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(pt) [Brasil] 12 de julho , Às 18:00 na UFF - Niterói, ICHF - Campus do Grag oatá sala 516 - bloco o : «Bakunin, sua história e seu legGragoatá sala 516 - bloco o : «Bakunin, sua história e seu legado»

Date Thu, 13 Jul 2006 10:19:54 +0200 (CEST)


Comunicado da União Popular Anarquista em memória dos 130 anos da morte de
Mikhail Bakunin - Julho de 2006

Debate dia 12 de julho, Às 18:00 na UFF - Niterói, ICHF - Campus do
Gragoatá sala 516 - bloco o

A retomada da memória histórica das lutas passadas dos trabalhadores pela
sua libertação é de extrema importância para o aprendizado presente e para
as futuras batalhas contra a burguesia. Por isso, em memória dos 130 da
morte de um dos maiores revolucionários de todos os tempos, Mikhail
Bakunin, resolvemos fazer uma homenagem que resgata sua importância
enquanto sujeito histórico na segunda metade do século XIX e seu legado
teórico/ político para o Anarquismo ou Bakuninismo.
O revolucionário anarquista Mikhail Alexandrovitsch Bakunin, oriundo de
uma família da nobreza rural, nasceu em 30 de maio de 1814, na cidade de
Premukhimo, província russa de Twer, e faleceu em 1º de Julho de 1876, na
cidade de Berna, Suíça. Como era comum para as elites da época, Bakunin
entrou para o exército em 1829 e chegou a alcançar o oficialato. Em 1835,
trocou a farda e as armas pelos livros e foi estudar em Moscou e São
Petersburgo. Têm seus primeiros contatos com as filosofias e com as
teorias contestatórias do seu tempo em 1834, quando em Moscou participou
de importantes círculos de discussões filosóficas. Nesses círculos teve
acesso a debates sobre autores do romantismo e da filosofia alemã, do
socialismo francês nascente e da questão dos povos eslavos.
Em 1848, ano conhecido como a Primavera dos Povos por causa das inúmeras
revoluções e revoltas contra o despotismo monárquico, em toda a Europa
quase que simultaneamente (Berlim, Viena, Paris, Veneza, Roma, Praga,
Munique, Budapeste e Milão), Bakunin participou do Congresso Eslavo, em
Praga, e da insurreição que o sucedera (a Insurreição de Pentecostes) e no
mesmo ano participou da Revolução Proletária em Paris. No ano seguinte
participou de outra insurreição, esta vez em Dresden (Alemanha).
Por sua intensa atuação revolucionária armada ganhou o rótulo de
terrorista, sendo preso econdenado à morte em 1850.A sentença de morte foi
convertida para trabalhos forçados, prisão perpétua e, finalmente,
extradição para a Rússia. Em 1857 foi exilado na Sibéria, mas em 1861
fugiu para o Japão, passou pelos Estados Unidos e retornou à Europa.
Em 1864, Bakunin reencontra Proudhon, que semanas depois veio a falecer.
Bakunin dá continuidade e aprofundamento à obra de Proudhon à partir de
dois pilares fundamentais: o socialismo e o federalismo. A concepção
socialista é pautada pela identificação da propriedade privada como a
origem das desigualdades econômicas, portanto a revolução proletária
deveria abolir a propriedade. Por sua vez, o federalismo é a base da
igualdade política, pois se opõe a centralização do poder e garante a
efetiva participação política dos indivíduos organizados nas entidades da
classe trabalhadora .
Inserindo-se, portanto, nas lutas do proletariado europeu daquele período,
cujas principaisexperiências foram a organização da Associação
Internacional do Trabalhadores (AIT) e o processo revolucionário da Comuna
de Paris (1871). Podemos afirmar que através de sua militância Bakunin
desenvolveu a sistematização da ideologia e da teoria revolucionárias
anarquistas. Considerando a percepção bakuninista de que as esferas da
sociedade (econômica, política, ideológica e cultural) estão interligadas
num sistema dialético de influência mútua, não poderíamos deixar de
destacar as transformações ideológicas e científicas que marcaram o século
XIX. Uma apreciação crítica da história do anarquismo ou bakuninismo,
enquanto experiência coletiva, orientada por uma ideologia/teoria, deve
indicar que na realidade esta se constitui num fenômeno associado a uma
conjuntura histórica particular: a do surgimento do movimento proletário,
das guerras de unificação nacionais, das lutas republicanas, do
desenvolvimento do capitalismo monopolista, do surgimento da Primeira
Internacional, e finalmente da contra-revolução internacional (depois da
derrota da Comuna de Paris).
Foi no seio da disputa política dentro da AIT que ficaram conhecidas as
principais divergências entre a proposta de Marx e Bakunin para o
movimento operário internacional. Para Bakunin, a exploração burguesa é
sempre solidária, e assim também deve ser a luta dos trabalhadores contra
tal exploração. Dessa forma, o objetivo da Internacional era organizar os
trabalhadores contra o jugo da burguesia. Nos estatutos gerais da AIT
lemos que a emancipação econômica dos trabalhadores é o grande objetivo ao
qual se deve subordinar qualquer movimento político. Foi assim que a
Aliança, seção da Internacional em Genebra, da qual Bakunin era o
principal representante, tinha em seus documentos a determinação de
repelir qualquer ação política que não tivesse por objetivo imediato a
vitória dos trabalhadores sobre o capital. Uma das principais críticas que
Bakunin fazia a Marx era a de que, para este último, a conquista do poder
era a condição prévia para a emancipação econômica do proletariado.
Para Bakunin era necessário que cada país tivesse o direito de seguir as
tendências políticas que mais lhes agradassem. Diante dos impasses
políticos, era fundamental que se preservasse a unidade da Internacional
no campo da solidariedade econômica. Nenhuma teoria filosófica deveria ser
a base ou condição oficial do Programa da Internacional, mas no seio desta
tais questões poderiam ser discutidas e disputadas. Segundo Bakunin era
assim que então se criaria a grande política da Internacional, não
emanando duma cabeça isolada incapaz de abraçar as necessidades do
proletariado, mas da ação livre, dos trabalhadores de todos os países.
Bakunin defendia que as mais diversas posições políticas estivessem
representadas na Internacional desde que respeitassem seu Programa. De
modo algum, como querem alguns pseudo-anarquistas, ele repelia o debate e
a existência de partidos e organizações no interior da AIT, pois estava
convicto da necessidade de uma organização especificamente anarquista que
buscasse influenciar e orientar politicamente os organismos de massa.
O que denominamos bakuninismo não é uma invenção arbitrária e a-histórica,
mas um resgate daquilo que já havia sido dito e praticado por Bakunin. O
que defendemos encontra-se plenamente de acordo com as orientações desse
pensador, segundo o qual para desenvolver e organizar a revolução, os
revolucionários não devem impô-la as massas, mas sim provocá-las,
fomentando sua organização autônoma. Chamou a atenção para o fato crucial
da necessidade de uma coletividade que prepare a revolução e a dirija, e
alertou para vigilância contra a reconstituição de autoridades, governos,
Estados e ambições tanto coletivas como individuais. Portanto, o legado de
Bakunin é de suma importância e não deve ser exemplo só para os
anarquistas, mas para todos os demais revolucionários que seguem
corajosamente construindo a luta pela ruptura revolucionária e pelo
socialismo. Daí a pertinência de reverenciarmos sua memória, lembrarmos de
sua trajetória marcada pelo incansável combate ao lado dos trabalhadores
contra a exploração, contra o capital e pela libertação de todos os povos.

Notas:
1 Podemos citar algumas obras de Proudhon onde as bases do socialismo
e do federalismo foram construídas: ?O que é a propriedade??, ?Do
princípio do federalismo? e ?Sistema das contradições econômicas?.

Viva o Bakuninismo!
Viva a Revolução Social !!


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