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(pt) Artigo da Wikipedia: História do movimento anarquista em Portugal

Date Mon, 27 Feb 2006 11:32:01 +0100 (CET)


http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_movimento_anarquista_em_Portugal
História do movimento anarquista em Portugal da década de 70 do século XIX
até à actualidade, com destaque para as publicações libertárias.

No final do século XIX dá-se o desenvolvimento de grupos anarquistas, que
contribuíram para o derrube da monarquia em 1910. Com a 1ª república há
uma grande expansão e é fundada em 1919 a Confederação Geral dos
Trabalhadores, de tendência sindicalista revolucionária e
anarco-sindicalista. Com a instauração da Ditadura Militar em 1926, e com
a ditadura de Salazar que se lhe seguiu, proíbe-se a actividade dos grupos
anarquistas. Em 1933 a censura prévia é legalmente instituída. Os vários
jornais anarquistas, incluindo ?A Batalha?, passam a ser clandestinos e a
ser alvos de perseguições. Em 1938 tenta-se assassinar Salazar. Com o 25
de Abril de 1974 há um novo ressurgimento do movimento libertário, embora
com uma expressão muito reduzida.

Considera-se 1886 como o ano do início da actividade anarquista em
Portugal. No entanto já antes se faziam sentir as influências das ideias
de Proudhon em muitos intelectuais, como nos escritores Antero de Quental
e Eça de Queirós.

Há pelo menos um nome a destacar, no início do anarquismo em Portugal, que
é o do médico Eduardo Maia. Já em 1873, ainda jovem, apresentou uma
conferência baseada nos congressos da Associação Internacional dos
Trabalhadores, em que põe em causa o direito de propriedade. Ele é
considerado como fundador da corrente anarquista pós-proudhoniana. Em 1879
é adepto do anarco-comunismo de Kropotkine, e fez escândalo ao declarar-se
publicamente como anarquista. Fez parte do Grupo Comunista-Anarquista de
Lisboa em 1887 e do Grupo Revolução Social em 1894. Colaborou no semanário
socialista ?pensamento social? nos anos 1870, onde foram publicados
artigos considerados anarquistas. Colaborou também no ?revoltado? em 1897.

O lançamento do movimento libertário em Portugal é no ano de 1886, a
partir da vinda do geógrafo Elisée Reclus e do seu encontro com José
António Cardoso.

Em 1886 formou-se um comité anarquista que editou um órgão mensal com o
seu nome: ?A Centelha?.

Com excepção do sindicalismo de acção directa, o anarquismo foi a
componente do movimento social que exerceu mais influência na sociedade
portuguesa entre 1886 e 1936.

A partir de 1886 houve um grande crescimento do número de grupos
anarquistas. Em cada ano há, em média, cerca de 10 novos grupos. A
corrente predominante é a do comunismo-anarquismo.

Intensificou-se também a actividade de propaganda libertária. Ao longo de
10 anos, a partir de 1886, surgiram 24 periódicos. A maior parte não durou
mais de 10 números. No entanto o jornal ?A Revolução Social? de 1887 do
Porto publicou-se ao longo de 48 números. ?A Revolta?, fundada em 1889, no
Porto, publicou 19 números. ?A Revolta? (2ª série), de 1892, de Lisboa
publicou 44 números. ?A Propaganda? criada em 1894, em Lisboa, publicou 61
números. Houve também periódicos noutras cidades como Coimbra, Covilhã e
Aveiro.

Nessa época fazia-se sentir repressão sobre os anarquistas, nomeadamente
em 1893 e 1886, ano em que surgiu a lei anti-anarquista. Este novo
instrumento repressivo permite doravante a prisão de quem quer que seja
que «apoie, defenda ou incite, oralmente ou por escrito, a acção
subversiva(...) ou que professe as doutrinas anarquistas». A imprensa
ficou formalmente proibida de se fazer eco dos atentados, dos inquéritos
policiais e do desenrolar dos processos. A mínima alusão, mesmo velada,
implicava a suspensão do jornal, a penhora das publicações, e obrigava as
tipografias a uma pesada multa de 500 mil reis.

Graças aos métodos expeditivos, a justiça portuguesa lança assim para
deportação, para a Guiné-Bissau, para Moçambique e sobretudo para Timor,
algumas «centenas de operários» perigosos ou suspeitos.

Apesar da perseguição foram publicados alguns jornais clandestinos como ?O
Petardo Anarquista? (Aveiro, 1896) e ?O Revoltado? (Coimbra, 1898). Mais
tarde surgiram ?O Germinal? (Lisboa, 1900) e ?O Agitador? (Porto, 1901).

Em 1908 surgiu ?A sementeira? que durou 11 anos, embora com uma suspensão,
sendo a publicação anarquista de maior longevidade e que reuniu um mais
vasto e qualificado conjunto de colaboradores, até 1919.

No final da monarquia, de 1908 a 1910 os republicanos aliaram-se aos
anarquistas para implantarem a 1ª República, em 5 de Outubro de 1910.
Foram principalmente operários que lutaram e morreram nas revoltas,
enquanto os dirigentes republicanos se protegiam nos seus palacetes,
esperando o resultado do golpe, para depois aparecerem como heróis da luta
contra a monarquia.

Mas logo em 1911 e 1912 o governo republicano reprime o movimento
operário, e muitos operários que apoiavam a república aderiram ao
anarquismo. O ritmo de constituição de grupos anarquistas acelera-se,
passando de 11 em 1910, são criados mais 61 em 1911, 50 em 1912, 44 em
1913, 57 em 1914, 35 em 1915. Uns trinta novos periódicos vêm tornar mais
considerável a imprensa especificamente anarquista entre 1911 e 1916. O
facto mais significativo, todavia, reside talvez na criação, pelos
militantes, duma Federação Anarquista do Sul (1911), duma outra no Norte
(1912) e duma União Anarquista do Algarve (1912), motivados pela
preocupação e eficácia. A ascensão espectacular do socialismo libertário
parece tanto mais irresistível na medida em que os seus partidários tomam
conta do movimento sindical no Congresso de Tomar, em 1914.

Com a 1ª guerra mundial, dá-se a divisão do movimento anarquista e o
jornal ?A Aurora?, a tendência antibelicista acusa os ?anarco-guerreiros?
de terem esquecido os ideais pacifistas e de empurrarem os países para uma
aventura militarista de incalculáveis consequências.

Simultaneamente organiza-se o sindicalismo, de tendência sindicalista
revolucionária e anarco-sindicalista. A União Operária Nacional é
substituida pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) em 1919. É então
criado o diário «A Batalha» que foi fechado pela ditadura pré-fascista em
1927. É de referir que a CGT aderiu à AIT em 1923. ?A Batalha? tinha uma
grande tiragem e era muitas vezes lida em voz alta nas cantinas das
fábricas, porque muitos operários eram analfabetos. Era por isso o jornal
que chegava a um maior número de pessoas.

No início dos anos 20 surgiram vários jornais libertários como o semanário
«A Comuna» (Porto, 1920). Na Ilha da Madeira surgiu ?O Operário?, um órgão
anarco-sindicalista.

Em 1923 é criada a União Anarquista Portuguesa (UAP).

Os anos 20 foram anos de grandes movimentos sociais em que os anarquistas
tiveram um papel importante.

Em 1926, realizou-se em Marselha, o Congresso da Federação de Grupos
Anarquistas de Língua espanhola em França, de 13 a 16 de Maio. Este
congresso havia acordado constituir a Federação Anarquista Ibérica (FAI)
bem como a sede desse organismo, dadas as condições anormais de Espanha,
fosse fixada em Lisboa, incumbindo a UAP desse trabalho, a qual
oportunamente promoveria «um Congresso Ibérico para dar carácter
definitivo à dita Federação».

O congresso da UAP, a tal respeito deliberou: «Que seja incumbido o Comité
Nacional da UAP de promover uma reunião de delegados do Comité de Relações
da UA Espanhola, onde sejam tratados os principais assuntos do movimento
internacional e em especial a constituição da FAI».

Entretanto, porém, a União Anarquista Espanhola promove a Conferência
Anarquista de Valência, em Junho de 1927, na qual a UAP se fez representar
por um delegado directo. Esta conferência mantém a decisão de Marselha
quanto ao Comité da FAI, cuja sede deveria fixar-se em Lisboa, visto as
condições anormais continuarem em Espanha.

A questão é que essa anormalidade na Espanha, reproduziu-se em Portugal,
com continuadas repressões, vários elementos activos foram deportados para
África, ficando os restantes sob uma perseguição feroz e o Comité de
Relações nunca pôde ser organizado em Lisboa, criando-se mais tarde em
Sevilha.

Poucos dias depois do Congresso de Marselha, dá-se o golpe militar de 28
de Maio de 1926, que esteve na origem de uma ditadura militar (1926-1933)
e alguns anos mais tarde, em 1933, instaurou-se o Estado Novo, ou ditadura
de Salazar, que durou até a 25 de Abril de 1974 (revolução dos cravos).

Mas muitos libertários não reagiram logo contra os militares. ?A Batalha?,
logo no dia 29 de Maio de 1926, publicava, em fundo, a indicação ao
proletariado organizado de que deveria manter-se «na expectativa» perante
o movimento militarista. Era uma resolução contrária às próprias
resoluções da CGT e da restante organização, que em sessões comícios,
etc., desde há muito vinha preparando-se contra tal movimento. Nesse
sentido deliberou o Comité Confederal, reunido nesse mesmo dia, indicar à
redacção a conveniência de que a orientação do jornal fosse conforme ao
espírito da CGT. O conflito entre o Conselho Confederal da CGT e a
redacção de ?A Batalha? ainda durou o que fez desorientar o proletariado
organizado e este não deu resposta imediata ao golpe militar fascista.

Com a ditadura, a repressão intensifica-se. Em 1933 a censura prévia é
legalmente instituída. Os vários jornais anarquistas, incluindo ?A
Batalha?, passam a ser clandestinos e a ser alvos de perseguições.

Em 1936 a CGT ainda se faz representar no congresso da CNT, em Saragoça.

Em 1938 o movimento anarquista é já precário. Um grupo de militantes,
entre os quais Emídio Santana, fez um atentado falhado contra Salazar,
para tentar ajudar a Espanha contra Franco.

A partir dessa altura deixa praticamente de existir um verdadeiro
movimento, devido à repressão e ao desmantelamento das organizações. É o
Partido Comunista Português que se vai desenvolver, e que devido às suas
características autoritárias (e com o apoio de Moscovo), se vai tornando a
principal força de oposição ao regime ditatorial.

O actual movimento libertário foi relançado nos anos 70. De 1973 a 1986
foram lançados como porta-vozes de grupos ou indivíduos cerca de 40
publicações, de entre as quais: ?O Clarão? (Londres, 1973), ?Novaporta?
(Paris, 1973), ?Portugal Libertário? (Meaux, 1974), ?A Ideia? (Paris,
1974). Dá-se o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e surgiram logo novos
jornais. Foi fundada ?A Batalha? (Lisboa, 1974) por Emídio Santana e
outros velhos militantes. No ano seguinte viram a luz ?Voz Anarquista?
(Almada), ?O Pasquim? (Cascais), ?O Estripador? (Amadora) em Lisboa
saíram: ?A Merda? que teve grandes tiragens, ?O Peido?, ?Acção Directa?,
entre outros. Em 1976 editaram-se ?Satanás? (Almada), ?Apoio Mútuo?
(Évora), ?Agitação? (Coimbra), ?O Chato? (Porto). ?Sabotagem? (Lisboa),
?Subversão Internacional? (Lisboa) nasceram em 1977. Seguiram-se-lhes em
1978 ?Revolta? (Leiria), ?O Meridional? (Faro), ?Recortes do Arco da
Velha? (Leiria). Em 1979 ?Informações e Contactos? (Lisboa). Em 1985 saiu
?Antítese? (Almada). Em 1986 publicou-se ?A Revolta? (Leiria), ?Maldição?
(Coimbra) e ?Pravda? (Coimbra). Esta lista não contém todas as publicações
dessa época, e nem todas as publicações são consideradas por todos
anarquistas, mas são ou foram consideradas libertárias.

Nos anos 90 do século XX, editaram-se diversas publicações libertárias (há
uma grande variedade ideológica, de conteúdos, e de forma) de entre as
quais: ?A Batalha? (Lisboa), ?Acção Directa? (Camarate), ?Anatopia?
(Lisboa), ?Boletim de Informação Anarquista? (Almada), ?Coice de Mula?
(Lisboa), ?Fysga? (Porto), ?Inquietação? (Porto), ?Insurreição? (Porto),
?O Sal da Ira? (Lisboa), ?Singularidades? (Lisboa), ?Tambor? (Paredes) e
?Utopia? (Lisboa).

Actualmente editam-se várias publicações em papel e têm vindo a surgir
várias páginas web e blogues de inspiração anarquista.

Bibliografia:

Almanaque de A Batalha 1926. Lisboa, Edições Rolim, 1987
FONSECA, Carlos da. Para uma análise do movimento libertário e da sua
história. Lisboa, Antígona, 1988
FONSECA, Carlos da. A origem da 1ª Internacional em Lisboa. Lisboa,
Editorial Estampa, 1973.
LIMA, Campos. O Movimento Operário em Portugal. Porto, Afrontamento 1972
(1ª ed. 1904?)
SOUSA, Manuel Joaquim. Últimos tempos de acção sindical livre e do
anarquismo militante. Lisboa, Antígona, 1989 (1ª ed. de 1938).
TENGARINHA, José. História da Imprensa Periódica Portuguesa. Lisboa,
Editorial Caminho, 1989.
VIANA GONÇALVES, J. M.. A evolução anarquista em Portugal. Lisboa, Edições
da Seara Nova, 1975 (1ª ed. 1895).

Ligações externas[*]
História do Movimento Anarquista em Portugal de Edgar Rodrigues
a-infos ? agência de notícias anarquista
A Ideia ? revista libertária
Acção Directa ? blogue da revista
Centro de Cultura Libertária
Edições Antipáticas
Edições Discórdia
Herege Social ? e-zine libertário
Luta Social ? blogue de luta de classes
Terra Viva - Terra Vivente - Associação de Ecologia Social
Utopia ? revista anarquista de cultura e intervenção

Retirado de
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_movimento_anarquista_em_Portugal";

[*]Ver as ligações externas referidas, no sítio correspondente
ao artigo da wikipedia acima transcrito (nota do editor da A-Infos-pt)

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