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(pt) 100 ANOS DE LUTAS: O I CONGRESSO O PERÁRIO BRASILEIRO ? 1906 & A FUNDAÇÃO DA COB - A PLEBE nº 44 / Março

Date Tue, 14 Mar 2006 21:18:27 +0100 (CET)


A PLEBE nº 44 / Março de 2006 (A.C.A.T.)
Órgão de Divulgação do SINDIVÁRIOS-FOSP/COB-ACAT/AIT
(Fundada em 1915) Sem Partido Nem Patrão!
@ Ligada à Associação Internacional dos Trabalhadores(A.I.T.)
Caixa Postal 1933 / CEP- 01009-972 / São Paulo-SP /
E-mail: fospcobait@yahoo.co.uk

100 ANOS DE LUTAS: O I CONGRESSO OPERÁRIO BRASILEIRO ?
1906 & A FUNDAÇÃO DA COB

Em meio a um crescente ativismo, que acompanhou o
crescimento do movimento operário, caracterizado pelo
número de lutas e pela articulação progressiva dos
trabalhadores, culminando em 1906 com diversas greves
pela redução da jornada de trabalho (então de 15 hs
diárias) para 8 hs, REALIZOU-SE o 1o. Congresso
Operário Brasileiro, de 15 a 20 de Abril no Rio de
Janeiro. Dele participaram cerca de 50 delegados de 30
organizações operárias. Os principais temas discutidos
foram: relação entre partido e sindicato; organização
de comícios para o 1º de Maio; se o assistencialismo é
função do sindicato; a necessidade de uma Confederação
Brasileira para encaminhar em todo país as principais
lutas operárias: aumento de salários, jornada de 8 hs,
direito de organização e reunião; Tipo de organização
sindical necessária. Os delegados dos vários estados
ai reunidos aprovaram as bases para a constituição da
COB - Confederação Operária Brasileira nos moldes do
sindicalismo revolucionário, do anarco-sindicalismo
europeu.

As idéias libertárias predominaram e as principais
teses aprovadas podem ser resumidas:
1) A organização operária deve ser federativa e não
centralizada; 2) O sindicato deve ter um caráter de
pedagogia e luta, recusando o assistencialismo; 3) A
ação direta da classe trabalhadora é fundamental,
portanto o sindicato deveria ser apartidário e
anti-parlamentar; 4) O sindicato deve manter uma luta
constante contra o reformismo dos agentes do governo e
da igreja.

Esse Congresso recusou explicitamente, a vinculação do
sindicalismo a partidos políticos, sendo aprovada a
ação direta como forma de atuação dos trabalhadores.
Os delegados manifestaram-se também contra a
existência de funcionários remunerados no movimento
sindical, só admitindo - em situações excepcionais que
trabalhadores assumissem funções remuneradas
específicas e por tempo determinado, em seus
sindicatos.

Em conseqüência do I Congresso e da fundação da COB o
ano de 1907 e 1908 assistiu uma série de greves de
categorias que iam conquistando a jornada de 8 hs, a
realização de manifestações anti-militaristas e contra
a execução de Francisco Ferrer na Espanha. A relação
da COB com o governo era de guerra total, o governo
não reconhecia o direito dos trabalhadores se
organizarem! Mesmo com todas as perseguições a COB foi
importante para articular as lutas, especialmente
através de seu jornal A VOZ DO TRABALHADOR. A forma de
organização da COB era a menos burocrática possível,
visando se manter sempre sobre a gestão direta dos
trabalhadores organizados. O jornal da COB, 'Voz do
Trabalhador', para o 1° de Maio, inova na sua
apresentação. Na capa uma ilustração que traduz o
ideal da Central: um operário de marreta na mão sobre
as caveiras do ?capitalismo, clero, burguesia,
militarismo?.

Não conseguindo pela repressão impedir o crescimento
da COB, o governo tenta quebrar a espinha dorsal do
movimento sindical de outras formas: em 1912, o
governo consegue o apoio de setores pelegos do
movimento sindical, dispostos a converter-se em
burocracia sindical. Então, com grande estardalhaço,
realiza em 1912 no Rio de Janeiro, em pleno prédio do
Ministério Público, uma farsa a qual dão o nome de
?Congresso Operário?. Na verdade era uma iniciativa
oficial do marechal Hermes da Fonseca, tentando criar
bases para o seu partido político junto classe
trabalhadora. O encontro foi dirigido pelo filho do
presidente e deputado Mario Hermes e nele é fundada
uma CBT(Central Brasileira do Trabalho), que terá uma
vida curta e artificial, mas lança as bases para o
sindicalismo pelego e atrelado ao Estado que perdura
até os nossos dias, desorganizando a classe
trabalhadora.

A COB realiza o 2º Congresso Operário em 1913,
impulsionando as lutas contra a guerra, a carestia da
vida, o arrocho salarial e o desemprego. A
Confederação Operária Brasileira (COB) lança em 1915 o
'Manifesto aos Proletários do Mundo'. Convoca a todos
contra a Guerra Mundial e promove o Congresso
Internacional da Paz. Apóia ativamente as grandes
GREVES GERAIS em São Paulo, 1917, e brasileira, 1919 ?
que firmaram a conquista da redução da jornada para 8
hs para toda a classe trabalhadora do país, bem como
diversos outros direitos ? que hoje o governo quer
tirar com sua reforma sindical e trabalhista. A COB
resiste heroicamente as ditaduras e campos de
concentração da década de 20 e ressurge na década de
30, reativada a partir do Congresso da FOSP/COB.
Termina sendo desarticulada pela ditadura do Estado
Novo (1935-37 a 45) e, supostamente enterrada, pela
aliança do Partido Comunista com o PTB getulista, que
já tinha criado os sindicatos oficiais atrelados ao
Estado, nos moldes da Carta del Lavoro fascista de
Mussolini.

Em 2.006, nos 100 anos do 1º Congresso Operário
Brasileiro e da fundação da COB, o Movimento Pela
Reativação da COB-AIT está completando 20 anos ? a
partir da ruptura de setores do movimento dos
trabalhadores com a CUT, em 1986, pouco após a sua
fundação, em 1983, denunciando sua submissão ao Estado
e aos partidos políticos, especialmente ao PT ? que
usou o movimento sindical como correia-de-transmissão
e trampolim para atingir o poder político. A LUTA
CONTINUA!
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