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(pt) [Rusga Libertária ? Brasil.] O Basta! Da Comuna de Oaxaca.

Date Sun, 10 Dec 2006 20:14:15 +0100 (CET)


?Tomar o poder é tomar o poder nas fábricas, nos campos, nas minas, nas
oficinas, nas escolas, nos hospitais, nas centrais elétricas, nos meios de
comunicação, nas universidades, e o poder é dos trabalhadores e do povo
quando são organismos por eles controlados, amplamente democráticos e
participativos, onde os que o assumem apropriam-se das funções tutelares
exercidas desde a esfera estatal. Por isso é que uma estratégia de poder
popular deve ter como premissa essencial a construção desses organismos e
esta é a tarefa política chave que desde já está jogando um papel de
primeira ordem na determinação de se o futuro revolucionário será
socialista e libertário ou não. Por isso a derrota da ordem capitalista e
autoritária e a construção de um autêntico poder popular está se
produzindo todos os dias, em relação a como se orienta e concretiza nosso
trabalho político e social?.
(Protagonismo da Luta Popular Organizada, Declaração de Princípios:
Federação Anarquista Gaúcha ? FAG, 2000).

Em meio a uma profunda crise política, marcada, sobretudo pela fraude das
eleições presidenciais, legitimando Felipe Calderon como presidente, o
México encontra-se hoje, 12 anos após o levante zapatista em Chiapas, no
centro da luta de classes da América Latina, abrindo grandes perspectivas
às lutas dos oprimidos deste sofrido continente através ?de mais de 500
anos de resistência indígena, negra e popular que hoje confluem em um
grande caldo que ao seu passo arrasa com a soberba a mentira da auto
proclamada classe política. Este espaço aonde se congrega o melhor das
tradições democráticas se chama: Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca
(APPO)?. (Comunicado das Milícias Insurgentes Ricardo Flores Magón,
Brigada Francisco Javier Mina).

Tudo começou no mês de maio, com uma greve de professores por melhores
condições de trabalho e aumento salarial, que chegou a mobilizar 70 mil
pessoas em torno da causa. Em uma das mobilizações grevistas, uma vigília
em frente ao palácio do governo de Oaxaca no dia 14 de junho, os
professores foram brutalmente desalojados pela polícia a mando do
governador Ulises Ruiz Ortiz (URO), o que ao contrário do que a classe
política oaxaquenha imaginava, não dispersou o movimento, tendo gerado uma
ampla solidariedade por parte da população e dos diversos setores
organizados do povo em luta.

Como resultado desta solidariedade, o povo de Oaxaca construiu a APPO,
congregando mais de 300 organizações populares em torno de uma única
pauta: a destituição do tirano URO. Como meios de luta, o movimento
iniciou a ocupação de diversos prédios públicos, canais de TV e rádios,
incluindo a rádio Universidad, localizada na Universidade de Oaxaca que se
transformou em rádio APPO.

Desde então, o movimento tem se alastrado por todo o Estado de Oaxaca,
tendo eco em todo o México, na América Latina e no mundo, como uma
autêntica experiência de poder popular. Há cerca de 06 meses Oaxaca se
encontra sobre o controle da APPO, sendo gerida de forma direta e
horizontal pelos que até então se encontravam a margem de um sistema
sanguinário e excludente: indígenas, trabalhadores, desempregados,
camponeses... sendo por isso conhecida como a Comuna de Oaxaca. Como meio
de tentar calar as vozes insubmissas organizadas na APPO, o Governo
Federal mexicano, através do presidente Vicente Fox, ordenou a intervenção
da Polícia Federal Preventiva (PFP) no Estado para conter o processo
revolucionário. A ordem partiu após um ataque paramilitar a uma barricada
da APPO, onde teve o saldo de três mortos, dentre eles um voluntário da
rede Indymedia de Nova Iorque e vários feridos.

Após 01 Mês de intervenção da PFP, o povo oaxaquenho deu continuidade a
sua luta, radicalizando-a cada vez mais. Multiplicaram-se o número de
barricadas pela cidade e a solidariedade a APPO se alastrou por todo
mundo: manifestações em diversas embaixadas e consulados mexicanos,
bloqueio aos sites das embaixadas e inúmeras cartas de apoio a APPO, o que
demonstra que nenhuma luta se faz sem solidariedade internacionalista e
que a luta contra o capital é global.

A repressão à APPO, que foi posta na clandestinidade, tem aumentado dia
após dia com sistemáticos ataques da PFP as barricadas e a rádio APPO, que
acabou por ser tomada pela repressão no dia 29 de novembro em busca de
?restaurar a ordem?, em compensação nenhuma atitude contra os grupos
paramilitares foi realizada por parte da PFP, muito pelo contrário, os
mesmos encontram-se hoje atuando em conjunto contra o povo.

Essa heróica luta do povo de Oaxaca, que atualmente é omitida pela mídia
tanto nacional como internacional, se mostra um autentico exemplo de que
quando os de baixo se movem os de cima caem, que a auto-organização, o
protagonismo e a independência de classe são nossas principais armas
contra o inimigo. A vitória dos trabalhadores, indígenas, camponeses e
oprimidos de Oaxaca representa uma vitória de todos na luta contra o
capital, abrindo perspectivas e ânimos históricos à luta anticapitalista.


Rusga Libertária ? MT, Construindo o Fórum do Anarquismo Organizado (FAO)
? Brasil.
rusgalibertaria@yahoo.com.br ? secretariafao@riseup.net

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