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(pt) [Irlanda] Nossa luta é global e por isso necessitamos maior intercâmbio

Date Tue, 19 Dec 2006 22:18:53 +0100 (CET)


Em entrevista à ANA, Paddy Rua, militante da WSM (Movimento de
Solidariedade dos Trabalhadores) da Irlanda, fala dessa organização e um
pouco do anarquismo nesse país

Agência de Notícias Anarquistas > Fale algo sobre a historia da WSM
(Movimento de Solidariedade dos Trabalhadores)...

Paddy Rua < Na Irlanda não há uma tradição histórica anarquista, só alguns
indivíduos que contribuíram com o movimento localmente e em outros países,
como John Creaghe na Argentina. Nos anos 70, alguns jovens trabalhadores
na Irlanda, que haviam estado envolvidos no movimento anarquista na
Inglaterra, voltaram a este país e formaram grupos locais em diversas
cidades. Estes grupos não prosperaram, porque tudo o que tinham em comum
era a auto-definição de anarquistas. Nos anos 80, especificamente em 1984,
o WSM se formou com anarquistas que viram a necessidade de uma visão e de
uma prática comum. Também viram a necessidade de se envolverem no
movimento sindical, assim como em outras organizações populares. Desde
então nossa organização tem sido capaz de entregar uma visão e uma prática
libertária respeitando as distintas lutas e acontecimentos que tem
ocorrido na Irlanda. Temos sido capazes, graças à organização, de ter mais
influência que a sincera soma de nossos militantes.

ANA > Vocês mantém núcleos em toda Irlanda?

Paddy < Sim, temos contatos em vários lugares da Irlanda, porém nossos
núcleos militantes se concentram em Cork e Dublin, as duas principais
cidades do país, com presença orgânica em Derry, e no norte.

ANA > Qual o perfil dos militantes da WSM? Gente jovem? Trabalhadores e
estudantes? Há equilíbrio entre o número de homens e mulheres na
organização?

Paddy < O perfil tem mudado bastante nos últimos anos. Anteriormente, o
perfil de nossos militantes era primordialmente de gente de trinta e
poucos anos em média, mas ultimamente, muita gente jovem tem se unido à
organização, o que tem trazido bastante sangue e idéias novas, assim como
tem mudado bastante a média de idade. Isto tem levado a uma mudança na
presença da organização. Até um par de anos atrás todos na organização
eram trabalhadores; hoje, um número significativo de companheiros são
estudantes.

Com respeito ao equilíbrio entre o número de homens e mulheres, devemos
reconhecer que, como em grande parte do movimento libertário, a balança
não está muito equilibrada. O número de mulheres é bastante reduzido. Não
acreditamos que haja respostas fáceis do por que esta situação ocorre, mas
é um fato objetivo, e tratamos continuamente de ver formas de superá-lo.

ANA > E quais as principais lutas da WSM hoje?

Paddy < Bom, antes de tudo, há que se esclarecer que o nível de lutas
sociais na Irlanda foi durante a maior parte do século XX bastante baixo,
ao contrário do que se possa acreditar desde fora. Quase todo o conflito
social na Irlanda se circunscrevia ao norte, ainda que na República as
águas estavam bastante tranqüilas. Ainda assim, este conflito se
restringia a questão da ocupação britânica e a libertação nacional,
questões legítimas frente as quais a WSM sempre teve uma posição clara,
mas se ignorava que atrás dessa ocupação imperialista, estava o domínio da
classe capitalista em ambos lado da fronteira. Desafortunadamente, estas
lutas anti-imperialistas e o movimento republicano que as capitalizava,
dissociava na pratica esta luta do conflito de classes e da necessidade de
realizar transformações de fundo da sociedade capitalista -um objetivo de
muito maior alcance que a simples independência. Assim sendo, ainda que no
discurso, o movimento republicano se proclama socialista.

Esta realidade, historicamente, tem constrangido ao movimento popular, tem
limitado o crescimento da esquerda em geral, a qual não é senão um
segmento mínimo na gama política da Irlanda, e tem significado que fora os
seis condados ainda sob ocupação britânica, o nível das lutas sociais seja
baixíssimo.

Isto, também tem significado que haja um espaço menor de intervenção
política para os movimentos revolucionários, também nos tem dado uma maior
visibilidade em nossas ações e em nossas lutas, assim como nos tem forçado
a propor nós mesmos certos temas, em ausência de um movimento mais amplo
que os proponha.

Nos últimos anos, as grandes lutas que a organização tem levado adiante
tem sido as lutas no plano do anti-militarismo -recordemos que o aeroporto
de Shannon tem sido sistematicamente utilizado pelos aviões
norte-americanos como escala em sua guerra contra o terrorismo; as lutas a
favor dos direitos dos imigrantes e contra o racismo; as lutas a favor de
que se reconheçam os direitos abortivos para as mulheres; e hoje em dia, a
grande luta na Irlanda é contra as petrolíferas no oeste da ilha, em
Rossport, aonde estão ameaçando a comunidade local que se opõe ao
desenvolvimento da indústria petroleira em sua localidade.

Além destas campanhas, temos estado crescentemente preocupados em levantar
trabalhos mais sólidos no movimento sindical e nas comunidades populares.

Recentemente, alguns casos de violência policial nos bairros populares que
tem resultado em mortes de jovens, têm aberto possibilidade de construir
laços mais estáveis nesses espaços.

Da mesma forma, a intenção de colocar impostos sobre a água e a coleta de
lixo, geraram alguns incipientes e esporádicos núcleos de organização
barrial. Mas a ausência de tradições organizativas e de luta recentes faz
com que este último trabalho, seja bastante lento e dificultoso.

ANA > E estas lutas estão fazendo a WSM crescer?

Paddy < Certamente, com estas lutas temos conseguido crescer em números, e
o crescimento nos últimos dois anos tem sido maiores que tudo o que a
organização cresceu desde sua fundação em 1984. De qualquer maneira,
queremos chegar a muito mais gente e para isto, cremos que como passo
prévio, necessitamos ser capazes de atrair os mais amplos setores da
população a luta. Este é um desafio importante, mas acreditamos que temos
as possibilidades de ser um fator de muito maior peso nas lutas sociais.

ANA > Vocês editam algum jornal?

Paddy < Sim, temos tanto uma revista bimestral, chamada Workers
Solidarity, onde cobre certas noticias e certos conceitos políticos muito
básicos, e são distribuídas gratuitamente 6.000 cópias, assim como uma
revista teórica chamada Red & Black Revolution, que é edita duas vezes por
ano e da que se vende 1.000 exemplares. Ainda em R&B temos uma discussão
política e teórica que está mais orientada ao mundo anarquista, a
orientação da WS é notadamente ao público em geral.

Ultimamente, estamos pondo muito mais ênfases de nossa presença na
internet, pois sobretudo na Irlanda, setores cada vez majoritários da
população têm acesso regular a este meio e simplifica muitíssimo a
capacidade de ter posicionamento e opinião de forma mais direta.
Trabalhamos muito no Indymedia Irlanda, com quem temos excelentes
relações, e também trabalhamos muito no portal www.anarkismo.net, que
aglutina diversos grupos anarco-comunistas e plataformistas, de diferentes
países, incluídos Brasil, Chile, Peru, Itália, África do Sul, Turquia etc.

Além disso, estamos depositando cada vez mais esforços em nosso próprio
sítio na internet, que pode ser visitado em www.wsm.ie.

À parte, temos publicado o primeiro número de um boletim em castelhano
chamado Liberación, que esperamos sirva para facilitar o acesso às nossas
lutas e opiniões aos companheiros de língua espanhola no mundo. Sua
publicação será principalmente através da internet, de onde poderá ser
baixado em formato PFD.

ANA > E possuem espaços, sedes?

Paddy < Sim, bom, possuímos uma repartição no qual temos nosso serviço de
livraria, bibliotecas, e é o espaço no qual podemos ser contatados e aonde
realizamos nossas reuniões. Além disso, existe um centro social libertário
chamado Seomra Spraoi, o qual é autônomo e não é da WSM, mas no qual
também realizamos atividades e aonde participam ativamente alguns de
nossos membros.

Acreditamos que a presença de ambos espaços têm possibilitado um
desenvolvimento enorme de nosso trabajo político e da presença, não só do
WSM, senão que do movimento libertário mais amplo que participa em
diversas lutas sociais.

ANA > E no geral como anda o movimento anarquista na Irlanda. Há outras
iniciativas libertárias a se destacar?

Paddy < Na Irlanda existe um crescente movimento libertário de diversas
sensibilidades, mas aparte da WSM, não há nada muito orgânico. Em Belfast
existe um grupo chamado Organise vinculado a AIT que existe desde meados
dos anos 80, e recentemente se formou um grupo anarco-feminista chamado
RAG em Dublin. Cremos que sua presença é um grande aporte ao movimento
libertário deste país, sobretudo considerando que a Irlanda tem tido
tradicionalmente uma grande influência da Igreja Católica mais
tradicional, o que significa que seja um país, até tempos muito recentes,
bastante conservador. O anarco-feminismo, certamente, têm muito o que
dizer sobre isto e acreditamos que trará uma luz fresca sobre o conjunto
do movimento revolucionário para a liberação.

Existe também na República um grupo chamado Anarchist Youth, onde foi
formado recentemente e tem o mérito de agrupar diversos jovens de
sensibilidade libertária. Cabe mencionar que tanto com a AY como com a RAG
existem boas relações e esperamos poder desenvolver trabalhos conjuntos no
futuro.

Vemos o surgimento destes dois novos grupos como parte de um crescente
movimento libertário, o qual é, em todo caso, um fato sumamente positivo.

Até há pouco tempo existiu uma rede ampla libertária chamada Grassroots
Gathering, que se formou principalmente na luta contra a guerra de Bush, e
bom, seguiu desenvolvendo um par de iniciativas, mas como todo este tipo
de redes amplas, se esgotou depois de alguns anos. O positivo, é que muita
dessa gente, a maioria, segue ativa em diversas iniciativas locais, assim
como nos grupos como WSM e RAG.

ANA > Vocês participaram da última Feira do Livro Anarquista em Londres.
Conte-nos um pouco como foi essa edição. Essa é a maior Feira editorial da
Europa, certo? Outra coisa, li uma nota dizendo que um grupo
?anarco-capitalista? foi expulso da Feira, o que passou?

Paddy < Este ano cerca de 3.000 pessoas visitaram a feira, não só para
comprar livros e folhetos, senão também para participar das discussões e
palestras. Sim, provavelmente é a maior feira desta natureza na Europa. O
incidente com os anarco-capitalistas foi um assunto muito menor, pois um
pequeno grupo chegou sem permissão dos organizadores, instalou seu stand e
pouco depois lhes foi pedido que se retirassem. O proclamado
anarco-capitalismo é uma tendência diminuta na Europa, não mais que meio
punhado de pessoas, que se associam na realidade com políticas
conservadoras.

ANA > E há alguma Feira na Irlanda? Algum evento ?grande??

Paddy < Bom, desde o ano passado, ante o crescente movimento libertário na
Irlanda, vimos à necessidade de começar a realizar anualmente, em março,
uma Feria do Livro Anarquista na Irlanda, que este ano foi um grande
êxito. Esperamos que no próximo ano seja igual. Creio que essa é a
atividade mais "grande", mas regularmente se realizam outras classes de
atividades, tanto por parte da organização, da AY e da RAG, assim como por
parte de iniciativas particulares.

ANA > No Reino Unido há alguma tentativa de coordenar federativamente os
diversos grupos?

Paddy < No Reino Unido existem três federações nacionais, a AF, a Solfed,
que está aderida a AIT, e a Class War. Separada, existe a IWW, que se não
é anarquista, agrupa bastantes libertários e é a maior organização de
todas elas. Todas estas federações têm já vários anos de existência.

ANA > Diferentemente de outros lugares, de longe sinto que o tema
?ecologia?, a luta ambientalista está muito presente no universo
anarquista no Reino Unido. Concorda ou estou equivocado?

Paddy < Bom, nós somos uma organização irlandesa, assim que não sei se nos
corresponderia realmente falar com absoluta propriedade da situação no
Reino Unido, mas parece ser uma preocupação importante no movimento
libertário nessas terras.

ANA > Gostaria de acrescentar algo mais? Obrigado e ânimo na luta!

Paddy < Bom, nada além de estabelecer nosso ânimo de trocar opiniões e
experiências com os libertários em luta na América do Sul. Cremos que há
coisas muito importantes e desenvolvimento que nos enchem de otimismo no
hemisfério sul, especialmente, no que se refere ao movimento
anarco-comunista. Nossa luta é global e por isso necessitamos maior
intercâmbio. Agradecemos muita a entrevista.

Secretaria Internacional da WSM: wsm_ireland@yahoo.com

WSM: www.wsm.ie

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