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(pt) [Brasil] TEXTOS PARA A DISCUSSÃO D?O COLETIVO LIBERTÁRIO VOL .IV - Introdução

Date Wed, 31 Jan 2007 18:41:15 +0100 (CET)


TEXTOS PARA A DISCUSSÃO D?O COLETIVO LIBERTÁRIO VOL.IV - Introdução

INTRODUÇÃO: A Título de Prefácio
A
REPÚBLICA QUE VAI MAL

O alvorecer do 2º governo de Lula/PT trás como ?novidade? uma sugerida
tensão dentro da coligação petisto-maoísta da Frente Popular. Frente a
perda de força da bancada petista ? projeções das expectativas petistas no
início do governo Lula esperavam um crescimento progressivo da legenda no
parlamento ? e o PT cada vez mais restrito ao personalismo lulista, apesar
da perda da hegemonia do grupo ?Articulação?, que o dominava desde a
fundação, o governo fica cada vez mais refém da gang parlamentar. Isso
explica e justifica as duas primeiras crises do 2º governo no crepúsculo
do 1º: o auto-aumento de salários de magistrados e políticos profissionais
? apontando a situação de crise institucional (chantagem clássica da
direita). Lula não se faz de rogado e anuncia uma nova traição, último
espasmo para tentar manter a base de apoio parlamentar num período que
detona a luta pela sua herança: um governo de coalizão (configurando seu
novo estelionato eleitoral: se elegeu falando que só o PT tinha a solução
para o Brasil crescer e depois de eleito tenta lançar essa
responsabilidade numa coalizão [que ganha ares de ?salvação nacional?!]).
Para isso convida todos os partidos políticos e cai no colo do PMDB ? com
quem já se enamorara no seu primeiro mandato.

Todavia nesse mesmo período o movimento social também foi testado: logo
após as eleições houve um aumento generalizado de preços, tornando mais
cara a vida, encabeçados pelo aumento da tarifa dos transportes ? primeiro
em São Paulo (no início de dezembro), depois em outras cidades (a partir
da 2ª quinzena de dezembro). Quer dizer: conforme denunciou
incansavelmente o Movimento Nacional Pelo Voto Nulo de Protesto, enquanto
as pessoas se deixavam levar pelo circo eleitoral, os bandidos preparavam
o bote para o instante seguinte. Por isso a proposta de organização do
movimento foi o de estabelecer a campanha pelo voto nulo baseada em
Comitês de Luta Contra a Carestia da Vida, organizados em base regional
(barrial, distrital, citadina, estadual, etc.).

A história cobrou o seu preço: como parte significativa do movimento
social ainda está iludida com a sereia eleitoral, caiu na conversa dos
partidos. O governo escolheu taticamente a época e a forma de anúncio do
aumento das tarifas: no início de dezembro ? num momento em que o 13º já
estava em circulação na sociedade (dando a impressão de maior riqueza
momentânea), no período pré-natalino (historicamente desmobilizador) e
combinado com o anúncio da criação do bilhete único (justificativa para o
mesmo valor para todos os meios de transporte [quebrando o mito do ?custo
operacional? específico] velha promessa dos sucessivos governos). Como
reflexo da influência maléfica dos partidos políticos sobre o movimento
social foi constituída a Frente de Luta Contra o Aumento das Tarifas
(FLCAT)? organização formada pela articulação das centrais sindicais
institucionalizadas (atreladas ao Estado), que negociam com o governo a
reforma sindical para se oficializar -, a qual recebeu a adesão do
Movimento Pelo Passe Livre (MPL) ? versão CMI de movimento estudantil dos
anos 2000. A coerência dessa tática é clara se se olhar por trás das
siglas sindicais: CUT/PT, FARSA SINDICAL/PDT, CGT/PTB, CGT do B/PCB,
CONLUTAS, PSTU, etc. Na verdade é um jogo de acertos entre os partidos
políticos. Pela frente, faziam manifestações bem-comportados contra os
aumentos, por outro lado negociavam com o governo ? oficialmente o aumento
do Salário Mínimo (festejaram uma grande vitória; o SM vai, a partir de
maio de 2007, a R$ 380,00!!!). Na verdade estavam negociando as Reformas
Sindical e Trabalhista, mas começaram pela Política: revogaram a lei que
colocava o PC do B, o PSOL, o PSTU ? além do PL, do PV e outros ? fora das
benesses e das verbas estatais. Essa até agora foi a maior vitória que os
partidos tiveram, ao mesmo tempo a maior derrota que a classe operária
teve.

Se esse episódio foi exemplar da tática dos partidos políticos dentro do
movimento social, também demonstrou a fragilidade e a facilidade como o
movimento social é utilizado como massa de manobra pela esquerda
partidária e parlamentar. Mesmo tendo rechaçado, formalmente, nas urnas a
política parlamentar (cerca de 32 milhões de ?eleitores? se recusaram a
participar do circo eleitoral, mesmo tendo por base os resultados oficiais
fraudados, como resultado disso: 70% dos parlamentares eleitos não tiveram
votação mínima para serem eleitos, sendo conduzidos pelo voto de
legenda!!!), se deixou iludir, em parte, pela constituição de uma frente
supostamente sindical. Mas a medida que as manifestações ocorriam e os
discursos foram ficando mais claros as pessoas terminaram se afastando do
movimento, apesar de revoltadas com o aumento. Isso ficou evidente com o
MPL: dominado por grupos de extrema-esquerda (CONLUTE/PSTU, PSOL, PCB,
etc) alinhados com o CMI, abraçou a FLCAT e chamou insistentemente seus
ativistas e simpatizantes a participar das manifestações no centro da
cidade ? que terminaram se restringindo as quintas-feiras, a noite. Desde
as primeiras manifestações, todavia, as tensões entre as centrais
sindicais institucionais e o MPL se manifestaram: às tentativas de setores
mais libertários do MPL de se dirigirem aos terminais urbanos ? visando
fecha-los ? eram respondidas com delações à polícia pela ?organização do
movimento?, como agentes provocadores, levando a seu isolamento frente a
dura repressão policial. Com a violenta repressão sobre esse setor,
associada a falta de preparação anterior e a concepção restrita do MPL ?
que só consegue fazer discurso para o estudante, desvinculado de classe
social ? as manifestações da FLCAT foram se esvaziando e ficando cada vez
mais frias, até tornarem-se procissões. O ponto crítico desse processo foi
o momento em que o MPL resolveu fazer manifestações próprias, fora da
FLCAT. Seria uma marcha de propaganda, com batucada e palavras-de-ordem,
participavam umas 200 pessoas. Pressionadas pela PM terminaram se
dirigindo à Praça da República ? que estava em obras ? e lá uma violenta e
desnecessária repressão terminou ferindo gravemente uma menina que tocava
na batucada e teve a mão fraturada. A mídia, os sindicatos oficiais e as
centrais se calaram.

Do outro lado do espectro tivemos a retomada da guerra entre as grandes
gangs mafiosas formadas no sistema prisional brasileiro (CV, AA, PCC,
etc.) e o sistema de segurança do Estado. O eixo dese acirramento foi o
estado do Rio de Janeiro, com epicentro na Cidade Maravilhosa ? mas também
atingindo áreas clássicas, como a Baixada Fluminense e Niterói. Num
segundo momento ultrapassou as fronteiras do estado e enfrentamentos se
deram também no Espírito Santo e Minas. O detalhe foi o aprofundamento da
violência cega, de índole fascista, que levou a morte de civis em cenas
dantescas ? ao contrário do que aconteceu em São Paulo, em maio de 2006.
Como ambas gangs se misturam entre si e com outras gangs ? braços no
parlamento e no aparelho de Estado (Judiciário e Segurança Pública) -, o
governo Lula/PT segue a receita estadunidense e cria uma força federal
especial de repressão: uma Guarda Nacional de Elite (enquanto com os
governadores eleitos formam uma estrutura de segurança regionalizada).
Extra-oficialmente - na prática, é o que vale - são formados
neo-esquadrões-da-morte ? agora chamados de ?milícias? ? que na prática
funcionam aterrorizando as populações locais e atuando como uma outra
máfia.

O terceiro setor, com uma maior dispersão de grupos e iniciativas, atuando
nos movimentos de ambulantes, de sem-terra, de sem-teto, indígenas, de
punks, de movimentos culturais e pela reativação da Confederação operária
Brasileira, Seção da Associação Internacional dos Trabalhadores no Brasil
(COB-AIT) mantiveram sua atividade constante, durante o ano ? com a
aproximação de setores de ambos movimentos, ou em iniciativas comuns (como
as Passeatas no 1º de Maio em São Paulo, promovidas pelo MSTC e pela
FOSP/COB-AIT e o movimento punk [MLB]) ou durante o processo eleitoral
(como o lançamento concomitante de Manifestos Pelo Voto Nulo e a
participação em GIGs e ATOs durante a campanha). Mesmo com os sinais de
fragilidade incipiente são os setores que manifestam a maior autonomia
dentro do movimento social no Brasil, onde mais claramente se desenvolve
um projeto socialista proletário. A este setor deverão se somar os setores
do proletariado que estão com um processo de defasagem salarial mais
aguda, como é o caso dos trabalhadores do serviço público e das estatais,
que podem levar a situações explosivas ? levando-se em conta que a
negociação em torno do SM e as declarações de Lula/PT sobre a política
salarial do seu segundo mandato ? dando a entender que a época era de
arrocho salarial para o funcionalismo ? supostamente por trem tido
aumentos superiores a inflação (!!!) no período anterior (Lula/PT chegou a
dar ?aumento? de 0,1%, nos anos anteriores. A esses setores, que já vem
radicalizando práticas e discursos, apesar de ter sido até agora dominada
pela Frente de Esquerdas, vêm se somar amplos setores de movimentos de
trabalhadores, que tem visto sua condição salarial e de trabalho cair no
decorrer dos anos sem que os sindicatos oficiais se mobilizem, todos
aprisionados até aqui ao CONLUTAS, devem romper progressivamente com o
sistema sindical oficial e estabelecer formas organizativas originais ?
como tem sido a discussão entre os bancários que foram a greve no segundo
semestre de 2006. De qualquer forma a palavra de ordem da COB-AIT pela
desfiliação dos aparelhos sindicais oficiais, para que se organizem sem
burocracia a partir dos locais de trabalho e moradia, tem sido a única
orientação para o movimento social no momento em que ele mais vai precisar
exercitar sua autonomia e espontaneidade revolucionária.

Só com essa clareza para se colocar contra o controle sindical pelo
Estado, é que o movimento social vai escapar da armadilha de não confundir
a defesa dos direitos e conquistas proletárias com a defesa da CLT,
legislação de molde fascista, que regulariza uma série de conquistas já
alcançadas pela classe trabalhadora desde s greves de 1905 ?
principalmente a Greve Geral de 1917, que completa 90 anos em 2007..

Note-se que esses acontecimentos seriam previstos a partir da análise
feita há mais de 6 meses, quando lançamos o ?TEXTOS PARA A DISCUSSÃO D?O
COLETIVO LIBERTÁRIO Volume 3? ? com o texto de Rocker sobre ?Socialismo e
Estado?. Desde o desenvolvimento do papel dos sindicatos, em especial do
CONLUTAS e do CONLUTE, até o desenvolvimento da guerra civil brasileira,
com destaque para o aprofundamento das ações de enfrentamento entre as
máfias ? atestando o risco de uma fascistização social, como resposta das
elites ao aumento da violência social como decorrência da radicalização da
exclusão social: ou seja com o aumento da miséria e do desemprego.

A HISTÓRIA SE REPETE? TRAGÉDIA OU COMÉDIA?

O levante zapatista em Chiapas e a recente insurreição na província de
Oaxaca, no México, podem ser só fatos isolados na história e no mundo,
Afinal já não tinham decretado o final dos tempos, da história e do
trabalho?
Começamos o século XX com o Domingo Sangrento, massacre do povo russo em
1905 ? na origem dos Soviets (como bem descreveu Volin) e terminamos com o
Massacre de Tian Nan Men (Praça da Paz Celestial). 10 anos após o Domingo
Sangrento tivemos a eclosão da 1ª Grande Guerra ? com todo seu arsenal de
inovações e maldades tecnológicas. Após o Massacre de Tiannanmen tivemos o
início do período das guerras sem fim, tal como previstas por George Orwel
em seu ?1984?. Se iniciando com a 1ª Guerra no Golfo ? que foi
transformado num conflito mundial, envolvendo uma força multi-nacional de
mais de 20 países e que terminou como uma neo-cruzada anti-Islã. Já na Era
do Big Brother vimos despontar as esquerdas reformistas social-democratas
tomando o poder na maior parte dos países da América-Latina. Com Chaves
anunciando a reeleição eterna e o Socialismo Moreno, por decreto, tentando
capitalizar a herança de Fidel ? sustentado pelo petróleo venezuelano. Na
Bolívia Morales/MAS busca o caminho das reformas através de uma Assembléia
Constituinte, controlada pelos partidos que o sustentam, é o porta-voz de
um conselhismo marxista anacrônico. Mas é da América central e do caribe
que vem os exemplos mais nítidos: na Nicarágua Ortega se elege por uma
coalizão absurda entre o Partido Sandinista e o Partido Somozista ? com
isso mantendo sua linha de coerência, já que já tinham sujado o nome de
Sandino (conhecido militante anarkista, herói da luta pela independência
da Nicarágua do jugo imperialista yanque).

Com o detalhe trágico de que agora o aprendiz de Hitler governa a maior
potencia mundial, Bush/PR-U$A, do governo estadunidense, e, mesmo sendo
protestante, tem por aliado o Pai de Todos os Fascistas: o papa
Hatsfinger/Bento16 - ex-dirigente da Santa Inquisição. Ele, é importante
que se lembre sempre, já que a esquerda é aliada e dependente da Igreja no
Brasil, que quem dá as ordens na Corporação Metafísica Romana: a Teologia
da libertação já era! Aristide e o Haiti estão aí para mostrar que o
máximo que a Teologia da Libertação conseguiu, no poder, foi reproduzir a
globalização e organizar as gangs fascistas ? que lhe garantem um retorno
?eleitoral? certo. Isso acontece por que a igreja é o ninho do fascismo,
historicamente: na origem do fascismo ibérico a igreja usava dividir as
turmas em suas escolas em graus semelhantes aos utilizados pelos fascistas
italianos ? os primeiros a alcançar o poder (Balillas dos 8 aos 14 anos;
vanguardistas dos 15 aos 17; Fascio-Juvenis dos 18 aos 21; indo em seguida
para os batalhões para-militares, ao estilo AS ? hoje imitado pelos
cabeça-de-ovo). Mas essa influência é anterior e ancestral: tem uma forte
referência na criação do Santo Ofício, como instrumento para combater o
que viria a ser o ?Renascimento?, mas é do estímulo que dá a intolerância
religiosa ? principalmente contra os judeus ? e de sua sustentação
histórica da valorização divina da nobreza, como justa herdeira das
terras, riquezas e poder, que se alimentou esse sentimento de
superioridade e o respeito cego a hierarquia.

Para completar o quadro, levando-se em conta que o fascismo é uma reação
capitalista ao ascenso do movimento revolucionário ? como se manifestou
nos século 20 ? temos a radicalização crescente do movimento social, já
colocada com referencia a Comuna de Oaxaca ? que foi acompanhada de uma
forte rejeição eleitoral ? manifestada na Europa por dois setores sociais
que se descolaram do controle social-democrata: a juventude excluída de
imigrantes que moram nas periferias (e seu movimento incendiário ? ainda
hoje sem explicação social ?científica?) e o movimento da juventude
francesa contra a precarização do Primeiro Emprego ? com a mesma desculpa
que d]ao no Brasil: para diminuir o custo social e aumentar o emprego...
quem acredita que vote neles!
Paralelamente ao fracasso da polícia planetária, que o governo americano
pensa que é, no Iraque e no Afeganistão,
e a ameaça de utilização de artefatos nucleares contra o Irã, cria e
mantém um pólo de tensão internacional ? num momento de acirramento pela
disputa de mercados e insumos. Por fim, com a falência da
social-democracia, em oferecer alternativas viáveis e reais para o
neo-capitalismo selvagem globalizado, temos os desdobramentos esperados: a
extrema esquerda rompe com o pacto do Fórum Social Mundial (FSM) e voltam
a prática de manifestações planetárias anticapitalitas, voltando a
priorizar a ação direta em detrimento da ação delegada ? que imperou entre
2001 a 2005, quando Lula/PT foi convidado a participar do Fórum Econômico
Mundial de Davos como porta-voz do FSM, sem para isso ter sido indicado
pela plenária do FSM!!!; o novo herói da extrema-esquerda, agora redimido
por sua declaração de amor ao socialismo, deixa para trás sua aura de
militar-golpista para se tornar o grande salvador da grande pátria
bolivariana. Mas isso também não é novo na história: Mussoline era
deputado socialista antes de fundar o Partido do Fascio; Hitler era um
reconhecido líder nacional-socialista.

Dentro do contesto puramente brasileiro faltava surgir no horizonte alguém
que pudesse unir a direita com um projeto ao mesmo tempo populista e
autoritário. Lula tenta fazer isso, mas não conquista a direita mais
reacionária ? para quem um peão analfabeto na presidência é uma afronta
por si, já que ela se julga mais meritória. Mas agora surgiu. De forma
emblemática se elegeu no lugar da Heloisa Helena/PSOL, candidata da Frente
de Esquerda às eleições presidenciais ? que recebeu uma votação
decepcionante, mesmo para os sectores da centro-esquerda petista. De forma
emblemática volta ao poder pela porta da frente, exigindo e recebendo
mordomias especiais ? como ex-presidente ? Fernando Color de Mello, neto
de fascista ? que foi ministro de Getúlio Vargas ? e agora na base de
apoio de Lula/PT!!!

Até aqui a vantagem de Lula tem sido manter o controle, muitas vezes
pessoal, sobre o movimento social brasileiro, mas sua margem de manobra
está diminuindo rapidamente. Ao mesmo tempo o PT deu uma guinada a
direita, assim como a própria extrema-esquerda, dando maior ênfase em
posições conservadoras. De um lado a Reforma Política atua como arma de
chantagem contra a esquerda, de outro as pressões internacionais (via
governos, pressões de investidores e das próprias empresas multinacionais)
pela manutenção de altas taxas de juros e pela conclusão do cronograma das
Reformas de Perdas de Direitos da Classe Trabalhadora, exigidas pelo FMI,
impulsionam o governo a implementar um projeto planetário de precarização
do trabalho. Nesse contesto Lula e o PT sonham com a saída de Bush do
poder, substituído pelo Democratas, mas é só uma ilusão. A elite
estadunidense governa olhando o próprio umbigo, sejam republicanos ou
democratas.

ENTÃO...

Já houve um momento em que a social-democracia marxista chegou ao poder e
nele ficou por 15 anos. É o caso de deixarmos de cair na conversa deles e
ver que tanto o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) como o
Partido dos Trabalhadores (PT), bem como outros partidos (PDT e PSB), são
vertentes da social democracia marxiana no Brasil ? tanto é que o PDT já
foi Subsecretaria da Internacional Social-Democrata (ISD); o último
Congresso da ISD foi na capital de São Paulo, durante o governo Marta
Suplicy/PT, que - convidada a aderir -declarou que a direção nacional do
partido estaria discutindo e que anunciaria sua decisão após as eleições;
o PSDB encaminhou pedido de adesão formal a ISD durante o governo
FHC/PSDB, não sendo aceito devido a oposição que lhe fazia o PDT ? que
ainda é sua Seção reconhecida no país. Visto dessa forma a
social-democracia ficará no poder por 16 anos: 8 anos com a direita
social-democrata/PSDB e 8 anos com a esquerda social-democrata/PT (nem
tanto de esquerda assim, como chegou a declarar o velho Lula/PT).

No século XX essa experiência dos reformistas social-democratas no poder
terminou de forma patética e trágica. Com a economia destruída e incapaz
de promover o pleno emprego ou conter a desvalorização dos salários ?
devido a sua covardia em todo o processo da República de Weimar ? deu
espaço e armas para que o partido nazista chegasse ao poder pela via
eleitoral. Apesar dos nazistas terem massacrado os lutadores socialistas,
muitos deles libertários (a Federação dos Sindicatos de Trabalhadores,
filiada a AIT [FAU-IWA/AIT] tinha cerca de 100.000 afiliados em 1930),
muitos também foram os marxistas assassinados. Isso não impediu que a
extrema-esquerda alemã ? representada pelo Partido Comunista bolchevique
(KPD), que seguia as instruções do Partido Comunista da União Soviética
(PCUS), se aliasse a Hitler entre o final de 1938 e o início de 1940!!!
Com isso coroaram a traição contra o proletariado espanhol e a Revolução
Espanhola (1936-1939).

Foram 15 anos de sujeição às exigências das grandes potencias, as
exigências da burguesia local, ao exercício autocrático do poder contra a
classe operária. De respeito às bases do capitalismo: o salariato, o
sistema bancário, a propriedade privada, o uso da violência legal, etc.De
repressão e perseguição contra o espontaneísmo revolucionário, com a
difamação, prisão, execração e execução sumária de revolucionários entre
eles os anarkistas Gustav Landauer, Ernst Toller e Erich Muhsam e os
marxistas Rosa Luxemburgo e Wilhelm Liebknecht, do Partido Espartaquista ?
primeira cisão do Partido Social Democrata [SPD] (depois saíram a
extrema-esquerda Partido da Social Democracia Unificada [USPD] e daí o
Partido Comunista [KPD].

Foi a crença numa possível integração na sociedade capitalista reformada e
democratizada, que inspirou toda a propaganda e ação do SPD desde sua
fundação, ou antes. Influenciando decididamente nos sindicatos, a
manterem-se em sua obediência as estruturas do partido, desde antes da
deflagração da Guerra. Esses espectros reapareceram e conduziram o
programas econômicos e políticos do governo ? inicialmente provisório,
numa coalizão com os partidos liberais e centristas (como o católico
Zentrum).

Esses erros estão sendo cometidos por aqueles que julgam que o avanço do
nazismo se deveu a falta de unidade das esquerdas ? sugerindo o apoio de
todos a um mesmo projeto, mas esse projeto ? semeado por anos de
propaganda e ação reformista ? foi capitaneado pela centro-direita
social-democrata. Logo teóricos como Paul Singer, José Álvaro Moisés,
Marilena Chauí, entre outros apoiadores do lulopetismo, simplesmente
defendem que os espartaquistas, por exemplo, deveriam ter ficado no SPD e
não saído para formar outra agremiação. No fundo, ?eles foram os culpados
de seus próprios assassinatos?. É triste e ridículo o quão patético pode
ser o uso da tal dialética para justificar o injustificável. É o que eles
chamam, de forma presunçosa, de socialismo cietntífico.

CONCLUSÃO

É dentro desse contexto que estamos lançando o Volume 4 dos TEXTOS PARA A
DISCUSSÃO D?O COLETIVO LIBERTÁRIO. Buscando aprofundar as discussões sobre
os motivos que levaram a cisão da AIT, por ocasião dos acontecimentos que
culminaram com a Comuna de Paris, de 1871. Essa cisão, entre autoritários
(marxistas e blanquistas) de um lado e antiautoritários, ou libertário, ou
anarkistas (mutualistas, sindicalistas e coletivistas) de outro, se
refletiu em todo o movimento socialista do planeta e se estende até os
dias de hoje. Entendemos que a raiz dessa divisão está no papel atribuído
ao Estado durante o processo revolucionário, bem como as linhas táticas
que o movimento deveria tomar durante esse processo.

Enquanto os autoritários defendem a tomada do poder do Estado para com ele
realizar a ditadura do proletariado, fase de transição entre o capitalismo
e o comunismo ? que chegaria num ponto futuro obscuro e indefinido. Por
isso sua tática fundamental consiste em atribuir prioridade para a luta
política, entendida com a luta pelo poder na superestrutura social, com o
uso de Partido político para unir e centralizar a direção revolucionária,
da vanguarda operária ? formada pelos intelectuais que tenham o domínio
sobre o materialismo histórico, o socialismo científico. Os libertários
defendem a tese de que, tendo sido gerado pela necessidade da burguesia, o
Estado sustenta a sociedade de classes e a reproduz, de tal forma que a
revolução social deverá um só tempo abolir o capital, a propriedade
privada e toda a ordem capitalista e estatal, erigindo sobre seus
destroços a Comuna, formada pela livre associação de indivíduos livres que
se uniriam em federações de associações livres, até atingir a livre
federação das Comunas Livres, levando a um só tempo ao socialismo
integral, comunista (igualdade econômica) e anarkista (igualdade
política).

O momento não poderia ser mais emblemático: pouco depois da comuna de
Oaxaca, que mais uma vez mostrou a fidelidade das propostas libertárias, e
pouco depois do XXIII Congresso da AIT-IWA que decidiu manter o
secretariado, no próximo período inter-congressos, nas mãos dos eslavos da
Seção Sérvia, a ASI-IWA/AIT, e realizar o próximo Congresso, em dezembro
de 2008, pela primeira vez no continente americano, num país
subdesenvolvido da América-Latina, o Brasil, organizado pela COB-AIT/IWA ?
a qual apoiamos integralmente, desde o afastamento de um infiltração
trotskista (entre 1986 e 1991), que enquanto pode tudo tentou para
destruir o Movimento pró-COB/AIT.

No Volume 3 lançamos o texto de Rudolf Rocker ?SOCIALISMO E ESTADO?,
escrito no início dos anos 20 do século passado. Neste estaremos
divulgando um texto raríssimo escrito pelo próprio Bakunin em 1872,
fazendo sua própria defesa das acusações lançadas contra ele por
Marx-Engels e sua camarilha. No texto de Rocker abrimos um panorama geral
sobre a questão. Neste, de Bakunin, aprofundaremos a discussão sobre o
momento crítico da cisão entre marxistas e libertários, por entendermos
que o momento de crescimento do anarkismo trás em si um grave risco, que é
a adesão de um grande contingente ? oriunda de práticas autoritárias em
partidos marxistas e que deles tragam para o anarkismo os grilhões de seus
preconceitos e sua práxis centralista ? como já vimos denunciando há anos,
ao nos referirmos a infiltrações marxistas dentro do movimento libertário.
Entendemos que é a discussão frnca das idéias e o debate sobre as
alternativas práticas para a luta hoje que nos conduziram a unificação
cada vez maior do Movimento Libertário Brasileiro (MLB) e de sua atuação
conseqüente no movimento social, no Brasil, no continente americano e no
mundo. Afinal, somos internacionalistas.

LONGA VIDA A COB-AIT!
LONGA VIDA AO MLB!
VIVA A REVOLUÇÃO SOCIAL LIBERTÁRIA!
VIVAS À ANARKIA!

São Paulo, janeiro de 2007.

Entre em contato com O COLETIVO LIBERTÁRIO:
cldvulg@bol.com.br


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