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(pt) «A BATALHA» : Apontamentos ao debate sobre «ANARQUIS MO HOJE» na sequência da projecção do FILME «MEMÓRIA SUBVERSIVA»

Date Thu, 13 Jul 2006 09:21:49 +0200 (CEST)


18-05-06, Faculdade de Letras da UL: Apontamentos ao debate sobre
«ANARQUISMO HOJE» na sequência da projecção do FILME «MEMÓRIA SUBVERSIVA»

No Bar Novo da Fac. de Letras da Univ. Clássica de Lisboa, reuniram-se
cerca de três dezenas de estudantes e activistas de várias
proveniências, para visionar o Vídeo «Memória Subversiva».

Zé Tavares, co-realizador, explicou antes do visionamento, a génese deste
trabalho e a difusão que ele teve desde os finais dos anos oitenta, tanto
aqui como no estrangeiro, na qualidade de filme documentário.
O filme centra-se na história do movimento operário e anarquista, do
início do séc. XX ao imediato pós ?revolução dos cravos?, até 1975.
Os últimos 30 anos e o presente foram os temas principais do debate que se
seguiu.
Zé Tavares adiantou explicações para o incipiente desenvolvimento das
ideias anarquistas hoje, em Portugal, tanto no movimento específico,
quanto no sindicalismo de inspiração libertária.
Tal foi considerado um facto incontroverso por todos os presentes. É que,
à diferença de Espanha - com a existência da CNT no exílio e
clandestinidade durante o franquismo, passando à luz do dia depois da
morte do ditador - a CGT portuguesa não conseguiu manter-se, por causa da
repressão e do isolamento, atravessando os 48 anos do fascismo no nosso
país. Essa continuidade mínima permitiria reaparecer à luz do dia enquanto
central sindical sindicalista revolucionária, em 74. O melhor que se
conseguiu foi o reaparecimento de «A Batalha», mas como cooperativa
editorial e cultural, e sem a infra-estrutura confederada e os sindicatos
que eram os seus criadores e sustentáculo, de 1919 a 1926.
A ideias de Zé Tavares nem sempre foram consensualmente recebidas pela
assembleia. Nomeadamente certas ideias receberam uma crítica do autor
deste artigo e também de Fernando Martins, activista libertário e
sindical: Dizia José Tavares que havia um esgotamento do anarquismo, de um
certo anarquismo, que eu chamaria o anarquismo classista, o que tinha como
princípios teóricos o comunismo libertário e o anarcossindicalismo. A tese
do realizador do filme, apoiado por alguns dos presentes, era de que o
sindicalismo era «escusado» porque a classe trabalhadora já não se
apresentava estruturada como nos anos pré 2º Guerra Mundial, e porque um
sindicato seria, independentemente das ideias dos membros e do modo como
se estruturava, «demasiado rígido» mesmo quando de inspiração libertária.
Fernando Martins argumentou com a necessidade imprescindível de
sindicatos, para termos de nossa defesa face ao patronato. Apoiando a
posição do Fernando, fiz notar que era sempre possível desenvolverem-se
colectivos específicos, por afinidade, ou de âmbito sectorial, como os de
problemática ambiental, de feminismo, antimilitarismo, etc., etc., com
esforços paralelos e convergentes de constituição de verdadeiros
sindicatos, ou seja, de instrumentos NOSSOS, de funcionamento
assembleário, ou de base, guiados por um espírito libertário embora
abertos a todos quantos quisessem lutar, no respeito pelos estatutos e
pelas decisões colectivas. No meu ponto de vista, não há nenhuma
contradição em ser-se activista num colectivo específico e também se
participar num sindicato de base.
Houve muito interesse e participação activa de diversos jovens, estudantes
ou trabalhadores precários. O interesse pode ser avaliado pelas duas horas
em que se mantiveram atentos ao visionamento do vídeo, em condições de
algum ruído de fundo, visto se continuar com o bar aberto.
O desejo de participar no debate foi patente; as pessoas intervieram
com maturidade e ponderação.
Os jovens têm interesse pelo anarquismo, não como «coisa do passado»;
querem aprender mais porque têm um sentimento profundo de simpatia pelo
ideal libertário, mesmo quando hesitam em se envolver com grupos concretos
organizados.

Manuel Baptista

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