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(pt) [Brasil] Opinião Anarquista 21 - FAG

Date Fri, 8 Sep 2006 17:04:59 +0200 (CEST)


Por Federação Anarquista Gaúcha

Neste mês de outubro, todos estão convocados para mais uma eleição
burguesa, só que desta vez, o descontentamento da população nunca foi tão
grande. Motivos para isso não faltam, pois nos últimos quatro anos
aumentaram os escândalos de corrupção, a impunidade, a violência e a
desigualdade.


Lula assumiu a presidência apostando no pacto social, reunindo banqueiros
e empresários para um diálogo e sendo respaldado pela esperança de mudança
que carregava o povo brasileiro. Hoje, o sentimento da população e de boa
parte da esquerda que o elegeram é de traição. Por outro lado, para os
anarquistas da FAG não se trata de um caso de traição, pois logo após a
eleição de 1989, a cada ano que passava o programa do PT se tornava mais
brando, os militantes se afastavam das bases e as alianças políticas
ficavam mais próximas da direita. Na verdade, esse é o caminho que segue
qualquer partido eleitoral que almeja chegar ao poder burguês.

Logo em 2003, os acordos com o FMI puseram na agenda do governo a Reforma
da Previdência que roubou direitos históricos dos trabalhadores, e também
a reforma tributária que deixa os pobres pagarem as maiores contas. Outro
ingrediente da receita neoliberal foi a aprovação da lei das Parcerias
Público-Privadas (PPPs), aprovada em regime de urgência no final de 2004,
e que representa uma nova forma de privatização dos serviços públicos.

No ano passado, o dinheiro gasto somente no pagamento dos juros da dívida
pública (R$ 83,83 bilhões) foi maior do que o total gasto nos principais
setores sociais, como por exemplo: saúde, educação, habitação e
assistência social (R$ 69,27 bilhões). Os bancos lucraram em 3 anos de
governo Lula, mais do que nos 8 anos de FHC. Em 2005, a soma dos lucros
dos principais bancos chega a R$ 18, 8 bilhões, ou seja, três vezes o que
o governo gastou com o bolsa família no mesmo ano. O pacote agrícola
anunciado em maio destina R$ 50 bilhões para o agronegócio e apenas R$ 10
bilhões para a agricultura familiar. Sendo que somente a ARACRUZ celulose
recebeu nos últimos três anos quase R$ 2 bilhões do governo brasileiro via
BNDES.

Desde o início do mandato, Lula apostou no campo da propaganda tendo como
fiel aliado a Rede Globo. Recentemente, o ministro das comunicações e
sócio da Globo, Hélio Costa, conduziu às pressas a aprovação de um padrão
estrangeiro (japonês) para a tv digital, desconsiderou a tecnologia
brasileira, tudo isso para resolver o problema da dívida acumulada pela
empresa que detém o monopólio da comunicação no Brasil. Por outro lado,
para o povo que tem nas Rádios Comunitárias o meio de expressar a sua
própria voz, a repressão só aumentou nos últimos quatro anos. Em troca,
Lula ganha a confiança da mídia que divulga dados mentirosos dizendo que o
bolsa família foi responsável pela distribuição de renda no país. Porém
basta consultarmos os dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) que desmente esta afirmação.

Os privilégios e a violência dos de cima

Enquanto o governo federal faz política para agradar o imperialismo, os
banqueiros, a Rede Globo e os latifundiários, no congresso nacional a
corrupção e a impunidade andam soltas sem reconhecerem partidos,
pisoteando princípios, fazendo de cada político réu suspeito ou confesso.
Nesse sistema de privilégios, segundo o Jornal do Brasil, cada parlamentar
brasileiro recebe R$ 413, 3 mil por ano, mais auxílio moradia de R$ 3 mil
mensais, trabalhando de terça a quinta durante a semana e folgando 90 dias
por ano. Somente os cargos de confiança (CCs) aumentaram em 11,3% no
Governo Lula. No entanto, não bastasse as regalias que o Estado oferece,
nos últimos anos a classe política brindou com a propina dos Correios, o
mensalão do PT e Marcos Valério, e também com o recente episódio da máfia
das ambulâncias que envolve um em cada cinco dos parlamentares do
Congresso Nacional. O fedor de podre aumentou com a série de denúncias de
irregularidades nas concorrências públicas de limpeza urbana em todo o
país, chegando a derrubar o ex-ministro Antônio Palocci.

Brasília, São Paulo, Ribeirão Preto e Porto Alegre são alguns casos de
contaminação pela máfia do lixo, ou seja, um enorme esquema envolvendo
empresas multinacionais e políticos através de financiamento de campanhas,
fraudes em licitações e concorrências públicas, caixa 2, corrupção e
assassinatos. O objetivo principal é a privatização do lixo, resultando no
desmonte do serviço público e exclusão dos catadores.

No social, todas essas contradições são as responsáveis pela enorme
desigualdade que existe em nosso país, principalmente nos grandes centros
urbanos. Uma pesquisa do DIEESE aponta que 46,4% do total de desempregados
das grandes cidades é formado por pessoas de 16 a 24 anos. Curiosamente,
tomando Porto Alegre como exemplo, quase metade dos detentos do Presídio
Central tem entre 18 e 25 anos. Ou seja, as rebeliões nos presídios e a
ascensão do crime organizado são as conseqüências desse sistema social que
nos joga cada vez mais para a miséria e que não oferece nenhuma
perspectiva para a juventude.



A estratégia neoliberal para o RS

Rigotto chegou ao Governo do Estado com a propaganda do coraçãozinho e
abusando dos seus olhinhos claros e a cara de bom moço. No entanto, os
trabalhadores logo ficaram sabendo do que realmente estaria por vir. Em
setembro do ano passado, um sindicalista foi assassinado durante uma
manifestação contra as 15 mil demissões do setor coureiro-calçadista. A
criminalização dos movimentos sociais seguiu com a retaliação que sofreram
as mulheres da Via Campesina após a ação contra o deserto verde no dia 8
de março deste ano.

A choradeira da crise financeira do Estado acompanhou a trajetória de
Rigotto e fez eco nos demais partidos que compõem a Assembléia
Legislativa. No entanto, temas de fundo como a dívida estadual, os
privilégios concedidos aos cargos de confiança e a isenção fiscal para as
grandes empresas não aparecem no debate. A primeira atitude do governo é
promover um tarifaço, aumentando as alíquotas de ICMS sobre energia,
combustíveis e telecomunicações.

Neste ano, três projetos de longo prazo para o RS com fundamentos
neoliberais foram apresentados com o velho discurso do desenvolvimento:
Rumos 2015, Pacto pelo Rio Grande e Agenda Estratégica. O primeiro
realizado através de financiamento do Banco Mundial e que tem nos seus
planos o incentivo à monocultura da celulose. O segundo representa um
consenso da classe política gaúcha com o congelamento de salário dos
servidores e reforma previdenciária, pois afinal de contas o Estado deve
ter recursos para investir nos ditos projetos de desenvolvimento. A
semelhança entre os três é que para a próxima década o Rio Grande do Sul
estará à disposição dos interesses estratégicos imperialistas, entre
esses: a terra, a água e a privatização dos serviços públicos através das
Parcerias Público-Privadas.

Independência de classe para derrotar o neoliberalismo

As cartas já estão dadas. O inimigo de classe e o imperialismo já deixaram
bastante claro suas intenções tanto no Estado como no Brasil. No entanto,
neste momento a militância de esquerda combativa deve assumir a unidade
entre as classes oprimidas em uma frente contra o governismo neoliberal,
para resistir aos projetos do imperialismo e estrategicamente acumular
forças para uma ruptura. Isso significa uma construção de base que não
pode aceitar aliados entre os burgueses e a burocracia, ou seja, uma
unidade baseada no princípio da independência de classe. Não é uma Reforma
Política ou um partido no governo que irá modificar uma estrutura que tem
como finalidade a dominação de classe. É por isso que diante dessa farsa
eleitoral demonstramos todo o nosso repúdio, votando nulo e digitando 00
na urna. Política quem faz é o povo organizado. Para resistir a miséria e
a opressão, votamos e apostamos no desenvolvimento das forças do
protagonismo de classe como melhor escola do poder popular.


- NÃO À REFORMA SINDICAL E TRABALHISTA DO FMI

- NÃO AO PACTO PELO RIO GRANDE E A ESTRATÉGIA NEOLIBERAL!

- POLÍTICA QUEM FAZ É O POVO ORGANIZADO! VOTE NULO!

- POR UMA FRENTE DOS OPRIMIDOS PRA DERROTAR O NEOLIBERALISMO!



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