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(pt) Boletim* «Luta Social» nº20: DESMASCARAR BOLONHA

Date Thu, 2 Nov 2006 20:03:09 +0100 (CET)


[*órgão da AC-Interpro, sindicato de base, anti-autoritário,
anti-capitalista]

Tudo tem sido dito sobre educação.
Porém, há alguns marcos que importa sublinhar.

Um é o célebre acordo do GATS (General Agreement on Tariffs and Services)
no âmbito da OMC. Neste acordo a educação é assimilada a um «serviço»,
portanto mercantilizável, sujeita às «regras do mercado», etc.
Outro é o chamado «processo de Bolonha», que dentro da «agenda de
Lisboa»(*) pretende igualizar as licenciaturas e outros graus permitindo
uma circulação mais fácil de estudantes e de cientistas.
Ambos os processos estão ligados e estão relacionados também com o que se
passa dentro das fronteiras de cada Estado.
O acordo do GATS abre as portas a uma privatização da educação em que a
função estatal deixa de ser encarada como factor estruturante (como até
agora, na Europa) para ter uma função meramente supletiva. Ou seja, onde o
privado falha, estará o Estado vocacionado para colmatar as deficiências
da oferta privada. Mas, em face de oferta privada, o Estado deve
apagar-se, não deve entrar em concorrência com esta.



No caso do processo de Bolonha, os curricula não apenas são uniformizados,
como o são de acordo com os critérios que prevalecem nos grandes meios de
negócios e de indústrias.
Os cursos «não rentáveis» são impiedosamente extintos ou relegados para um
canto. Os cursos «rentáveis» são moldados em termos de empregabilidade, o
que quer dizer em linguagem clara, que os conteúdos vão obedecer
estritamente aquilo que os patrões das diversas indústrias acham que os
alunos universitários deverão aprender.
Além disso, os diplomas de mestrado e doutoramento serão contingentados, o
que tornará apenas num «bacharelato» qualquer licenciatura de três anos e
provavelmente, pois isso corresponde ao interesse dos empregadores, um
mero

«bacharelato melhorado» as actuais licenciaturas de 4 e 5 anos.

De futuro, quem quiser obter um emprego de nível elevado deverá formar-se
numa universidade privada, pagando as propinas correspondentes (a não ser
que tenha acesso a uma bolsa) e ter um grau de mestre ou de doutor. Abaixo
disso, só empregos desvalorizados sobrarão.



A educação pública vai ser transformada na «educação dos pobrezinhos» com
algumas excepções (que funcionarão como «montras» para inglês ver) e o
conjunto dos docentes do sistema público serão os mais mal pagos, os que
terão condições de trabalho mais precárias, mais deficientes em
equipamentos, etc.
No fundo, será como já é realidade nos países do cone sul da América,
veja-se o Brasil - com milhões de analfabetos e a educação de qualidade
confinada a colégios e universidades detidas pela Igreja Católica e outras
instituições não estatais - ou o Chile onde, desde Pinochet, o ensino foi
considerado como assunto de «indústria privada» , tendo a rede estatal uma
dimensão muito pequena e havendo um largo sector privado, mas
subvencionado pelo erário público...
Se não sacudimos o jugo da dominação capitalista na era da sua
globalização, os nossos filhos e netos viverão num mundo cada vez mais
injusto, mais desigual, mais pobre, mais violento

Manuel Baptista
_____________
(*) na cimeira da UE, de Lisboa, em 2000 foi definido um programa para que
o espaço europeu atinja o nº1 na inovação científica e técnica no decurso
da próxima década

O ATAQUE AO SISTEMA PÚBLICO DE EDUCAÇÃO
É demitir-se o estado das suas competências, abandonando os jovens à sua
sorte fazendo-lhes crer que se as coisas não lhes correm bem é porque ou
não são dotados, ou lhes falta o mérito. São uns falhados.
E, deste modo trabalhando e actuando na consciência de cada aluno e do
pai/mãe de forma oculta, estes não sentem que são vítimas duma política
cega ou que cega, que quer a todo o custo manter os privilégios dos já
privilegiados. [?]
NUNO FREITAS

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