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(pt) [Madrid] JORNADAS* SOBRE A REVOLUÇÃO LIBERTÁRIA 70º ANIVERSÁRIO DO 19 DE JU LHO DE 1936

Date Fri, 21 Jul 2006 18:30:57 +0200 (CEST)


No Ateneu de Madrid, pelas 19h. do dia 19 de Julho, realizou-se um acto
singelo mas densamente simbólico e de grande significado político, com a
inauguração da exposição montada pela CGT de Madrid ? Castilla - La Mancha
com a colaboração do Ateneu Libertário La Idea e da Fundação Salvador
Seguí.

A secretária da CGT de Madrid ? Castilla - La Mancha, Cristina Escrivá,
proferiu breves palavras de saudação dos presentes e de apresentação do
programa da sessão.
Rafael Mestre, da Fundação Salvador Sagui, explicou que a preocupação
principal subjacente a esta exposição foi a de mostrar a obra da Revolução
Espanhola, as realizações nos diversos domínios da vida, desde a economia
e
as colectivizações até às ricas e diversificadas formas de promoção de uma
arte, cultura e valores libertários e alternativos, que se expandiram no
seio do proletariado agrícola e industrial muito antes do acontecimento do
19 de Julho de 1936, que explicam a atitude dos protagonistas nos dias de
Julho e nos três anos de luta encarniçada contra o fascismo e contra os
que, do lado governamental ? a pretexto de disciplinar ? quiseram sufocar
revolução libertária.

Seguiu-se Franck Mintz, da CNT-F, cuja intervenção sublinhou a importância
da experiência de autogestão, de colectividades de Aragão e do Levante,
das soluções adoptadas em diversos sectores da economia e da sociedade,
também nas cidades catalãs e da sua actualidade como objecto de estudo,
não por motivos saudosistas, mas porque consistiram num riquíssimo
laboratório de experiência libertária, que foi tão longe na aplicação dos
princípios a uma escala de uma sociedade inteira, que nunca foi superada
desde então.
A premência da guerra que era travada em simultâneo influenciou mas não
anulou o ímpeto revolucionário construtivo das bases da CNT e de outros
quadrantes (incluindo da UGT e do PCE). Para elas, a guerra contra o
fascismo não era vista como razão para renúncia, mas pelo contrário, para
edificar com ainda maior energia um novo modo de produzir e de
relacionamento entre as pessoas.
A comemoração dos 70 de Revolução tem sido assumida com a previsível
seriedade e dignidade pelos diversos ramos do anarco-sindicalismo e
anarquismo espanhol e mundial, mas à exclusão de outras correntes,
mostrando que afinal houve uma importante deriva do campo socialista
autoritário, pois estes teriam também direito de evocar com orgulho os
companheiros da UGT, do PSOE, do PCE e do POUM que se assumiram do lado da
revolução e desde a primeira hora ao lado dos militantes da FAI e da CNT,
nas referidas comunidades. Inclusive, os reformistas contemporâneos fazem
silêncio sobre as tentativas prévias de iniciativa sobretudo de elementos
revolucionários no seio da UGT com participação minoritária da CNT,
seguidas de quente repressão, pelas forças repressivas da Republica
burguesa.
Antes de Julho de 1936 houve múltiplas insurreições e greves armadas
proletárias, dos mineiros nas Astúrias, aos proletários agrícolas na
Andaluzia e noutros locais, insurreições comunistas libertárias onde o
povo de uma aldeia ou de uma vila tomava conta do povoado, das
comunicações, começando logo a colectivização das terras, numa autogestão
de inspiração libertária. Quer fossem membros da CNT a UGT ou de outras
organizações, ou simplesmente revolucionários cultos ainda que analfabetos
muitos deles, tinham ouvido exposições e debatido longamente os ideais e
soluções práticas defendidas pelos escritos de Kropotkin, Isaac Puente e
tantos outros autores.

A intervenção do professor universitário e militante da CGT Félix Garcia
Moriyón chamou a atenção para todo o entorno de uma lei da ?memória
histórica? que está neste momento em discussão no parlamento, por
iniciativa do governo do PSOE, que afinal vai num sentido contrário ao que
seriam as nossas reivindicações fundamentais: nomeadamente que sejam
revistas as sentenças de vítimas da ?justiça? franquista, caso de Granado
e Delgado, de Puig Antich e de muitos outros condenados à morte, que
deveriam ser homenageados como vítimas e como resistentes, assim como uns
largos milhares de sobreviventes dos cárceres franquistas a quem não foi
feita a mínima restituição, nem foi limpo o registo criminal, gesto
simbólico, que o poder hipócrita, resultante do pacto de Moncloa, não tem
a grandeza nem honestidade de efectuar, temendo desagradar a uma
nomenclatura franquista bem instalada no poder (basta pensar nas forças
armadas, nos tribunais e até nos expoentes de partidos tais como Fraga
Iribarne, presidindo ao governo autonómico da Galiza, ministro do Interior
de Franco, directamente responsável pela morte de resistentes).
A tal lei da memória está sendo encarada pelas forças do arco parlamentar
como uma espécie de ponto final, para enterrar por uma segunda vez num mar
de olvido os milhões de vítimas inocentes do franquismo. Eles são os
dignos herdeiros políticos deste regime que começou com o olvido da
chamada ?transição?, o que nunca pode ser uma forma saudável de se
resolver os dramas do passado. Homenagear sem fazer justiça, eis o
?truque? do poder.

Outra coisa não se poderia esperar deles, mas dos meios libertários deve
esperar-se, pelo contrário, uma aprofundada análise das questões que se
colocaram na época, que dividiram então as opiniões, divergências
profundas, que levam a que existam hoje ainda acesos debates nas fileiras
libertárias sobre as questões sensíveis tais como a da participação
anarquista no governo, da renúncia da maior parte dos dirigentes da CNT e
da FAI ao programa revolucionário para ?salvar a república?, para
?combater o fascismo antes de tudo o resto?. Hoje em dia, essas
divergências são causa de profundo debate porque vão ao próprio cerne do
que se considera ser propriamente a ética da acção libertária.
No animado debate que se seguiu à exposição dos oradores, houve vários
intervenientes, incluindo de um membro da CNT de Madrid, mas todos eles
manifestando a vontade forte de unidade na diversidade, a forma natural e
tolerante de nos relacionarmos entre companheiros de um mesmo ideal, ainda
que divididos por diversas escolas de pensamento táctico e estratégico.

Manuel Baptista

Nos dias 15, 19, 21, 22 e 23 de Setembro continuará o ciclo de
conferências debates no Ateneu de Madrid.

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