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(pt) Comunicado Nº 8 do Colectivo Português da FESAL-E: Sobre o anúncio governamental de encerramento de escolas do 1º c iclo

Date Wed, 1 Mar 2006 20:47:11 +0100 (CET)


1
de
Março
de
2006
Segundo a Ministra da Educação, serão cerca de 1.500 as Escolas do 1º
ciclo a encerrarem, para o próximo ano lectivo, portanto a partir de
Setembro de 2006. Qual é a tradução no concreto desta medida?

Vejamos um exemplo: num distrito com graves problemas de desertificação
humana, como é o Distrito da Guarda, vão ser encerradas 132 escolas. Isto
representa cerca de 41,5% por cento das escolas do 1º ciclo deste
Distrito!

Que política está por detrás dos anunciados encerramentos e "fusões" de
escolas um pouco por todo o país, com pretextos totalmente fictícios, como
o suposto facto de a aprendizagem de alunos numa escola com poucas
crianças ser menos boa "por causa" do baixo número de crianças e não por
causa dos factores sociais que condicionam fortemente a vivência destas
crianças, geralmente de meios rurais em acelerada pauperização?
A única "justificação" e motivação real para estas medidas é de natureza
"economicista", por muito que o Primeiro-Ministro diga que não.
Tal política não esconde o desejo de "poupar" nas poucas e parcas despesas
com a educação, no terreno onde é mais útil e necessário aumentar essa
despesa. Além disso, quando se encerra uma escola básica, está-se a
condenar uma povoação ao desaparecimento, está-se portanto a acentuar a
urbanização forçada e a litoralização do país?


É contra este tipo de medidas que nos devemos erguer, trabalhadores
docentes e não docentes do ensino público, alunos e estudantes,
encarregados de educação e cidadãos conscientes.

Apelamos à população de todo o país para se auto-organizar em assembleias
de freguesia. Para aí fazer ouvir a sua genuína vontade, face a este poder
autocrático e autista. Nomeadamente, nas aldeias afectadas por tais
medidas, que violam a letra e o espírito das leis (a começar pela própria
Constituição) e não podem de nenhuma forma ser aceites, sob pena de
apressar a morte artificial de milhares de povoações rurais e o
consequente acentuar da desertificação do interior.

Goulart Medeiros

(Coordenador Núcleo de base da Guarda)

Manuel Baptista

(Coordenador Nacional da FESAL-E)


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