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(pt) Luta Social*: «Chile: O outro 11 de Setembro»

Date Mon, 18 Sep 2006 20:44:43 +0200 (CEST)


[*órgão do sindicato de base e anti-capitalista AC-Interpro]
No passado 11 de Setembro tiveram lugar no Chile as tradicionais
manifestações em memória das vítimas do regime fascista de Pinochet, tendo
sido marcadas este ano por confrontos violentos entre a polícia de choque
e jovens encapuçados hasteando a bandeira anarquista. O dia marcou os 33
anos do golpe de estado de Pinochet, quando forças militares cercaram e
atacaram o palácio presidencial, La Moneda, matando o presidente
democraticamente eleito, Salvador Allende e iniciando um sangrento regime
fascista.
Este dia tem-se tornado cada vez mais um dia de luta e revindicação no
Chile, e este ano não foi diferente, com vários grupos saindo à rua não só
para não deixar esquecer as atrocidades do regime Pinochet, mas também
para criticar a actual situação do país. Ocorreram confrontos nas ruas de
várias cidades, sobretudo entre os jovens encapuçados e a polícia, sendo
várias sucursais de bancos e multinacionais destruídas e chegando a ser
lançado um cocktail molotov contra o palácio presidencial, fazendo-se
imediatamente ouvir as vozes da indignação por este acto. Infelizmente, os
actos de violência policial nos meses passados, incluindo várias mortes,
não levantaram a mesma indignação e burburinho. Os jovens queimaram também
bandeiras do Chile, mostrando o seu desprezo pelo estado e pátria, símbolo
omnipresente na capital onde todos os prédios da avenida principal são
obrigados por lei a hastear a bandeira chilena nas comemorações da
independência que começam nesta altura, sob pena de pagar uma multa de
milhares de pesos.
Nas televisões e telejornais iniciou-se imediatamente uma operação de
propaganda, caracterizando os ?anarquistas? como um bando de rufias que
defendem o caos, a destruição e a desordem. Foram presas 202 pessoas,
tendo sido praticamente todas libertadas neste momento, mas o governo
promete já acções de repressão e vigia apertada contra todos os grupos
anarquistas. Na imprensa pede-se retaliação dura contra os ?vândalos?.
O Chile é sem sombra de dúvidas o país da América do Sul mais
desenvolvido, com um nível de vida que se começa a aproximar do europeu.
Não obstante, a luta social tem-se intensificado, com os estudantes do
ensino básico e secundário saindo à rua já há vários meses reivindicando
mudanças profundas na política neoliberal de educação seguida pelo governo
de Bachelet e seus precursores. No passado dia 12 os professores e
estudantes fizeram uma greve de 24 horas, exigindo melhorias salariais e
regularização da situação contratual. Mas as exigências deste movimento
são mais abrangentes: o objectivo é a revogação da actual lei que rege a
educação, promulgada durante o regime de Pinochet. Esta lei encara a
educação como um serviço, relegando o papel do estado para simples garante
da concorrência, ficando educação a cargo dos municípios, ou seja, só
acede à educação de qualidade quem tem meios para tal.
A situação do acesso ao ensino superior é igualmente injusta, com propinas
proibitivas.

A evolução da situação no Chile promete um desenvolvimento interessante
com muitos grupos e movimentos activamente empenhados na luta social.

Miguel Negrão 2006



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