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(pt) «A Batalha» n.220: COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE EMÍDIO SANTANA

Date Wed, 17 Jan 2007 19:57:05 +0100 (CET)


Terminaram no dia 25 de Novembro as sessões comemorativas do nascimento de
Emídio Santana. De todas os depoimentos o que de comum ressaltou foi a
inteligência, o auto-didactismo, a coerência militante, a perseverança e a
abertura ideológica de Santana.

As duas últimas sessões tiveram lugar já em Novembro.

A de 11, na Biblioteca Museu da República e Resistência (Benfica), teve
por tema genérico «Lutar pela emancipação».
Na primeira intervenção ? «Os últimos tempos do sindicalismo libertário»
(período de 1925-33) ? Paulo Guimarães abordou a acção de Santana como
secretário-geral do Sindicato Metalúrgico, redactor principal do seu órgão
na imprensa ? O Eco Metalúrgico ? e do seu sucessor Solidariedade Mineira
e Metalúrgica, após constituição da Federação Mineira e Metalúrgica.
Lembrou a sua actuação nas Juventudes Sindicalistas, de que foi
secretário-geral em 1925 e 1926 e na Câmara Sindical do Trabalho de
Lisboa, da qual foi igualmente secretário-geral. Referiu também o seu
papel na constituição da Aliança Libertária, que lhe veio a custar a
prisão, julgamento e deportação para a fortaleza-presídio de S.João
Baptista (Angra do Heroísmo) em 1933.

Seguiu-se a intervenção de L. Garcia e Silva sobre «A Resistência à
Ditadura. O atentado e a prisão».
Referiu a actividade de Santana após a deportação e regresso a Lisboa a 24
de Agosto de 1934 ? o ingresso no Comité Confederal da CGT clandestina,
colaboração activa no reaparecimento de A Batalha clandestina (1935 ? 37).
Salientou a ida clandestina ao Congresso de Saragoça da CNT (Maio de 36),
em representação da CGT e a posição então assumida na reunião da FAI
empenhando os anarquistas portugueses em caso de previsível golpe militar
fascista. O que explica a sua actuação ao longo de 1937 ? ?bombas dos
ministérios? (20 de Janeiro), tentativa de atentado a Salazar (28 de
Fevereiro) e o atentado realizado a 4 de Julho que não vitimou o ditador.
A fuga para Inglaterra onde foi detido e entregue à PVDE (19 de Outubro),
sendo submetido a seis meses de interrogatórios e incomunicabilidade.
Condenado a 16 anos de prisão (Janeiro de 1939) que cumpriu na
Penitenciária de Coimbra, onde as suas capacidades foram aproveitadas
(projecto e supervisão da construção de refeitório prisional masculino e
da ala de mulheres, organização de museu prisional, serviço de
contabilidade e departamento gráfico). Neste último elaborou
clandestinamente um boletim regional da CGT que era distribuído pelo grupo
Claridade. Saiu da prisão em. 23 de Maio de 1953.

Fernando J. Almeida tomou a palavra «Evocando Emídio Santana», que
conheceu em 1969 numa sessão de esclarecimento promovida pela CDE e em que
Emídio Santana falou sobre problemas de habitação. Depois do 25 de Abril
tornou-se assinante de A Batalha e passou a frequentar a sede da Rua
Angelina Vidal onde além do Santana encontrou uma plêiade de antigos
militantes confederais e libertários. Mas a convivência mais aturada teve
lugar após o ingresso na redacção do jornal (1978 a 1981), tendo
assistido à formação da Aliança Libertária e Anarco-Sindicalista (ALAS).
Como membro de uma Comissão de Apoio aos presos do PRP foi encarregado de
convidar Santana para intervir num comício na Voz do Operário a que ele
aquiesceu. Perdeu o contacto com Santana quando a sede deixou de funcionar
na Av. Pedro Álvares Cabral e só em Outubro de 1988 soube do seu
falecimento. Ilustrou a sua apreciação sobre o carácter de Santana com
citações de César Oliveira, Pedro Goulart e da notícia dada pela UGT
quando do seu falecimento. Terminou dizendo que o impacto causado por
Emídio Santana está na origem do seu regresso à colaboração regular em A
Batalha.

A terminar, João Freire falou sobre «Emídio Santana: o homem militante»
Abordou em primeiro lugar os traços de temperamento e carácter, os dotes
de inteligência e de vontade de aprender, a capacidade de escrita
jornalística e de orador, a argumentação fácil e a irradiante simpatia
pessoal. Salientou ainda a grande determinação pessoal que raiava a
obstinação quando se tratava de objectivos que considerava fundamentais.
Um segundo aspecto foi a sua capacidade para aproveitar as lições da
experiência de uma vida atribulada, a ausência de dogmatismo ideológico, a
abertura à intervenção em áreas distintas do anarco-sindicalismo
(cooperativismo, inquilinato, defesa do consumidor) e ao diálogo com
personalidades de opções ideológicas diversas tanto dentro como fora do
movimento libertário. Realçou ainda as suas relações pessoais com Emídio
Santana em diferentes etapas organizativas do movimento anarquista como a
fundação do CEL e a criação do Arquivo Histórico-Social.

Seguiu-se um curto debate com a assistência com particular ênfase para a
intervenção de Edmundo Pedro, e o agradecimento de Fidélio Santana, filho
do homenageado, em nome de toda a família.

A última sessão, dia 25, teve lugar na casa de António Sérgio (INSCOOP) e
teve como tema «Entre-ajuda e cooperação na base da sociedade».
Depois de uma alocução inicial do presidente do INSCOOP, Manuel Canaveira
de Campos, José Hipólito dos Santos abordou «O cooperativismo como
movimento de emancipação económica». Recordou como em 1955, por indicação
de António Sérgio, ingressou na redacção do Boletim Cooperativista e,
semanas depois, na Cooperativa Fraternidade Operária de Lisboa (FOL) onde
conheceu Emídio Santana e outros militantes anarquistas e ex-comunistas
que dela faziam parte. Rapidamente se apercebeu da conflitualidade latente
entre a comissão do Boletim (controlada pelo PC) e a FOL, chegando aqueles
a sugerir que nesta última existiam informadores da PIDE. À FOL afluíram
alguns estudantes e trabalhadores e nas reuniões havia uma discussão viva
e diversificada. Editava-se um boletim doutrinário ? Cooperação ?, outro
de Informações Cooperativas para a Imprensa, vendiam-se e publicavam-se
livros. A FOL passou a designar-se também Ateneu Cooperativo e Eugénio
Mota ingressou em representação deste na redacção do Boletim
Cooperativista. Foi entretanto criada uma cooperativa de segundo grau ?
Unicoope ? para compras em comum para uma dezena de cooperativas na região
de Lisboa e outra banda, igualmente controladas pelo PC com apoio de
alguns sócios antigos e rotineiros. Contrariamente a Emídio Santana muitos
elementos libertários alimentavam preconceitos contra o cooperativismo,
considerado reformista. Outros, como Moisés da Silva Ramos, Custódio
Costa, Correia Pires e, no Porto, José de Castro aderiram prontamente.
Emídio Santana redigiu trabalhos de índole histórica e ideológica para
demonstrar que o cooperativismo era um movimento de emancipação económica
válido e convergente com o sindicalismo, logrando persuadir os elementos
mais renitentes.
A Unicoope mostrou-se pouco aberta às sugestões dimanadas do Ateneu e do
Boletim Cooperativista. Entretanto Moisés assumiu a presidência da
Associação dos Inquilinos Lisbonenses (AIL) ? onde de há muito militavam
antigos elementos confederais e libertários e imprimiu-lhe nova dinâmica,
promovendo o conhecimento do Cooperativismo Habitacional através do mundo.
Em 1965 Emídio Santana assumiu a presidência criando uma Comissão para
estudar um Plano de Acção para uma Política Habitacional, reestruturou a
AIL, incentivou a constituição de associações locais na Amadora, Almada e
Barreiro, propôs um Código do Inquilinato e promoveu, na Fundação
Gulbenkian, um Colóquio sobre o Problema da Habitação. Hipólito substituiu
Santana na presidência em 1974 e manteve-se na Direcção quando da
presidência de Vasco de Carvalho, com Santana na presidência da Assembleia
Geral. Foi um período de apoio às Comissões de Moradores. Em 1980 o PC
tomou conta dos órgãos sociais da AIL e restituiu-lhe o antigo cunho
burocrático de mero apoio jurídico a sócios em litígio com os senhorios.

Seguiu-se Eugénio Mota que falou sobre «Visão libertária e
cooperativismo». O seu ingresso no cooperativismo português deveu-se a
convite de José Hipólito para o acompanhar aos encontros dominicais em
casa de António Sérgio. Ingressou no Ateneu Cooperativo e na comissão
redactorial do Boletim Cooperativista onde foi recebido com alguma
desconfiança por ser membro do Ateneu. Referiu a sua passagem pelo Ateneu
como ?a vivência mais rica, quer no debate de ideias, quer no
relacionamento com uma plêiade de seres pensantes como não voltei a
conhecer.? As correntes predominantes eram a dos anarquistas e a dos
ex-PC, que haviam compartilhado a dura experiência do Tarrafal. Emídio
Santana foi um dos que mais o impressionou pela vivacidade, cordialidade,
inteligência e dimensão humana. Nos momentos difíceis que mais tarde viveu
no movimento cooperativo portuense era com ele que desabafava e a quem
pedia apoio. Um dos aspectos mais surpreendentes no Ateneu era a grande
diversidade de gerações, de experiências políticas, de formação académica
e de profissões e o facto de o convívio e o diálogo serem abertos,
directos, sem complexos. Frisou também que os elementos do PC não só
faziam uma guerra encoberta ao Ateneu como não estavam interessados em que
o movimento cooperativo prosperasse, mas somente em manter a sua hegemonia
em algumas das maiores cooperativas do país, sobretudo da margem Sul do
Tejo.
Fez uma resenha dos contactos internacionais ? Grã Bretanha, Suécia,
Aliança Cooperativa Internacional e outros países europeus e até
africanos. Apresentou também resumidamente a evolução do sector
cooperativo em Portugal.
A cooperação é acto tão natural ao homem como tentar sobreviver. Por isso,
como diria Emídio Santana: ?torna-se necessário reinventar o movimento
cooperativo para o século XXI?.

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