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(pt) A BATALHA N.215: COMUNISTAS ANARQUISTAS EM ITÁLIA: ONTEM E HOJE

Date Tue, 7 Mar 2006 17:38:11 +0100 (CET)


Quando os militantes mais velhos da ?Federação
dos Comunistas Anarquistas-FdCA?, na qual eu milito, se
apresentaram na cena política, decorriam os anos 68-69,
anos de lutas do movimento operário e estudantil; por
isso não podiam deixar de perceber a influência do influxo
libertário, mas sobretudo classista, que nascia daqueles
movimentos. Após a aproximação ao anarquismo encontraram ?
pelo contrário ? a Federação Anarquista Italiana (FAI) que
- na aparência - oferecia um espaço mas - na realidade
- não era uma organização, mas antes um conjunto de
individualidades em potência individualistas que conviviam
com os poucos comunistas anarquistas aí existentes.
Felizmente, existiu um período no qual - para
sectores amplos do movimento - havia o dever de conjugar
teoria e praxe e isto também se aplicava, obviamente, aos
que se referiam às idéias de Bakunine. Isto causava um
empenho dos jovens nas lutas nas escolas, nas universidades,
no território, sobre temas importantes (habitação, trabalho,
serviços, ensino), os temas dos direitos fundamentais, de
igualdade entre pessoas e sexos, da luta antifascista e
anticapitalista. Além disso, a tendência natural dos
jovens para contactos internacionais (que diabo de
anarquistas somos se nos fechamos dentro das fronteiras
nacionais?) permitiu ? no meu caso e no de muitos
camaradas- compreender que o anarquismo italiano era
uma excepção e que no mundo havia outras realidades,
nas quais o comunismo anarquista tinha direito de
cidadania, sobretudo em França, com a Organização
Revolucionária Anarquista (ORA) e com o debate sobre
o que se chamava, de maneira original, o ?comunismo
libertário?.
As leituras históricas sobre o anarquismo
italiano e internacional indicavam uma continuidade
do anarquismo comunista e classista que, partindo da
I Internacional, passava pelas lutas sociais numa boa
parte do mundo no início do século XX, pelas lutas
anti-bolchevistas e anti-estalinistas, mas também pela
actividade dos anarquistas antes e no decurso da
revolução russa, durante o biénio vermelho em Itália,
na Alemanha, na Áustria, na revolução mexicana antes
e na espanhola depois. O meu trabalho de pesquisa
histórica, desde os anos ?70, permitiu-me reencontrar
a presença e a evolução do comunismo anarquista também
em Itália, quer entrevistando velhos militantes (Masini,
Malara, Marzocchi, Bianconi e muitos outros menos
conhecidos), quer através de pesquisas nos arquivos de
Itália e do estrangeiro. Assim, apareceu que também em
Itália o anarquismo se expressou pelas formas do
comunismo anarquista, embora o que sobreviveu nos anos
?70 sofresse pesadamente das ?influências burguesas?,
como Luigi Fabbri já demonstrara com eficácia em
relação ao final do século XIX.
Em Itália, a continuidade do comunismo
anarquista foi interrompida por vários acontecimentos,
de entre os quais o mais desastroso foi a influência
económica do anarquismo anti-organizador e aclassista
italo-americano ligado ao jornal ?L?Adunata dei
Refrattari?, durante o fascismo e no segundo
após-guerra. Uma rebelião contra esta tendência, que
se tinha apoderado do anarquismo italiano nos anos 50,
foi a criação da organização de tendência ?Grupos
Anarquistas de Acção Proletária-GAAP?, com os seus
óptimos militantes de várias partes de Itália,
dispersos após a expulsão do anarquismo oficial, feita
pela FAI. Felizmente, muitos destes militantes
? continuadores duma acção de classe, apesar das
?excomunhões? ? uma vez procurados, estavam disponíveis
para narrar, recuperando as experiências de ontem e dos
inícios dos anos 70.
Além do mais, naqueles anos tínhamos perto,
também geograficamente, a experiência francesa da ORA,
dos grupos espanhóis em fase de reorganização contra o
franquismo e ainda mais após a morte de Franco. O
empenho de muitos jovens foi daqui por diante o de
reconstruir, de reatar os elos de intervenção política
no território, relativamente aos aspectos específicos
da luta de classes, procurando as estruturas mais
apropriadas para representar ao nível político esta
praxe. Em conclusão, foi a união destas forças que
permitiu durante os anos ?70 a criação de grupos
territoriais (a ORA de Puglia, a UCAT toscana, a FCA
de Emília e Romagna, a ORA milanesa, a FdCL lígure,
etc.) que retomaram os fios interrompidos do anarquismo
comunista e classista em Itália, dando visibilidade a
esta tendência.
Uma parte destes grupos e destas federações
tentou o ?entrismo? na FAI, para ?faze-la regressar ao
bom caminho?, mas sem êxito. A maioria dos grupos e das
federações locais iniciou então o caminho para construir
estruturas comunistas anarquistas federais territoriais,
regionais, em várias partes de Itália e no processo que
- em 1985- conduziu à constituição da FdCA, organização
que ainda hoje representa na área italiana a teoria e a
praxe do comunismo anarquista.
Contemporaneamente, recomeçava e revisitação da
história do anarquismo italiano, a partir dos óptimos
estudos de Masini (não é por acaso que ele foi dos mais
importantes militantes dos GAAP) e eu escrevi o livro
?O Anarquismo em Itália: entre movimento e partido? que
representou uma viragem nos estudos sobre este assunto.
Neste livro, ficam muito claras não só as bases comunistas
do anarquismo, a teorização originária do dualismo
organizativo que, de maneira particular tem em Itália no
período da I Internacional os seus máximos teorizadores
desde Bakunine, até alguns correspondentes dele, como
Celso Cerreti, destinatário duma carta clarificadora de
Bakunine sobre estes assuntos (carta reproduzida, com
outros documentos, no meu livro).
Num sentido mais específico, com referência ao
plataformismo, na área italiana eu apresentei materiais
que trouxeram elementos novos à história do anarquismo,
anteriormente totalmente concentrada no papel de
Malatesta, mediador sintetista de todas as tendências.
Descobriu-se, pelo contrário, que os próprios Fabbri,
Fedeli, e outros, estiveram em contacto com Makhno em
Paris quando foi redigida a Plataforma, como resulta
das memórias de um italiano sobre as reuniões na
capital francesa. Também estudos sobre o período
fascista ? referentes quer aos camaradas presos ou
confinados, quer aos exilados para escapar à morte
? demonstraram ulteriormente uma continuidade entre
o anarquismo comunista e classista de boa parte do
movimento anarquista, desde o período pré-fascista até
ao após-guerra.
Para simplificar, podemos dizer que assumiu
um valor importante a escolha de designar FdCA a nossa
organização, também à luz da descoberta da existência
de anteriores tentativas de fundar organizações deste
tipo ? em 1919, a União dos Comunistas Anarquistas de
Itália, e em 1944, a Federação dos Comunistas
Anarquistas de Itália ? infelizmente refluídas depois
nas organizações de síntese, UCAI e FAI.
É agora possível averiguar alguns destes aspectos do
anarquismo italiano, também através dos materiais
históricos que a FdCA disponibilizou em papel e no seu
site www.fdca.it (com páginas em inglês, espanhol,
português e francês, onde se podem ler os mais
importantes documentos históricos e teóricos, assim
como a obra de Adriana Dadà ?Class War, Reaction in
Italian Anarchism?).


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