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(pt) Anarquismo Coletivista - O Bakuninismo

Date Sun, 29 Jan 2006 12:45:46 +0100 (CET)


ANARQUISMO COLETIVISTA - O BAKUNINISMO
Texto produzido pelo COLETIVO PRÓ ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA EM GOIÁS
Goiânia, Goiás - 2005
Anarquismo Coletivista - O Bakuninismo: elementos de um programa anarquista
Apresentação
Por trás do termo ?anarquismo? existe uma diversidade imensa de correntes.
Coletivistas, individualistas, anarco-comunistas, anarco-sindicalitas,
todos se reúnem sobre um mesmo termo, que, como já dizia um ditado citado
constantemente por Bakunin, ?se muito abraça, mal abarca?. A história do
anarquismo foi construída em grande parte visando percorrer a unidade, o
que havia de comum, de harmonia entre os anarquistas de todos os tempos e
de todas as correntes. Esta busca daquilo que pudesse unir e dar sentido
ao termo ?anarquismo? acabou por desmerecer ou, pelo menos, subestimar as
diferenças e a especificidade de cada corrente. Torna-se extremamente
falho acreditarmos que podemos extrair algumas partes do pensamento de
cada corrente, isolando esta parte do todo, e assim chegar à compreensão
do anarquismo. Isolar partes de um pensamento é tirá-lo de seu contexto e
perder a possibilidade de compreensão de sua totalidade. Pois, muitos
elementos do pensamento de uma corrente só têm sentido dentro da
totalidade do pensamento desta corrente, isolados, se transformam em outra
coisa.

Um exemplo disto é a idéia de liberdade individual, que para muitos
historiadores do anarquismo, seria um princípio do anarquismo. Para os
coletivistas, a liberdade do indivíduo é um produto coletivo, e, assim, só
pode existir na sociedade e pela revolução da sociedade. Já os
individualistas, quando falam em liberdade do indivíduo, falam em uma
oposição entre indivíduo e sociedade e tratam toda coletividade como
autoritária. Neste sentido, que princípio é este do anarquismo? Embora as
palavras são as mesmas, ?liberdade individual?, não se trata da mesma
coisa. O conceito de liberdade, assim como vários outros conceitos, só
podem ser compreendidos no interior do pensamento total de cada corrente
do anarquismo, sem isolá-los de seu contexto e de seus nexos. Por isto,
achamos importante fazer o processo contrário ao movimento de grande parte
dos historiadores. Ao invés de buscarmos o que há de comum no anarquismo,
achamos que é importante nos debruçarmos sobre cada corrente do
anarquismo, compreendendo a sua totalidade e, portanto, o que há de mais
característico nela. Achamos que assim poderemos começar a compreender o
anarquismo com maior profundidade.

Este texto trata justamente da corrente conhecida historicamente por
coletivismo. Ela surge no século XIX, tomando a sua forma a partir da
década de 60, quando é formada a Fraternidade Internacional Revolucionária
e, posteriormente, a Aliança da Democracia Socialista. Trata-se da
primeira forma política do anarquismo, um primeiro agrupamento de
anarquistas. O objetivo do nosso texto é o de tentar compreender o
coletivismo em sua totalidade, isto é, compreender o seu método de análise
da realidade, os objetivos que apresentavam e os meios pelos quais
acreditavam serem fundamentais para chegar ao objetivo finalista. Em uma
palavra, poderíamos dizer que buscamos neste texto sintetizar o que seria
um programa anarquista dos coletivistas.

A fonte principal que utilizamos são os escritos de Bakunin. Ele foi, sem
dúvida nenhuma, aquele que elaborou as idéias coletivistas e, sendo seus
escritos de fundamental importância e mais acessíveis para nós do que os
de seus outros companheiros coletivistas, os tomaremos como fonte
fundamental. Desta forma, se confundirá o pensamento de Bakunin com o
coletivismo. Pois, afinal o bakuninismo e o coletivismo são a mesma coisa.

Não trataremos aqui de compreender todo o pensamento de Bakunin de uma
forma profunda, mas, pelo menos de forma bastante geral, alguns elementos
fundamentais para a compreensão de seu programa anarquista. Pensamos que
dois motivos justificam a nossa tentativa de resgatar de uma forma
sistemática um esboço de um programa revolucionário bakuninista. Primeiro,
devido à falta de compreensão sistemática do pensamento de Bakunin, e, em
segundo lugar, por acreditarmos que o bakuninismo ainda tem muito que
contribuir com a organização dos anarquistas na atualidade. Reivindicado
por muitos e criticado por tantos, o certo é que entre admiradores e
adversários, uma falta de compreensão do pensamento de Bakunin é algo
bastante comum. Acusá-lo de espontaneísta, de baderneiro, de alguém que
tinha paixão única pelo caos e pela destruição, foi atitude constante em
meios mais diversos. Esta falta de entendimento da totalidade do
pensamento de Bakunin é fruto, primeiramente, do modo como foi
constituindo-se uma memória histórica sobre o anarquismo e os anarquistas.
Uma memória que elevou ao extremo a distinção entre marxismo e anarquismo,
fornecendo ao primeiro o máximo de organização, disciplina, ciência,
análise materialista, e restando ao último apenas o idealismo, o
espontâneo, o caótico. É claro que, em parte, a falta de compreensão da
totalidade do pensamento de Bakunin se deve a dois fatores de caráter
intrínseco aos seus escritos: a fragmentação de sua obra e a complexidade
de seu pensamento. Para conhecermos o pensamento de Bakunin, precisamos
revirar textos e textos fragmentados, que começam com um tema e terminam
com outro, que apresentam detalhes sem aprofundá-los ou que iniciam um
aprofundamento que é bruscamente interrompido. Tudo isto contribui para
que grande parte de seus leitores não conheça o conjunto de seu
pensamento, mas apenas fragmentos que são generalizados e causam, assim,
sérias confusões. Conhecer apenas fragmentos da obra de Bakunin torna-se
um risco devido à complexidade de seu pensamento. Como disse o Coletivo
Anarquista Organizado Luta Libertária:
Compreender apenas parte daquilo que propugnava Bakunin não
necessariamente contribui para o entendimento do que era de fato a
proposta bakuninista. Pelo contrário, conhecer apenas parte do pensamento
de Bakunin pode nos levar a enganos ... Ao generalizar um dos aspectos
particulares do anarquismo de Bakunin, tornando-o absoluto, implicitamente
expurgam outros prismas como algo estranho ao próprio bakuninismo. É desta
forma que podemos encontrar nos escritos de Bakunin tanto textos que
exaltam a espontaneidade, quanto textos que nos falam da necessidade de
disciplina e unidade de ação. (BAKUNIN, s.d., p. 100).

A segunda importância de tratarmos deste tema, diz respeito ao fato de
acharmos que o coletivismo ainda tem muitas contribuições para apresentar
para a luta dos anarquistas na atualidade. Não se trata de ler Bakunin
buscando-o como regra para a ação no mundo atual. Longe de nós tal idéia.
Trata-se, sim, de compreender a totalidade do seu pensamento sabendo que
ele é fruto de sua própria época, e poder, ao mesmo tempo, indicar o que
ainda pode ser relevante e o que já não faz mais sentido para o nosso
tempo. Não se trata também de isolar partes de seu pensamento e
construirmos um frankestein, mas, de conhecer o programa bakuninista e
pensar o modo como ele contribui para a construção de um programa
anarquista para a atualidade. Neste sentido, o presente texto tem um
objetivo político. Não é simples gosto literário ou acadêmico, mas uma
necessidade de construir ferramentas teóricas precisas que, em diálogo com
a nossa prática cotidiana, serão fundamentais para orientar a nossa luta.
Sabemos que corremos o risco de ignorar muitos elementos que para muitos
são fundamentais para entender o pensamento de Bakunin. Podemos, também,
generalizar aspectos que são apenas parte de seu pensamento e que por
falta de acesso a alguma fonte importante somos conduzidos ao erro. Outras
vezes, sabemos que a nossa interpretação das obras poderá não corresponder
à interpretação que muitos fazem. Porém, nos dispusemos a enfrentar os
riscos, por acharmos que estamos apenas dando apenas mais um chute e que
muito ainda temos que esperar das críticas e sugestões de outros
companheiros e organizações anarquistas.

TEXTO COMPLETO, VER EM:
http://www.anarkismo.net/newswire.php?story_id=2215


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