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(pt) Boletim "Luta Social": Actualidade do sindicalismo revolucionário [en, fr]

Date Sun, 19 Mar 2006 13:55:17 +0100 (CET)


por Manuel Baptista
coordenador do Colectivo Português da FESAL-E
fesal-portugal(at)hotmail.com

No ano do centenário da Carta de Amiens, do Congresso
da CGT francesa

O sindicalismo, ou é realmente revolucionário ou então
se transforma num meio de controlo da classe dominante
sobre a classe oprimida.

A tendência para a conciliação de classes não é
insuflada apenas do exterior da classe trabalhadora.
Antes, é dentro da própria classe trabalhadora que se
forma uma tendência de conciliação de classes. Isto
porque a organização capitalista do trabalho vai
proporcionar e estimular uma constante diferenciação
salarial, de condições de vida e de estatuto no seio
dos trabalhadores. A artificial separação entre
trabalhadores "manuais" e "intelectuais" é mantida por
isso mesmo.
A única possibilidade de luta para os trabalhadores,
dentro de uma sociedade dominada pelo capitalismo
- onde há uma regressão de facto de todas as ideias
generosas de igualdade e de solidariedade, devido à
investida agressiva da ideologia globalista e
neoliberal - é a organização autónoma.

Diz-me de onde te vem o dinheiro, dir-te-ei quem és!

Ou seja, se o dinheiro de uma organização de
trabalhadores (um sindicato) vem apenas dos
trabalhadores, principalmente de seus sócios e de
outras organizações de trabalhadores solidárias com
esta (e com a qual se encontra aliada/federada de
uma forma ou de outra) não será impossível, mas será
mais difícil, esta organização fazer pactos e acordos
desvantajosos com o patronato e os políticos do
sistema.

Se, pelo contrário, a organização de trabalhadores
depende de subsídios do Estado, depende de "ajudas"
de organizações regionais da globalização capitalista,
como é o caso das organizações sindicais dos diversos
países europeus que se encontram filiadas na CES
(Confederação Europeia de Sindicatos), que são
inteiramente dependentes de financiamentos da U.E.,
como se pode esperar independência, capacidade de luta,
combatividade, de tais organizações?
- Que esperar, senão uma constante traição dos seus
próprios associados (e da classe trabalhadora, em geral)
à mesa das negociações?
- Que esperar, senão que firmem "pactos" que consagram
a retirada de direitos e garantias duramente
conquistados, ao longo de decénios de lutas de classes?
- Que esperar, senão o abandono das posições mais
básicas, como sejam a própria defesa das convenções da
OIT, ratificadas por sindicatos, patronato e governos
dos diversos países europeus?

O problema que afecta o sindicalismo europeu não é
apenas europeu.

Isto porque existe uma globalização e a Europa da U.E.
é um dos actores dessa mesma globalização, que
perpetua esquemas neo-coloniais e imperialistas em
relação a vastas regiões do Globo. Por mais que os EUA
sejam a super-potência hegemónica, não há dúvida de que
as burguesias e governos dos países europeus participam
também neste neoliberalismo e globalização, na
mundialização da miséria.

Mas também, pelo efeito de atracção, sobre os
trabalhadores de todo o Mundo, do modelo de "Estado
social" europeu (wellfare state), apanágio dos estados
europeus ocidentais na época 1950-1970, que começou a
ser desconstruído com o teacherismo, nos anos 1980,
e que continua a sê-lo, sistematicamente, quer os
governos sejam conservadores, liberais,
social-democratas sozinhos ou até em coligação com
forças que (ainda) se dizem anti-capitalistas (exemplo:
governos Jospin em França, com participação do P"C"F).

Verifica-se na história dos últimos cem anos, que
sempre que houve um avanço significativo em termos
de protecção dos direitos humanos e dos trabalhadores,
inicialmente imposto pelos trabalhadores do mundo
"desenvolvido", muito rapidamente os dos países em
desenvolvimento começavam a reivindicar as mesmas
garantias, obtendo -nalguns casos- sucesso e
consagração de certas normas jurídicas mais favoráveis.
Isto significa portanto também que a perda desses
direitos e garantias será o sinal das burguesias e
governos de países "sub-desenvolvidos" para os retirar
de suas legislações gerais e laborais.

Basta pensar na involução/regressão social dos
últimos 25 anos em Portugal, país europeu com padrões
de desenvolvimento humano do chamado "Terceiro-Mundo",
para perceber isso mesmo.

Infelizmente, o mesmo modelo tem sido aplicado à
escala de todo o continente e à escala mundial, pelo
neoliberalismo triunfante.

A aplicação do modelo involutivo, ou contra-ofensiva
do capitalismo na sua fase "neoliberal", foi
particularmente cruel no arrasar dos mecanismos sociais
nos países ditos "socialistas" do Leste, em particular,
nas sangrentas e bárbaras guerras de "partição étnica"
na Jugoslávia, insufladas desde os governos alemão e
austríaco (e com a benção de João Paulo II), que
culminaram com uma campanha de terrorismo de estado, na
chamada "guerra do Kosovo". Também aqui, o papel da CES
foi claro pois, não só impediu qualquer resposta
organizada do proletariado contra a guerra de agressão
(a primeira guerra entre Estados europeus, desde o fim
da segunda guerra mundial), como tomou uma posição de
apoio à campanha criminosa da organização terrorista NATO,
sob o pretexto de "libertar" o Kosovo.

As guerras do "Império" desde 2001, no consulado Bush,
são também o reflexo da impotência e desorientação global
da classe trabalhadora

Uma classe que se deixou tomar por dentro, ou seja, em
que as burguesias diversas conseguiram cooptar
discretamente os "líderes" operários, quer estivessem
à frente de sindicatos, quer de partidos ditos
"operários". Na realidade, um "partido operário",
independentemente das puras intenções de seus
fundadores, acaba sempre por ser da burguesia, pois
são apenas filhos desta, com todos os seus tiques e
preconceitos e sobretudo com uma imensa gula de poder
sobre os outros, que acabam por controlar os órgãos de
decisão e as partes essenciais do seu aparelho. Assim
se desviam energias da auto-organização dos
trabalhadores, tantas e tantas vezes, sem que as pessoas
revolucionárias, mas ingénuas, percebam até que ponto
andam a ser manipuladas.

Vemos, portanto, que a evolução internacional,
aparentemente muito negativa para a classe trabalhadora,
tem potencialidade de rotura a vários níveis e em todo
o Mundo, devido à exacerbação da luta de classes:
vejam-se os exemplos da América Latina dos últimos
5 anos, ou nos recentes desenvolvimentos da luta de
classes em França.
Esta inevitável subida da confrontação global não
poderá ser equacionada por ninguém, nem por um
"comintern", nem por qualquer outra "elite"
revolucionária.

Isto acontece debaixo dos nossos olhos, independentemente
da existência de uma força revolucionária organizada
forte ou hegemónica, em tal ou tal país. Assim sendo,
varrem-se todas as ilusões do leninismo e do mito da
construção do "partido", ou seja, de que apenas sob
a direcção do "partido" as "massas" poderão fazer a
revolução. Pelo contrário, a realidade social
contemporânea vem confirmar os pressupostos teóricos
do sindicalismo revolucionário, na sua visão mais
ampla, menos sectária... o que nos dá ainda mais
segurança para nos orientarmos e organizarmos segundo
tais princípios e métodos.

A unidade não é um fim em si mesmo e constrói-se na
luta

Com efeito, temos de saber com quem nos devemos unir.
Se com os que têm os mesmos propósitos ou se com os
que -afinal- estão ao serviço directo ou indirecto do
inimigo?
É que sabemos muito bem que estamos metidos numa vasta
guerra de classes, cujo desfecho apenas ocorrerá, caso
ocorra, após o triunfo mundial da Revolução Social.
Se continuarmos a dar cobertura e crédito aos
burocratas sindicais, estabelecendo alianças e calando
as verdades sobre esses aliados dos nossos inimigos,
que podemos esperar? O proletariado continuará
dramaticamente impotente, os homens e as mulheres que,
de uma ou outra maneira, produzem tudo. Os mesmos
proletários que poderiam fazer parar a máquina de guerra
(de todas as guerras) e reorganizar o mundo sob novos
princípios.
Sendo assim, apenas podemos encontrar os caminhos da
luta, erguendo o nosso sindicalismo do século XXI, ou
seja, um sindicalismo apontado para a destruíção
definitiva do monstro capitalista, um sindicalismo
enquanto expressão genuína e legítima dos trabalhadores
organizados, aquele que -por defender a verdadeira
independência de classe- não admite ingerências de
organizações não-sindicais na vida interna dos sindicatos
e onde os membros tomam as decisões em assembleias,
seguindo o método da democracia directa, vinculando as
direcções, do nível local ao confederal.


(*)FEDERAÇÃO EUROPEIA DE SINDICALISMO ALTERNATIVO - EDUCAÇÃO

http://luta-social.blogspot.com

http://www.fesal.it





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