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(pt) Eleições Parlamentares Palestinianas: A Vitória do H amas

Date Fri, 3 Feb 2006 11:36:45 +0100 (CET)


por Ilan Shalif - Anarchists Against the Wall (a título pessoal)

O esquema maquiavélico do Nazionismo faz ricochete

[Um comunista anarquista de Israel faz uma breve análise
das eleições para o parlamento palestiniano que resultaram
na derrota do partido antes maioritário (a Fatah) tendo
vencido o fundamentalista Hamas, que concorreu sob o lema
de "Mudança e Reforma".]

A elite governante de Israel, que estava a contar com a
boa vontade da OLP e da Fatah para um compromisso em
ordem a deixá-los ter alguns dos territórios ocupados na
guerra de 1967 (se pressionados durante tempo suficiente),
fez um erro de cálculo. Uma parte desses esforços
enfraquecidos incluíam o favorecimento do fundamentalista
Hamas, que supostamente iria sustituir a tendência
nacionalista por uma agenda religiosa. Os efeitos desta
estratégia levaram, simplesmente, a um enfraquecimento
da corrupta autoridade palestiniana, para níveis demasiado
graves para serem controlados, dando ao contrário aos
israelitas um governo do Hamas, mais fundamentalista e
menos corruptível, que adoptou uma fundamentalista e
activa luta contra a ocupação, sob um prisma religioso
(o extremismo nacionalista da religião não se confina à
religião Judaica...).
O sistema capitalista moderno depende da classe capitalista
que controla a burocracia de Estado. Quando o sistema
capitalista é imposto pelos ex-governantes coloniais, sem
uma classe capitalista suficientemente forte, a burocracia
de Estado ou os militares de alta patente tomam o controlo.
No caso dos territórios palestinianos devolvidos para serem
administrados pela burocracia e força militar da OLP no
regresso, não havia influência moderadora de uma classe
capitalista forte e local. Portanto, os funcionários de alto
nível entre os retornados serviram-se da corrupção para se
enriquecerem e subornaram os funcionários mais baixos para
garnatirem a sua lealdade. A classe trabalhadora e os
camponeses podiam apenas invejar a nova elite governante
corrupta. Este sistema não podia funcionar correctamente
pois não era independente das forças de ocupação israelitas,
que favoreciam o crescimento do fundamentalista Hamas.

Então o Hamas, que distribuiu muito auxílio aos mais
necessitados, também através das ONGs por eles controladas
em áreas tais como cuidados médicos, educação e serviços
sociais, comportava-se num modo que parecia ser não-corrompido,
assegurando assim muita simpatia e votos, mesmo de gente
que não se podia considerar fundamentalista.

Pelas sondagens sobressai que os votantes da Fatah e do
Hamas não diferiam assim tanto em relação ao nível do seu
fervor religioso. Mas existiam duas outras razões não
relacionadas com a religião que fizeram as pessoas votar
no Hamas: a primeira, foi como punição da corrupção dos
líderes da Fatah e a outra em apoio a uma luta mais
sistemática com Israel.

Além disso, a Fatah estava muito desorganizada em resultado
de conflitos internos e de assalto constante das forças de
Israel, e tão afectada por rivalidades internas que o Hamas
conseguiu aumentar o número de deputados para além do que
os seus fiéis votantes normalmente permitiriam.

O Hamas em si mesmo não é monolítico. A principal motivação
dos seus principais activistas é de promover a religião
Islâmica, por isso usaram uma militância nacional extremada
durante vários anos. Porém, há muitos que estariam de acordo
em chegar a compromisso com Israel e poderes imperiais em
ordem a manterem-se no topo, ou enquanto factor importante.

Não é por acaso que, num município onde o Hamas obteve o
controlo do conselho municipal há um ano, apenas foram
eleitos os candidatos da Fatah, ou que na pequena aldeia
de Bil'in em que o comité popular nacionalista tem feito
um bom trabalho na luta contra o muro, a Fatah obteve mais
20 votos que o Hamas.

O Hamas alcançou cerca de 42.9% do total dos votos nas
actuais eleições palestinianas. Porém, devido à
desorganização da Fatah, e ao processo eleitoral - metade
(66 lugares) eleitos em voto proporcional e metade por
região (66) - obtiveram 56% dos lugares no parlamento
palestiniano. Agora, têm de decidir (ou separar-se) se
querem usar o seu novo poder para promover o seu
fundamentalismo servindo-se do sistema da Autoridade
Palestiniana e parar a resistência militar em troca de
uma legitimação aos olhos dos principais estados
capitalistas.

Ilan S.


Artigo escrito para Anarkismo.net
Tradução por Manuel Baptista (Luta Social)




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