um pouquinho da história da rádio Antena
Negra, como ela surgiu, em que contexto... Aliás, este é um projeto anarquista?
Antena Negra < Este é um projeto 100% libertário, levado a cabo por ativistas de
diferentes áreas, algunxs delxs com experiências prévias em rádio, que se reuniram
para desobedecer, resistir e insistir na idéia de formação de uma rede de
transmissão de rádio ampla capaz de fazer frente ao monopólio da mídia corporativa.
A rádio surge em um contexto pouco convencional, tocada por ativistas cansadxs de
terem a imagem de movimentos sociais e dissidentes, jogada na lama pela mídia
corporativa, mas também num contexto de um estado repressor e reacionário que é o
Rio Grande do Sul, que não a toa foi o estado de origem de diversos ditadores do
período militar.

ANA > Mas em que ano ela surge?

Antena < A rádio surge com esse nome em Julho de 2007, a partir de uma idéia antiga
e muita vontade, mas ainda haviam muitas lacunas e muito pouca gente para pegar
junto. Tivemos muitos problemas técnicos para resolver, isso aliado a muita paranóia
com a repressão resultou em grandes intervalos de transmissão para reestruturação.
Em alguns momentos pareceu mesmo que ela nunca voltaria para o ar e que o projeto
estava arruinado antes mesmo de engrenar. Algunxs de nós ainda têm essa sensação de
que estamos antes de um início de fato, porque o que querem fazer é sempre algo
maior. Mas hoje festejamos o fato de estarmos no ar todos os dias da semana, e novos
grupos estão se juntando ao projeto, o que consideramos muito bom por tornar
possível dar visibilidade à diversidade inerente à nossa proposta libertária, isso
tudo em uma única iniciativa.

ANA > Esta é uma rádio tradicional, com freqüência, ou só funciona pela internet?

Antena < A Antena Negra é transmitida pela freqüência 92.5 FM para toda a região
central da cidade de Porto Alegre, e também pela internet para todo o mundo pelo
endereço http://giss.tv:8000/antena_negra.mp3.m3u. Atualmente só transmitimos das
18h30 às 22h30 devido a questões técnicas, e também pelo fato de optarmos por não
repetir a programação. Nosso objetivo é fechar uma grade de programação cada vez
mais extensa, através da parceria com coletivos e indivíduos de aspiração
libertária. A Antena Negra não é uma rádio tradicional porque seus conteúdos podem
ser produzidos e ir para o ar de qualquer lugar, sem a necessidade de um estúdio
central ou equipamentos sofisticados. Também não é uma rádio tradicional na medida
em que apostamos na transmissão via internet para transmissores de FM que têm suas
localizações mantidas em sigilo até mesmo da maioria dxs comunicadorxs, sendo
conhecidas apenas pelo coletivo técnico. Isso é necessário porque grande parte das
apreensões da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) se dá a partir de
denúncias que especificam o local da transmissão. Esta é uma medida que busca também
proteger os coletivos que tocam os programas, assim estão apenas fazendo uma
transmissão via internet.

ANA > Então a rádio não funciona num lugar fixo?

Antena < Em parte sim, em parte não. Somos muito adaptáveis. A captação pode se dar
de qualquer PC. Os programas podem ser ao vivo se estiverem conectados à internet ou
gravados e passados para algum outro comunicador que vai fazer o streaming para o
transmissor. Buscamos trabalhar com a tecnologia disponível, a maioria dos programas
é feita apenas com um computador e um microfone simples, e ainda assim garantimos
uma qualidade muito próxima de uma rádio convencional, mostrando que não é preciso
de milhares de reais para se fazer um bom veículo de comunicação.

ANA > E é uma rádio juridicamente legal, ou assumem o título de rádio pirata?

Antena < É uma rádio muito legal, nos divertimos bastante fazendo rádio. Mas é uma
rádio juridicamente ilegal porque não somos amigxs de nenhum político gordo e rico,
nem temos lobbistas no senado para termos uma con$e$$ão. Aliás, somos contra essa
atitude de se arrastar atrás de con$e$$ões, até porque isso soaria estranho vindo de
uma rádio anti-estatal. Não precisamos de nada que venha do estado para nos
sentirmos legítimxs. Ninguém tem o direito de nos governar. Quanto a assumir o
título de pirata, como não somos nós que estamos sempre atrás do ouro, esse título
não nos cabe. Estamos mais para uma rádio resistência, uma rádio guerrilha, uma
freqüência libertada, fazemos rádio como um exercício de liberdade comunicativa.

ANA > E como é a programação?

Antena < A programação tenta abranger todas as pessoas e coletivxs envolvidxs na
construção da rádio, de forma horizontal e não burocrática. Cada um tem seu espaço,
e os horários e temáticas mais gerais são definidos em reunião ou através de e-mail,
telefone, etc. As pessoas que assumem a tarefa de tocar um programa, individualmente
ou em grupo, têm autonomia sobre seus programas, e no fim das contas a programação
vira um mosaico fluído construído coletivamente por todas essas informações,
opiniões e sons. A rádio transmite diversos gêneros musicais, sempre misturados a
noticias, chamadas, relatos, opiniões e manifestos... dando voz a um mundo onde
caibam muitas outras coisas, rico em cultura, informação e sabedoria; o que a mídia
corporativa tanto abomina e culposamente ignora!

ANA > Vocês já tiveram a experiência de transmitir um evento, como uma manifestação,
ao vivo?

Antena < Em agosto do ano passado o programa Vozes da Rua fez a cobertura da 3ª
Marcha Lésbica de Porto Alegre. No final daquele mesmo ano, o programa o Centro é do
Povo reportou algumas manifestações dxs camelôs expulsxs do centro de Porto Alegre
por conta de um projeto higienista de revitalização que está excluindo a população
pobre da região central da cidade. Nenhuma das coberturas se deu ao vivo, mas foram
gravadas e veiculadas no mesmo dia dos acontecimentos. Estamos planejando fazer a
cobertura ao vivo da Feira do Livro Anarquista que está sendo planejada para a
cidade num futuro próximo, mas ainda sem data definida.

ANA > E como vocês se viram com as questões dos custos?

Antena < Como todo veículo de comunicação independente a grana é sempre um problema,
mas nos viramos fazendo festas, camisetas e angariando contribuições dxs
participantes do coletivo e colaboradores em geral. Esse processo apesar de
trabalhoso é fundamental para a construção de uma rádio realmente livre. Algumas
pessoas falam em apoio estatal para a construção de mídias livres, mas não
concordamos com essa visão, a independência de uma rádio ou qualquer veículo de
informação está totalmente ligada a sua capacidade de se auto-sustentar.

ANA > O fator grana continua sendo a tarefa mais árdua para se manter uma rádio no ar?

Antena < Apesar de ser um fator problemático, a grana é mais um dos nossos
problemas, mas não a tarefa mais árdua. Com um coletivo amplo e disposto a ceder um
pouco de tempo para construir eventos e outras formas de captação de recurso não é
impossível de resolver. O fator de uma possibilidade de repressão é talvez o que
mais incomoda e ao mesmo tempo exige mais da nossa criatividade. Ficar jogando
xadrez com a Anatel é um verdadeiro pé no saco.

ANA > E já tiveram problemas com a repressão?

Antena < Mais ou menos, nunca fomos pegxs, porque adotamos o ocultismo como
estratégia política. Mas já sofremos repressão por parte de rádios comerciais que
possuem freqüências próximas à nossa no dial: como têm equipamentos muito mais
potentes que os nossos (inclusive alguns especialistas dizem que foram elas que
derrubaram a estação Mir e o muro de Berlin), elas ampliam sua potência para
encobrir o nosso sinal. A Anatel está mais presente em nossas mentes paranóicas do
que como uma possibilidade de repressão real, estamos alguns passos a frente delxs.

ANA > Há alguma rádio libertária que vocês têm como referência, inspiração?

Antena < A antiga Rádio Alice de Bolonha, sem dúvida é uma inspiração presente. A
rádio Muda é uma referência na nossa história, porque foi a partir da generosidade
delxs que pudemos contar com nosso primeiro transmissor provisório. Várias rádios
comunitárias e livres, como aqui em Porto Alegre A Voz do Morro, do Morro Santana e
da Rádio Quilombo da Restinga são nossas parceiras cujo trabalho respeitamos e
acompanhamos.

ANA > Qual a dica que vocês dão para quem deseja montar uma rádio neste formato?

Antena < Organizem-se e busquem estabelecer parcerias com grupos que tenham o mesmo
comprometimento, uma rádio pode ser tocada de diversas formas, o importante é
encontrar formas de diminuir a tensão e se divertir informando. Antes de comprar um
equipamento, procurem conhecê-lo suficientemente. Entrar em contato com pessoas que
já tenham experiência facilita nas questões de operacionalização e manutenção. Estar
sempre precavido e antecipar possíveis jogadas da repressão traz mais confiança e
diminui o nível de paranóia. Aceitar como parceiros grupos que não estejam alinhados
com idéias libertárias pode implicar em diversos problemas: grupos políticos
partidários de pseudo-esquerda podem tentar roubar o seu equipamento, cuidado com
elxs. Quando forem começar a transmitir tenham certeza de que sua(s) antena(s) e
transmissor(es) estão em locais seguros e sigilosamente guardados, cuidem também
para que o campo eletro-magnético de sua transmissão não esteja interferindo em
outros sinais (como por exemplo de TV). Nunca caiam de um telhado e se forem adeptos
da ação direta radical, não deixem de derrubar algumas das antenas de rádios
comerciais.

ANA > Para finalizar, qual a opinião de vocês sobre as políticas de "democratização
dos meios de comunicação" do governo Lula, a Confecom, inclusão digital...

Antena < Democracia há muito tempo é um significante vazio que elites eleitorais
manipulam com a intenção de chegar ao poder. O Governo populista de Lula tem muitas
faces, uma delas acabou atraindo muita gente capaz, ao menos por um tempo, que
implementou projetos interessantes garantindo acesso à tecnologia para alguns grupos
populares. Mas ao mesmo tempo, em sua outra face, esse mesmo governo reprimiu sem
pudores muitas outras iniciativas autônomas e populares de comunicação,
principalmente aquelas que não tinham rabo preso com ninguém. Por mais interessantes
que possam ser esses projetos no âmbito governamental, provavelmente não irão
sobreviver à alternância partidária do sistema político representocrático. É triste
ver projetos interessantes criados por gente dedicada à transformação servindo na
próxima campanha política do PT para esconder a vergonhosa face da repressão. Se as
contradições sociais tendem a se agravar, o estado só pode assumir uma postura cada
vez mais autoritária e repressiva para garantir que o interesse das elites seja
respeitado e que a empobrecida ex-classe média fique em seu lugar de
urbanóide-espectador-eleitor-consumidor-de-porcarias.

ANA > Mais alguma coisa?

Antena < Um "foda-se" especial para Hélio Costa (ex-ministro das Comunicações) e
José Artur Filardi (atual ministro das Comunicações), e nossas saudações a todxs xs
que lutam por um mundo sem ministrxs nem ministérios! Viva a Anarquia que é Ordem
anti-hierarquia contra a monotonia!

Mais infos: http://antena-negra.noblogs.org/

Contato: lanegra@gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

rajada de vento
a lua estremece
na corrente

Rogério Martins
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