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(pt) Brasil. Breve análise das eleições municipais em Cuiabá - MT

Date Sat, 13 Sep 2008 22:38:04 +0200 (CEST)



Para nós, anarquistas organizados na Rusga Libertária a disputa por um
projeto político que atenda as nossas urgências não serão nunca disputados
dentro das instâncias criadas e administradas pela mesma classe que nos
oprimi. Deve ser construída no cotidiano, em nosso dia a dia em cada
bairro, escola, universidade e local de trabalho, empreendendo nestes
espaços todos os esforços para se impulsionar um forte movimento
organizado da classe trabalhadora e oprimida, lutando sem trégua por um
combativo movimento comunitário nas periferias, pela reorganização do
movimento sindical a partir da base e da juventude relegada ao desemprego
e a precarização do trabalho informal, resguardando em todos estes espaços
a mais ampla independência de classe em relação aos governos, partidos e
aos patrões.
Lutando para que estes movimentos forjem um povo forte e lutador,
protagonista de seu destino, e não oportunistas que se aproveitam dos
mesmos para se construírem na política burguesa, que encontram nas lutas
um trampolim para uma ascensão social através de seus mesquinhos partidos.
Tarefa esta que deve se estender em todo território estadual e nacional
nestes dias difíceis para nossa classe.


As eleições e as urgências de nossa classe:
breve análise das eleições municipais em Cuiabá ? MT.

Estamos em meio a corrida eleitoral, este ano a disputa será pelos
municípios: prefeitura e câmara de vereadores. Novamente a sociedade ira
parar para o espetáculo eleitoral promovido pelo sistema burguês que tem
neste mecanismo político, as eleições, um instrumento para conter um
profundo questionamento sobre seus alicerces, que discuta a necessidade de
sua superação mediante a ação organizada do povo em suas lutas.

Com candidaturas que se utilizam de um mesquinho e demagógico populismo
através de Walter Rabelo/PP, à tentativa de reeleição de Wilson
Santos/PSDB com o apoio de nada mais nada menos que o PCdoB passando pelo
aliança do PT com o PR do latifundiário e governador oligarca do Estado
Blairo Maggi através da candidatura do empresário Mauro Mendes, o cenário
que se apresenta hoje em Cuiabá, e pouco se distingue nas demais cidades
do Estado e até do país, é de uma simples disputa de camarilhas. Tudo se
discute, menos um projeto de sociedade. As discussões, ainda por parte
daqueles que se colocam como alternativas progressistas, é de meros
paliativos, de administração das mazelas. O projeto já esta posto pelas
elites, a corrida é para ver quem ira se mostrar mais eficaz para
aplica-lo.

As eleições, acreditamos que isso não seja novidade, não é e nunca foi
decidida nas urnas, mas sim entre conchavos anteriores, realizados nos
bastidores entre as principais figuras da elite do município, do estado e
do pais. Não é novidade à ninguém a sórdida aliança que realizou Wilson
Santos com a ?máfia do transporte público?, para se eleger. Essa aliança
foi escancarada nos incontáveis esforços que fez este prefeito à
beneficiar este ramo, sendo omisso na cobrança de impostos às empresas e
buscando por todos os meios criar um ambiente favorável para os
sistemáticos aumentos e suas tentativas de restrição ao passe livre
estudantil que foram desde a criminalização e repressão das lutas da
juventude que buscavam resistir a estas investidas à mais cínica
justificação dos argumentos dos empresários pelo aumento. E essa aliança
não para por ai, na surdina o empresariado do transporte junto à
prefeitura vai tramando não só mais um aumento como a demissão dos
cobradores em função do sistema de bilhetagem eletrônica; centenas de
cobradores podem ser postos no olho da rua. Como se não bastasse todo esse
jogo em conjunto com os empresários do transporte, também fez de tudo para
privatizar a SANECAP e aumentar o IPTU.

Silenciando sobre estes fatos, Walter Rabelo busca se erguer como ?homem
do povo? se comparando a Lula, afinal de contas, ?vem do povo e é do
povo?, não apresenta nada além de abraços distribuídos pelas ruas e
propostas que se esforçam para ir além da aquisição de banheiros químicos
em feiras. Assim , o ex apresentador de TV, que sempre se utilizou de seu
programa como meio de explorar a miséria humana, distribuindo cestas
básicas, pagando contas de energia dentre outras investidas do gênero à
famílias que se sujeitassem a chorar e agradecer sua generosidade em
horário nobre, vai buscando saltar de deputado estadual à prefeito em sua
desesperada sede de poder e manipulação do povo pobre e trabalhador.
Enquanto isso aqueles que dominam o Estado mediante a violência do
agronegócio, expressa na expulsão de comunidades ribeirinhas, indígenas e
pequenos agricultores para dar lugar ao avanço das monoculturas de cana,
soja, algodão e agora também o eucalipto buscam na eleição de Mauro Mendes
a concretização de seu poderio político na terra de ninguém que é este
pedaço do Brasil chamado Mato Grosso, dominado pelas botinas e pistolas
latifundiárias.

E a busca pela extensão de seu poderio não poderia vir acompanhada de
outros métodos, se não suas antigas e rotineiras práticas oligárquicas e
coronelistas, como a utilização da máquina pública para fins pessoais.
Recentemente nas administrações públicas do Estado funcionários, em sua
maioria estagiários, tem sido intimados por seus superiores a comparecerem
nos comícios de Mauro Mendes sob pena de demissão. Mesmo após inúmeros
estagiários terem feito inúmeras denuncias anônimas tanto o Governo do
Estado quanto a imprensa silenciam.

Explicitando a devida coerência para com o cenário político nacional, o PR
encontra no PT seu principal aliado na empreitada de se disputar este
aparato. Não podia encontrar melhor aliado após o governo Lula ter se
mostrado um braço forte do agronegócio, mantendo estagnada a reforma
agrária, empurrando de forma violenta e sem quaisquer discussão na
sociedade a transposição do Rio São Francisco para satisfazer as pressões
dos grandes fazendeiros do nordeste e avançando na criminalização dos
movimentos que resistem ao avanço destes projetos[1]. Como se não bastasse
a violência contra os pobres do campo ao criminalizar sua resistência e
beneficiar o agronegócio, este também é o governo e o partido que hoje
avança contra o conjunto da classe trabalhadora, buscando cercear o
direito de greve, aprovando projetos de lei que legalizam o trabalho aos
domingos para comerciários, busca acabar com a previdência pública,
dificultando ainda mais a aquisição de nossa aposentadoria e enviando
tropas do exército para ocupar os morros do Rio de Janeiro, assassinando a
esmo seus moradores e mantendo esse mesmo exército ocupando o Haiti a base
da violação dos direitos deste sofrido povo. Inúmeros são os casos de
denúncia de violação dos direitos humanos, como torturas e até casos de
estupros[2], às tropas do exército, no entanto o governo Lula e seu
partido, o PT, seguem legitimando a ocupação.

Apresentando um discurso ?progressista? aparecem as candidaturas do PSB
com Valtenir e do PSOL com o procurador Mauro. Ambas cristalizam de forma
bem nítida o principal fantasma que abraçou a esquerda brasileira, ou ao
mínimo aquilo que um dia se pretendeu ou ainda pretende ser esquerda. Se
trata do fantasma da burocracia; se colocando como candidaturas em um
campo ?progressista? e/ou de ?esquerda?, estes, nasceram e cresceram
dentro da burocracia partidária, não tendo nenhuma passagem, ainda que
efêmera, pelos movimentos de base. Seus respectivos eixos de intervenção é
a busca de uma amenização da situação social dentro dos limites impostos
pelo mercado, o que resulta em uma política de pequenas concessões,
conciliação com as elites e a busca por uma amenização dos conflitos
sociais. A expressão socialismo aqui esta relegada a um vago conceito de
justiça social e ética na política[3].

Se agrava ainda mais a situação de Valtenir, quando este, ao se afirmar
como oposição a atual administração de Wilson Santos durante toda sua
carreira, ao ser convidado a ser vice na chapa de reeleição de Wilson
?brilhou os olhos? com a possibilidade, não tendo rejeitado a mesma de
imediato estendo duas semanas para negar a proposta. Estranho
comportamento de alguém que se julga ser oposição.

Já para a câmara de vereadores a ?disputa? se transforma em um verdadeiro
escárnio, com demagogos e palhaços para tudo quanto é tipo de gosto. É o
cenário que mais define o que é esse ambiente podre da política
institucional, uma verdadeira patifaria.

Para nós, anarquistas organizados na Rusga Libertária a disputa por um
projeto político que atenda as nossas urgências não serão nunca disputados
dentro das instâncias criadas e administradas pela mesma classe que nos
oprimi. Deve ser construída no cotidiano, em nosso dia a dia em cada
bairro, escola, universidade e local de trabalho, empreendendo nestes
espaços todos os esforços para se impulsionar um forte movimento
organizado da classe trabalhadora e oprimida, lutando sem trégua por um
combativo movimento comunitário nas periferias, pela reorganização do
movimento sindical a partir da base e da juventude relegada ao desemprego
e a precarização do trabalho informal, resguardando em todos estes espaços
a mais ampla independência de classe em relação aos governos, partidos e
aos patrões. Lutando para que estes movimentos forjem um povo forte e
lutador, protagonista de seu destino, e não oportunistas que se aproveitam
dos mesmos para se construírem na política burguesa, que encontram nas
lutas um trampolim para uma ascensão social através de seus mesquinhos
partidos. Tarefa esta que deve se estender em todo território estadual e
nacional nestes dias difíceis para nossa classe.

Saúde, educação, transporte público de qualidade, passe livre para
estudantes e desempregados, emprego, moradia, redução da jornada de
trabalho e ampliação do salário mínimo, reforma agrária que coloque a
terra a serviço da produção de alimentos para o povo e não para exportação
para os países ricos, estas são algumas de nossas muitas urgências, as
quais arrancaremos no velho instrumento que o povo sempre se valeu para
avançar: a luta popular. Lutar e vencer fora das urnas! Com Ação Direta
Popular.

Fortalecer e impulsionar as lutas do povo, forjando em seu cotidiano a
construção do poder da classe, o poder popular!!!

Lutar e Vencer fora das urnas! Com ação direta popular!

Povo unido é povo forte!
Rusga Libertária ? FAO (Fórum do Anarquismo Organizado)

[1] ?Serviço de inteligência da Presidência já monitora entidades, mas
idéia agora é dar transparência a plano e trabalhar com ministérios?
Governo quer conter ações de movimentos: publicado em Folha de São Paulo
16 de março de 2008.

[2] Ver: ?Exército Brasileiro atua com repressão no Haiti? em
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/exe...haiti e ?General
brasileiro admite que abusos sexuais "podem acontecer" no Haiti? em
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internaciona...haiti

[3] Sobre a burocratização da esquerda parlamentar ver ?Do reformismo a
festão do capital? em
http://www.vermelhoenegro.org/fag/leiaformacao.php?titu...6ff98



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