A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Trk�_ The.Supplement

The First Few Lines of The Last 10 posts in:
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Trk�
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004 | of 2005 | of 2006 | of 2007

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) Portugal, AC-Interpro: Apenas uma greve activa ... pode ser instrumento eficaz de luta contra o poder do governo e patronato

Date Wed, 23 May 2007 09:08:06 +0200 (CEST)


COMUNICADO DA ASSOCIAÇÃO DE CLASSE INTERPROFISSIONAL

Apenas uma greve activa, ou seja organizada desde a base, pode ser
instrumento eficaz de luta contra o poder do governo e patronato.

Vem isto a propósito da greve geral decretada pela cúpula da CGTP para o
próximo 30 de Maio. Com efeito, esta estrutura limitou-se a decidir, mais
uma vez nas costas dos trabalhadores que diz representar, que se devia fazer
greve em tal dia, como resposta a determinadas políticas do governo.

A primeira coisa a perguntar é se essas mesmas cúpulas estão convencidas de
que é assim que se mobiliza para a luta difícil e dura, os trabalhadores
deste país.

É evidente que não. É evidente que eles não são ingénuos ao ponto de
pensarem que assim conseguirão mais do que um fracasso. Mas se for um
fracasso camuflado, isso irá dar-lhes a aparência de adesão de que
necessitam para depois reivindicarem a «representatividade» desses
trabalhadores que aderiram à greve.

Dessa maneira, terão maior capacidade de se manterem nas cúpulas ? como têm
feito, ao longo de vinte e mais anos, alguns deles - dando o recado ao
governo de que ela (cúpula da CGTP) tem de ser ouvida para fazer passar a
«pílula amarga» das medidas anti-sociais.
É basicamente por isso que, lá do alto dos seus «tronos» sindicais, eles
decretam a «ordem de greve» ? e os trabalhadores que obedeçam!

O conceito antiautoritário e sindicalista revolucionário de greve é o
oposto. São os próprios, susceptíveis de fazer (ou não) greve, que têm de
decidir.

Assembleias de trabalhadores realizam-se nos locais de trabalho e todas as
pessoas se pronunciam, sobre as formas de luta e sobre as suas modalidades
de aplicação. Com esta luta decidida desde as bases, não apenas a greve terá
muito mais adesão, como haverá uma mobilização constante, durante um
período, o que em si mesmo já é um factor de pressão sobre o governo e o
patronato. Então, a greve será um culminar, será realmente uma ruptura
assumida conscientemente pelos seus protagonistas. A ameaça de continuação
do movimento grevista, caso não haja um recuo do governo e da entidade
patronal, em pontos muito concretos, tem de pairar no ar, tem de ser uma
ameaça séria e credível.

Os burocratas, que dominam o movimento sindical, quase nunca fazem reuniões
nos locais de trabalho. Porém, é este um direito sindical, que corresponde a
um dos direitos sociais conquistados logo a seguir ao 25 de Abril de 74.
Seriam reuniões nas empresas, nos serviços ou nas zonas próximas, os locais
mais próprios da tomada de decisão para greves ou outras formas de luta.
Só assim haverá uma adesão plenamente consciente e só assim terá o
trabalhador a convicção de que esta greve, por muito sacrifício que lhe
traga no imediato, lhe trará vantagens no longo prazo.

Porém, uma greve assim, como as estruturas burocráticas costumam decidir,
decretada desde o alto, nunca irá alterar, sequer um pouco, a correlação de
forças a favor dos trabalhadores: Os do governo ficarão a rir, pois os
grevistas lhes farão poupar milhões no orçamento. Os capitalistas não irão
também sofrer qualquer perda significativa. Mesmo que a greve fosse muito
bem sucedida, seria somente como um dia suplementar de feriado.

Sendo esta greve destinada a mostrar que os chefes da CGTP ainda conseguem
ser obedecidos por umas dezenas de milhares de grevistas? vai haver -como
habitualmente - contradição total entre as estatísticas apresentadas pela
central sindical e pelo governo, incluindo a comunicação social, submissa
ao poder político e aos grandes grupos económicos.

A única forma revolucionária de responder perante greves decretadas do
alto, é dizermos que nós - trabalhadoras e trabalhadores deste país - não
somos reféns de ninguém, nem do governo, nem dos «chefes» das centrais
sindicais.

A nossa vontade é apenas dependente das tomadas de decisão colectivas, em
assembleias onde possamos, em igualdade de circunstâncias, expor os nossos
pontos de vista. Aí sim, se tal for a vontade das assembleias de
trabalhadores, estaremos de acordo em apelar à greve e em implementar as
condições para efectuá-la.

Nós, AC-Interpro, Associação de base, de trabalhadores anti-autoritários e
anti-capitalistas, não iremos pois apelar à greve nestas circunstâncias,
salvaguardando no entanto a decisão individual dos nossos militantes, visto
se admitir a hipótese de circunstâncias locais onde se possa realizar uma
greve activa.

Não apelamos à greve geral no dia 30 de Maio pois estaríamos a participar
no engano, estaríamos a canalizar os trabalhadores para um beco sem saída,
para mais uma derrota?

Temos ? antes de mais ? que devolver os sindicatos aos seus associados e
transformar profundamente o modo de funcionamento dos mesmos.

Só assim os sindicatos poderão voltar a ser, de novo, instrumentos da luta
de classes.

22-05-2007



*A Comissão Administrativa da AC-Interpro*

--
Associação de Classe Interprofissional
www.acinterpro.org
acinterpro@gmail.com
http://groups.google.com/group/AC-Interpro_______________________________________________
A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
http://ainfos.ca/cgi-bin/mailman/listinfo/a-infos-pt
http://ainfos.ca/pt
A-Infos Information Center