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(pt) [Brasil - GEA-SP] debate com Leo 1: Estatísticas Sociais

Date Sun, 2 Dec 2007 21:10:19 +0100 (CET)


Por Célio Ishikawa 29/11/2007
O debate com Leo Vinícius promovido pelo GEA-SP (GRupo de Estudos do
Anarquismo) ocorreu na Escola de Sociologia e Política di 27/10.
Para quem perdeu ou quiser relembrar, será publicado aqui em tópicos e
partes um pouco do que se debateu.
Parte 1: Estatísticas Sociais


À certa altura alguém pergunta: mas afinal, as estatísticas sociais
melhoram ou pioraram no capitalismo? Por que os índices de desemprego
parecem mais alarmantes atualmente?

É uma questão que tem a ver com a expansão do capitalismo (e tipo de
capitalismo), falamos de vários exemplos novos (destruição do
meio-ambiente, direitos, propriedade sobre o que se assiste, o que se
planta, e um dia, talvez sobre o que se respira). Então antigamente as
coisas eram melhores?

Ou então antigamente era pior e agora o catador de material reciclável tem
até celular?

Bem, é uma ponderação onde tem de ser levadas em conta que se passou mais
século nisso tudo.

Como medir as estatísticas sociais? Digamos as pessoas têm mais acesso a
pão hoje em dia, mas tem de levado em consideração que o pão foi
industrializado (trabalhei numa fábrica de doces em que para a linha de um
tipo de bolo, eliminaram o movimento de abrir e fechar a boca do forno:
entravam e saíam em linha as assadeiras de massa crua e cozida. Para outro
tipo, a coisa era ainda mais impressionante: eliminaram até as assadeiras,
era simplesmente um tapete de massa entrando crua num lado e saindo assada
no outro)

O capítalismo produz maravilhas, mas temos de ver como elas estão sendo
distribuídas e para quê elas servem. (no anime Cowboy Bebop, por exemplo,
as pessoas estão dentro de uma nave espacial, mas a geladeira deles está
vazia). Antigamente as pessoas não assistiam TV de domingo pois iam à
praia, a praia era menos violenta e poluída. Hoje muitas pessoas assistem
TV, mas o divertimento é de outro jeito.

Aliás foi lembrado, antigamente o mercado existia para satisfazer as
necessidades, hoje, o mercado cria novas necessidades, modismos, etc.

Marx, em O Capital Livro1 são mostradas condições muito ruim de quem
morava em zonas operárias de Londres. É relatado por exemplo que havia
lugares onde as camas da pensão não chegavam a esfriar, por causa dos
turnos de fábrica, e do caso de uma costureira que morreu de fadiga e
ambiente insalubre, e a dona estava mais preocupada com o desfile que ia
atrasar (era alta costura!)

Hoje em dia as pessoas parecem mais protegidas, segundo as estatísticas e
as leis trabalhistas.

Mas é aí que vale lembrar: hoje em dia cresceu demais o trabalho informal,
e muitas pessoas estão fora dessas estatísticas, vide os cortadores de
cana. Aliás acabei de ficar sabendo de outra enrolação, só que para a
classe média: muitas pessoas não são contratadas nem como empregados e nem
como autônomas, mas sim como prestadoras de serviço, Advogados,
assistentes sociais, ilustradores, uma infinidade de profissionais de
nível universitário passam a ser prestadoras de advocacia, consultoria,
ilustração, etc. Cito esse exemplo para se ver que ir saindo de
estatísticas não é coisa apenas para os mais pobres: prestadoras de
serviço saem das estatísticas de empregados e entram para estatíticas de
empresas (são contratadas por CNPJ).

É isso aí, deve-se tomar cuidado com as estatísticas, ver o contexto.

Pois, para analisar o nível de de desemprego na época de Marx / Proudhon,
as perguntas deviam ser assim: "Tem filho em casa de 8 anos? Ele não
trabalha? Então é desempregado". Havia muita exploração de crianças antes,
então para ser coerente, a estatística devia contar s crianças como
desempregados.

Antigamente as capitais tinham menos gente que antes, pois depois é que as
pessoas trocaram o campo pela cidade. Porém há relatos de superlotação de
bairros operários no Livro de Marx (do século 19). Não adianta ter menos
gente se as pessoas tinham de se espremer. É que alguns deles eram
praticamente tratados como propriedade da empresa, e viviam numa espécie
de senzala do lado das fábricas (e nas vilas operárias, com suas pensões
de trabalhadores "livres", por serem livres não havia quem precisasse
cuidar pelo zelo do lugar e o resultado era insalubridade). Havia mulheres
que trabalhavam dentro de lugares quentes e fumacentos pela proximidade
com o fogo, finda a longa jornada, abriam a porta para irem embora e
levavam na cara o frio da neve, e dormiam em quartos cheios de gente para
ver se conseguiam se aquecer melhor, num lugar escuro e sem muito ar.

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