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(pt) [Brasil] Estudantes nas Universidades: Formação de mão de obra barata e subserviente

Date Tue, 31 Jan 2006 21:37:09 +0100 (CET)


Comunicado nº4 - Janeiro/2006
O atual modelo de acumulação do capital, baseado na liberalização
financeira, comercial e produtiva necessita não só de uma legislação
trabalhista flexível, como também de trabalhadores ?pacíficos?. A
Mundialização do Capital, que trouxe as novas formas de organização da
produção e novas relações de trabalho - como a terceirização - também
chegou à universidade.
O modelo de Reforma Universitária, baseado em ?sugestões? de relatórios do
Banco Mundial, e a nova lei de inovação tecnológica têm como intenção a
transformação das universidades em empresas de prestação de serviços
tecnológicos. Isso não é um dado isolado. A disputa do comércio
internacional pelas grandes multinacionais, como NESTLE, KRAFT, NIKE,
ADIDAS, FIAT, GM e COCA-COLA tem dois lados: a busca por mão de obra cada
vez mais barata e a necessidade cada vez maior de investimento em
tecnologia para desenvolvimento de novos produtos (Chesnais, 2001).
A Universidade Pública tem cumprido esses dois modelos, formando mão de
obra qualificada para lecionar nas escolas e ocupar cargos nas empresas e
estabelecendo parcerias com empresas no desenvolvimento de pesquisa. A UFF
tem vários exemplos de parcerias firmadas com multinacionais como a
PETROBRAS, que recentemente fechou com a universidade um acordo para
construção de um prédio onde se desenvolverá pesquisa na área de
inteligência artificial. A PETROBRAS tem vários acordos com outras
multinacionais como a italiana Pirelli, que desenvolve aparelhos técnicos
e eletrônicos para perfuração de poços em alto mar.As multinacionais
procuram as Universidades e Centros de Pesquisa Públicos justamente para
baratear os custos de pesquisas, encontrando em professores e alunos uma
reserva de mão de obra qualificada e barata.
O processo de privatização e disseminação da proposta político-ideológica
liberal já vem ocorrendo dentro das universidades há algum tempo. Basta
lembrar o caso das Fundações como a Euclides da Cunha, na UFF, que capta
recursos privados (como o acordo que foi fechado com a PETROBRAS) e
possibilita cursos pagos de pós-graduação, coisa que a universidade, como
instituição pública, não poderia fazer por conta própria.
O esquema das Fundações, que se espalham pelo país, é engenhoso. Ele
promove uma espécie de lavagem de dinheiro, pois as fundações tornam
possível o recebimento de capital privado oriundo dos MBA?s e cursos Latu
Sensu pagos, como o da História, repassando algo em torno de 5% para
universidade sob forma de doação, enquanto o restante enche o bolso de
professores e alunos que preferem fazer dinheiro utilizando a estrutura
pública mantida pelo povo trabalhador em vez de lutar pela melhoria e
construção da Universidade Popular.
Existe ainda o acordo da Guarda Municipal e da Policia Militar com o
Núcleo Fluminense de Pesquisas (NUFEP), coordenado pelo Professor de
Antropologia Roberto Kant de Lima. O treinamento das forças de repressão
de Niterói e do Estado do Rio é feito, em parte, dentro da universidade. E
Parece que está dando certo. Essa mesma guarda municipal que aprimora seus
métodos na universidade espanca camelôs e rouba os produtos apreendidos. A
policia militar, por sua vez, mata crianças no Morro do Estado, espanca
trabalhadores em São Gonçalo e estudantes em greve na UFF, assassina em
Queimados e seqüestra crianças em Vigário Geral. A universidade seria mais
útil instrumentalizando as vítimas de todas essas formas de opressão do
que camuflando a repressão policial com o discurso da capacitação.
As universidades públicas, construídas com trabalho usurpado do povo pelo
Estado e pelas empresas, são direcionadas para a exploração dos
trabalhadores. Pesquisas encomendadas por empresas têm o único interesse
de maximizar lucros. A prática conservadora e reacionária de professores
que se aceitam tais encomendas vem promovendo a formação de trabalhadores
subservientes à exploração, pois formam estudantes que já saem de seus
cursos moldados para o mercado, adaptando-se a ele sem capacidade de
crítica. Isso nada mais é do quea ideologia liberal enfeitada com a
máscara do pós-modernismo.
A necessidade de profissionais cada vez mais adaptados às relações de
exploração é uma condição fundamental para o funcionamento do novo modo de
acumulação do Capital. As universidades, através de seus dirigentes e
parte dos professores, fazem isso muito bem; incentivam a formação de
Empresas Juniores, como a Analítica, de Ciências Sociais, e a Meta
Consultoria, da Engenharia, a mais famosa das empresas juniores da UFF.
Sua ideologia é vendida como modelo de aplicação da Ciência aprendida em
sala de aula.
Pela lógica empresarial, todo conhecimento produzido na Universidade tem
como objetivo maximizar os lucros das empresas. Isso é feito através de
acordos com multinacionais, cuja prática aumenta opressão sobre o povo.
Todo esse processo, que transforma a universidade numa empresa prestadora
de serviços ao capital e formadora de mão de obra qualificada (no caso,
barata e subserviente), é a cartilha para educação do Banco Mundial e do
?mercado? (bancos, multinacionais, fundos de pensão, empresas de
consultoria etc.).
Esse tipo de trabalho, ideologicamente afinado com a mundialização do
capital, é necessário para o Governo e para os acionistas das grandes
multinacionais. O índice de desemprego crescente e a competição do Brasil
com pólos periféricos regionais, como o Leste Europeu, mostra a
necessidade imediata de uma geração de trabalhadores dóceis ao sistema.
Assim, fica mais fácil aumentar a produtividade e retirar os direitos
trabalhistas conquistados depois de muita luta.
Infelizmente, os estudantes das universidades públicas brasileiras têm a
doce ilusão de que seu futuro no mercado de trabalho está garantido. A
ilusão de que todos serão grandes pesquisadores das universidades
brasileiras ou altos executivos é apenas a propagação ideológica dos
setores conservadores da universidade, que insistem em afirmar a
neutralidade científica, elitizando cada vez mais os espaços
universitários.
A ilusão vendida, que é muito antiga e ganha força hoje, é a de que
através de uma boa qualificação, o que significa investir em mestrados e
doutorados (em muitos casos pagos), torna-se possível alcançar o
?estrelato?. A verdade é que apenas uma minoria ascende. A maioria dos
estudantes será mão-de-obra qualificada e barata nas empresas públicas e
privadas, escolas e universidades. E ainda aceitarão sua condição de
explorados com naturalidade, afinal a própria universidade incentiva a
lógica empresarial, adaptando currículos às necessidades dos agentes do
mercado.
Na medicina, por exemplo, ideal de sucesso social, a maioria dos
estudantes, oriunda da classe média e da burguesia, pouco se importa para
situação dos Hospitais Públicos, ou para o desenvolvimento de uma Medicina
Social Preventiva no Interior e nas periferias e favelas do país,
preferindo abandonar a profissão a suprir a falta de médicos nesses
locais. Na economia, vemos a eterna reprodução das teorias ortodoxas
liberais. Nos cursos de História e Ciências Sociais, ignoram-se autores
como Proudhon, Lênin, Bakunin e, até mesmo, Florestan Fernandes, conhecido
apenas como nome de auditório, e quase nunca trabalhado em sala de aula.
O quadro real da relação formação-trabalho é bem claro e tem apenas duas
preocupações: 1) a formação de profissionais tecnicamente qualificados e
2) a formação política dos novos trabalhadores dentro dos moldes do
pensamento liberal. Esse quadro propaga como vertente principal a
ineficácia da ação coletiva, deslegitimando os Sindicatos e as demais
organizações dos trabalhadores. Ao aceitar tal ideologia, o estudante
torna-se um trabalhador passivo e subserviente.
Como contraposição a essa lógica mercadológica, existem projetos concretos
em construção na UFF. A Oficina de Ciências Sociais é um desses projetos.
Nela a ciência é um instrumento para a libertação do povo e não para o
fortalecimento de seus grilhões.
Nesse contexto, o movimento estudantil revolucionário e popular tem o
dever de formar, nas ações diretas, o trabalhador de amanhã. Só através da
ação direta, que quer dizer ação coletiva organizada não necessariamente
vinculada a partidos, por exemplo, piquetes, paralisações, greves gerais,
barricadas, fechamentos de rodovias entre outros, pode-se desmistificar a
falácia de que as soluções para os problemas sociais estão na conquista de
um bom emprego ou em qualquer outro caminho individualista. Até mesmo
porque, conquistas individuais, como a aprovação no vestibular e a
conclusão de um curso, não significam garantias de melhoria de vida,
principalmente em um contexto de desemprego estrutural, que sempre
acompanha os ?avanços? neo-liberais.
A Ação Direta Estudantil tem como objetivo principal organizar estudantes
secundaristas e universitários numa forte corrente de solidariedade e luta
pela conquista de uma educação que seja popular , democrática e de
libertação , e pela Universidade Popular: aberta ao povo, a serviço do
povo. Além disto, busca contribuir com a organização e luta popular mais
ampla rumo à construção do Poder Popular, ou seja, uma sociedade justa,
solidária e livre.

Fora Cursos Pagos!
Por uma Escola popular e de libertação!
Pela Universidade Popular!


Email: acaodiretaestudantil@pop.com.br
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