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(pt) [A PLEBE 48] TODO APOIO À COMUNA DE OAXACA

Date Fri, 8 Dec 2006 20:42:31 +0100 (CET)


A PLEBE - nº 48/Dezembro 2006 A.C.A.T.-A.I.T.
Órgão de Divulgação do SINDIVÁRIOS-FOSP/COB-ACAT/AIT
SEM PARTIDO NEM PATRÃO! Ligada a Associação Internacional dos Trabalhadores
*Caixa Postal: 1.933/CEP- 01009-972 / São Paulo-SP/Brasil
(E-mail: fospcobait@yahoo.co.uk)

TODO APOIO À COMUNA DE OAXACA

Desde o início de 2006, os trabalhadores mexicanos têm intensificado
greves e protestos. Diante de violentas repressões e perseguições o povo
tem respondido com mais greves e solidariedade. Frente à intervenção do
governo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) nos sindicatos, as
greves passaram a ser declaradas ilegais, quase todas acompanhadas da
ocupação das instalações pelos trabalhadores em luta - inclusive em
fábricas de grande porte e multinacionais. Foi neste contexto que a Seção
22 da Federação Nacional dos Trabalhadores na Educação, setor independente
do Sindicato Nacional Priista, deflagrou em 22 de maio uma greve,
convocando seus 70000 filiados para manifestações por aumento do salário e
das bolsas oferecidas aos estudantes, no estado de Oaxaca. Esta é uma luta
antiga numa das regiões mais pobres do México, atualmente governada por
Ulises Ruiz Ortiz, coronel regional e priísta da velha guarda. Esta greve,
porém, tomou vulto: quando o governador, Ulises Ruiz, se negou a atender
aos professores e mandou reprimir com violência o acampamento dos
grevistas. Não contava com a capacidade de luta dos acampados e a
solidariedade da população local que enfrentou e derrotou as forças
policiais após 5 horas de confronto. Começa a propaganda mediáticos contra
os professores, sem esclarecer nunca o por quê eles se encontram em greve.
No dia 14 de junho o governo decide desalojar o centro histórico de Oaxaca
com 1500 efetivos de policiais estatais antimotins: balas, gases, presos.
O resultado: várias dezenas de feridos e algumas detenções, porém os
sublevados resistem.

Neste momento em que o governo Bush/PR, estadunidense, investia milhões de
dólares no Muro da Vergonha Yanque ? tentando impedir a entrada de
imigrantes - e os políticos e a burguesia mexicana brincavam de
democracia, nas eleições presidenciais que se estavam disputando, o povo
de Oaxaca, que concentra grande parte da população mais pobre do país? ao
lado do vizinho estado de Chiapas, virtualmente controlado pelos
Zapatistas -, toma a dianteira da luta e se apresenta como uma alternativa
às ilusões eleitorais. Vem, daí as Grandes Marchas com a adesão crescente
de centenas de organizações indígenas, camponesas, sindicais, barriais e
estudantis. Nesse processo se organiza a Assembléia Popular dos Povos de
Oaxaca (APPO) em 17 de junho. Uma vez terminadas as eleições mexicanas,
com a derrota doe Ulisses Ruiz/PRI em Oaxaca seus sequazes iniciam uma
campana de repressão atentando contra ativistas que se destacavam nos
movimentos sociais, espionando as assembléias, encarcerando e assassinando
? já são 6 professores seqüestrados e assassinados.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Educação rompe com o PRI, assim
como a APPO limita a ação dos partidos políticos, combate a hierarquia e
realiza um movimento assembleário. Desde o início de agosto, a vida
política da capital e de algumas cidades no interior do estado vem sendo
geridas diretamente pelas APPO locais, dentro das tradições tribais
milenares da comunidade. Os prédios de governo e de justiça burguesa foram
fechados, e são os organismos a serviço da APPO que administram rádios
ocupadas, a autodefesa, o aeroporto, o trânsito e todos os serviços
públicos ? que se mantiveram ativos e funcionais. Se estabeleceu assim o
auto-governo na linha da Comuna de Paris e de todos os levantamentos
revolucionários desde então: estavam lançadas as bases para a instalação
da Comuna de Oaxaca, dentro de uma revolução magonista ? inspirada em
Flores Magon. A capital, importante centro turístico, por suas pirâmides
astecas e maias, mantinha barricadas em suas principais vias de acesso e
nas mais importantes vias de circulação ? a vida se mantinha normalmente,
os crimes violentos diminuíram.

Todavia, os políticos, os latifundiários e os empresários conspiravam em
segredo, clandestinamente contra a Comuna de Oaxaca. Assim foram
difundindo boatos e calúnias contra a APPO, financiando atos de sabotagem
aos serviços públicos e contratando mercenários para atuarem como
organizações para-militares ? com o intuito de combater as invasões e as
barricadas, realizando atos de provocação diários. As eleições mexicanas
foram concluídas com a vitória do candidato do governo, como no Brasil ?
só que por uma margem de menos de 0,5%, o q levou a protestos por parte do
candidato da esquerda q fora derrotado.

Nesse contexto, num confronto entre comunardos e para-militares Brad Will,
jornalista estadunidense, foi morto no dia 27 de outubro. Gravava o ataque
de pistoleiros, a serviço de Ulises Ruiz, contra as barricadas erguidas na
colônia Calicanto. Não havia sido a primeira morte causada pelos
confrontos com os mercenários do PRI, mas devido a repercussão
internacional pela morte de Brad o governo Fox/PAN enviou tropas da PFP
(Polícia Federal Preventiva), supostamente para combater a violência e
reestabelecer a ordem. São dezenas de tropas que chegam por terra e ar,
com milhares de soldados que assumem uma postura de guerra. As barricadas
são atacadas a morteiros, a Rádio Universitária ? tomada pelos comunardos
e q se tornara o porta-voz da APPO ? é invadida. Centenas são presos,
fala-se em execuções sumárias. Mas por outro lado os trabalhadores
oaxaquenos realizam uma luta heróica e rechaçam o avanço da PFP, retomam a
Rádio e reiniciam as transmissões, sustentando a ocupação da Cidade
Universitária. Em todo o mundo se realizam manifestações de apoio e
solidariedade a Comuna de Oaxaca, a AIT-IWA e suas Seções em todo o mundo
são algumas das primeiras a se solidarizar. Nós da FOSP/COB-AIT estivemos
presentes num Ato de Desagravo e de Solidariedade a Comuna de Oaxaca, em
frente ao Consulado do México, no dia 31 de outubro de 2006. Enquanto isso
os enfrentamentos continuam!

Aos dois partidos vitoriosos nas eleições - PRD y PAN - interessava a
queda de um dos poucos enclaves priístas que ainda restam no México, só
esperam a mudança do governo. As eleições mexicanas foram fraudulentas,
assim o processo de proclamação dos governadores pode ser lento, porém,
quando termine, Oaxaca pode se converter em outra Atenco. As empresas
nocionais y transnacionais pedem, desde o início da revolta, uma repressão
definitiva.

Mas a luta continua, em Oaxaca e no Brasil, intensifiquemos a formação dos
Comitês de Solidariedade locais ? chaves para articulação de uma
solidariedade ativa a Oaxaca e a todos os processos revolucionários que o
proletariado lance pela sua própria emancipação, por toda a humanidade!

SOLIDARIEDADE É UMA ARMA QUENTE!

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