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(pt) A BATALHA N. 218: GUERRA DE ESPANHA. Uma revisão geral

Date Sun, 17 Sep 2006 21:44:02 +0200 (CEST)


por Fernando J. Almeida

Há 70 anos, em Julho de 1936, desencadeava-se Gueera Civil de Espanha, o
cruento conflito que ensombrou a atribulada História da Europa de
entre-duas-guerras mundiais. A tragédia espanhola fez e faz correr rios de
tinta, tornando-se um dos temas glosados pelos media, tanto no aspecto
documental, como na ficção romanesca e poética, alargando-se a todos os
campos das multimedia e do audiovisual. À semelhança do que já temos feito
em trabalhos anteriores, vimos, mais uma vez, traçar umas linhas sobre a
guerra que pôs a Espanha e ferro-e-fogo, nos anos 30 do século passado.

Em Julho de 1936, iniciava-se o movimento militar. Nos dias 17, 18 e 19,
perfilavam-se, em toda a Espanha, intentos de proclamar o estado de guerra
que assegurasse o pronunciamento militar, que fracassava em Minorca,
Catalunha, parte de Aragão, Valência, Múrcia, grande parte da Andaluzia,
Astúrias (à excepção de Oviedo), Santander, Vizcaya e Guipúscoa. O governo
republicano dominava no leste do País, excepto em Maiorca e Ibiza, quase
todo o Norte fronteiriço com a França e, no Centro, estendia a sua
influência até à fronteira portuguesa, cortando a zona rebelde em duas. Na
parte republicana, surgiam enclaves afectos ao levantamento, como Córdova,
o Santuário da Virgen de la Cabeza (Jaén), o Alcazar de Toledo e Oviedo.
Os esforços ?nacionales? dirigiam-se à tentativa de ligar o seu território
às ?ilhas? encravadas na zona republicana, e tornaram possível a conquista
de Huelva e a ocupação de Badajoz, permitindo unir as forças do Norte com
as do Sul da Península. Ao submeterem San Sebastián e Irún (País Basco),
cortaram as possibilidades de auxílio à República, vindas de França, e
estabeleceram uma via de apoio a Oviedo, semelhante àquela que haviam
logrado em Córdova. Desviaram o seu ataque a Madrid, para salvar o Alcazar
de Toledo. O Santuário da Virgen de la Cabeza seria o único ponto de
resistência prolongada, que acabaria com o triunfo republicano, em Maio de
1937.
No final de 1936, as duas zonas em conflito estão perfeitamente
delimitadas. Em linhas gerais, as zonas industriais da Catalunha e Vizcaya
e as três cidades mais populosas (Madrid, Barcelona e Valência) estão em
poder da República. As regiões agro-pecuárias obedecem, em contrapartida,
ao regime de Burgos.
Politicamente, a zona republicana obedece ao governo central de Madrid e
aos governos autónomos da Catalunha e de Euskadi (País Basco), que se
regem pelos Estatutos outorgados, respectivamente, em 1932 e 1936. O
governo central, quando estalou o alzamiento, era presidido por Casares
Quiroga, que se demite e é substituído pelo socialista Largo Caballero,
que transfere a capital para Valência, quando se intensifica o assédio a
Madrid. Com a entrada da CNT-FAI no governo, ficam representadas as mais
expressivas forças do antifascismo espanhol.
O governo autónomo Catalão (Generalitat), presidido por Lluis Companys da
Esquerra Republicana, passa a integrar ministros da CNT-FAI e do PSUC
(Partido Socialista Unificado da Catalunha). Em Bilbao cria-se, no
princípio de Agosto, a Junta de Defesa de Vizcaya que, com a promulgação
do Estatuto passa a enformar o Governo Autónomo Basco, presidido pelo
lendakari José António Aguirre, agrupando nacionalistas Bascos e
organizações de Esquerda.
Na zona rebelde, os chefes militares obedecem a uma Junta de Defesa
Nacional, presidida pelo general Cabanellas (um republicano e mação),
sediada em Burgos. Em Setembro a Junta proclama o general Franco, Chefe do
Governo e generalíssimo dos Exércitos.
A política de ambas as zonas em confronto parte das leis da República para
seguir caminhos diametralmente opostos; no lado rebelde, anulam-se as leis
mais características da época 1931-36: divórcio, reforma agrária, expulsão
dos jesuítas; em território republicano intensifica-se a política de
Esquerda, com o Comissariado político do Exército, supressão das ordens
religiosas, ocupação de terras pelos trabalhadores.
A França e a Grã-Bretanha iniciam consultas que conduzirão à criação do
Comité de Não-Intervenção, patrocinado pela Sociedade das Nações (SDN).
ANO DE 1937
Militar e politicamente, 1937 é o ano crucial da guerra. Os ?nacionales?
usam as suas melhores forças para liquidar a Frente, representada a Norte
pela zona republicana de Vizcaya, Santander e Astúrias. Conseguirão esse
objectivo, apesar da ofensiva republicana, em Brunete e Belchite. Tomarão,
igualmente, Málaga que deixará a maior parte da Andaluzia em poder dos
nacionalistas.
Em ambas as zonas, verifica-se a intenção de unificar as diversas forças
em armas. Na zona republicana, desenvolve-se o ataque político à CNT-FAI e
POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), a pretexto das jornadas do
Maio Sangrento de Barcelona, que conduzirão ao crescente poder do Partido
Comunista de Espanha (PCE) e seu homólogo Catalão, o PSUC. Na zona
nacionalista, é promulgado o Decreto de Unificação, que funde as
organizações anti-republicanas num partido único do regime, a FET y de las
JONS, sob o comando de Franco. A oposição de sectores mais puristas da
Falange e do Carlismo é sufocada pelo militarismo dos incondicionais de
Franco.
Agudiza-se a importância internacional da guerra. O navio de guerra Alemão
?Deutschland? é bombardeado pela aviação republicana; em represália, a
armada nazi bombardeia Almeria. Os ataques a navios mercantes por
submarinos do Eixo provocam a Conferência de Nyon, onde os membros do
Comité de Não-Intervenção insistem na retirada de combatentes estrangeiros
das Brigadas Internacionais, assim como das tropas alemãs, italianas e
portuguesas, ao serviço dos ?nacionales?.

ANO DE 1938
O ano de 1938 começa com a vitória republicana de Teruel e, mais tarde,
com o afundamento do cruzador ?Baleares? e a travessia do Ebro pelas
forças leais ao governo de Barcelona, nessa altura capital do governo
central e da Generalitat. Os Franquistas reagem, numa ofensiva que os
levará ao Mediterrâneo, cortando o território republicano em dois, e
ocupando Lleida (Lérida). No final do ano, empreendem o ataque, que
culminará com a conquista total da Catalunha, em Fevereiro de 1939. A
Junta Técnica cessa funções e é substituída por um Governo que anula,
formalmente, os Estatutos Autonómicos.
O governo republicano, presidido pelo socialista pró-comunista Negrín,
alerta a opinião pública mundial para a presença de fortes destacamentos
alemães e italianos, combatendo no lado nacionalista. Em ambas as zonas em
confronto, começam a ouvir-se personalidades, que advogam uma paz de
compromisso, solução apoiada, em especial, pela Grã-Bretanha. A imprensa e
autoridades, de ambos os lados da contenda, reagem violentamente a esse
intento, o que leva à demissão de Indalécio Prieto, ministro da República.
Sob pressão da SDN, as Brigadas Internacionais abandonam o solo espanhol.

ANO DE 1939
Com a queda da Frente Catalã e a fuga para França do presidente Azaña e do
governo republicano precipitam-se os acontecimentos. Os ?nacionales?
sitiam Madrid e preparam uma ofensiva nos finais de Março. Contrariando
as instruções de Negrín que exige a resistência à outrance parte do
exército comandada por Casado com o apoio dos anarquistas e dos sectores
não ?negrinistas? do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em que
avulta Julián Besteiro constituem um Conselho de Defesa que intentará uma
paz negociada com Burgos. Isto suscita a violenta oposição do PCE que
desencadeia uma mini-guerra civil em que os comunistas são derrotados
pelas tropas comandadas por Cipriano Mera.
Para Franco não existiam ?pazes negociadas?: a rendição republicana só
poderia ser incondicional. Esta tem lugar e os ?nacionales? ocupam Madrid
no dia 28. As últimas áreas em poder dos republicanos são ocupadas até 1
de Abril. Meio milhão de pessoas incluindo civis e militares lograram
atravessar a fronteira dos Pirinéus acolhendo-se à protecção do governo
francês. Já no exílio francês, Azaña demite-se, sendo substituído, na
Presidência da República, por Martinez Barrio, Presidente do Congresso.
No dia 1 de Abril de 1939, o Quartel-Geneneral de Bur-gos emitia a
seguinte proclamação: ?(?) En el dia de hoy, cautivo y desarmado el
Ejército rojo, han alcanzado las tropas nacionales sus ultimos objectivos
militares: la Guerra há terminado.?


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