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(pt) [Reino Unido] " A feira do livro tem uma utilidade mais além da mera apresentação e venda de material"

Date Thu, 22 Nov 2007 13:48:37 +0100 (CET)


Em 1983, surgia a Anarquist Bookfair de Londres (em português, Feira do
Livro Anarquista), com apenas meia dúzia de editoras anarquistas, no
Centro Autônomo de Wapping. Os organizadores gostaram da empreitada e
disseram: ?Vamos fazer outra vez o ano que vem?? Então fizeram. E de lá
para cá já foram 27 edições. Hoje, é um projeto consolidado e em expansão
a cada ano que passa, com mais editoras, grupos, atividades e
participantes envolvidos. Na última edição, realizada em 27 de outubro,
milhares de pessoas circularam pelo recinto do evento, desde os
anarco-sindicalistas aos anarco-primitivistas e os ?sem etiquetas?, das
mais variadas idades e sexo, participando das ininterruptas atividades,
que iam dos 40 estandes de livros, panfletos, revistas e outros materiais,
há reuniões, palestras/debates, sessões de cinema, oficinas, restaurante
vegetariano, creche para crianças entre outras coisas, abordando sempre
aspectos da infinidade anárquica. No total, mais de 90 iniciativas, entre
editoras, distribuidoras e grupos, participaram diretamente do evento. A
seguir, Miguel Martín, membro da Federação Anarquista do Reino Unido, e
que participou do estande dessa organização na Feira, nos conta um pouco
mais desse que é, juntamente com o Festival da Anarquia no Canadá, um dos
eventos mais intensos do ?universo anarquista? ao redor do mundo.

Agência de Notícias Anarquistas > Podemos começar com você fazendo um
histórico da Anarquist Bookfair de Londres, dita hoje uma das mais
importantes do mundo. Ela existe desde 1983, certo?

Miguel Martín < Sim, a feira de livro existe já faz vários anos, e desde
sempre, desde muito antes que eu vim viver neste país! É o evento
anarquista mais importante do Reino Unido, cada ano congrega a um bom
número de coletivos e individualidades, e creio que boa parte de seu êxito
se deve a constância que tem se conseguido manter em sua celebração.

ANA > Ela acontece sempre no mesmo lugar ou vai variando?

Miguel > Não se realiza no mesmo lugar, senão que vai variando dependendo
das necessidades da mesma feira, e da disponibilidade de locais adequados
em Londres. O problema é que nesta cidade não há espaços ocupados nem
centros sociais bem grandes para abrigá-la, por isso que acabamos por
recorrer a locais nas universidades. Tradicionalmente se busca um local no
centro da cidade, mas este ano tivemos que ir mais distante para encontrar
um lugar suficientemente grande e que pudesse abrigar tanto as barracas de
material como as conferências, projeções, etc...

ANA > A Feira é totalmente autogestionada, autofinanciada?

Miguel > Sim, não se recebe nenhum tipo de ajuda de organismo oficial
algum. Em geral se arrecada dinheiro dos que pagam aos coletivos pelos
estandes de livros, das doações que se recebem na entrada, e do que gera o
coletivo encarregado de sua organização mediante eventos: concertos,
festas, venta de material próprio etc...

ANA > E qual o balanço que você faz dessa última edição da Anarquist
Bookfair? Tudo positivo?

Miguel > Por um lado à feira tem seguido crescendo em número, tanto de
coletivos participantes como de público. Também tem crescido o número de
atos organizados e sua qualidade. De fato nós chegamos a um ponto que
falta tempo para celebrar todas as conferências, encontros etc. propostos.
Talvez o próximo passo seja evoluir em que a feira dure mais de um dia
para dar espaço a tudo. Além disso se nota a presença de gente que se
aproxima pela primeira vez ao anarquismo e encontra na pluralidade da
feira um primeiro lugar de contacto adequado com as idéias libertárias.
Nota-se que, pelo menos no Reino Unido, o movimento se vai abrindo a um
espectro mais amplo de gente, ainda que seja lentamente.
Sem dúvida, apesar de que na feira tudo transcorreu bem, ao final houve um
enfrentamento entre membros de dois grupos, que tem desenvolvido uma
inimizade através dos fóruns da Internet! Sem dúvida se trata de motivos
totalmente triviais e personalistas, aos que alguns companheiros se deixam
arrastar. Ou seja, que nem tudo foi positivo.

ANA > Muita gente participou da Feira?

Miguel > Não te saberia dizer um número exato de gente, mas são mais de um
e menos de 5.000. Não, falando seriamente, eu diria que este ano foi
aproximadamente umas 3.000 pessoas, talvez mais. O que sim te posso dizer
é que vem gente de todo o mundo, tanto para expor seu material, como para
participar em palestras ou simplesmente comprar livros ou encontrar-se com
companheiros.

ANA > Normalmente quem participa deste evento é só anarquista, ou pessoas
de outras tendências políticas?

Miguel > Como te disse antes, creio que se nota que o movimento está se
tornando mais popular, ainda que isso, sim, muito lentamente. Claro que a
maioria dos que participamos já somos anarquistas, mas para alguém que
queira conhecer melhor as idéias libertárias, a feira oferece uma ótima
plataforma de oportunidades por sua diversidade, e por isso atrai a uma
variedade de gente, mais que outras atividades mais militantes.

ANA > Você destacaria algum livro lançado na Feira?

Miguel > Pois é paradoxal, mas não apenas se lançam livros na feira. Se
olhares a programação verás que a maior parte da programação se dedica a
apresentar campanhas, coordenar atividades, compartir experiências de luta
ou debater temas variados, mas há poucas apresentações de material novo.
Não sei se isso se deve a que o movimento tem um caráter mais prático e
menos teórico, ou é puramente casual. Por exemplo, em nosso caso íamos
apresentar um folheto com material para ajudar na criação de grupos
antifascistas nos bairros operários, mas no final não conseguimos
prepará-lo a tempo. Mas eu te interarei quando sair.

ANA > Um dos atrativos dessa Feira também são as palestras/debates. Nessa
edição quais foram as principais discussões?

Miguel > Sim, este é um dos principais atrativos, e dado o número de gente
que participa são uma boa oportunidade para apresentar campanhas,
coordenar lutas etc. Desde nosso ponto de vista uma das melhores foi a que
apresentou o compa Ricardo do CAMA-AMZ (Coletivo Autônomo Magonista ?
Aliança Magonista Zapatista ), expondo a situação do anarquismo no México,
e do levantamento em Oaxaca. Sua apresentação foi brilhante e causou um
enorme interesse entre o público! Outra foi à organizada pela Class War
sobre a marcha anarquista que se pretendia fazer na semana seguinte a casa
de David Cameron, o líder do partido conservador. Também se falou muito da
de Stuart Christie e seu projeto de rodar um filme sobre a resistência
anarquista ao franquismo. Pergunto-me se necessitará de extras!
Mas em geral estes encontros têm uma importante função no movimento
anarquista britânico, que não se deve subestimar. Por um lado se sabe que
ocorrem a cada ano na mesma data (aproximadamente), por outro se sabe que
congrega gente de todo o país, assim que muitas plataformas o usam para
organizar reuniões de coordenação com delegados de todo o país. Realmente
a feira do livro tem uma utilidade mais além da mera apresentação e venda
de material.

ANA > Na programação da Feira havia algo sobre "cabaré". O que era
exatamente isso, um espetáculo teatral?

Miguel > Olha só, não sabia nada a esse respeito e agora revisando a
programação não encontro nada. O que, sim, houve foi um concurso de
perguntas sobre anarquismo, no estilo dos que se fazem aqui nos pubs, mas
libertário.

ANA > "Concurso de perguntas sobre anarquismo"? Explique melhor, isso é
novidade... (risos)

Miguel > Sim, no Reino Unido são típicos os pubs quizz, que são concursos
que se fazem em algum dia determinado em um pub (bar). Formam-se equipes e
se paga uma pequena cota para participar, e a equipe que ganha fica com
todo o dinheiro. Geralmente são feitos sobre cultura geral, que neste país
significa ser sobre futebol e programas de televisão. Só que neste caso as
perguntas eram sobre anarquismo. Uma atividade educativa e revolucionária
por sua vez. (risos)

ANA > Um dos temas discutido na Feira foi uma campanha contra as
Olimpíadas de Londres de 2012. Basicamente o que consiste essa campanha? A
Federação Anarquista também participa dela?

Miguel > O fato é que esta campanha não está sendo a mais ativa de
momento, ainda que no princípio encontrou bastante apoio entre os
residentes da região em que se está construindo a cidade olímpica, creio
que isto se perdeu quando os donos das casas deram-se conta de que
poderiam ganhar muito dinheiro com o projeto. O grupo de Londres da
Federação tem alguns companheiros que vivem por esta região, que estão
envolvidos na campanha desde o começo, como individualidades. Não tenho
certeza de que se tenham seguido fazendo reuniões na região (ao oeste de
Londres) sobre este tema, ainda teria que perguntar aos compas envolvidos.
Ou ainda poderia ocorrer que este último encontro sobre o tema na feira
ponha de novo a campanha na rua.

ANA > Hoje quais as "grandes" campanhas anarquistas ou antiautoritárias
que estão sendo levadas a cabo no Reino Unido?

Miguel > Há várias. Por um lado estão os companheiros do grupo No Borders,
que estão levando a cabo um trabalho muito sério e constante sobre o tema
dos controles a imigração, o reforço das fronteiras e as expulsões
forçosas de imigrantes ilegais e pedidos de asilo frustrados. Faz pouco
tempo organizaram um acampamento de vários dias nas cercanias do aeroporto
de Gatwick, no sul, para protestar contra a construção de um novo centro
de detenção de imigrantes ilegais.
Também está sendo feita a campanha contra a introdução de cartões de
identidade biométricas, através da coalização Defy-ID, que agrupa vários
coletivos, e que se organiza em torno a grupos de trabalho locais, alguns
dos quais são mais ativos que outros. Isto é especialmente significativo,
em minha opinião, porque marca o ponto culminante do desvio do modelo
tradicional britânico de sociedade "democrática", um processo que tem
levado a converter o Reino Unido no país mais vigiado do mundo em apenas
10 anos, com uma considerável perda de poder da cidadania frente ao
Estado.
Também se continua a campanha contra a guerra, mas ela tem perdido muita
força devido a numerosos fatores, e com ela o envolvimento dos grupos
anarquistas. Outras campanhas que se mantêm em um prazo mais longo são as
referentes ao meio ambiente, as de defesa dos animais (ainda que já não
tenha a virulência de alguns anos atrás), antifascista etc.

ANA > Vocês da Federação Anarquista também organizam a Feira, ou só
participam com um posto de venda de material?

Miguel > A feira é organizada por um coletivo de pessoas que não têm outra
atividade senão organizá-la, o que por suposto não quer dizer que essas
pessoas não participem também em outros projetos. Nesse coletivo, como
tal, não há membros da Federação, mas nossa participação não se limita a
vender material. Colaboramos com o grupo organizador para distribuir a
propaganda, ajudar nas tarefas do dia etc. Por exemplo, entregar
programações na porta, pedir doações para cobrir gastos, e outras coisas
neste estilo. Mas nossa intenção é que esta colaboração seja mais ampla em
futuras edições, e como já é esperado que resulte em um trabalho conjunto
habitual entre grupos anarquistas de Londres, pelo menos.

ANA > É comum a Federação Anarquista publicar livros?

Miguel > Não publicamos livros, porque para isso já há algumas editorias
dedicadas que fazem um excelente trabalho e com elas temos uma excelente
relação, como Freedom Books. Mas sim, publicamos regularmente folhetos
expondo os pontos de vista dos membros da Federação sobre temas que são
relevantes, por exemplo, o que temos planejado sobre o fascismo e o
nacionalismo, que sairá em breve (espero). Além disso, temos nossas
publicações, Resistance!, um boletim mensal de distribuição gratuita, e
Organise, uma revista trimestral com um perfil mais teórico.

ANA > Há algum tipo de cobertura jornalística da grande mídia da Feira, ou
só a mídia independente que a divulga?

Miguel > Não se tem tido cobertura no passado, na atualidade não aparece
em nenhum meio de comunicação burguês, ao menos que eu saiba. Mas é claro
que é amplamente difundida nos meios alternativos, como Indymedia. De
todas formas os anarquistas do Reino Unido, e de todas partes, mas
especialmente aqui, com a imprensa amarela que existe neste país, são
muito desconfiados com os meios de massas, e não creio que os convidem,
precisamente.

ANA > Além da Feira de Londres há outras no Reino Unido?

Miguel > Sim, há outras feiras de livro político, mas não são
especificamente anarquistas, ou são muito menores, ou tem sido esporádicas
e sem continuidade no tempo. Por exemplo, há feiras de livros da classe
trabalhadora, o que é muito mais amplo. Também os marxistas de diversas
matrizes celebram feiras e eventos, onde as publicações jogam um papel
importante.

ANA > Para finalizar, você falou que iam editar um folheto com material
para ajudar na criação de grupos antifascistas nos bairros obreiros. O
fascismo também está bem acentuado na Inglaterra?

Miguel > A situação aqui e muitíssimo menos grave que em outras partes da
Europa, como Espanha, Alemanha ou França, para não falar da Rússia. Sem
dúvida se nota que um grande setor da população está aproximando-se a
posturas de extrema-direita, sobretudo no tema da imigração. Mas pelo
momento os partidos xenófobos (o principal é o BNP, o Partido Nacionalista
Britânico) não tem sido capazes de conseguir que isto resulte em uma
votação massiva, como por exemplo, na França. Enfim, é uma situação muito
complexa, porque se deve muito a aspectos peculiares tradicionais da vida
política inglesa que são muito diferentes dos continentais. Desde a
importância da imprensa amarela, da cultura organizativa da classe
trabalhadora, das formas do estado de bem estar, a forma da imigração etc.
Creio que é muito curto o espaço para discuti-lo aqui.
O que, sim, posso dizer é que como anarquistas entendemos que a luta
contra o fascismo se têm que dar no nível da comunidade, nos bairros, e
que não se limita ao encontro violento, ainda que o inclua, senão que deve
dar prioridade à construção de alternativas de luta social que permitam
articular o descontentamento legítimo dos trabalhadores e das
trabalhadoras, de todos os países e raças, que vivem no Reino Unido.
Esperamos que este folheto seja uma ferramenta útil para ajudar a
florescer um movimento antifascista decidido, amplo e comunitário.

ANA > Algo mais?

Miguel > Pois não, obrigado a você pela entrevista, e uma homenagem a
Carlos, o companheiro antifascista que morreu apunhalado no fim de semana
passado em Madri, no enfrentamento com um nazi. Vê-se claramente que a
luta contra e antifascista é tão internacional como nossa ânsia de
liberdade.

Sítio: www.anarchistbookfair.co.uk

Tradução: Juvei



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