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(pt) [Patagônia Argentina] entrevista com Pablin, membro doEspaço Social e Livre [ca]

Date Tue, 26 Dec 2006 23:12:27 +0100 (CET)


"Neste momento estamos construindo-o de uma forma autogestionada"

[A seguir entrevista com Pablin, membro do Espaço Social e Livre
Formigueiro Negro, de Neuquén, Capital, na Patagônia Argentina.]

Agência de Notícias Anarquistas > Como é que está o movimento anarquista
em Neuquén, na região da Patagônia? Que atividades promovem?

Pablin < Compa, o movimento em Neuquén e na Patagônia é incipiente, eu não
acredito que isso tenha mais de dez anos... assim se poderia dizer de uma
forma mais visível, mais grossa... Pelo menos é o que eu sei.

Há compas que atuam a nível estudantil (universitário e secundário),
anarcofeminismo, e em outras partes do sul há formas diferentes de viver o
anarquismo (como tomada de terras e vida autogestionada etc).

Nós por aqui temos um espaço físico meio cedido, meio ocupado (uma
história à parte) que tem por nome Espaço Social e Livre Formigueiro
Negro, é um lugar que estava feito merda, como se tivessem bombardeado.
Neste momento estamos construindo-o de uma forma autogestionada. A
autogestão foi toda uma opção já que nos tentaram via governo a receber
grana de distintos programas de política social, e há muitos grupos
autônomos ou anarquistas que estão nessa. Mas como dizemos, nós não
podemos dar esse luxo da autogestão à pleno, porque o nosso tem a ver com
nós mesmos, todavia não temos obrigações com terceiros que estão muito
mal, como crianças em situação de risco ou desempregados/as.

Neste ano e meio reconstruindo o local, com a opção da autogestão, fomos
ganhando o respeito de muitos companheiros/as que foram se somando ao
trabalho e nos foram doando um montão de coisas (material de construção,
portas, janelas, cassetes e gravador para a rádio, grana etc). Por
exemplo, um vizinho que é pedreiro nos deu uma porta de aço, muito útil
para a frente do local, que era para uma ampliação de sua casa. Também
diferentes vizinhos nos encorajaram e de certa forma eles cuidam de nós,
contam-nos que é um grande valor não deixarmos ninguém comprar o imóvel e
que sigamos assim...

Nós nos autogestionamos com uma posto de venda de livros, películas,
música etc. (material anarquista e político em geral), isso já há 2 anos e
cada vez mais vai crescendo em vários pontos da cidade, como na feira de
artesãos e na feira de troca.

No espaço funcionará uma biblioteca livre e uma biblioteca especifica
(anarca, de movimentos sociais e outras tendências políticas) que se chama
A Tintatinto, isso já está há três anos, mas com dificuldades para
funcionar visto que funcionava em casas de companheiros/as.

Também funcionará uma rádio FM, Faça Você. Já temos feito transmissões de
testes e para ocasiões especiais (como o Primeiro de Maio), temos potencia
para chegar ao redor de 30 quadras.

No lugar já temos destinado um espaço para acontecimentos culturais onde a
batucada Rompesiesta (batucada social, que apóia movidas barriais,
participamos em marchas etc) daremos oficinas de tambores e murga, como
também outras coisas...

Aos poucos vamos saindo e estamos em contato com outras organizações e
apoiamos outras lutas, mas a reconstrução levá-nos muito tempo. Há pouco
nos somamos a uma atividade contra a repressão policial...

Isto é o que fazemos em comum, mas separados todos atuamos em outras
partes (estudantil, difusão e denúncia, educação popular etc).

ANA > Ao que você se refere exatamente com ?tomada de terras e vida
autogestionada?? Pequenas experiências em coletividades rurais?

Pablin < Nos referimos a ocupações de terras urbanas, aqui na nossa região
chamamos tomada de terrenos, na capital se chama vilas misérias. E vida
autogestionária... são compas que construíram casas comunitariamente. Como
também espaços comuns, como bibliotecas e praças para as crianças. Também
há hortas como base de alimentação...

ANA > Sério, o Estado financia projetos ?autogestionários?
auto-denominados anarquistas? [risos]

Pablin < É uma questão complicada, porque o Estado com este governo de
Kischner - que se poderia definir como neopopulista - trata de cooptar e
destruir o espírito de todos os movimentos sociais com subsídios e
políticas sociais aparentemente progressistas, avançadas (e mais, é
incrível como conseguiram roubar a linguagem para formular as propostas!).
E nestes novos movimentos sociais aonde há anarquistas inseridos, foram
aceitas várias destas políticas para crescer ou sustentar projetos
produtivos... Nós não julgamos se está bem ou mal, já que como dissemos,
nós não temos que dar soluções imediatas a ninguém, mas nestes movimentos
há necessidades básicas que há que resolver urgentemente... Como se
resolve a fome das crianças? O desemprego massivo? As mulheres só
sustentando suas famílias? E toda a problemática social que produz o
capitalismo? O tema do reivindicativo é muito complexo, muitos anarquistas
puristas resolvem-o no plano teórico mas na realidade não fazem nada, e
disfarçam sua inércia ou sectarismo em pura retórica. E também é certo que
alguns correm o risco de cair em empreendimentos e práticas reformistas e
até de ser cooptados.

ANA > Vocês mantém relações com os povos originários?

Pablin < Temos relações com o Povo Mapuche, especialmente com os jovens
Koma. Já está programado um espaço para eles na rádio, onde vão difundir
sua luta. Vários de nós estivemos apoiando sua luta na recuperação de
terras ou contra as petroleiras.

ANA > Em matéria de meio ambiente, quais os principais problemas na
Patagônia?

Pablin < Aqui em Neuquén a contaminação que nós temos é com as petroleiras
que estão contaminando os rios e as fontes de águas, se continuar assim,
daqui a 20 anos estaremos muito fudidos... Aí está o exemplo da comunidade
Mapuche Kaxtripain que no sangue já tem um alto grau de chumbo, e há um
caso de uma criança que nasceu com deformações.

Também há problemas em Ezquel com a instalação de uma mineradora que
deixaria tudo desertificado e com contaminação do rio, mas aí a comunidade
resiste com muita força, apesar dos apertos de todas partes.

Mas um dos problemas principais, é que a Patagônia é uma das reservas
naturais mais grandes do mundo, e gringos e ricos locais estão se
apropriando dela. É incrível como eles acabaram com grandes quantidades de
hectares, com as pessoas e rios incluídos. Vários desalojos foram feitos
com antigos habitantes e comunidades Mapuches-Tehuelches. Um dos casos
mais chamativos é o da Bennetton, que já tem um país à parte, tem
propriedades que vão do Atlântico argentino ao pacifico chileno!!! Isto
com a cumplicidade dos governos que estão arrematando o pouco que ainda
tinham de soberania, estão até arrematando parques nacionais.

ANA > Fale um pouco da batucada ?Rompesiesta?... Vocês tocam coisas
brasileiras?

Pablin < Com o batuque fazemos alguma coisa de brasileiro, mas pouco
(samba reggae principalmente), já que há pouca gente que maneje bem o
ritmo, mas se existe alguém (do Brasil) que copie e nos tire os toques,
especialmente de repique, estaria muito bom.

ANA > E como vê as perspectivas de futuro da luta libertária na Patagônia?

Pablin < É com muita esperança, mas um trabalho de muito tempo, um
trabalho de formiguinhas.

ANA > Quer acrescentar algo para finalizar? Obrigado!

Pablin < Que nos encontremos na luta, construindo (e também destruindo o
Estado e o Capital), e não só com lindas frases anarcas ou poses super
revolucionárias que ficam só em palavras. Esses tempos atuais necessitam
mais de gestos que palavras, e hoje com a caída do socialismo autoritário
muita gente nos vê com expectativa e esperança de uma mudança social
radical mais livre.

Contato: latintatinto@yahoo.com.ar


agência de notícias anarquistas-ana


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