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(pt) «A Batalha» N. 218: FUNDAMENTALISMOS RELIGIOSOS NO N OSSO TEMPO

Date Fri, 15 Sep 2006 19:14:13 +0200 (CEST)


É algo abstruso, após dois séculos de progressiva laicização da sociedade
e da promoção do pensamento científico e tecnológico, assistir a um
recrudescimento de versões sectárias, intolerantes e arcaizantes das
principais religiões. Pode argumentar-se que o fenómeno laicizante não foi
universal, circunscrevendo-se em larga medida aos países mais
industrializados onde impera hoje outro fundamentalismo, o fundamentalismo
neoliberal. Mas mesmo nestas últimas sociedades têm surgido novas igrejas
e correntes de inspiração cristã marcadas por um sectarismo exacerbado.
A atenção da opinião pública tem sido no entanto mais solicitada para o
fundamentalismo islâmico por via da conflitualidade resultante da criação
do Estado de Israel com evicção de grande parte da população árabe
residente para dar lugar à recolonização judaica dois mil anos decorridos
após a diáspora. E se o fundamentalismo islâmico é omnipresente nos media
existe uma deliberada ocultação do fundamentalismo judaico com que aquele
se confronta.
É indispensável chamar a atenção para este último, porque as suas
características são algo diferentes das observadas em outras religiões.
Enquanto o cristianismo, o islamismo ou o budismo são religiões de
carácter universalista, que visam a máxima conversão dos não crentes, seja
qual for a sua raça ou credo, o judaísmo não visa a conversão de outros
povos. É aceite a conversão casuística de não judeus, por exemplo em caso
de matrimónio com pessoas exteriores à comunidade (prática que de resto
não é incentivada). A religião judaica confunde-se com a nação judaica, é
a religião do ?povo eleito do Senhor?. Temos portanto uma concepção de
superioridade nacional-religiosa que tem certas semelhanças com o nazismo,
embora neste o factor religioso tenha um papel relativamente apagado face
ao factor racial. Estas características do ?sionismo? explicam a
dificuldade de relações com outras comunidades.
É claro que há judeus anti-sionistas e judeus que não professam a religião
judaica, quer porque abraçaram outra religião, quer por serem ateus ou
agnósticos. Existem tanto fora como dentro de Israel e tomam geralmente
posição contra a actuação do governo israelita. No interior, embora
minoritários, têm assumido coerente e corajosamente a condenação das
políticas agressivas dos sucessivos governos, recusando a conscrição
(assumindo-se como objectores de consciência), manifestando-se
conjuntamente com os árabes contra a construção da muralha de separação
árabes-judeus (geralmente no interior de território considerado árabe) e
outras formas de discriminação.
Os media escusam-se, tanto quanto possível, a noticiar as posições
críticas e as actuações desta minoria, por inconvenientes para o governo
israelita e seus mais notórios e influentes aliados. Julgamos ser nosso
dever chamar a atenção para a difícil luta destes homens em prol da paz,
da justiça e da liberdade e prestar-lhes aqui a merecida homenagem.
L.G.S.


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