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(pt) A BATALHA N. 214: O erro de paralaxe eleitoral

Date Sun, 15 Jan 2006 11:08:51 +0100 (CET)


por Júlio Palma

E contudo as coisas movem-se. Já o soubera Platão por Heraclito que «diz
algures que tudo está em mudança e nada permanece parado». Em Fevereiro,
essa entidade obscura e confusa que se chama eleitorado havia
proporcionado ao Partido Socialista uma maioria absoluta no Parlamento. É
muito fácil a partir de uma situação dessas cair na tentação da «tirania
da maioria» e até, quem sabe, empreender a construção da «tirania
totalitária». O Partido Socialista seduziu o eleitorado com promessas.
Crê-se que o prometido é devido. É possível a outros níveis mas não no
circo da democracia representativa. Aqui o embuste faz parte do jogo
político. Estamos no reino da patranha.
Um eleitor iludido facilmente muda de ilusão. As autárquicas provaram-no.
Um Partido Social-Democrata que fez o que fez no governo foi como que
lixiviado por eleitores desmemoriados. Embora vistas daqui, das margens do
Guadiana, as autárquicas apareçam mais avermelhadas do que alaranjadas.
Talvez porque aqui entre Tejo e Odiana, a velocidade seja diferente ?
devagar, devagarinho. A seca ajuda e desajuda. Devagar combate-se com mais
facilidade a amnésia. Devagarinho o tempo é desajudado na sua acção
deletéria. Claro que praticamente já ninguém fala de reforma agrária. E
todavia os campos aí estão à espera...
Nota-se falando com algumas pessoas uma certa aversão, uma certa
antipatia, em relação ao Partido Comunista, mas não se percebe bem porquê.
Pela sua condição social dava ideia que deviam olhar com naturalidade para
o Partido Comunista. É esquisita aquela posição, tanto mais que este
partido ainda continua a falar de trabalhadores, de operários, de lutas
salariais e sindicais, de greves. Haverá aqui certamente outros interesses
que a seu tempo serão descortinados.
Passada que foi a recomposição produzida pelos resultados das autárquicas,
aí estão as presidenciais. É fartar eleitoragem!...
Do que li aqui (e as notícias chegam-me sempre atrasadas) lá está outra
vez Cavaco Silva. Tanto tabu, tanto tabu, no fim de contas a montanha do
tabu pariu uma rata. Uma ratinha, sim, senhor!
«Eu não me resigno», diz ele. Aquela história da moeda boa e da moeda má
aplicada às presidenciais pode ter resultados estapafúrdios. Já tínhamos
lido numa velha História Sumária do Pensamento Económico . de Émile James,
«que Gresham tivera razão ao dizer que a boa moeda foge sempre dos países
onde ela é taxada artificialmente em relação a outra pior». Em relação às
presidenciais pode-se dizer, por hipótese, que Cavaco e Soares são as duas
faces do mesmo maravedi. Será que o maravedi vai fugir? Mas o maravedi já
não circula, pois não? Cavaco é mau, Soares é mau, tau, tau, tau, tau.
Então o melhor seria acabar com o lugar de Presidente da República. As
duas caras do maravedi desistiam, porque de facto não valem nada, e o
actual presidente entraria na pré-história enquanto dizia: acabou-se, vou
sair e sou eu que fecho a porta da casinha.
Mas se calhar, como o eleitorado continua iludido, ainda se acaba por ter
um maravedi só com uma face. Aí, Portugal seria mais original do que a
original Inglaterra!

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