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(pt) «LUTA SOCIAL» N.21.: Luta de classes?

Date Mon, 27 Nov 2006 13:39:03 +0100 (CET)


Contribuição para o debate integrado nas Jornadas Interprofissionais*
(29/11/06)

Falar de luta de classes na idade da globalização, em Portugal, não é
fácil. E, infelizmente, a dificuldade é a mesma também falando dos
restantes países do chamado primeiro mundo. Isto porque, se falarmos da
luta de classes, normalmente o termo refere-se às lutas das classes
exploradas, ou dito de outra forma, do proletariado".

Explico-me: Na minha visão de militante comunista libertário, falar duma
luta parecida quer dizer tratar da "existência de uma parte das classes
exploradas, pelo menos visível, que trava um combate contra os seus
exploradores, em termos de luta contra o verdadeiro inimigo interior".
Coisa que não existe no seio do primeiro mundo, onde o máximo de luta de
classes se revela nos pedidos de aumentos salariais ou de condições de
trabalho mais convenientes.
Luta de classes, pelo contrário, quer dizer lutar por uma nova sociedade,
sem estruturas causadoras de injustiças e sem exploração. Quer dizer
considerar o Estado um inimigo, porque expressão institucional e política
dos interesses do capitalismo. Não partilhar os valores da burguesia,
participar na criação da autonomia de classe dos trabalhadores. Porque sem
trabalhadores não há revolução.
No primeiro mundo, não faltam os famosos quatro gatos pingados, enquanto
partes activas na tentativa de começar a luta de classes: mas é um
problema deles, não da esmagadora maioria dos trabalhadores. Estes agora
têm uma psicologia e cultura totalmente dominadas pelos modelos
capitalistas.
Para alcançar um tal resultado, o papel da televisão foi, e é, muito,
muito importante. Hoje, o que disse Karl Marx - as ideias dominantes, são
as das classes dominantes - aparece como uma espécie de radiografia. Mas
devemos considerar também a acção nefasta dos partidos social-democratas e
estalinistas que transformaram o proletariado num rebanho de ovelhas,
sempre à espera da intervenção do Estado nos assuntos sociais e sem
autonomia organizativa e psicológica.
Sob o regime neoliberal, as condições de vida dos trabalhadores - e da
pequena burguesia - pioraram e muitas das anteriores conquistas fazem
parte da história passada. Mas é também verdade que estes trabalhadores
ainda gozam das migalhas do bem-estar ocidental; migalhas que as massas
desesperadas do resto do mundo consideram uma fortuna. (cont. pag. 2)
[* na Biblioteca da República e Resistência, Rua Alberto de Sousa, 10-A,
Zona B do Rego, Lisboa, 29 de Nov. (quarta-f.) às 18:30 ]

(cont. da p.1) Quando hoje, na Europa neoliberal, o máximo da esquerda
encontra sua expressão em partidos políticos e movimentos ditos
"radicais", porque defendem o "Estado Social", então não se pode falar de
luta de classes. Seria melhor falar de insatisfação social, de mal-estar
profundo, mas sem saída.
Fora da luta radical com o objectivo de transformar a sociedade não há saída!

Noutro sentido - pelo contrário - a luta das classes existe, caramba! E de
que maneira! É a luta da burguesia pelo seu proveito e contra os
trabalhadores, classe que suporta o peso de todas as consequências
negativas do capitalismo. É a burguesia - não o mítico proletariado - que
possui consciência de classe de si mesma.
Naturalmente, não foi somente a televisão que causou esta situação.
Muitas coisas actuaram no sentido de dar origem à situação actual. As
desilusões revolucionárias antes de tudo. E, psicologicamente, cada grande
desilusão, após um período de rebeldia cheio de entusiasmo e esperanças,
tem o efeito duma pancada terrível. O proletariado russo após a guerra
civil e o português após o 25 de Novembro de 1975, são exemplos claros
disto.
Mas outras causas entraram no jogo. Como o chamado "compromisso fordista",
que concluiu o processo - já iniciado antes da Iª Guerra Mundial - rumo à
integração dos trabalhadores no Estado nacional e da estatização das suas
esperanças sociais.

Hoje - e isto não acontecia entre o final do século XIX e o início do
século XX - as massas trabalhadoras são numa situação de fraqueza social
extrema, depois duma fase não breve de refluxo. Os que para viver têm
somente a sua própria força de trabalho, vivem a presente fase de
transformação económica e social da globalização sem desempenhar um papel
activo: são objectos e não sujeitos deste momento histórico. Mas não
decidem.
E a decisão deveria ser a luta mais radical possível.
Na história social fica sempre um mistério referido aos momentos propícios
para uma revolução: há necessidade - diz-se - de condições materiais, de
condições subjectivas e duma faísca para fechar o circuito. Verificar as
primeiras é fácil. Os problemas residem nas segundas. Juntando-lhes a
faísca, se elas existirem, sabe-se depois da explosão revolucionária,
nunca antes.
Por isso, não sabemos quando vai chegar o nosso momento... se é que chegará!
O profeta corre sempre um risco de dizer disparates.
Podemos, contudo, interrogar-nos: "o que é que acontecerá nas opulentas
sociedades do Ocidente, uma vez desaparecida a actual geração dos que
tiveram a oportunidade de beneficiar do Estado Social e que ainda são um
suporte económico de filhos e netos que vivem para consumir, fazendo
dívidas, mas sem poder programar o seu próprio futuro?"

Não acredito na possibilidade de existência de solidariedade social numa
situação parecida. Assim atrevo-me a profetizar: antes, haverá vitória da
direita, a direita dura, sem descontos. Depois, chegará o momento da
esquerda... mas se ainda houver uma esquerda, e não apenas um punhado de
profissionais da confusão.

Pier Francesco Zarcone





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