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(pt) [Espanha] Ateneu Libertário Estrela Negra: 20 anos de anarquia!

Date Wed, 30 May 2007 20:25:06 +0200 (CEST)


Este mês de maio o Ateneu Libertário Estrela Negra está de aniversário.
São 20 anos de muitas peripécias na procura incessante para mudar a
rotina, instigar, de apresentar uma idéia cada vez mais necessária à
sociedade, a anarquia. O Ateneu está situado no arquipélago das Baleares,
no mar Mediterrâneo, na província de Palma de Malhorca, território
espanhol. A seguir, Peter Guindilla, membro desde a criação do Ateneu, nos
conta um pouco da trajetória deste espaço e do evento comemorativo que
organizaram entre os dias 5 e 12 de maio.

Agência de Notícias Anarquistas > Num mundo carregado de apatia, com uma
espécie de cultura da passividade, chegar ao vigésimo aniversário de um
espaço anarquista, como o Ateneu Libertário Estrela Negra, é motivo de
muita alegria e satisfação, não? Qual o segredo para tantos anos de
vivacidade? Otimismo? Coragem? (risos)

Peter Guindilla < A verdade é que não temos segredos. Suponho que se trata
de termos juntado um grupo de pessoas com uma afinidade comum e com a
perseverança necessária. Em todo caso, nós mesmos somos os primeiros a se
surpreender com nossa "longevidade". (risos)

ANA > Esse é um dos espaços libertários mais antigos do território
espanhol, certo?

Peter < Bom, como Ateneu sim. Outra coisa são os sindicatos da CNT. Depois
da morte do ditador Franco surgiram muitos coletivos e Ateneus, mas a
maioria desapareceram. Nós chegamos um pouco mais tarde, nos anos oitenta,
quando a atividade libertária em nossa cidade (e em muitas partes do país)
era quase nula.

ANA > O eixo de atividades do Ateneu continuam igual, com palestras,
biblioteca, bar, restaurante popular, comércio justo... Esse espaço é de
vocês, certo?

Peter < Bom, o espaço é alugado. Ainda que seja relativamente barato para
o que se paga hoje em dia na região. Temos a sorte de que o local foi
alugado nos anos setenta pela CNT e se mantêm desde então. Agora
compartido entre a CNT e o Ateneu.
O local conta com cozinha, biblioteca, sala de atos e uma tenda com todo
tipo de material alternativo.

ANA > Da criação do Ateneu em 1987 até hoje, 2007, muita coisa mudou? As
pessoas que criaram este espaço continuam ativas nele?

Peter < Pois temos que dizer com orgulho que o "núcleo central" dos
fundadores seguimos ativos no coletivo. Isso sim, com mais ganas e
achaques. (risos)

ANA > Nestes 20 anos pensaram em desistir em algum momento? Houve algum
problema grave, tipo repressão? Ataque nazi...

Peter < Não pensamos em abandonar em nenhum momento ainda que passamos por
momentos de baixa atividade. Lógicamente em nosso "curriculum" constam
vários ataques fascistas, ainda que nenhum com gravidade. Também foram
feitos diferentes tipos de pressão policial, mas tão pouco, nada
destacável. Quem sabe porque nossas atividades sempre têm sido pacíficas e
de caráter político-cultural, e nunca representamos um perigo sério para o
sistema. Ao menos no momento.

ANA > Ao longo deste tempo, houve alguma palestra, discussão,
emocionalmente marcante?

Peter < Houveram palestras muito interessantes. Eu destacaria a de Guiomar
Rovira sobre a revolta zapatista; a do professor Antonio Escohotado
falando sobre drogas; a multitemática com Noam Chomsky; a dedicada a
corrupção política com Marisa Goñi (jornalista investigadora dos voôs
ilegais da CIA); Agustín García Calvo e outras conferências sem grandes
nomes mas com muito conteúdo.

ANA > Em um exercício de memória, lembra de alguma coisa engraçada que
aconteceu no Ateneu? Alguma passagem que merece registro? (risos)

Peter < Bom, não faltam histórias engraçadas. Recordo, por exemplo, como
um punhado de ateneístas nus em uma praia deserta protestou contra Narcís
Serra, na época Vice-Presidente do Governo Socialista, exigindo a
liberdade dos companheiros insubmissos presos. Seguro que o Sr. Serra
ainda se lembra. (risos)

Ou quando Noam Chomsky bateu a cabeça com a parte de cima na porta de
nosso local. Estamos pensando em colocar uma placa comemorativa com o
lema: "Nesta porta foi batida com a ilustre cabeça do professor Noam
Chomsky". (risos)

ANA > Vocês tinham um projeto chamado "cooperativa ecológica". Ele
continua existindo?

Peter < Não, já fazem anos que esse projeto não funciona. De todas
maneiras há um coletivo de gente de nossa cidade que está impulsionando um
projeto parecido com alimentos biológicos muito interessante. Não é uma
iniciativa meramente libertária, há gente de diversas ideologias.

ANA > E qual o balanço da jornada em comemoração ao aniversário do Ateneu
que acabaram de organizar? Alguma coisa a destacar?

Peter < Pois é, o balanço é muito positivo. As últimas edições de nossas
Jornadas Libertárias estão tendo um êxito de público maior que a de anos
anteriores. Também há boa participação nos debates e isso compensa o
esforço dedicado e o trabalho realizado. Das atividades deste ano
destacaria a comida coletiva celebrada no Castelo de Alaró, a conferência
sobre Cuba e a animada festa do XX Aniversário.

ANA > Na discussão ?Cuba, da revolução ao totalitarismo?, contou com a
presença do neto de Che Guevara, Ganek Guevara, e de um ex-agente do
serviço secreto de Cuba, Jorge Masseti. Politicamente eles se definem
como? Já li algo sobre Ganek e ele não poupava o regime cubano,
considerando-o totalmente dominado pela burocracia, pela corrupção e pelo
nepotismo...

Peter < Podemos afirmar que Canek simpatiza abertamente com o ideal
libertário. A verdade é que ficamos surpreendidos com sua capacidade de
análise e suas reflexões. Jorge Masseti não se define politicamente de uma
forma aberta. É um desencantado do regime cubano. Seu testemunho é
valiosíssimo porque conhece bem as entranhas do totalitarismo cubano, já
que foi membro dos serviços secretos de Castro.
Animamos a outros coletivos libertários a organizarem conferências com
eles, porque o resultado de nossa palestra foi um êxito total.
Compareceram umas cento e vinte pessoas (algumas de origen cubana) com
muita vontade de participar e se realizou um debate muito animado. Assim,
há que ter em conta que para os castristas, tanto Canek como Jorge, são
agentes da CIA. É cômico, mas eles argumentam seriamente.

ANA > Na página de vocês li algo sobre uma banda punk cubana, que em suas
canções haviam muitas críticas ao regime castrista. Sabe me dizer se esse
grupo vive em Cuba, ou fora da ilha?

Peter < Não tenho nem idéia. Se não me equivoco é um grupo que mencionou
Canek Guevara na coletiva de imprensa. Eu não o conheço.

ANA > Você poderia falar um pouco do documentário sobre N. Makhno, que
exibiram na jornada? É uma produção francesa?

Peter < Trata-se do documentário "Makhno, um camponês da Ucrânia"
realizado por uma produtora francesa. É um trabalho muito interessante
sobre Makhno e o movimento revolucionário que impulsionou durante a
Revolução Russa.
Dublamos a versão francesa em castellano e temos previsto distribui-lo em
breve, entre toda a gente interessada. Recomendamos a todos os coletivos
que se armem com uma cópia e o passem em suas cidades e difundam uma
história tão desconhecida como apaixonante.

ANA > E o anarquismo cresceu em Malhorca desde a criação do Ateneu? Na
atualidade quais as principais lutas de vocês?

Peter < Não podemos falar seriamente de um crescimento nem quantitativo
nem qualitativo motivado pela existência do Ateneu. Isso sim, o Ateneu tem
ajudado a desenvolver outros coletivos com os que temos atuado ombro a
ombro. Hoje, por sua vez, à parte do Ateneu atuam outros coletivos em
Malhorca. Está a CNT, o Ateneu de Inca, o colectivo editor do periódico
Cultura Obrera e diversas individualidades ativas no campo libertário. O
Ateneu tem ajudado a desenvolver estas iniciativas mas o mérito é de seus
próprios impulsionadores.
Nossa principal atividade tem sido e é a difusão das idéias libertárias.
Também temos apoiado e apoiamos lutas relacionadas com o libertário:
antimilitarismo, ecologismo, apostasia, memória histórica...

ANA > E quais as lutas ecológicas que estão levando a cabo neste momento?

Peter < Em nossas ilhas a questão do meio ambiente está sempre em primeiro
plano. Existe uma forte pressão urbanística e um grande nível de
corrupção.
Participamos e apoiamos ativamente as diferentes manifestações e campanhas
que visem impulsionar os grupos ecologistas locais, e denunciamos com
nossos meios a lamentável depredação que vêm sofrendo nossa terra.

ANA > Podemos dizer que hoje o Ateneu faz parte do circuito cultural da
Cidade de Malhorca?

Peter < Sim, ainda que parcialmente. Há uma parte importante da sociedade
local que prefere ignorar nossa presença e nosso trabalho. Não podemos
esquecer que Malhorca é uma ilha de claras tendências conservadoras, aonde
a direita ganha tradicionalmente todas campanhas eleitorais. Ainda assim,
algumas de nossas atividades rompem esse cerco e têm certa transcendência.

ANA > E os projetos para o futuro?

Peter < Então, mas bem modestos. Principalmente seguir mantendo viva a
chama das idéias libertárias neste rincão do Mediterrâneo.

ANA > Algo mais? Obrigado!

Peter < Só saudar aos companheiros latinoamericanos e animá-los a seguir
trabalhando na difusão de umas idéias cada vez mais necessárias.
Para acabar, gostaria de animar as pessoas a seguir nossas atividades
através de nossa página web: www.estelnegre.org. Saúde!

Tradução: Juvei



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