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(pt) [Brasil] BOLETIM FAÍSCA #25

Date Fri, 3 Nov 2006 22:13:10 +0100 (CET)


Você está recebendo o boletim da Faísca Publicações Libertárias!
Ele também pode ser lido on-line em
http://www.editorafaisca.net/boletim25.htm

Assuntos deste boletim:

1. Novo livro em co-edição com Imaginário: Instruir para Revoltar de
Grégory Chambat
2. Novo livro Faísca: Reforma e Revolução de Felipe Corrêa
3. Novo livro Faísca: Os Anarquistas na Revolução Mexicana de Pier
Francesco Zarcone
4. II Colóquio Libertário
5. Nota de repúdio à repressão em Oaxaca no México
6. Próximo lançamento: DVD ?A Tornallom?
7. Artigo Conlutas: ou um novo ?Ovo da Serpente? da Federação Anarquista
do RJ


#1. NOVO LIVRO EM CO-EDIÇÃO COM IMAGINÁRIO: INSTRUIR PARA REVOLTAR DE
GRÉGORY CHAMBAT#

Acaba de sair da gráfica nossa edição com a editora Imaginário:
INSTRUIR PARA REVOLTAR: FERNAND PELLOUTIER E A EDUCAÇÃO de Grégory
Chambat. Como informamos anteriormente, o livro trata, a partir da
perspectiva do sindicalista revolucionário Fernand Pelloutier, de uma
crítica à educação inserida dentro do capitalismo, que serve de
instrumento para a dominação do Estado e para a criação de um povo
subserviente e ignorante. O autor coloca a mudança na educação como
fator fundamental para qualquer processo de libertação social, ao
caminhar em paralelo com os elementos da ação direta.

Sumário: INTRODUÇÃO / PELLOUTIER, UM PENSAMENTO EM HERANÇA / ?Instruir
para revoltar? / Pelloutier na escola / Pelloutier contra a escola / A
escola da Igreja / Escola pública ou escola da burguesia? / As
universidades populares, ?uma escola do operário?? / Uma educação
socialista? / Trabalho de sala de aula / Bolsa e realização real da
educação / Uma escola do sindicato / Sindicato e educação / Rumo a uma
pedagogia de ação direta / O ensino mútuo na origem de uma pedagogia
sindicalista? / Um trabalho de classe na aula ou a colocação em
prática de uma pedagogia de ação direta / Na escola das Bolsas /
Conclusão: porque Pelloutier hoje? / PELLOUTIER E A EDUCAÇÃO - ANTOLOGIA

Formato: 14x21 112 páginas
Preço de capa: R$ 26,00
PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO: R$ 20,00


#2. NOVO LIVRO FAÍSCA: REFORMA E REVOLUÇÃO#

Também foi lançado no II Colóquio Libertário o livro REFORMA E
REVOLUÇÃO de Felipe Corrêa. Ele discute brevemente reforma e
revolução, sendo, portanto, uma aproximação das elucidações que ajudam a
responder as questões oriundas desta inesgotável polêmica. O texto volta
aos debates clássicos do movimento socialista, que ocorreram no seio da
II Internacional (1889-1914) e cujo protagonismo é
caracterizado pela figura de Eduard Bernstein. Trata, além disso, de
sindicalismo e anarquismo, tendo como referência as discussões do
Congresso Anarquista de Amsterdã de 1907, entre Pierre Monatte e Errico
Malatesta. Mais à frente, traça análises contemporâneas que podem ajudar
no esclarecimento deste debate ? geralmente tratado de maneira marginal
nos grupos e movimentos de caráter apartidário, horizontal e autônomo ?,
mostrando possíveis saídas para as inúmeras questões levantadas. Como o
leitor poderá perceber, muito mais do que dar respostas herméticas a
essas questões, o maior intento do autor é o de fornecer elementos que
contribuam com o debate e a reflexão de cada um de nós no que se refere
ao tema abordado, apresentando
elementos teóricos que possam estimular nossas práticas cotidianas.
Formato: 11,5x15,5 64 páginas
Preço de capa: R$ 7,00
PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO: R$ 5,00


#3. NOVO LIVRO FAÍSCA: OS ANARQUISTAS NA REVOLUÇÃO MEXICANA#

Só para manter a tradição de publicar muitas coisas no fim do ano, acaba
de chegar também OS ANARQUISTAS NA REVOLUÇÃO MEXICANA de Pier Francesco
Zarcone. O livro apresentado um ótimo relato da Revolução Mexicana, além
de uma análise pré e pós 1910 que dão uma idéia de todo no processo.
Passa por uma síntese da história moderna mexicana, trata das origens do
anarquismo Mexicano, do papel fundamental desenvolvido por Ricardo
Flores Magón e do periódico Regeneración. Trata de
analisar o processo revolucionário e a interação dos anarquistas com
outras importantes figuras da Revolução como Emiliano Zapata e Pancho
Villa e depois do processo de decadência da Revolução, ocorrida por
alguns erros políticos por ele apontados. A pedido da Faísca o autor
escreveu um apêndice com o nome de Magonismo e Zapatismo hoje. Nele, o
autor traz as experiências históricas para o dia de hoje avaliando os
frutos contemporâneos da Revolução Mexicana.
Formato: 11,5x15,5 72 páginas
Preço de capa: R$ 7,00
PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO: R$ 5,00


#4. II COLÓQUIO LIBERTÁRIO#

Aconteceu em São Paulo nos dias 21 e 22 de outubro o II Colóquio
Libertário, organizado pelo Instituto de Estudos Libertários. O tema
escolhido para a segunda edição do evento foi FEDERALISMO LIBERTÁRIO e
durante quatro mesas, compostas por pessoas de diversas localidades, uma
série de temas foram expostos e discutidos.

Em breve divulgaremos um site em que os organizadores disponibilizarão
parte do conteúdo dos debates (em formato áudio e vídeo). Estuda-se
ainda as propostas de publicação de algumas das falas em formato escrito
ou em audio/vídeo. Muito provavelmente será publicado um livro com mesmo
título, com diversos autores discutindo a questão do
federalismo libertário.


#5. NOTA DE REPÚDIO À REPRESSÃO EM OAXACA NO MÉXICO#

Gostaríamos de manifestar publicamente nosso repúdio à repressão que
está acontecendo na região de Oaxaca, no México e nosso apoio ao povo
mexicano em luta.

No final do mês de maio último, a partir de manifestações dos
professores mexicanos que exigiam aumentos salariais e da repressão
contra os professores colocada em prática pelo governo de Ulises Ruiz,
grande parte do povo de Oaxaca insurgiu-se. O povo, que tem pleno apoio
das comunidades indígenas e camponesas, constituiu a Assembléia Popular
dos Povos de Oaxaca (APPO) que exige a destituição de Ulises, a gestão
da comuna que se formou pelo próprio povo oaxaquenho, por meio das
assembléias populares.

A repressão aumenta a cada dia, e como saldo temos a morte de Brad Will
(jornalista da rede Indymedia de NY), professores, dentre outros
trabalhadores. Além disso, o governo de Fox, somando esforços a
Ulises, enviou soldados para a região com o objetivo de acabar com o
levante.

Saiba mais em www.midiaindependente.org


#6. PRÓXIMO LANÇAMENTO: DVD ?A TORNALLOM?#

Entrando num novo terreno, pretendemos editar, ainda no mês de
novembro próximo, um DVD. Trata-se de um documentário chamado A
TORNALLOM, dos diretores Enric Peris e Videohackers, produzido de
maneira totalmente independente e com lançamentos previstos em São Paulo
e no Rio de Janeiro.

A TORNALLOM (mutirão, em valenciano) conta a história de resistência de
uma comunidade rural nos arredores de uma grande cidade da Espanha,
Valência. Na luta contra a especulação imobiliária, que quer
expulsá-los da terra cultivada há séculos por seus antepassados, os
moradores de La Punta buscam a solidariedade do ?movimento okupa?.
Vários jovens da cidade se mudam para a comunidade e aprendem com os
mais velhos como arar a terra, fazer pão em fornos artesanais,
trabalhar em mutirão. Surgem os ?agropunks?, que levam para La Punta as
formas de luta da desobediência civil e ação direta contra a
violência da polícia e das retroescavadeiras.


#7. ARTIGO CONLUTAS: OU UM NOVO ?OVO DA SERPENTE? DA FEDERAÇÃO
ANARQUISTA DO RJ#

Enviamos abaixo, um trecho do artigo da Federação Anarquista do Rio de
Janeiro (FARJ) discutindo a questão sindical, em especial a
constituição da CONLUTAS e suas perspectivas. O artigo foi publicado
originalmente no boletim Libera 135 de maio e junho últimos. O texto
também pode ser lido em: http://www.editorafaisca.net/conlutas.htm

***

CONLUTAS: OU UM NOVO ?OVO DA SERPENTE?
Federação Anarquista do Rio de Janeiro

No início do ano de 1980, ainda sob o espectro da ditadura militar, os
trabalhadores do Brasil iniciaram um movimento em favor de uma nova
forma de organização. O tipo de sindicalismo saído da ditadura era uma
estranha simbiose do velho corporativismo varguista e outras formas de
sujeição ao Estado militarista inaugurado em março de 1964. Reunidos em
encontros estaduais, os ENCLATs, os trabalhadores deram à estampa
diversos documentos que deveriam ser analisados em um encontro
nacional. Para tanto, no mês de agosto de 1981, na Praia Grande, São
Paulo, aconteceu a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, a I
CONCLAT. Deste evento participaram não apenas as velhas confederações e
federações, como também um numero expressivo de associações
pré-sindicais, representadas por delegados de base, que prefiguravam, em
grande medida, a renovação das premissas sindicais até então
vigentes.

Como resultado prático da Conferência surgia uma Comissão Pró-CUT e
evidenciava-se uma ruptura irreconciliável entre os setores mais
radicalizados e a antiga burocracia sindical. Em agosto de 1983, com o
nome de Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, também sob a sigla de
I CONCLAT, os grupos à esquerda organizaram as bases para a criação da
CUT; enquanto, o bloco contrário, em novembro do mesmo ano, no também
CONCLAT, inaugurava uma Coordenação Nacional das Classes
Trabalhadoras e conservava a legenda CONCLAT. Esta última entidade seria
responsável, em 1986, pela criação da Central Geral dos
Trabalhadores, a CGT.

Entretanto, já na I CONCLAT, a de 1981, o tema da greve geral,
tradicional bandeira dos anarquistas, aparecia para clivar a distinção
entre os grupos presentes. Muitos dos delegados de base aglutinaram-se
então em torno da proposta que, em 1982, deveria ser posta em prática
como forma de anunciar o nascimento da CUT e pressionar o governo e
patrões a transigirem diante de uma pauta unificada. Mas a formação de
blocos antagônicos no interior da CONCLAT ? o ?Bloco Combativo?, formado
por uma nebulosa de grupos da esquerda radical, setores
progressistas da Igreja Católica e independentes, e o ?Bloco da
Reforma?, de composição de ativistas pouco engajados politicamente, além
de partidários dos dois PCs e do MR-8 ? acabou por atrasar a programação
para o ano seguinte inviabilizando assim a greve geral, sendo possível
aos do ?Bloco Combativo? apenas a fundação da CUT.

Dessa forma a CUT nascia com um estatuto provisório que destacava a sua
independência dos patrões, do governo, dos partidos políticos e dos
credos religiosos. Além disso, o mesmo documento, insistindo em três
pontos, definia-se pela autonomia e a liberdade sindical, a organização
por ramo de atividade produtiva e a organização por local de trabalho,
as então em voga ?comissões de base?. Tais
posicionamentos afastavam o grupo que formou a CUT ainda mais do que, em
1986, criou a CGT. Por outro lado, a opção da nascente central sindical
colocava-a na linha direta de sucessão da tradição
sindicalista revolucionária de orientação anarquista dos primeiros anos
do século XX, não apenas no Brasil como na França, EUA e outros países
em igual período. Segundo Leôncio Martins Rodrigues: ?Esses pontos de
contato podem ser encontrados na valorização do sindicato como um
instrumento de mudança social, na defesa de sua autonomia frente aos
partidos políticos, na idéia da construção de um
sindicalismo ?de base?, agressivo, sem burocracia, desprezando a atuação
partidária, política e parlamentar e exaltação da ação direta e o
conflito, vendo a greve geral como principal arma do trabalhador?.

Apesar das afinidades programáticas com o sindicalismo revolucionário
dos primeiros tempos, boa parte dos sindicalistas atuavam na estrutura
das entidades oficiais. Tal situação colocava-os em flagrante
contradição com os propósitos revolucionários e autonomistas uma vez
que, em paralelo, gozavam dos benefícios concedidos pela legislação
trabalhista em vigor. Assim, a ação dos sindicalistas acabava por
fortalecer a estrutura corporativa e oficial que, contraditoriamente,
pretendiam estes destruir por força das estratégias impressas nos
documentos e estatutos. O III CONCUT, em 1988, selaria ?pela direita? a
idiossincrasia que nascera com a CUT em 1983. Neste encontro
celebrado no Estádio do Mineirinho, em Belo Horizonte, no mês de
setembro, apesar das teses políticas reafirmarem o ethos do
socialismo, foi a de número 10, apresentada pela corrente Articulação,
organicamente ligada ao PT, que ganhou a maioria dos votos do
plenário. A corrente conhecida genericamente por ?CUT pela Base?, que
defendia as teses ainda do estatuto provisório de 1983, foi derrotada e
a burocracia sindical ganhava, por assim dizer, definitivamente a
Central Única dos Trabalhadores.

Na época a Convergência Socialista, mais radical no discurso do que nas
atitudes concretas diante da estrutura sindical oficial,
encontrava-se entre as correntes derrotadas pelo projeto da
Articulação. Entretanto, por força da inércia continuou na CUT. Alguns
anarquistas, após a derrota da proposição de organização pela base
passaram a formular críticas cada vez mais duras a CUT. A década
seguinte, com o acelerado processo de burocratização da central, parecia
dar razão aos que, a partir do III CONCUT, não esperavam maiores
transformações pela via cutista. Para a grande maioria dos libertários
os ?companheiros? de esquerda que ainda permaneciam nas fileiras da CUT
o faziam por puro oportunismo ou mesmo por ausência de um plano
estratégico mais coerente com as referências revolucionárias.
Continuaram defendendo os anarquistas as propostas de autonomia e
organização dos trabalhadores pela base.

Finalmente, com a vitória eleitoral de Lula em 2002, a CUT que havia se
transformado na maior central sindical do país passou a identificar sua
política com as diretrizes defendidas pelo novo governo. Mais uma vez os
anarquistas, em particular aqueles que militavam no ramo de petróleo,
reiniciaram a pregação de rompimento que, em 2003, foi rechaçada por
militantes do MTS, corrente sindical ligada ao PSTU, como é de
conhecimento de todos o partido surgido do espólio político da
Convergência Socialista. Num claro atavismo burocrático
bolchevista, a então auto-proclamada ?vanguarda do proletariado?
afirmava ser ainda a CUT uma importante trincheira, a ser defendida com
a maior presteza e dedicação. Entretanto, por uma ?mudança de
conjuntura?, no ano seguinte, em março de 2004, os militantes do PSTU
resolvem no Encontro Nacional Sindical criar a Coordenação Nacional de
Lutas, a Conlutas, em oposição à CUT.

Ainda neste contexto, os anarquistas do Rio de Janeiro resolveram propor
como método para uma nova entidade classista a organização de comissões
de base e o repúdio a velha estrutura sindical. Os
militantes do PSTU, entretanto, já possuíam sua própria fórmula. Deviam
seus militantes tomar as direções dos sindicatos para, uma vez de posse
dos ?aparelhos?, convocar um congresso nacional para a
formalização da Conlutas. A ?nova? entidade, que já nascia
hegemonizada pelo PSTU, deveria congregar outros setores do movimento
social nos quais os trotskistas do PSTU não possuíam nenhum trabalho. O
que para estes era já, de longe, uma perspectiva bastante
interessante.

Dessa forma, o Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Conat,
celebrado em maio desse ano, em Sumaré, São Paulo, cumpre um
importante papel para a organização política sob os moldes do
bolchevismo. Coloca estudantes e outros ativistas sociais sob a égide do
socialismo burocrático tão criticado pelos libertários, e com copiosos
exemplos de autoritarismo, ao longo do século XX.

Outro aspecto importante - e que é justificado pelos trotskistas pela
?conjuntura atual adversa?, uma vez que a fundação da CUT contava com um
?ascenso das massas? - é o de que a proposta da CUT, de 1983, era
bastante mais avançada se comparada a da Conlutas que sequer aponta para
o protagonismo das organizações de base. Além é claro da
permanência de uma posição acrítica ao sindicalismo oficial e
burocratizado presente ainda em muitas entidades de classe sob a
influência do PSTU. Assim, com outrora na formação da CUT, os germes da
contradição estão presentes também na gênese da Conlutas, uma vez que as
relações com a máquina capitalista do Estado continuam com suas
estruturas intactas. E os que na Conlutas se abrigam, tal como na velha
Convergência, falam de mudança e liberdade com ?cadáveres na boca?.


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