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(pt) Histórias classistas do anarquismo no Brasil e RGS

Date Thu, 18 May 2006 15:09:22 +0200 (CEST)


[de anarkismo.net]
por secretaria de formação - FAG
secretariafag(at)vermelhoenegro.org
Solidariedade operária; democracia de base; internacionalismo; ação
direta; táticas de greve, boicotagem e sabotagem; combate ao burocratismo
e corporativismo sindical; independência de classe; anti-capitalismo;
favorecimento de uma cultura de emancipação são princípios que vão
caracterizar o sindicalismo de orientação libertária em todo o mundo. No
Brasil a atuação dos anarquistas se deu predominantemente dentro de
organizações operárias de orientação sindicalista revolucionária e em
grupos específicos libertários destinados à propaganda e em alguns casos,
à articulação da atividade no movimento operário.
---------------------------------------------------------------------

Histórias classistas do anarquismo no Brasil e RGS
Presença anarquista na luta de classes do princípio do século XX
Nascente classe operária brasileira
As condições que envolviam o trabalho industrial no período de final do
século XIX e início do século XX eram das mais precárias. Fábricas em sua
maioria que não tinham sequer janelas, jornadas médias de 14 horas por
dia, por 6 dias da semana, salários baixíssimos. Não havia indenização por
acidentes de trabalho e ao envelhecer o trabalhador não contava com
aposentadoria. Grande parte da força de trabalho era constituídas por
crianças com cinco anos ou menos. As crianças eram freqüentemente
espancadas. Em 1920, 50% dos operários têxteis do país eram formadas por
mulheres e crianças com menos de 14 anos de idade.
Mais da metade das indústrias brasileiras estavam concentradas no eixo
Rio-São Paulo. De um total de 275 000 operários em 1920, 84 000 estavam em
São Paulo, 56 000 no Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul vinha em
terceiro com 25 000 trabalhadores na indústria. Grande parte destes
contigentes era formado por imigrantes europeus.
Foi predominantemente os anarquistas que organizaram os primeiros
sindicatos no Brasil e através de sua prática combativa arrancaram
conquistas operárias de uma classe dominante acostumada a tratar os
trabalhadores como escravos. Com a abolição da escravatura a classe
dominante iria promover uma política racista de branqueamento da população
incentivando a imigração para o país. O que não contava é que estes
imigrantes pobres, principalmente de origem italiana e espanhola traziam
na bagagem as experiências de luta em seu país. A classe dominante então
tratou de criar o estereótipo do agitador estrangeiro, ?flor exótica?, que
vinha trazer suas ?idéias venenosas? aos trabalhadores brasileiros de
?índole pacífica e cordial?. No entanto a ocorrência de greves em cidades
como Recife e Salvador, onde a presença imigrante era insignificante vinha
a desmentir esta afirmação.

No Rio Grande do Sul, peleias com a social-democracia
O final do século XIX representou para o Rio Grande do Sul grandes
transformações. Entre 1872 e 1890 a população dobrou, as cidades cresceram
e tem início um significativo crescimento industrial. As primeiras
indústrias vão se localizar nos principais centros urbanos, como Porto
Alegre, Rio Grande e Pelotas, e depois nos núcleos coloniais como Caxias
do Sul e São Leopoldo. Da última década do século XIX até os anos 20 temos
uma mudança gradativa no perfil estritamente agropecuário do estado para
um perfil urbano e industrial.
Até então a organização operária se restringia à associações mutualistas,
que serviam para reunir fundos destinados a dar assistência aos
trabalhadores em caso de doença ou velhice, por exemplo. No entanto não
eram organizações que reivindicassem esses e outros direitos aos patrões.

Nestes anos a imigração que chega ao Rio Grande do Sul é predominante de
origem alemã, cujas posições políticas eram predominantemente ligadas à
social-democracia daquele país. Assim vemos as associações operárias desta
época, e até a primeira década do século seguinte, com forte influência
desta corrente. O seu grande objetivo é que os operários formassem um
partido para concorrer com seus candidatos próprios.

Em 1892, pela 1º vez no Brasil, é realizado o ato de Primeiro de Maio,
reunindo a massa operária na Praça da Alfândega em Porto Alegre,
impulsionado por anarquistas.

Em 1894 é fundado em Porto Alegre o Grupo dos Homens Livres, que reunia
anarquistas na maioria de origem italiana. Alguns vinham da Colônia
Cecília no Paraná. Se encontravam, entre outros, Giovanni Rossi e Gigi
Damiani, que junto com o médico Frederico Geyer fundam o jornal libertário
?A Luta?.

Em janeiro de 1897 é organizado o Primeiro Congresso Operário do Rio
Grande do Sul. Os anarquistas intervêm no Congresso participando como
?Grupo Libertário?, que propõe a utilização do método do boicote, que é
aceito pelo Congresso.

Em 1905 é fundada a União Operária Internacional, que funcionaria como uma
espécie de braço sindical do Grupo dos Homens Livres, reunindo aqueles
sindicatos de orientação anarquista. As polêmicas entre anarquistas e
sociais-democratas vão se tornando mais acirradas, na medida em que se
intensifica a atuação libertária. No primeiro de maio de 1906 em Porto
Alegre, enquanto o grupo social-democrata mantêm o estilo festivo das
comemorações, os anarquistas defendem a promoção de atividades de cunho
contestatório.

Neste ano dá-se a fundação do jornal anarquista A Luta, retomando o nome
daquele do final do século 19. Tem como editores Polidoro Santos, José Rey
Gil (que havia rompido com os reformistas) e Reinaldo Gayer. Este jornal
irá travar grandes polêmicas com a social-democracia e seus jornais A
Democracia e O Avante, em especial na defesa da organização autônoma dos
sindicatos, no afastamento dos trabalhadores da política partidária e da
defesa da boicotagem. Por isso os anarquistas e outros simpáticos à essas
propostas se definiam muitas vezes simplesmente como sindicalistas.

Ainda neste ano é fundada e mantida pelos anarquistas a Escola Eliseu
Reclus, na mesma sede de A Luta (localizada na Rua das Andradas nº 64). Os
anarquistas tinham suas divergências com os ditos socialistas também no
que tange à educação, pois defendiam uma forma autônoma de educação do
operariado e seus filhos, impedindo a intervenção do Estado e da classe
patronal nos conteúdos ministrados.

Em São Paulo
Em São Paulo a militância libertária e sindicalista iria se agrupar em
torno do jornal O Amigo do Povo, que passou a circular em 1902, tendo
Edgar Leuenroth, Neno Vasco, José Sarmento Marques e Giulio Sorelli entre
seus militantes mais combativos. De 1903 a 1905 se daria a proliferação
das ligas de resistência, que em 1905 se agrupam para constituir a
Federação Operária de São Paulo. Por outro lado haviam militantes
anarco-comunistas que criticavam os aspectos reformistas do sindicalismo,
entre eles Gigi Damiani, Oreste Ristori, Alessandro Cerchiai, Angelo
Bandoni e Florentino de Carvalho. O grupo, surgido em torno do jornal
libertário Il Risveglio, de 1889, iria se firmar em 1904 com o jornal La
Bataglia.
No 1º de maio de 1907 convocado pela FOSP várias categorias entram em
greve, mas a repressão policial que se segue é grande, fechando a FOSP,
prendendo os militantes mais combativos. Apesar de não ter trazido
conquistas econômicas, houveram conquistas morais e éticas pela avaliação
dos anarquistas, por ter rompido a indiferença dos operários.

O 1º Congresso Operário Brasileiro
Por iniciativa do movimento operário carioca e impulsionado
predominantemente pela militância anarquista, após intensa troca de
circulares e propaganda, este congresso se realiza nos dias 15 a 20 de
abril, no Rio de Janeiro, com a participação de cerca de 50 organizações
operárias. Entre as deliberações destacam-se:
Fundação da Confederação Operária Brasileira (COB);
Criação do jornal A Voz do Trabalhador;
Abolição das organizações operárias toda forma de atuação
político-partidária: o Congresso aconselhava o proletariado a ?por fora do
Sindicato a luta política especial de um partido e as rivalidades que
resultariam na adoção, pela associação de resistência, de uma doutrina
política ou religiosa, ou de um programa eleitoral?;
Organização das mulheres nos sindicatos;
Combate da exploração do trabalho infantil;
Criação de escolas laicas para os sócios das associações operárias e seus
filhos;
Não admissão de função remunerada para cargos no sindicato, a não ser em
casos de necessidade absoluta. Neste caso, o salário não deverá ser
superior ao normal da profissão e deve-se dar preferência aos sócios
inutilizados pelo e para o trabalho;
Não concessão de títulos honoríficos e de distinção de espécie alguma; Não
admissão de sócios não operários;
Priorização da luta pelas 8 horas de trabalho;
Priorização do sindicato de resistência ao cooperativismo e a
beneficência, pelo fato destas serem ?a cargo do operariado, facilitando
mesmo ao patrão a imposição das suas condições?; contribuindo a ?embaraçar
a ação da sociedade, que falta inteiramente ao fim para que fora
constituída a resistência?.
Combater o militarismo;
Lutar pelo recebimento em dia dos salários.
O Congresso aprova uma moção em que ?considera como único método de
organização compatível com o irreprimível espírito de liberdade e com as
imperiosas necessidades de ação e educação operária o método federativo, a
mais larga autonomia do indivíduo no sindicato, do sindicato na federação
e da federação na confederação e, como unicamente admissíveis simples
delegações de função sem autoridade.?
O Congresso também aprova a deflagração de uma greve geral para a
conquista das 8 horas de trabalho para o dia 1º de maio de 1907. Iniciada
em São Paulo, esta estende-se rapidamente a outros estados, sendo
brutalmente sufocada pela polícia.

A Greve dos 21 dias
Em outubro de 1906 ocorre uma greve generalizada em Porto Alegre, que
inicia no dia 1º com a categoria dos marmoristas (cujo direção era
anarquista) pelas 8h de trabalho.
Os sociais-democratas Francisco Xavier da Costa e Carlos Cavaco convocam
reuniões onde se decide a fundação da Federação Operária do Rio Grande do
Sul. Esta, no entanto, ?toma parte (da greve) apenas como elemento
decorativo?, segundo o anarquista Polidoro Santos.

A cidade vive momentos de grande agitação. O policiamento é ostensivo, são
já cerca de 5000 em greve e os piquetes para impedir os fura-greves são
frequentes. No dia 9 os operários se pronunciam contrários a proposta de
9h diárias proposta pela patronal e mantêm-se em greve. A polícia faz
várias prisões. A patronal não consegue ficar muito coesa e alguns são
obrigados a ceder frente a força dos operários.

Não havia consenso sobre os rumos da greve no movimento operário. Nos dias
18, 19 e 20 os jornais fazem pressão para que a greve acabe, noticiando a
volta de alguns operários ao trabalho, onde seriam carinhosamente
recebidos pelos patrões, que por mal inspirados haviam abandonado. A greve
termina oficialmente no dia 21.

Os anarquistas criticaram os socialistas por terem influenciado o fim da
greve sem que as reivindicações fossem alcançadas. Além disso denunciavam
que, ao contrário do que os jornais pregavam, existiam perseguições contra
os grevistas no retorno ao trabalho. A categoria dos marmoristas continuou
em greve até a vitória das 8 horas.

No início algumas associações operárias, aquelas de influência anarquista,
se recusam a ingressar na FORGS, divergindo da orientação
social-democrata, ou ?socialista?, como se dizia. Entre eles estão o
Sindicato dos Marmoristas, a União Operária Internacional, o Grêmio de
Artes Gráficas e a Escola Eliseu Reclus.

Anarquistas na FORGS
Enquanto os sociais-democratas se aproximavam cada vez mais do Partido
Republicano Riograndense, os anarquistas iam aumentando sua força no
movimento operário. Em 1911 o diretor de o Echo do Povo escreve para
Borges de Medeiros para changuear um cargo na Assembléia ? ?a classe
proletária também merece ter um representante seu na Assembléia Estadual,
que se comprometa a agir dentro das normas do Partido que V. Ex.
exemplarmente dirige, e que tem elevado o Estado do RS a esfera dos
primeiros da Comunhão Brasileira.?.
De fato, de 1912 a 1930 a principal figura da social-democracia da época,
Francisco Xavier da Costa será Conselheiro Municipal pelo PRR.

Em março de 1911 a chapa dos anarquistas ganha a eleição da diretoria da
FORGS, levando à novas adesões à entidade de um lado, e a saída das
associações fiéis ao socialistas de outro. É escolhido Lucidio Marinho
Prestes presidente, Polidoro Santos, secretário e Carlos Nogueira de
Oliveira, tesoureiro. Lucidio Marinho teria aderido ao anarquismo nesta
época, tendo anteriormente militado com os socialistas. O anarquista
Polidoro Santos relatou que as entidades não participavam anteriormente
porque a FORGS levava uma ?vida quase apagada alimentada por pessoas que
tinham mais amor aos seus interesses pessoais que à coletividade operária,
e por isso esperavam ocasião azada para por em prática alguma tentativa de
bons resultados políticos?.

A FORGS partia para seu período de maior atividade. Publica jornais (A Voz
do Trabalhador e Aurora), realiza comícios e excursões de propaganda pelas
cidades do interior, estimula a criação de escolas, teatros, bibliotecas e
salas de leituras e fornece seu decisivo apoio às lutas dos trabalhadores.

As Lutas contra a Carestia
Em São Paulo o operariado voltava à um período de agitação com as
comemorações do 1º de Maio em 1912 organizadas por anarquistas e
socialistas e a agitação promovida pelo Comitê de Agitação contra a
Carestia de Vida, seguindo-se várias greves. No mesmo ano a FORGS também
realiza, na Praça Senador Florêncio, um comício para protestar contra a
carestia de vida. Encerrando o comício a multidão desfilou pela Rua das
Andradas e depois dirigiu-se à sede da FORGS.
O Congresso Pelego
O governo começava a ensaiar os primeiros passos no seu propósito de
domesticar o movimento operário, quando em novembro de 1912 é convocado o
?4º Congresso Operário Brasileiro? (não se sabe quais congressos se
considerava serem o 2º e o 3º). Idealizado pelo deputado e tenente Mário
Hermes e seu pai, o presidente marechal Hermes da Fonseca, o Congresso
oferecia aos operários passagem e estadia pagas. O Congresso decide fundar
a Confederação Brasileira do Trabalho que não foi além da criação de seus
estatutos.
O 2º Congresso Operário Brasileiro
Sob intensa campanha contra a lei de expulsão de estrangeiros, o 2º
Congresso se realiza nos dias 8 a 13 de setembro de 1913. Este ratifica os
pontos aprovados no 1º Congresso e avança a discussão sobre a organização
do operariado, aprovando a moção denominada ?Mecanismos de Organização
Federativa do Operariado?. Entre os muitos ?considerandos? que justificam
as normas aprovadas, percebe-se o forte conteúdo libertário: ?(...)
considerando que a evolução histórica se realiza no sentido da liberdade
individual; que esta é indispensável para que a liberdade social seja um
fato;, que esta liberdade não se perde sindicalizando-os com os demais
produtores e, ao contrário se aumenta, pela intensidade e extensão que
adquire a potencialidade individual; que o homem é sociável e
consequentemente, a liberdade de cada um não se limita pela do outro,
segundo o conceito burguês; ao contrário, a liberdade de cada um se
completa com a liberdade geral (...)?
Entre as moções aprovadas pelo Congresso se encontra o voto de
solidariedade à revolução em curso no México.

Atividades de caráter cultural e educativo.
Especialmente nas duas primeira década do século XIX, o movimento operário
gaúcho passa a contar com vários instrumentos culturais, educativos e
esportivos para a união da classe.
Na União Operária de Rio Grande, entre outras atividades, se realizavam
peças teatrais de autoria da libertária Agostina Guizzardi desde o ano de
1905. A militância anarquista buscava utilizar o teatro como meio
educativo de propagação de ideais, utilizando temas relacionados à luta de
classes, valores e costumes, com o fim de atingir o maior número possível
de trabalhadores. Apesar dos esforços das associações operárias em fundar
escolas e bibliotecas, o acesso aos livros era limitado devido ao
analfabetismo, o custo dos livros e a falta de traduções de obras
teóricas, assim como à longa duração das jornadas de trabalho.

A busca de uma educação destinada aos operários e seus filhos, livre da
ideologia do Estado e da Igreja era também uma preocupação que motivou
anarquistas em diversas partes do mundo a criar as Escolas Modernas ou
Racionalistas, inspiradas nas idéias defendidas pelo educador espanhol
Francisco Ferrer. Com concepções inovadoras, como o ensino laico, a
educação mista de meninos e meninas e a ênfase no aprendizado através da
prática, as escolas operárias foram uma experiência de grande importância
no campo da pedagogia.

Uma das precursoras no Brasil, senão a primeira, é a professora Malvina
Tavares. Natural de Encruzilhada do Sul, se formou professora em Porto
Alegre e foi lecionar no ano de 1899 em São Gabriel da Estrela, distrito
de Lajeado, hoje Cruzeiro do Sul, onde estabeleceu sua escola. A sua
pedagogia libertadora rendeu bons frutos. Entre seus alunos estavam os
irmãos e irmãs Martins: Henrique (que depois adotaria o pseudônimo Cecílio
Vilar), Nino, Armando, Espertirina, Eulina, Dulcina e Virgínia, que iriam
se tornar ativos (as) militantes anarquistas.

Desde 1913 a FORGS manterá em sua sede uma escola onde ensina-se primeiras
letras, desenho e música; e periodicamente são realizadas preleções sobre
assuntos religiosos, filosóficos, sociais e científicos. As aulas são
frequentadas por adultos e crianças e mantida com contribuições
voluntárias dos alunos e sócios das associações federadas.

Nos princípios de 1914 é inaugurada no bairro operário de Navegantes a
Escola Moderna, para adultos e crianças. Em 1915 é fundado, por Polidoro
Santos, Cecílio Vilar, Zenon de Almeida, Djalma Feterman e outros, o
Instituto de Educação e Ensino Racionalista. Localizada na rua Ramiro
Barcelos, ficava na então chamada Colônia Africana onde viviam
predominantemente negros e judeus pobres. Esta escola chegou a ter cerca
de 400 alunos, de ambos os sexos.

Tais escolas, fundadas e mantidas pelos operários, estavam integradas à
todo um ambiente de luta e criação de consciência de classe. Isto pode ser
ilustrado através de uma notícia veiculada em maio de 1919 no Correio do
Povo, que informa que nas comemorações do 1º de maio a passeata operária
parou na frente da Escola Moderna e ali foi saudada por seus alunos e a
professora Dorvalina Ribas com o hino Porvir, ao qual os trabalhadores
responderam cantando o hino Filhos do Povo.

Muitas outras atividades culturais e educativas foram desenvolvidas.
Infelizmente muito do que foi produzido foi destruído pela repressão
policial.

Cresce o movimento em Pelotas
Em Pelotas começa a funcionar a partir de 1914 o Centro de Estudos
Sociais, que funcionava na sede da Liga Operária e do qual participavam
vários militantes anarquistas. Neste fundou-se o Grupo Iconoclasta, que
ira reunir e organizar a atuação dos anarquistas. Este grupo seria o
responsável pela publicação A Luta.
No mesmo ano são fundados o Ateneu Sindicalista Pelotense e o Grupo de
Teatro Social 1º de Maio, ambos ligados ao atuante grupo Iconoclasta. No
mesmo período também é organizado o Centro Feminino de Estudos Sociais de
Pelotas.

As Greves de 1917
O ano de 1917 foi tomado por grandes greves em todo o país. A elevação da
carestia de vida, crise do trabalho, elevação dos preços, maior exploração
do trabalho infantil e feminino são alguns dos fatores que contribuíam
para o aumento da mobilização dos operários.
O encarecimento dos produtos de primeira necessidade, em especial dos
alimentos, era atribuído à ação dos açambarcadores, cujos agentes
percorriam o interior do estado comprando toda a produção e armazenando-a
para a exportação. Os gastos com a alimentação consumiam cerca de dois
terços dos gastos domésticos.

O combate ao trabalho infantil foi eleito uma das principais bandeiras de
luta do Centro Libertário de São Paulo, em março de 1917. Em março e abril
se realizariam vários comícios do Comitê Popular de Agitação contra a
Exploração de Menores nos bairros operários.

A participação operária era expressiva nos comícios e no 1º de Maio. O
passo seguinte era organizar ligas de resistência nos bairros onde
residiam os trabalhadores. A primeira é criada em maio na Mooca. Iniciam
movimentos por aumento salarial e melhorias nas condições de trabalho.

Pelos meses de maio e junho várias fábricas de tecidos entram em greve. Os
anarquistas deflagram um campanha com o lema ?Toda solidariedade aos
grevistas?. Os embates entre a polícia e os grevistas são freqüentes. Num
destes conflitos, é assassinado o jovem sapateiro anarquista José Ineguez
Martinez, em 9 de julho. A partir daí a greve vai se alastrar rapidamente
pela cidade, tomando o operariado de uma forte comoção e disposição para a
luta.

No mesmo dia da tragédia, à noite, o grupo de editores dos jornais
anarquistas Guerra Sociale e A Plebe, os militantes do Centro Libertário
de São Paulo, os socialistas do jornal Avanti e do Centro Socialista de
São Paulo e os representantes das ligas operárias, das corporações em
greve e de associações político-sociais se reúnem no Centro Libertário
para discutir os rumos da greve. Então se decide constituir o Comitê de
Defesa Proletária (CDP). Edgar Leuenroth assume o papel de secretário do
CDP com o pseudônimo Frederico Brito.

O CDP decide transformar o enterro numa grande manifestação popular. Este
ocorre no dia 11 de julho, sob intenso frio e chuva. Na cerimônia fúnebre
vários oradores falaram, protestando contra a violência policial, pedindo
a soltura dos grevistas presos, clamando pela liberdade de organização e
exigindo a reabertura de duas entidades de orientação anarquista fechadas
pela polícia, a Liga Operária da Mooca e a Escola Nova.

O CDP desde aí manteve-se permanentemente reunido de forma clandestina
para evitar represálias da polícia, coordenando os rumos da greve e
divulgando os acontecimentos ocorridos em São Paulo através de circulares
enviadas ao interior do estado à COB. Solidariedade seria a sua palavra de
ordem e a greve geral sua bandeira de luta. Diversas categorias
responderam ao apelo da CDP e em 11 de julho o nº de grevistas chega a
vinte mil. Neste dia se realiza um comício com cerca de 3 mil pessoas na
Praça da Sé, pedindo o direito de associação e liberdade para os presos. A
noite em reunião clandestina do CDP com representantes de 36 associações
operárias e de várias comissões de greve se decide agrupar em um único
memorial as reivindicações comuns a todas as categorias, como também da
população em geral. Quando a pauta de reivindicações se tornou pública em
12 de julho, São Paulo parou. Por três dias as atividades industriais,
comerciais, serviços e transporte ficaram paralisados. Cerca de 100 mil
trabalhadores estavam em greve. A greve repercute no interior do estado e
nas principais cidades brasileiras, de onde as agremiações brindam seu
apoio moral e financeiro. Em Santos a UGT decreta greve geral em
solidariedade à greve de São Paulo.

No dia 15 os representantes do poder público e alguns industriais cedem às
reivindicações. No dia 16 a CDP convoca 3 comícios em locais diferentes da
cidade para deliberar sobre sua proposta de aceitar o acordo. Num deles
compareceram mais de 10 mil pessoas. Nos três comícios os trabalhadores
votaram e aprovaram a ?Ordem do Dia do CDP? de retomada ao trabalho nos
estabelecimentos onde os patrões aceitaram as bases do acordo e a
manutenção nos demais lugares. Comemorada as vitórias obtidas ao som da
Internacional, a greve obteve antes de tudo a conquista da confiança dos
operários em suas próprias forças.

Logo as greves se estenderiam também pelo Rio de Janeiro, Curitiba e
cidades do sul do Paraná, com ocorrência de violentos choques com a
repressão.

No Rio, desde o início do ano estavam sendo promovidas intensas campanhas
contra a carestia de vida, impulsionados pela FORJ, criada em 1906 e pelo
Centro Libertário. Em janeiro é criado o Comitê Central de Agitação e
Propaganda contra a Carestia e o Aumento dos Impostos, que passa a
coordenar as manifestações na cidade e nos subúrbios onde são instalados
sub-comitês. Em fevereiro são realizados uma série de comícios, apesar da
proibição policial. O período é de organização e reorganização sindical e
entre março e junho várias categorias se organizam. Em maio se dá uma
greve de uma Fábrica de Tecidos e ocorrem choques com a polícia.

Mas é em 7 de julho, quando o trágico desabamento do NY Hotel causa a
morte de dezenas de operários, era o que falava para acirrar o
descontentamento dos operários. O sindicato da construção civil encabeça
um movimento que faz do enterro das vítimas um ato de protesto. Embalados
pelas notícias de São Paulo, a greve é decidida em 17 de julho, e logo se
generaliza. A FORJ elabora um programa semelhante ao do CDP, mas incluindo
ainda a fixação do salário mínimo e salário igual para homens e mulheres.
Em agosto a polícia fecha a FORJ. Algumas categorias obtêm conquistas. O
movimento operário carioca iria viver o seu grande momento no ano
seguinte.

A Guerra dos Braços Cruzados
No Rio Grande do Sul os primeiros incidentes se dão quando em Santa Maria
um grupo de ferroviários da Viação Férrea do RS se apossa de uma
locomotiva e percorre a linha de Marcelino Ramos propagandeando a greve.
No dia 29 de julho circularia amplamente um protesto que denunciava a
exploração dos trabalhadores pela administração da ferrovia.
Em Porto Alegre, a greve é deflagrada em 31 de julho e termina em 4 de
agosto, posteriormente às greves nos outros estados. Sua principal
motivação é a carestia, especialmente dos gêneros alimentícios.

A atuação dos anarquistas na greve começa um mês antes pela busca de
revigoração da União Operária Internacional, que consta que em algum
momento entre 1915 e 17 havia deixado de existir. Em Porto Alegre os
anarquistas não agiam conjuntamente com os sindicatos existentes, mas em
seu interior. A UOI, reorganizada com elementos de todas as categorias
começou a agir no interior de cada sindicato e da própria FORGS para
convocar uma mobilização popular contra a carestia.

No dia 29 de julho se convoca uma reunião da FORGS, com a presença de mais
de 500 pessoas. A reunião não é aberta pelo então presidente da FORGS, o
tipógrafo Ezequiel Oliveira, mas pelo delegado da UOI, o pedreiro Luiz
Derivi, passando então a palavra a Cecílio Vilar. Ambos os discursos
combatiam uma posição, provavelmente a que ocupava os cargos da
administração de então da FORGS, contrária a greve. Nessa reunião é
nomeada a Liga de Defesa Popular, que iria organizar toda a mobilização.
São nomeados Cecílio Vilar, Luiz Derivi e Salvador Rios, que escolheriam
dois membros de cada associação filiada para compor a Liga.

A pauta de reivindicações inclui, de modo geral, medidas para diminuição
dos preços dos alimentos e artigos de primeira necessidade, da água,
aluguel e bondes; aumento dos salários, jornada de 8 horas de trabalho e
de 6 horas para mulheres e crianças.

No dia 30 boletins da FORGS e do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e
Classes Anexas, distribuídos e afixados em postes no Campo do Bomfim,
convocam os trabalhadores para uma concentração pública na Praça da
Alfândega para o dia seguinte. A LDP havia preparado um comício para
publicizar a greve no dia 31 de julho.

Ao meio-dia os ferroviários do RS se declaram em greve, o que já
condicionou a paralisação do alto comércio neste dia. Na tarde do dia 31
já estavam em greve as estações de PoA, Santa Maria, Rio Grande, Bagé,
Gravataí, Passo Fundo, Couto, Cacequi e Rio Pardo. O inspetor da Viação
Férrea promete despedir todos os grevistas, passa a admitir funcionários
não especializados e solicita a imediata intervenção das tropas militares.

Uma hora antes do comício já era intenso o movimento de populares na praça
da Alfândega, em PoA. Meia hora depois chegava o policiamento, com mais de
120 homens da BM, Piquete da Chefatura de Polícia, Escolta Presidencial,
Polícias Administrativa e Judiciária.

O comício foi aberto por Luiz Derivi e contava com a participação de cerca
de 4000 a 5000 pessoas e forte reforço policial. O orador mais saliente
foi Cecílio Vilar, falando sobre os motivos da convocação do meeting e as
causas da carestia: ?o momento não é para conciliações, e de luta. A luta
mais justificável, a luta pela vida. Os operários devem se erguer como um
só homem, para sair as ruas e conquistar o pão que nos está sendo roubado
e a fim de protestar contra a exploração de que é vítima a classe
trabalhadora?.

Entre 31 e 4 de agosto a vida urbana em Porto Alegre foi completamente
alterada. Participaram da greve pedreiros, padeiros, trapicheiros e
estivadores, trabalhadores da Cia Força e Luz, operários têxteis,
carroceiros, caixeiros, choferes, tipógrafos, entre outros. Estimativas
apontam para cerca de 30.000 grevistas em PoA.

No dia da deflagração da greve se reuniu a União dos Condutores de
Veículos, decidindo a aderência da categoria. Estes trabalhadores
passariam a controlar o tráfego na capital. No dia 1º de agosto o diretor
da Santa Casa dirige-se à FORGS para solicitar providências no sentido de
manter o fornecimento de gêneros à casa de saúde. Foram fornecidos ao
diretor dois salvo-condutos, assim como ao Hospício São Pedro e Asilo da
mendicidade, e estaria livre a venda de gêneros as residências onde
houvesse doentes. No salvo-conduto, em cujo topo lia-se ?Justiça? em
vermelho, constava também que ?O portador do presente tem plena
autorização da Liga de Defesa Popular para conduzir carne verde e outros
artigos destinados aos doentes da Santa Casa?. Sem o documento não havia
circulação de carroças.

No dia 2 de agosto se dá uma ocupação militar da estação de Santa Maria.
Em represália, os grevistas arrancam trilhos, derrubam pontes e bloqueiam
a via com dormentes e postes telegráficos em vários pontos do estado.
Alguns trens passam a circular guarnecidos por tropas. Em Passo Fundo há
violentos choques entre ferroviários e forças militares.

Neste mesmo dia é convocada uma manifestação pública para pressionar o
governo, cujos locais de concentração seriam a FORGS e a Praça dos
Navegantes. A manifestação se dirigiu ao palácio do governo estadual, onde
uma comissão da LDP, composta por Luiz Derivi, Cecílio Vilar e Zenon de
Almeida é recebida pelas autoridades. Borges de Medeiros declara que
decretaria medidas de controle da exportação e atenderia a questão de
horas de trabalho e salários para os empregados do estado. A comissão saiu
do palácio e comunicou aos já estimados 5000 manifestantes os intentos do
governo estadual e municipal. Após as promessas de Borges a greve não
declinou e tampouco tornou-se mais ?pacífica?.

A partir daí aumenta a pressão pelo fim da greve tanto pela imprensa como
pela polícia. No dia 3 o Chefe de Polícia ameaçou proibir os meetings e as
reuniões em praças públicas, e a partir da tarde são proibidos os
?ajuntamentos?. A cidade se assemelhava à uma praça de guerra, em todos os
recantos suspeitos haviam pelotões de infantaria e patrulhas de cavalaria
cruzavam com freqüência. Nessas condições, sem possibilidade de
manifestações, a greve se reduziria ao confronto patrão-empregado. Durante
todo o dia 4 são feitas reuniões na sede da FORGS avaliando a situação, e
às 23h a LDP publica um boletim anunciando o fim da greve e
comprometendo-se a apoiar as categorias que ainda se mantivessem
paralisadas. Se manterão ainda paralisados estivadores, padeiros,
alfaiates, sapateiros, chapeleiros, pedreiros e carpinteiros, calceteiros
e canteiros, operários de fábricas de móveis e operários de fábricas de
meias.

No dia 5 de agosto chega ao fim a greve dos ferroviários, diante da
violenta intervenção das tropas federais, e sem nenhuma reivindicação
conquistada devido a intransigência da direção da Viação Férrea,
controlada na época por uma concessionária belga.

Em relação a totalidade das reivindicações, pode-se dizer que houve
vitória parcial dos trabalhadores.

Muitos militantes anarquistas tiveram que sair de Porto Alegre devido às
perseguições resultantes de sua atuação na greve. Isso, mais o fato de
alguns terem encarado a atitude de Borges de Medeiros durante a greve como
?paternalista? fez com que ganhasse influência na FORGS um grupo pró-PRR,
que ganha a direção da entidade em 1918. Nessa época Francisco Xavier da
Costa já era conselheiro municipal pelo partido. Os sindicatos de
influência libertária se afastam ou são afastados da FORGS e constituem a
União Geral dos Trabalhadores. Mas essa direção se afastaria já em julho
de 1918.

Greves no interior do estado
Em Pelotas a greve geral é deflagrada em 4 de agosto e não obtêm tantas
conquistas. Entre as reivindicações estavam medidas contra a carestia,
regulamentação da jornada de trabalho de 8 horas, 6 horas para mulheres e
menores e proibição do trabalho de menores de 14 anos. Nos moldes da LDP,
funda-se um Comitê de Defesa Popular.
Uma passeata realizada no centro da cidade culmina com um comício na Praça
7 de julho. Durante o comício ocorre violenta intervenção policial,
provocando tiroteios entre grevistas e polícia municipal A seguir,
intervêm o Regimento de Cavalaria e o conflito vira uma verdadeira batalha
campal, que terá como resultado vários feridos de ambas as partes.

Em protesto, os operários se concentram, à noite, na Sede da Liga
Operária. Novamente a polícia intervêm. Os operários resistem e o chefe de
polícia tem seu cavalo abatido a tiros. Um funcionário da Intendência
Municipal é mortalmente ferido. Após muita luta, os grevistas são
desalojados do prédio da Liga Operária. A radicalização política das
lideranças operárias era bem maior que a que ocorrera em PoA. Um dos
boletins do Comitê chega a proclamar: ?Se tendes brio, sabeis repelir com
asco aqueles que vos bajulam, quando de vós precisam e que vos maltratam
quando servidos. Nada de voto; nada de urna!?.

As forças da BM e o próprio Chefe de Polícia deslocam-se para a cidade
para tentar mediar as negociações, não só entre patrões e empregados, mas
principalmente entre o Comitê de Defesa Popular e a Intendência Municipal.
A greve terminaria no dia 15 de agosto com a baixa dos preços de primeira
necessidade.

Também haveria greves importantes em Rio Grande, Passo Fundo, Santa Cruz,
Montenegro, Bagé e outros centros.

Devido ao não atendimento de suas reivindicações na greve anterior, em
outubro de 1917 é deflagrada nova greve dos ferroviários, que utilizam-se
de sabotagens e outras formas de ação direta. Em 20 de outubro soldados do
Exército alvejam ferroviários em Santa Maria, provocando grandes protestos
dos operários de Porto Alegre.

Greve Geral de 1918
No dia 21 de julho é deflagrada a greve geral pelas três entidades ? UGT,
FORGS e União Metalúrgica. As cinco reivindicações envolvem a ação do
Estado: diminuição do preço dos gêneros de primeira necessidade e da
passagem de bonde, regulamentação das 8 horas de trabalho, liberdade aos
operários canteiros que estavam presos, criação de lei de proteção à
acidentes no trabalho.
A imprensa ataca a greve dizendo ser um intento de ?sedição anarquista?.
Aderiram imediatamente motorneiros e condutores da Força e Luz, os
carroceiros e os choferes, paralisando totalmente o transporte urbano.
Calculou-se cerca de 1500 grevistas. São colocadas pedras e dinamites
sobre os trilhos de bonde. A greve foi rapidamente reprimida pelo governo,
com prisão de lideranças (mais de 15, inclusive da FORGS), proibição de
?ajuntamentos? em locais públicos, fechamento de entidades operárias,
ocupação militar da usina e dos bondes da Força e Luz. Após tais medidas
repressivas, começam a explodir bombas, nenhuma com grande potência. Se a
greve fracassara nos seus propósitos, por outro lado os anarquistas
recuperavam sua influência. Depois de mais ou menos dois meses de
negociações, se concretizou a fusão da FORGS com a UGT, adotando-se os
estatutos da última.

Em 1919 acontece outra greve generalizada em Porto Alegre onde ocorrem
muitos conflitos entre operários e forças repressivas.

Em outubro do mesmo ano haveria uma outra greve, dessa vez na cidade de
Rio Grande. No dia 1º os trabalhadores da Cia Francesa do porto,
encarregados da carga e descarga se declaram em greve. Reivindicam as 8h e
o aumento de 25% dos salários, e desejavam receber por dia e não mais por
hora. A greve se alastrou rapidamente, com adesão dos trabalhadores dos
bondes, oficinas e Usina Elétrica, deixando a cidade completamente sem luz
e sem bonde. O policiamento da cidade ia aumentando cada vez que novas
categorias entravam em greve, contando com praças das cidades vizinhas.

A repressão começou no dia 3 de outubro, quando a BM invadiu a sede da
União Operária, impedindo a realização de uma reunião. Os operários
enviaram um telegrama à Borges de Medeiros, cuja posição foi de que o
intendente municipal agisse de forma a sufocá-la. Em seguida foram presos
dois operários. No dia 5, a Cia Francesa cede aumento de salários para os
grevistas, e a greve se encaminha para o seu fim quando são libertados os
operários presos.

A insurreição de 1918 no Rio de Janeiro
Em janeiro de 1918 se organiza no Rio a Aliança Anarquista, organização
específica dedicada à propaganda. Em março é fundada a União Geral dos
Trabalhadores, em substituição à FORJ que havia sido fechada em 1917. Sob
estado de sítio a UGT organiza as comemorações do 1º de maio que ocorre
dentro de um Teatro devido à proibição de comícios e manifestações
públicas. Desde então ocorrem greves de várias categorias. Em agosto
ocorre greve da Cia Cantareira e da Viação Fluminense, por aumento
salarial, que paralisa os transportes de barcas entre Rio e Niterói e os
bondes, e a qual é sucedida pela greve de outras categorias ligadas ao
transporte, em solidariedade. Um conflito entre populares e a Força
Pública na Rua da Conceição em Niterói, com a adesão de alguns soldados,
abre perspectivas para uma insurreição.
Em Petrópolis a população faminta promove saques. Em setembro, a epidemia
da greve espanhola toma conta da cidade piorando a situação do operariado.
Em novembro a epidemia decai mas a população segue padecendo de fome.

No dia 18 de novembro os tecelões declararam greve simultânea nas fábricas
do Rio, Niterói, Petrópolis, Magé e Santo Aleixo. Também aderem
metalúrgicos e operários da construção civil. Este era o dia marcado para
uma insurreição que derrubaria o Estado, substituindo-o por um conselho
(soviet) de operários e soldados. No meio da tarde os trabalhadores
começaram a convergir para o Campo de São Cristóvão, onde a polícia dá
ordens para dispersar. Os trabalhadores reagem e segue um tiroteio. Duas
bombas explodem na delegacia e a multidão a invade. Pouco depois soldados
do Exército intervêm, desocupando a delegacia e dispersando os
trabalhadores, que pretendiam invadir a Intendência do Exército. O
conflito se estendeu às ruas vizinhas. Segundo Edgar Rodrigues, os
operários souberam que o levante havia sido traído e assim evitaram
atitudes extremas. Um militar havia se infiltrado no movimento,
participando de todas as reuniões e inclusive ficando responsável pela
estratégia militar do levante. O plano era que, após a tomada da
Intendência, os operários e militares revoltosos rumariam para o Centro e
atacariam a Prefeitura, o Palácio da Polícia, o Quartel da Brigada
Policial; enquanto na Zona Sul se atacaria o Palácio do Catete e a Câmara
dos Deputados.

No início da tarde haviam sido presos todos os ?cabeças? do movimento:
José Oiticica, Manuel Campos, Astrojildo Pereira, Carlos Dias, Álvaro
Palmeira, José Elias da Silva, João da Costa Pimenta e Agripino Nazaré,
que seriam deportados ou expulsos para outros estados do país. Cerca de
200 pessoas são detidas. Até o dia 21 seriam presos ao todo 78 militantes.
Na porta de uma fábrica a polícia mata o tecelão Manoel Martins e fere
outro operário, que viria falecer dias depois. O cortejo fúnebre, apesar
de proibido, é acompanhado por centenas de operários. Prosseguiria por
mais duas semanas a greve dos tecelões, metalúrgicos e da construção
civil. Dia 20 a sede destes sindicatos é fechada e a UGT é dissolvida por
decreto federal.

Greve em Rio Grande
Em 1919 acontece em Rio Grande uma greve de grande importância. Sua
principal reivindicação é a jornada de 8h sem redução de salário e
acréscimo de 50% na hora extra. A greve começou devido a troca do meio de
transporte para os trabalhadores da Cia Francesa, responsável pelo Porto
Novo. No dia 5 de maio, o bonde que iria para Cia. Swift foi para União
Geral dos Trabalhadores. Os trabalhadores tiveram o gosto de verem
conduzidos de bonde até sua sede, a despeito do patrão.
A greve generalizou-se, levando as autoridades a reforçar a polícia com
praças de outros lugares. Mesmo sendo importante a adesão de mais
categorias, o comitê central dispensou o apoio do pessoal da Usina de
Eletricidade, vendo que isto atrapalharia a população.

Os estivadores aderiram, no dia 6, mantendo a sua tradição combativa,
?sempre como um só homem disposto para o que der e vier?, conforme o
jornal rio-grandino O Nosso Verbo, de orientação libertária. No dia 7 foi
a Italo-Brasileira, oficinas mecânicas e a Viação Férrea. A greve agora é
quase geral.

Logo após começa a repressão através da censura dos serviços telegráficos,
impedindo a comunicação da UGT com associações de outras cidades. A
polícia começa com ações violentas contra um movimento que até então era
pacífico, quando atentou contra operárias que estavam em frente da
Rheingantz e da União Fabril, tentando dispersa-las a pata de cavalo no
momento em que estes declaravam greve. As mulheres reagiram e a ?polícia,
só porque estava armada, massacrou as operárias; caso o contrário teriam
apanhado?, segundo O Nosso Verbo. Também houve uma invasão à sede da UGT
por parte da polícia.

Outras categorias vão aderindo. No dia 8 acontece uma passeata com 3000
operários, entre mulheres e crianças. Ao passarem pela praça Tamandaré, um
sargento dá ordem para a dispersão, isso não ocorrendo, a BM põe-se em
posição de avanço sobre as operárias, e toma a bandeira da UGT. Não
contentes, os soldados descarregaram as armas na população. O resultado
foi um pedreiro(que estava apenas de passagem pelo local), que foi morto e
vários ferido. Dessa forma os operários se dispersaram, e parte deles se
reagrupou na sede da UGT e lá recomeçam os conflitos com a polícia, que
termina por lacrar a sede da entidade. Também sede da Sociedade dos
Marinheiros e Remadores, entre outras associações, foram fechadas. A
polícia vigiava os edifícios públicos federais, o Novo Porto, as estações
da Viação Férrea e a Usina Elétrica. Os operários contavam com o apoio dos
bombeiros que, ao serem intimados a vigiar a população, aderiram ao
movimento. O efetivo policial já contava com cerca de 90 praças e um navio
de guerra da Marinha.

O clima de tensão estava aumentando a cada momento, as autoridades
distribuíram um comunicado dizendo para a população não tomar parte de
nenhuma manifestação, e que qualquer manifestação será reprimida. Por
outro lado os grevistas pediam para que se mantivesse a luta: ?A polícia
semeou o vento que colheu a tempestade. É preciso ir até o fim. Não recuar
covardemente. Ninguém volte ao trabalho, que a vitória será certa. E que
cada uma faça o que puder e julgar conveniente para o triunfo de nossa
causa. Se a constituição é um farrapo e a liberdade de reunião uma
mentira, que se reúnam os grupos e ajam como puderem?.

Apenas no dia 14 algumas categorias começaram a voltar ao trabalho. Muitos
operários voltaram a trabalhar mas não mais no local onde trabalhava, pois
foram demitidos.

No dia 17 a imprensa noticia o fim da greve, e foram libertados operários
presos durante a greve. As chaves das associações operárias foram
devolvidas, bem como a bandeira da UGT que havia sido tomada durante a
passeata do dia 8. A greve trouxe o atendimento das reivindicações de
algumas categorias.

O 2º Congresso Operário do Rio Grande do Sul
Realizado nos dias 21 a 25 de março de 1920, o Congresso conta com a
participação de 30 associações operárias das cidades de Porto Alegre,
Santa Maria, Caxias do Sul, Rio Grande, Pelotas, Bagé e Santana do
Livramento. O Congresso aprova entre outras coisas a Declaração de
Princípios da FORGS, com forte conteúdo anti-capitalista e anti-estatal. O
3º Congresso Operário Brasileiro
O 3º Congresso acontece nos dias 23 a 30 de abril de 1920. Ratificando as
teses do 1º e 2º Congressos, entre outras resoluções, cria-se uma Comissão
Executiva com cinco seções regionais e cinco secretários excursionistas,
com objetivo de avançar a reorganização do movimento operário. Neste
Congresso se aperfeiçoam as orientações para a organização sindical
trabalhadas desde o 1º Congresso. (Ver nos anexos)
Participam associações do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná,
Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Pará, Mato Grosso e
Amazonas.

Também estava na pauta do movimento operário a questão que alguns vinham
propondo de formação de uma partido operário, contra o que a COB se opunha
veementemente. São interessantes as colocações de Neno Vasco, no Boletim
da Comissão Executiva do 3º Congresso Operário:
?(...) evidentemente o nome de ?partido operário? é usurpado e abusivo. Só
pode haver um partido operário: aquele que possa admitir em seu seio todos
os operários e só os operários, baseando-se sobre os interesses comuns a
todos e por todos compreendidos ou sentidos. para isso é preciso achar-lhe
um sólido terreno de acordo.
A base de acordo não pode achar-se nos interesses e idéias indecisos,
contraditórios e pouco compreensíveis da política e da religião. É um fato
que o acordo não existe nesses pontos, nem teria uma base segura sobre que
assentar-se.
A política parlamentar, por exemplo, divide os operários, que de política
se ocupam, em duas facções bem distintas: a dos partidários e a dos
inimigos da ação eleitoral e parlamentar. E entre os primeiros produz
ainda rivalidades de partido, de candidatos, de pessoas, as mesquinhas
intrigas que formigam na feira eleitoral.?

Colocando que um verdadeiro partido do trabalho, que realmente
representasse os interesses operários é o próprio sindicato e suas
respectivas federações e confederações, complementa que este ?é uma grande
e sólido partido, com base firme, formando-se de baixo para cima, do
simples para o composto. Não há comitês diretivos, não há cabeças ?
facilmente decapitáveis.. (...) Faz-se a educação mútua no sentido de
evitar que os indivíduos possam admitir chefes e depositar neles a sua
confiança, a sua iniciativa, ficando desorientados quando esses chefes são
empolgados pelo adversário.?

Crescimento das divisões no Movimento Operário e o 3º Congresso
As eleições estaduais de 1922 e a Revolução Assisista de 1923 tenderam a
criar mais divisões no movimento operário no RS. Há manifestos operário
contra e a favor dos candidatos Borges de Medeiros e Assis Brasil. Os
sindicalistas suspendem o funcionamento de alguns sindicatos para evitar
que sua atividade fosse apropriada por alguma das correntes em guerra
civil.
Os comunistas, que haviam fundado seu partido em 1922 mantinham colunas
nos jornais do PRR e da Liga dos Operários Republicanos. No entanto não
eram estes ainda os maiores concorrentes dos anarquistas, ao menos em
Porto Alegre, e sim os operários pró- PRR.

Em outros estados do Brasil essa disputa era intensa. Elvira Boni relata
que desde a fundação do PCB não se realizava assembléia que não acabasse
em discussão estéril, e muitas vezes em violência. O ponto de discórdia
girava quase sempre em torno dos rumos da revolução russa, das prisões
naquela país e de operários fuzilados.

Em 1925 se realiza o 3º Congresso Operário do Rio Grande do Sul expondo
ainda mais as divisões políticas. As atas registram pelo menos dois
incidentes em que há discussão com operários que queriam participar do
Congresso mas por serem ligados à partidos políticos são impedidos de
fazê-lo. Depois seguiam-se críticas à ditadura do proletariado e à
repressão sofrida pelos trabalhadores na Rússia. Neste Congresso também
ocorre a adesão à AIT, se constitui um Comitê pró- Presos Sociais, que na
época já constituem 1500 em todo o país, se discute a organização dos
trabalhadores rurais e a situação da mulher operária.

Aumento da repressão e a Colônia Penal da Clevelândia
A repressão policial iria atingir principalmente o movimento em São Paulo
e Rio de Janeiro. Prisões, deportações, torturas e assassinatos iriam ser
cometidos contra os operários, além de fechamento das sedes das
associações e até das escolas. Em Santos, os presos ficavam em solitárias
nus e sem alimentos e água por vários dias. Espancamentos, invasões de
moradia e outras violências eram freqüentes em São Paulo. A polícia também
montava as famosas ?bernardas?, que eram planos conspirativos que esta
mesmo inventava para poder envolver os militantes.
Sob o governo de Artur Bernardes (1922-1926) é criado uma espécie de campo
de concentração na Clevelêndia, localizada no extremo norte brasileiro
junto à Guiana Francesa, para onde eram mandados presos políticos e
sociais. Para lá foram mandados mais de 1000 ativos militantes operários,
sendo que mais de 500 não sobreviveram.

Um outro relato, escrito por Domingo Braz em setembro de 1925 dá mais
detalhes à situação à que estavam submetidos os deportados da Clevelândia.
(ver em anexo)

O 4º Congresso Operário do Rio Grande do Sul
Dizia-se que ?os libertários do Brasil estão entrincheirados no Sul?. Isto
porque o estado era o mesmo atingido pela repressão bernardista. No resto
do Brasil, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, a maioria das
associações operárias estavam fechadas e muitos dos militantes mais ativos
haviam sido presos ou deportados. Por isso busca-se a partir deste
Congresso um processo de reorganização da COB, e participam deste
associações e grupos libertários de São Paulo e Pará. Entre os temas do
Congresso há um informe sobre a campanha pela Libertação de Sacco e
Vanzetti que tinha feito a Federação Operária de Porto Alegre, realizando
trinta reuniões públicas.
O anarquismo pós-30
Getúlio Vargas reclamará para si a paternidade de todas as conquistas
obtidas pelos trabalhadores. ?Praticamente todas as conquistas hoje
condensadas na legislação trabalhista, e que o Estado, de forma
paternalista, diz ter concedido ao trabalhador, foram arrancadas uma a
uma, a custa de muito sangue e sacrifício, na luta cotidiana dos
operários?, diz Edgar Leuenroth, dando o exemplo das oito horas de
trabalho que fora conquistada pelos trabalhadores da construção civil
desde 1908.
Em 1934 os anarquistas ainda tem presença marcante na campanha
anti-fascista, protagonizando a Batalha da Praça da Sé em São Paulo contra
os integralistas e frustrando sua intenção de imitar a Marcha Fascista
sobre Roma. Com ousadia e astúcia revolucionária o russo Simón Radowitzky
e o espanhol Juan Pérez, ao perceberem a tocaia armada pelos ?galinhas
verdes? e as forças oficiosas contra a oposição popular tomam o controle
da situação ao se apropriar de uma arma posicionada estrategicamente pelos
integralistas.

Neste ano ainda se busca reorganizar a COB em um ato de 1º de maio
realizado na FOSP. O ato tem por oradores os ativos militantes Edgar
Leuenroth e Florentino de Carvalho.

Em 1935 após a intentona comunista, desencadeia-se uma feroz repressão com
muitas prisões. O golpe getulista de 1937, instalando a ditadura, coloca a
esquerda na clandestinidade e o anarquismo que só ressurge em 1945, com
uma atuação muito reduzida e predominantemente na área cultural.

Descenso do sindicalismo combativo e da incidência anarquista
Vários fatores contribuíram para que acontecesse o refluxo da organização
operária combativa que se conheceu naqueles anos. A forte repressão,
principalmente a partir de 1922, a ascensão do fascismo, a cooptação das
conquistas operárias e a hábil formação de lideranças pelegas pelo Estado,
as práticas comunistas no sentido de destruir toda organização operária
que não estivesse subordinada ao partido, entre outras.
Intimamente ligado a isso está o refluxo da incidência anarquista no
Brasil. Tendo a organização operária praticamente como seu único espaço de
atuação, com o seu desmantelamento a militância anarquista termina por se
dispersar e se enfraquecer. A falta de uma organização específica de
anarquistas, que pudesse permanecer no tempo independente do refluxo do
movimento operário e resguardar aquele saber adquirido em tantos anos de
luta é um fator de peso a se agregar a outros que contribuíram para o
descenso do anarquismo no Brasil.


FONTES PARA CONSULTA:

Literatura

- A GREVE DE 1917 ? AS ORIGENS DO TRABALHISMO GAÚCHO ? Miguel Bodea. LPM.
Porto Alegre, 1978. Embora o enfoque seja buscar as origens do trabalhismo
a partir de Borges de Medeiros, traz bastante informações sobre a Greve de
1917 em Porto Alegre e no interior e a greve nas ferrovias, além de dar
uma noção do panorama da política burguesa da época.
- PRIMEIRAS LUTAS OPERÁRIAS NO RIO GRANDE DO SUL ? João Batista Marçal.
Livraria do Globo. Porto Alegre, 1985. Retoma a história de várias
associações operárias.
- ANTOLOGIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO GAÚCHO ? Sílvia Petersen e Maria
Elizabeth Lucas. Editora da Universidade. Porto Alegre, 1992. Faz um
apanhado do período de 1870 a 1937, trazendo vários documentos e artigos
da época.
- POVO! TRABALHADORES! TUMULTOS E MOVIMENTO OPERÁRIO ? Adhemar Lourenço da
Silva Jr. UFRGS-IFCH, dissertação de mestrado. Porto Alegre, 1994. Relata
em detalhes a Greve de 1917 em Porto Alegre, entre outros acontecimentos.
É uma obra bastante extensa.
- ESTUDOS IBERO-AMERICANOS ? vários autores. PUCRS, revista do
Departamento de História. Porto Alegre, 1996. Diversos artigos sobre
diferentes aspetos do movimento operário, como relação com os partidos
políticos burgueses, o movimento em Pelotas e Rio Grande, participação das
mulheres, o anarquismo na família de Zenon de Almeida e Eulina Martins,
etc.
- OS ANARQUISTAS NO RIO GRANDE DO SUL ? João Batista Marçal. Unidade
Editorial Porto Alegre. Porto Alegre, 1995. Traz uma breve biografia sobre
vários anarquistas militantes do período de final do século XIX e início
do século XX.
- RIVALIDADES E SOLIDARIEDADES NO MOVIMENTO OPERÁRIO ? Isabel Bilhão.
EDIPUCRS. Porto Alegre, 1999. Fala especialmente das divergências entre
anarquistas e sociais democratas em Porto Alegre no período de 1906 a
1911.
- BREVE CONSIDERAÇÕES SOBRE A GREVE DE 1919 ? Francisco Vargas. Texto
sobre esta greve em Rio Grande
- O SONHAR LIBERTÁRIO ? Cristina Hebling Campos. Editora da UNICAMP.
Campinas, 1988. Fala do movimento operário no período de 1917 a 1921 em
São Paulo e no Rio de Janeiro.
- A SEMANA TRÁGICA ? Christina da Silva Roquette Lopreato. Museu da
Imigração. São Paulo, 1997. Fala da Greve de 1917 em São Paulo.
- MORAL PÚBLICA E MARTÍRIO PRIVADO ? Alexandre Samis. Editora Achiamé,
FERLAGOS e CELIP. Rio de Janeiro, 1999. Se refere à colônia penal de
Clevelândia, para onde foram levados vários anarquistas no governo de
Artur Bernardes.

VÍDEO

- LIBERTÁRIOS ? documentário que fala da participação de imigrantes
italianos anarquistas no movimento operário de São Paulo.
- ESTRUTURA SINDICAL NO BRASIL (1985) ? documentário bem interessante
produzido pelo Sintel que retrata a trajetória do sindicalismo no Brasil
desde metade do século XIX até os anos 80. Dividido em 4 partes.
Infelizmente a cópia que temos na Videoteca possui uma qualidade bastante
precária.
- PATAGÔNIA REBELDE ? relata o trágico acontecimento na Patagônia
(Argentina) a partir do desenrolar de uma greve dos peões das estâncias da
localidade de Rio Galegos. Dá um retrato de como eram as organizações
operárias na época e suas dificuldades.





_______________________________________________
A-infos-pt mailing list
A-infos-pt@ainfos.ca
http://ainfos.ca/cgi-bin/mailman/listinfo/a-infos-pt


A-Infos Information Center