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(pt) [Brasil] MANIFESTO - Rusga Libertária

Date Sun, 7 May 2006 13:40:10 +0200 (CEST)


Rusga Libertária - Cuiabá - Mato Grosso - Brasil
rusgalibertaria(at)yahoo.com.br

A Rusga Libertária é uma organização política anarquista que tem como
objetivo maior a construção de uma sociedade socialista e libertária.
Acreditamos que é a população oprimida e explorada (trabalhadores,
estudantes, desempregados) organizada que será capaz de transformar a
sociedade. Sobre os princípios de ação direta, democracia direta,
federalismo, internacionalismo, classismo e ética libertária que a nossa
organização surge no início do ano de 2006, fruto de um longo processo de
discussão e reflexão entre os anarquistas cuiabanos que têm a intenção de
retomar o anarquismo social e militante que tanto impulsionou a luta do
povo oprimido no passado. No início do século XX o anarquismo conquistou
grande força no movimento operário brasileiro e influenciava o pensamento
e a organização dos trabalhadores do período. A perseguição política
violenta aos militantes e o sindicalismo pelego reduziram a presença dos
anarquistas e de suas propostas nas organizações dos trabalhadores. No
entanto, as desilusões com o modelo de socialismo autoritário soviético e
a crítica a democracia burguesa deram novo fôlego às idéias anarquistas,
sendo que no final da década de 60 estas voltaram a influenciar alguns
setores da sociedade.

No Brasil, já a alguns anos, os anarquistas vem consolidando experiências
de inserção social e sentem a necessidade de se organizar. Nesse contexto
hoje estamos participando do FAO (Fórum do Anarquismo Organizado), uma
instancia nacional que busca construir uma organização anarquista com a
participação de grupos de todo o país.

Uma organização nacional é necessária por que a nossa luta se dá dentro de
uma conjuntura nacional. Dentro do país sofremos com os mesmos problemas
econômicos, sociais e políticos: a miséria, a violência, o desemprego, a
falta de participação e a desigualdade. O governo Lula, dito de
?esquerda?, implementou uma política de recessão e corte de gastos,
seguindo as imposições dos organismos financeiros internacionais, que só
piora a situação do país, a população fica cada vez mais pobre e os
banqueiros com lucros cada vez maiores.

A grande maioria das entidades que tradicionalmente mobilizavam os
trabalhadores e estudantes para lutar por melhoria de vida não estão mais
nas ruas e não são mais instrumentos de luta. Os movimentos sociais que
acreditaram que o governo iria solucionar os problemas acabaram se
desmobilizando e foram cooptados pelo poder institucional. As estruturas
centralistas destes movimentos dificultam a participação direta dos
trabalhadores nas decisões, gerando um distanciamento entre os
trabalhadores e seus ?representantes?. Para que possamos transformar a
nossa sociedade é preciso movimentos fortes que sejam capazes de mobilizar
estudantes, trabalhadores, desempregados. Reivindicamos os movimentos
sociais autônomos e combativos que façam resistência ao projeto da classe
dominante e construam alternativas populares.

Na história do país muitos trabalhadores se levantaram contra as
injustiças, lutaram e morreram, defendendo a sua terra, fugindo da
escravidão, formando quilombos, organizando movimentos reivindicatórios e
de revolta. Em Cuiabá, temos o exemplo da rusga. A Rusga foi um movimento,
que ocorreu em Cuiabá (no século XIX) organizado contra os privilégios dos
comerciantes portugueses. Apesar de não propor transformações radicais nas
estruturas econômicas e políticas, foi uma revolta popular que saiu do
controle das lideranças liberais, que haviam se aproveitado do movimento
para subir ao poder.

Nas últimas décadas, Mato Grosso recebeu um grande fluxo populacional de
migrantes de outras regiões do país, fruto de uma política de colonização
que teve como efeito o extermínio de muitas sociedades indígenas e a
expulsão de posseiros.

O nosso estado é marcada pelo contraste da riqueza dos grandes
latifundiários e da miséria do povo, a economia caracterizada pela
monocultura mecanizada (soja e algodão) exclui os pequenos camponeses
expulsos de suas terras pela violência e pela lógica perversa do mercado.
Apesar desta dura realidade, atualmente vemos alguns movimentos se
levantarem para lutar por uma vida mais digna. Os trabalhadores rurais
querem terra e buscam condições de sobreviver no campo, nas periferias das
cidades as pessoas reivindicam melhorias nos serviços, infra-estrutura dos
bairros e buscam alternativas de renda.

Queremos uma outra rusga, uma Rusga Libertária que através da mobilização
da população e movimentos fortes e combativos, construam uma alternativa
de poder popular que forme uma sociedade mais justa e fraterna.


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