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(pt) [Brasil] Futuro da Educação Superior [JULI-RP]

Date Tue, 3 Jul 2007 22:40:06 +0200 (CEST)


O Futuro da Educação Superior:
Qual é o modelo de Universidade que você deseja para você e para os seus
filhos?

Diante do aumento da demanda por vagas no ensino superior, os governos
apontam para novos modelos de educação superior que prometem promover o
acesso à universidade pública para pessoas mais pobres. Dentre as
propostas, uma atende à reivindicação histórica do Movimento Estudantil: o
fim do vestibular. Entretanto, quando o M.E. falava em fim do vestibular,
vislumbrava a universalização das vagas e não apenas um novo tipo de
seleção que não modificasse a característica de funil do vestibular.

Atualmente nos deparamos com duas propostas, uma Federal e outra Estadual.
A federal é intitulada de ?Universidade Nova? e a estadual é conhecida
como ?Universidade Vertical?.

Universidade Nova

A Universidade Nova é um projeto do governo Lula que tem como porta voz o
reitor da UFBA, Naomar Monteiro de Almeida Filho. Primeiramente, é
importante ressaltar que este projeto promete a abertura de 680 mil vagas,
em 5 anos, o que representaria um aumento de cerca de 110%. Entretanto, o
aumento de verbas para suprir estas novas vagas é de menos de 40% (R$ 3,75
bilhões - sendo que atualmente já são investidos R$ 10 bilhões).

O projeto se baseia em 3 pontos fundamentais:

* Substituição do vestibular pelo ENEM
* Adoção de um ciclo básico de 3 anos.
* Repasse de verbas condicionado ao cumprimento de metas ou a
produtividade de cada universidade.

A substituição do vestibular pelo ENEM vem, sem dúvidas, para fingir que
está se adotando uma mudança radical sendo que, na prática, o ENEM pouco
se diferencia de um vestibular tradicional. Não há muito o que ser
comentado!
Os ciclos básicos são uma manobra para baratear a educação universitária,
mantendo o status formal de educação superior, mas descaracterizando-a
totalmente ao tornar a faculdade uma mera continuação da escola. No caso
da Universidade Nova, o ciclo básico é de 3 anos e é chamado de
Bacharelado Interdisciplinar. Nele, o estudante cursará matérias
interessantes, porém que já deveriam ter sido cursadas com excelência no
ensino médio, por exemplo: Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Artes,
Literatura, Consciência Ecológica e até mesmo atividades relacionadas à
qualidade de vida que são similares às aulas de educação física do ensino
médio. A idéia central desse modelo (mais barato) é ?formar? uma boa
quantidade de pessoas encorpando as esatísticas da população com nível
superior servindo assim como um dado propagandístico do governo Lula. Logo
o governo dirá que incluiram os negros e os pobres nesse nível de ensino
tradicionalmente excludente sendo que, na realidade, os incluíram em um
curso desinteressante aos mais ricos e, por isso, as vagas sobrarão para
os mais pobres.
A especialização dita ?profissionalizante? terá uma carga horária próxima
de 2000 mil horas (dois anos), mas ficará restrita a uma parcela ainda
menor, ou seja, o segmento da educação que promove emprego e ascensão
social direta se tornará ainda mais excludente. A seleção para esse novo
segmento se dará a partir da comparação das notas obtidas pelos estudantes
durante o ciclo básico. Este sistema, além de continuar desfavorecendo os
que são mais pobres e precisam dividir seu tempo entre estudo e trabalho,
gera um ambiente absolutamente doentio dentro da faculdade, pois os alunos
irão competir entre si continuamente para obterem notas que, nem sempre,
representam suas reais capacidades. Afinal, um projeto de pesquisa,
extensão, estágios, participação em empresa júnior, centros acadêmicos ou
representação discente, apesar de proporcionarem aos estudantes muito mais
conhecimento do que a maioria das aulas, não dão nota! Diante disso, o
estudante produtivo, que pesquisa e exerce sua cidadania ou que gera
benefícios para a comunidade, receberá, em troca pela sua produção
extra-classe, a expulsão da faculdade!
O Repasse de verbas será condicionado à produtividade que será avaliada
através de um ranking. As que forem julgadas como mais produtivas
receberão mais verbas e as que forem consideradas menos produtivas
receberão menos. Os motivos da desigualdade de qualidade entre as
universidades são os mesmos fatores históricos que geraram as
desigualdades regionais do país. Tirar dinheiro das universidades dos
estados mais pobres será como punir aquela população duas vezes. Além
disso, a importância social das universidades federais nos estados pobres
é muito maior. Em alguns praticamente nem existem universidades
particulares e as públicas são as únicas a proporcionar educação superior.
Nota-se que a discussão desse novo projeto passa pela disputa entre
Competição x Cooperação. O governo federal claramente já optou pela
disputa, mesmo que injusta e cruel.

Dentre as Metas inclui-se a adoção e espansão do ensino a distância como
uma forma eficiente de massificar a "educação" superior e baratear os
cursos.

Universidade Vertical

A Universidade Vertical é um projeto do governo do estado de São Paulo.
Trata-se do primeiro exemplo prático da intervenção do governo Serra nas
universidades, pois se pretende implantá-lo por um decreto que já foi
idealizado, escrito e divulgado pela Secretaria de Ensino Superior, sem
antes ter sido discutido ou aprovado nos conselhos deliberativos da
universidade.

Este projeto tem algumas semelhanças em relação ao projeto da Universidade
Nova:

* Seleção sem vestibular
* Serialização do ensino superior
* Modularização do ensino superior
* Seleção entre os módulos baseados nas notas obtidas durante o curso

A proposta inicia com a idéia de recriar o ensino médio e
profissionalizante integrado (que foi abolido pelo próprio PSDB em 1996)
sendo que os alunos dos mesmos serão aprovados para o ingresso automático
no ensino superior (nos moldes da FATEC) de acordo com as notas obtidas
durante o curso. Existem algumas lacunas, como a indefinição do critério
de seleção que será aplicado para o ingresso nesse ensino médio
profissionalizante. Segundo a divulgação, o processo de seleção ainda não
foi definido, mas não deve se resumir ao vestibulinho.

Após o módulo profissionalizante nos moldes da Fatec, o aluno poderá
ingressar em um bacharelado ou licenciatura promovidos pela Unesp. A razão
do afunilamento está expressa na figura ao lado:
50% dos ingressantes no ensino médio passam para o ensino superior
(Fatec), sendo que apenas 40% destes passam para o bacharelado ou
licenciatura (Unesp). No final do funil, temos apenas 1/5 do total de
ingressantes.

Assim como a Universidade Nova, esse modelo também torna o ensino superior
seriado e promove a competição permanente entre os estudantes. Ambos
possuem o objetivo de ampliar vagas baixando bastante a relação

Universidade vertical em forma de pirâmide
Custo x aluno. A diferença marcante entre os dois projetos é o cunho
profissionalizante da Universidade Vertical em oposição ao cunho
humanístico do projeto da Universidade Nova.

Ambos possuem um apelo emocional. Enquanto o governo federal utilizou-se,
de forma sacana, das antigas bandeiras do Movimento Estudantil, como o fim
do vestibular e o reforço do caráter humanístico para criar um discurso de
aumento de qualidade da universidade; o governo estadual foi mais
descarado, apelou para o discurso de combate direto ao problema do
desemprego, criando mão de obra especializada.

Quando o Movimento Estudantil clamou pelo fim do vestibular, a exigência
era de vagas de qualidade para todos e não uma mera mudança de
nomenclatura da fatídica prova de seleção. Quando lutou pela manutenção da
universidade como formadora de pensamento crítico, não pediram para que
todo o conteúdo específico e profissionalizante fosse banido e oferecido
exclusivamente em um outro módulo destinado a uma pequena parcela de
privilegiados.

O projeto estadual da Universidade Vertical é uma aberração pedagógica. O
estudante terá que ingressar no ensino médio integrado ao técnico, pois é
a partir das notas obtidas nesse nível que será feita a seleção para o
?nível superior?. O modelo tradicional de universidade continuará
existindo, mas se tornará ainda mais elitizado, pois toda a ampliação de
vagas será direcionada para o ?modelo vertical? e o tradicional estará
acessível apenas para os que puderam estudar nas melhores escolas
particulares.

Em momento algum, o projeto aponta para áreas que possuem carências
graves, como a formação de professores e profissionais da saúde. Não há
dúvidas de que o resultado inevitável de tal política será o rebaixamento
da qualidade do ensino superior ao nível em que atualmente encontra-se a
educação básica.

Os governos, tanto federal quanto estadual, pretendem resolver o problema
do déficit de vagas sem ampliar o investimento. Simplesmente vão baratear
os cursos cortando sua qualidade. Essa experiência já foi feita no ensino
básico e o resultado estamos colhendo atualmente. Infelizmente, mais uma
vez quem vai sofrer as conseqüências são os mais pobres enquanto os ricos
irão migrar para a educação privada assim como já fizeram nos demais
níveis da educação.


http://www.juli-rp.org

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