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(pt) LISBOA, 18 DE JUNHO 2006: FILME E DEBATE NA UNIVERSIDADE

Date Fri, 19 May 2006 10:29:05 +0200 (CEST)


No Bar Novo da Fac. de Letras da Univ. Clássica de Lisboa, reuniram-se
cerca de três dezenas de estudantes e activistas de várias proveniências
para visionar o Vídeo ?Memória Subversiva?. Um dos autores, Zé Tavares,
explicou antes do visionamento a génese deste trabalho e a difusão que
teve desde os finais dos anos oitenta, tanto aqui como no estrangeiro, na
qualidade de filme documentário.
( http://pt.indymedia.org/ler.php?cidade=1&numero=75716 )
Falou-se sobre os últimos 30 anos (por contraste, o filme centra-se na
história do movimento operário e anarquista, do início do séc. XX ao
imediato pós ?revolução? dos cravos, até 1975)no diálogo que se seguiu.
Zé Tavares adiantou explicações para o incipiente desenvolvimento das
ideias anarquistas hoje, em Portugal, tanto do movimento específico,
quanto do sindicalismo de inspiração libertária.
Foi considerado um facto incontestável por todos os pesentes, que à
diferença de Espanha com a existência da CNT no exílio e clandestinidade
durante o franquismo, passando à luz do dia depois da morte do ditador,
a CGT portuguesa não conseguiu manter, por causa da repressão e do
isolamento, decorrentes da duração (48 anos) do fascismo no nosso país,
essa continuidade mínima que permitisse reaparecer à luz do dia enquanto
CGT, em 74. O melhor que se conseguiu foi o reaparecimento de ?A
Batalha?, mas sem a infra-estrutura confederada e os sindicatos que eram
os seus criadores e sustentáculo, nos anos de 1919 a 2926.
Pelo contrário, algumas ideias de Zé Tavares, receberam uma crítica do
autor deste artigo e também de Fernando Martins, activista libertário e
sindical. Dizia José Tavares que havia um esgotamento do anarquismo, de
certo anarquismo, que eu chamaria o anarquismo classista, o que tinha como
princípios teóricos o comunismo libertário e o anarcossindicalismo. A tese
do co-autor do filme, assim como de alguns dos presentes era de que o
sindicalismo era ?escusado? porque a classe trabalhadora já não se
apresentava estruturada como nos anos pré 2º Guerra Mundial, e porque um
sindicato acabaria por ser, independentemente das ideias dos membros e do
modo como se estruturava, ?demasiado rígido?. Fernando Martins argumentou
com a necessidade imprescindível de sindicatos, para termos defesa face ao
patronato. Apoiando a posição do Fernando fiz notar que era sempre
possível desenvolverem-se colectivos específicos, por afinidade, ou de
âmbito sectorial, como os de problemática ambiental, de feminismo,
antimilitarismo, etc., etc., com esforços paralelos e convergentes de
constituição de verdadeiros sindicatos, ou seja, de instrumentos NOSSOS,
de funcionamento assembleário, ou de base, guiados por um espírito
libertário embora abertos a todos quantos quisessem lutar, no respeito
pelos estatutos e pelas decisões colectivas. OU seja não havia nenhuma
contradição em ser-se activista num colectivo específico e também se
participar num sindicato de base.
Houve muito interesse e participação activa de diversos jovens, estudantes
ou trabalhadores precários. O interesse pode ser avaliado pelas duas horas
em que se mantiveram atentos ao visionamento do vídeo em condições de
algum ruído de fundo, visto se continuar com o bar aberto.
O desejo de participar no debate foi patente e todas passoas intervieram
com maturidade e ponderação, ao longo do debate. Os jovens têm interesse
pelo anarquismo não como «coisa de passado histórico»; querem aprender
mais porque têm um sentimento profundo de simpatia pelo ideal libertário,
mesmo quando hesitam em se envolver com grupos concretos organizados.
No final, foram distribuidos alguns exemplares do jornal A BATALHA, que
"não chegaram para as encomendas"!

Manuel Baptista


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