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(pt) Informe Anarquista nº04 1º de Maio: Luta e Resistência

Date Wed, 15 Mar 2006 23:23:35 +0100 (CET)


O primeiro de Maio já foi um dia de luta e resistência operária. Neste dia
os trabalhadores iam as ruas cobrar seus direitos através da ação direta
popular. Durante muito tempo o dia do trabalhador foi marcado por inúmeras
manifestações populares e também pela forte repressão estatal e burguesa
contra os movimentos sociais combativos.

O 1º de Maio tem sua origem enraizada na AIT (Associação Internacional dos
Trabalhadores). Os trabalhadores ligados a AIT tinham a proposta de
declarar um dia de luta pela jornada de oito horas de trabalho. Mas os
acontecimentos de Chicago no ano de 1886, que deram o verdadeiro
significado do 1º de Maio.

No século XIX as condições da classe trabalhadora eram terríveis. As
condições de trabalho eram mínimas, a jornada diária era exaustiva e
sub-humana, crianças e mulheres grávidas eram obrigadas a trabalhar. Com
toda essa situação de extrema exploração dos trabalhadores e o avanço de
idéias socialistas muitas associações e sindicatos autônomos de operários
começaram a surgir e a reivindicar melhores condições de trabalho e a
jornada de oito horas diárias.

No dia 1º de Maio de 1886 milhares de trabalhadores de Chicago e de outras
cidades dos EUA saem às ruas cobrando seus direitos. No dia 4 de Maio em
nova manifestação, uma explosão de uma bomba serve como desculpa para uma
violenta repressão contra os trabalhadores. A repressão deixa mais de cem
mortos e dezenas de operários e anarquistas são presos. Dos trabalhadores
presos, August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31
anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23
anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário
têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Um dos
oradores do comício operário que não foi preso durante a repressão se
apresentou voluntariamente a policia e declarou: "Se é necessário subir
também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da
liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Quatro dos
trabalhadores foram mortos na forca e os demais executados no dia 11 de
Novembro de 1887. Augusto Spies declarou, antes de morrer: "Virá o dia em
que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais
hoje".

Esse episódio trágico que deu origem ao significado do 1º de Maio mostra
como a Burguesia através do Estado trata os trabalhadores, quando estes se
encontram organizados e dispostos a lutar pelos seus direitos e pela sua
emancipação. Durante muitos anos as manifestações combativas e a repressão
continuaram no dia do trabalhador. Atualmente a realidade dos
trabalhadores não é muito diferente. Sem terra e teto, desempregados,
estudantes, catadores, domesticas e todo o conjunto da classe trabalhadora
ainda sofrem os efeitos nefastos do sistema capitalista que, agora se
apresenta na sua versão neoliberal. Mesmo com a exploração contínua e
atualizada do sistema capitalista o sentido de resistência e luta do 1º de
Maio anda meio perdido e vemos a maioria dos movimentos sociais e
sindicatos realizando festas e eventos para divertir os trabalhadores
neste dia que tratam apenas como mais um feriado. Não reconhecem mais o 1º
de Maio como um dia de luta e resistência.

O que nos anima é que uma parte dos movimentos sociais já se deu conta da
apatia e do reformismo que vem imperando na maioria dos movimentos e
sindicatos existentes. Muitas lutas começam a ser travadas de forma direta
e, movimentos autônomos e horizontais, baseados na ação direta popular
voltam a ser uma realidade e relembram a memória dos companheiros que
tombaram lutando pela liberdade e pela autonomia dos trabalhadores frente
aos patrões e ao estado.

Nós, anarquistas, seguimos firmes na construção de movimentos populares
combativos e autônomos da classe oprimida. O 1º de Maio é dia de luta, não
de festa e conciliação!

Texto retirado do Informe Anarquista nº04, publicação trimestral do
Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
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