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(pt) [Brasil ; GEA-NEC] Movimentos sociais segundo a Rede Globo

Date Sat, 10 Nov 2007 19:17:22 +0100 (CET)


O MOVIMENTO ESTUDANTIL E O
MOVIMENTO SEM-TETO
SEGUNDO A REDE GLOBO, AMÉM!

Por Rafael Viana

Ninguém em sã consciência ou com o mínimo espírito crítico guarda
alguma dúvida acerca da manipulação grosseira realizada pela Rede
Globo utilizando seus meios de comunicação. Muito menos de sua
relação excusa com as elites privadas e os grandes interesses
do capital financeiro.

Ninguém tem mais dúvida sobre seu papel infame na ditadura militar,
seu ataque sistemático aos movimento sociais, sua função
ideologizadora e mantenedora da ordem burguesa na sociedade
brasileira, que legitima a exploração, a miséria, a desigualdade
social oriunda da sociedade de classes; contudo no dia 07 de novembro
a Rede Globo deu um passo a mais em todo este processo infame,
mostrando-se sempre atenta com os acontecimentos sociais e desejosa
por fazer valer sua versão dos fatos, a Rede Globo resolve atacar o
movimento sem-teto e o movimento estudantil por meio de seus infelizes
meios de distribuição de mentiras: as novelas.

Quem teve o azar de acompanhar os dois últimos capítulos da novela das
oito(no meu caso um eventual esbarrão que me aguçou a tentar entender
melhor a finalidade ideológica daquela mixórdia fictícia) intitulada
"Duas Caras", pode ver a opinião ideológica da Rede Globo aflorar de
maneira mais nítida. Além de ter como cerne principal uma comunidade,
cuja origem era uma ocupação e seu líder interpretado por Fagundes é
um caudilho autoritário, uma espécie de miliciano que impõe a lei e a
ordem na favela a partir de uma associação de moradores submetida aos
seus desmandos autoritários, a novela ainda tem a cara de pau de
confeccionar um retrato dessas comunidades a partir de sua ótica
pervertida, burguesa, elitizada, fomentadora de estereótipos baratos.
Podemos ver claramente a dicotomia artificializada pela vênus
platinada, enquanto os trabalhadores da comunidade fictícia apenas
estão envolvidos com pequenas e irrelevantes discussões de senso comum
e não muito ocupados com ofícios laboriosos, os ricos e poderosos
estão envolvidos com negócios, dedicando-se exclusivamente ao árduo
trabalho diário de gerirem empresas e administrarem negócios. É o mito
do rico "trabalhador" e do pobre que é pobre pois não se esforçou
suficientemente para sair desta condição.

Mais a cena mais polêmica, é a que estudantes de uma universidade
particular, cuja reitora e dona é interpretada pela atriz Suzana
Vieira, resolvem realizar um protesto em frente a universidade. Diante
do protesto, a personagem "Branca" interpretada por Suzana Vieira
pergunta a um dos estudantes quem é o líder do protesto, da baderna.
Este relata que é o coletivo, a qual a personagem irônicamente
responde que na verdade "Alguma liderança por trás que decide tudo por
esse coletivo, sei muito bem como é...".

É claro, jamais a globo entenderá nenhum mecanismo de decisões
coletivas, afinal a globo e seus asseclas só conseguem pensar
hierárquicamente.

Interessante comentar o personagem do chamado "líder estudantil", um
ator negro, que se caracteriza por usar roupas despojadas, camisa
vermelha e ao contrário da placidez racional da personagem
interpretada por Suzana Vieira, a "Branca"(branca, anglo-saxã, rica)
transparece impulsividade e emoções a flor da pele. É inconsequente e
agressivo.

Requer lembrar também que a personagem "Branca" é uma das personagens
centrais da trama. Os núcleos ricos nas novelas globais sempre
existiram, a idéia é fazer com que nos identifiquemos com o discurso
burguês desses personagens, mocinhos e vilãos.

Uma das partes mais interessantes é quando os estudantes resolvem
ocupar a universidade. Estes invadem a universidade, quebram vidros,
rasgam livros(???), causando a maior destruição possível.

É claro que a Rede Globo, apesar de não ter noticiado uma única
notícia relevante sobre as ocupações das reitorias pelos estudantes
contra o maldito projeto do Governo, o temível REUNI que privatiza as
universidades públicas em detrimento da iniciativa privada, resolve
agora se posicionar em relação às ocupações das reitorias.
Posicionar-se não, pois quem o faz, faz públicamente e com
transparência. No caso da Rede Globo é criar uma falsa representação
da realidade, dizendo que as ocupações das reitorias na verdade são
atos de vandalismo, de baderna, que os estudantes são bárbaros sem
objetivos que destróem o patrimônio das universidades.

Imagine um trabalhador ou trabalhadora que resolva assistir este
capítulo, depara-se além de estudantes saídos de algum filme de ficção
científica de mau gosto, com a imagem deturpada da Globo sobre os
movimentos de ocupação Urbana e os movimentos social em geral.

Enquanto isto, a dona da faculdade, pede à um de seus advogados que
chame a polícia, este responde que esta é uma atitude que poderá ser
vista como antidemocrática, de resquícios da época da ditadura a qual
a personagem responde: "Esses movimentos se aproveitam das liberdades
da democracia para serem anti-democráticos."

Olhando assim há até quem acredite que a Globo é o último bastião de
defesa da democracia, entidade que cresceu sob as asas da ditadura,
manipulava e censurava notícias antes mesmo da atuação dos órgãos de
censura da época, cumprindo muito bem seu papel de classe
exemplarmente, a ponto de no Editorial do Jornal "O Globo" de 7 de
outubro de 1984, Roberto Marinho elogiar o golpe militar de 64 e se
posicionar contra a campanha pelas eleições diretas para a Presidência
da República

Quanto a presença do fictício MSC(Movimento dos Sem-Casa) na ocupação
da reitoria a personagem de Suzana Vieira solta a seguinte pérola:
"Eles deveriam estar trabalhando" diz branca. É a opinião da Rede
Globo sobre o movimento social, o trabalhador bom para a Rede Globo, é
o que trabalha de segunda a sexta, e jamais reivindica seus direitos,
quando o faz, deve fazer sempre dentro das estruturas do Estado
Burguês.

Quanto ao fictício MSC, que nada mais é do que a representação
esdrúxula do movimento sem-teto e de ocupações urbanas na novela, a
personagem emite a seguinte opinião: "Eles não são estudantes, nao
pagam nossa universidade, não fizeram vestibular, o que estão fazendo
aqui?".

A solidariedade entre os diferentes participantes do movimento social
não deve existir segundo a Rede Globo, cuja visão individualista
burguesa do "cada um correndo atrás do seu" prevalece como agente
principal em seu discurso. Trabalhadores e estudantes não podem estar
juntos numa mesma luta, jamais!

Há inúmera pérolas a serem mencionadas, das quais podemos traduzir
ideológicamente de maneira clara:

"Vamos deixar o MSC na frente que eles tem mais experiência,
personagem do militante estudantil referindo=se a resistência frente a
polícia".

Tradução: Militantes sem-teto tem experiência em enfrentamentos com a
polícia e são violentos.

"Não são eles mesmo que dizem que os fins justificam os meios?", diz
Branca, então que a polícia faça alguma coisa!"

Tradução: Reprimir estudantes e trabalhadores de forma violenta se
justifica pelo objetivo final que é o de conseguir a paz diante da
invasão de propriedade privada.

Depois de diversas pérolas, há ainda além da tentativa de deturpar o
presente, fazer o mesmo com o passado, uma coadjuvante em meio ao
enfrentamento dos estudantes solta a seguinte pérola final: "Até
parece 1968, diz outra personagem, referindo-se ao movimento
anti-autoritário e revolucionário dos estudantes e trabalhadores
franceses no Maio de 1968 na França, que questionou duramente a
democracia burguesa, o capitalismo e outros valores e instituições
conservadoras à época.

Poderia-se dizer muito mais acerca dessa obra de ficção, que deseja
não apenas entreter, mas exercitar o domínio ideológico, estabelecer e
dar a última visão acerca da realidade. Cunhar valores, embutir
regras, naturalizar o que não pode ser naturalizado: desigualdades
sociais, relações de classes, luxo, miséria, conformismo, etc.

Reparem nos personagens da Globo, a riqueza é sempre vista como um
incômodo, se não me engano é da mesma novela a afirmação de uma
personagem vivida por Marília Gabriela, de que a riqueza pode trazer a
desgraça. O pobre perfeito da Rede Globo é o pobre da novela, o que
trabalha e vive feliz, está sempre bem humorado, enquanto a riqueza
dos chamados núcleos de ricos das novelas da globo estão sempre
envolvidos em tramóias, chantagens, conspirações, onde tudo acaba em
assassinato ou loucura.

O empregado dos ricos e milionários das novelas globais, é sempre
feliz, submisso ao patrão e fiel à ideologia burguesa.

A novela de opostos que a Rede Globo permite mostrar, nada mais é do
que a visão elitista e burguesa de seu autor, alinhado com o discurso
oficial da platinada, sobre assuntos como movimento estudantil,
ocupações urbanas, comunidades, questões de gênero. Nenhum discurso é
neutro, todo discurso está situado históricamente e ideológicamente. A
Rede Globo nada mais faz do que propagar e reforçar estereótipos
baratos, cunhar mentiras, propagar inverdades!

Mas NÓS sabemos! NÓS, estudantes, trabalhadores, trabalhadoras,
sem-teto, unidos no horizonte da mesma luta, que o MOVIMENTO SOCIAL
não é ESTE movimento social que a Rede Globo quer representar!!!

NÓS sabemos que um dia este mar de mentiras que inunda o coração de
nossos irmãos, este veneno escorrido pela mais esgrogue representante
do capital assassino irá sucumbir diante da JUSTIÇA da classe
trabalhadora!!!

E neste dia não haverão nem novelas, nem atores medíocres para
proteger a Rede Globo!!! Parafraseando o anarquista peruano Manuel
González Prada nós não somos a inundação da barbárie como quer
descrever a Rede Globo, nós somos o dilúvio da justiça!!! E
SEREMOS!!!!

Rafael não assiste novelas, mas ocasionalmente esbarra com
representações ideológicas que não podem ser esquecidas e merecem
ficarem registradas.

"Liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça; socialismo sem
liberdade é escravatura e brutalidade."
Miguel Bakunin

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www.nodo50.org/insurgentes (obs.: reune-se atualmente no acampamento dos
estudantes, do movimento de luta por moradia estudantil, da UFF-Niterói).

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