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(pt) [Brasil] Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás : Luta por Mo radia em Goiânia

Date Wed, 15 Mar 2006 23:25:13 +0100 (CET)


Um ano de Parque Oeste Industrial
Casas derrubadas. Mulheres, homens e crianças sendo espancadas pela
polícia. Trabalhadores e trabalhadores presas ou assassinados. Sonhos
reais de dignidade massacrados pelos instrumentos de dominação. Operação
triunfo. Era fevereiro de 2005 e estava ocorrendo uma das mais violentas
desocupações da cidade de Goiânia.

Após um ano do massacre ocorrido na desocupação do Parque Oeste
Industrial, as famílias que ali buscavam seu direito de ter uma moradia
digna, encorajadas pelas falsas garantias de políticos, continuam a morar
em baixo de lonas, em situação degradante, porém mais afastados dos olhos
da sociedade. Por outro lado, a área desocupada da região continua
servindo à especulação, cumprindo o nobre papel da propriedade privada:
servir de enriquecimento de poucos e escravização de muitos.

A cidade de Goiânia hoje, segundo dados do próprio poder público, vive um
défict de moradia de 20.000 famílias, ou seja 20.000 famílias em Goiânia
não possuem nenhuma condição de moradia digna, muitas encontram-se nas
ruas, em ocupações, favelas, sem nenhuma infra-estrutura.

A resposta do poder público a essa realidade é uma só: a prefeitura não
tem área disponível nem dinheiro para investir em projeto de moradia. E ao
que podemos perceber, também não tem nenhum interesse em saber o que é
preciso fazer para resolver tais problemas. Nada mais natural, afinal de
contas, quem está dentro do poder público possui planos bem diferentes
para a questão imobiliária (para eles, questão imobiliária negócios,
dinheiro; para nós, questão de moradia sobrevivência, dignidade). A
questão da moradia na cidade de Goiânia passa assim por vários mecanismos
de defesa da classe dominante e opressão da classe explorada.

O principal inimigo dos povos dos tetos de lona e dos povos da rua são as
empresas do mercado imobiliário. Desde as grandes imobiliárias que possuem
grandes latifúndios na cidade, passando pelas grandes construtoras, a
especulação imobiliária gera fortunas. A luta pela moradia passa por lutar
contra os interesses desta burguesia imobiliária que ganham o seu lucro do
monopólio das terras urbanas. A ADEMI (Associação das Empresas do Mercado
Imobiliário) é um sindicato da burguesia que age pressionando os governos
para manter e expandir seus privilégios e para reprimir qualquer ação
direta dos sem-tetos.

A ADEMI possui grande força nos governos municipais e estaduais, elegendo
vereadores e indicando secretários, tendo um poder forte para utilizar a
máquina do Estado ao seu favor. Além da ADEMI e dos governos, um outro
instrumento fundamental da burguesia imobiliária é a grande mídia.
Exercendo pressão sobre a luta dos sem-tetos, desmerecendo suas causas,
distorcendo os fatos, transformando os trabalhadores em vagabundos, ela
consegue dominar a opinião pública em favor da repressão contra a luta
direta dos explorados sem moradia. Assim, a organização da luta por
moradia, passa por enfrentar estes três instrumentos da classe dominante:
ADEMI, GOVERNOS e GRANDE MÍDIA.

Por isso, se ficarmos esperando dos governos solução para a questão da
moradia, essa espera será eterna. Só nos resta unirmos em movimentos
sociais, para poder lutar contra essa realidade e exigirmos nossos
direitos. Realmente a história nos mostra que nenhuma conquista do povo
oprimido veio da ajuda de ?bondosos? políticos ou empresários. Pelo
contrário, nossos inimigos de classe sempre deixaram bem claro que
qualquer tentativa de organização para transformar essa realidade de
injustiças será tratada na bala, com muitas leis e armas para garantir os
privilégios de quem tem, não só um, mas vários tetos para todos os dias
dormir tranquilamente com seus filhos.

Sabemos que todas as conquistas do povo oprimido veio de muita luta e
resistência. Foi com o povo se organizando e partindo para ação direta que
as condições mínimas de vida foram conquistadas. Com a questão da moradia
não será diferente. Sem a organização popular e a disposição para a luta
direta, a moradia continuará sendo um privilégio da classe dominante,
ficando para os trabalhadores as ruas e favelas.

Em Goiânia, as 20.000 famílias de sem-tetos não encontram um movimento
social através do qual possa gerir a sua luta por moradia. Movimentos como
o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis) surgiu
na cidade e vem organizando grande parte dos catadores que se encontram
nas favelas, na rua e nos depósitos. Esses catadores, além de lutar por
melhores condições de trabalho, também enfrentam o problema da falta de
moradia e lutam para conquistar seu teto. Mas ainda assim, movimentos como
o de trabalhadores desempregados e movimentos específicos de sem-teto são
instrumentos fundamentais para a luta por condições mínimas de existência.
O anarquismo como ideologia da classe explorada vem para estimular a
organização de nossa classe na luta contra os patrões e o Estado.
Estimular a organização dos sem-tetos, catadores, desempregados e todos
aqueles que sob diversas profissões não possuem um pé de chão para morar.
Enfrentar as grandes imobiliárias e os poderes municipais e estaduais, com
a força organizada dos sem-tetos, fazer o Sonho se tornar Real, honrar o
sangue derramado dos companheiros há um ano atrás. Eis a luta que não
abandonaremos jamais.

Texto retirado do Informe Anarquista nº04, publicação trimestral do
Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
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