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(pt) Gratuidade dos transportes , uma medida ecológica?

Date Mon, 15 May 2006 23:42:05 +0200 (CEST)


(de anarkismo.net)
Não se deve confundir a necessidade (mobilidade) com os meios para
satisfazê-la (transporte ou trânsito*). O conceito do lema "transporte
gratuito para todos" é obter acesso igual à mobilidade, mas também tentar
introduzir o debate para reduzir o impacto negativo produzido pelos
transportes.

As conseqüências do transporte automotivo saltam à vista, nós as
conhecemos muito bem. Sem dúvida, atrás disto se ocultam problemas de
alcance mundial e que estão relacionados com os estragos originados pelo
capitalismo, e em especial por nossa forma de abordar a energia e a
velocidade. A gratuidade, longe de ser a solução milagrosa para todos
nossos problemas, é uma condição insustentável para os transportes
eqüitativos e limpos. Esta deve ir acompanhada de uma melhora
significativa da qualidade nos transportes coletivos.

Transportes, ferramentas do apartheid social

O urbanismo cumpre uma função de crucial importância com respeito ao
crescimento de nossa necessidade de mobilidade. Os transportes pagos
permitem assegurar uma característica urbana: a estratificação das cidades
por populações relativamente homogêneas. Proibir mediante uma repressão
cada vez maior o acesso ao transporte é justificar a criação de guetos no
território. Solucionar o problema da pobreza tornando-a menos visível,
deslocando os pobres dos bairros chamados "sensíveis" é um velho projeto
liberal carente de justiça social. O discurso sobre a segurança atual
aponta para que nós acreditemos que se está desenvolvendo violência
gratuitamente. Quando o inspetor faz descer do ônibus ou do trem uma
pessoa não se fala de violência. Esta violência social é invisível porque
está integrada ao capitalismo (sem dinheiro, não têm direito). A falta de
resposta ofensiva do corpo social, este apartheid social avança.

Reduzir a velocidade do transporte dos poderosos

Os transportes questionam a eqüidade frente à mobilidade. A velocidade sem
controle é cara. Cada vez é menos factível para a maioria. Todo aumento de
velocidade de um veículo incrementa o custo de propulsão, os preços das
vias de circulação necessárias e a necessidade de espaço que seu movimento
devora. Quando os viajantes mais velozes superam o limite de consumo de
energia, se cria a nível mundial uma estrutura de classe de capitalistas
da velocidade. Limitar a velocidade dos transportes mais poderosos é
defender a eqüidade. Sem dúvida, que limitar a velocidade não basta para
reduzir as desigualdades: as diferenciações no seio da sociedade podem
dar-se no nível de comodidade nos meios de transporte. Por exemplo, a
gratuidade é uma condição indispensável e complementaria para reduzir a
velocidade para ter igual acesso a mobilidade.

Desintoxicação ou metabolismo prolongado?

Vai ser necessário eleger entre desintoxicação (liberar-se de nossa
dependência do consumo excessivo de energia) e a busca metabólica
(conservar nosso nível de consumo e encontrar energias limpas). Não se
trata de substituir simplesmente nossas atuais fontes de energia por
outras mais limpas, senão mudar o regime energético. É conveniente
recuperar a consciência sobre as vantagens aparentes ao uso da força
muscular. Para mudar o regime energético, esta sociedade deve encontrar os
meios para limitar o consumo dos cidadãos mais poderosos e de forma
paralela, o fantasma daqueles que não o são. No âmbito dos transportes, o
estabelecimento de relações sociais fundadas na participação igualitária
só é possível se se limita a velocidade. De forma caricatural, entre os
seres livres, as relações sociais vão à velocidade de uma bicicleta, não
mais rápido!

Visando uma mobilidade lenta?

O transporte automotor se assegura do monopólio dos deslocamentos e dessa
forma impede que as pessoas utilizem sua energia metabólica. Este
monopólio se observa principalmente nos deslocamentos dentro dos serviços,
como cinemas, hospitais ou grandes superfícies nas periferias das cidades,
fazendo mais difícil seu acesso a uma parte da população, salvo que
recorra a um transporte motorizado. Ao brindar infra-estruturas para ir
longe e rápido, os transportes converteram em inoperante a mobilidade
natural. Uma política de transportes em um meio urbano não pode ser
unimodal: o "metrô", o trem ou o ônibus não seriam a única solução. É
necessário que se combine com outros: a bicicleta ou caminhar. O pedestre
e o ciclista devem voltar a encontrar um espaço na cidade...

RATP [Rede pela Abolição dos Transportes Pagos - Paris, França]

(*): È necessário diferenciar transporte de trânsito. A circulação de bens
e de pessoas pode ser associada a outras categorias segundo a fonte de
energia utilizada: o trânsito que utiliza energia metabólica do ser humano
(caminhar, bicicleta) e o transporte que utiliza os motores (seja sua
fonte animal, nuclear ou fóssil). Se a função de ambas as categorias é a
mesma (transportar pessoas e objetos) suas conseqüências ambientais e
sociais não serão iguais.

Colaborou na tradução Juvei

Agência de Notícias Anarquistas - ANA

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