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(pt) [A BATALHA N.216] MATERNIDADES , UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

Date Tue, 2 May 2006 17:24:54 +0200 (CEST)


O Governo (Ministério da Saúde) prepara-se para fechar maternidades com
vista a reduzir custos ou a incentivar o sector privado. À custa, como
sempre, do cidadão comum. Para dourar a pílula invocam-se, não pretextos
económicos que estão ficando gastos e cada dia menos credíveis, mas um
argumento que poderia tocar mais fundo a sensibilidade dos cidadãos de
ambos sexos: a falta de qualidade (técnica, presume-se) das maternidades
propostas para encerramento.
Mas alguém acredita que, da noite para o dia, instituições que funcionam
regularmente há anos com relativa satisfação para o seu pessoal e para as
populações assistidas, percam assim inopinadamente a qualidade técnica sem
que ninguém tenha dado por isso senão o titular da pasta?
O primeiro facto importante para situar e compreender esta questão é a
grande mudança de comportamentos ocorrida nas últimas décadas. Em passado
não muito remoto os partos normais, que são felizmente a grande maioria,
tinham lugar no domicílio da parturiente. Foi assim que eu nasci, por
exemplo. O parto hospitalar era a excepção, para situações de risco ou
quando as coisas corriam mal no domicílio. Ora embora os partos normais
continuem a ser a grande maioria, já quase se não fazem partos ao
domicílio. Por compreensíveis razões de higiene e segurança. O que
significa que a grande maioria dos partos nas maternidades actuais são
partos normais, fisiológicos, que não requerem técnicas sofisticadas. E
para os partos complicados o pior que pode acontecer é ser necessário
praticar uma cesariana, operação que pode ser realizada por qualquer
obstetra ou cirurgião geral. Ambos presentes nos hospitais que possuem
serviços de obstetrícia. Mas além do parto os serviços de obstetrícia
providenciam consultas pré-natais, particularmente importantes para
acompanhamento de casos de gravidez de risco, e consultas pós parto, em
especial no caso de partos complicados. Compreendem-se pois as
dificuldades que acarretam para a grávida e familiares a deslocação a
instituições distantes do seu domicílio, não apenas para o parto como para
as consultas que o antecedem ou lhe sucedem. A ideia de encerrar a sala de
partos e manter as consultas cria uma situação profissional dificilmente
aceitável para os obstetras e parteiras da instituição, reduzidos à mera
actividade de Consulta Externa. A única solução viável seria a
transferência desses profissionais para os serviços obstétricos mais
próximos, com o encargo de fazer as consultas no Hospital de onde saíram,
mediante subsídios de deslocação ou com transporte assegurado por viaturas
de serviço.
O problema colocado pelo Ministério, exclusivamente em termos do número
anual de partos é redutor. Na distribuição geográfica dos serviços há que
ter em conta as acessibilidades, não apenas em função da distância
quilométrica mas também das condições da rede viária a utilizar. E deveria
ainda levar-se em conta a necessidade de fixar as populações no interior,
o que a actual política no que respeita à saúde, como à educação, aos
transportes e ao investimento inviabiliza, acelerando a desertificação.


Tudo leva pois a crer que se trata duma história mal contada. Porque não
consta que na origem dos encerramentos estejam propostas da Ordem dos
Médicos ou dos Enfermeiros (por falta de idoneidade técnica) nem por
queixas ou protestos das populações que, pelo contrário, vemos lutar pela
continuação do seu funcionamento.
L.G.S.

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